Voltar para o blog
Importação
Energia Eólica
Energia Renovável
04 de julho de 202616 min

Energia Eólica Offshore no Brasil

Guia sobre importação de equipamentos para energia eólica offshore no Brasil: NCM de aerogeradores, cabos submarinos, marco legal e oportunidades logísticas.

Introdução: O Potencial da Energia Eólica Offshore no Brasil

O Brasil possui uma das maiores reservas de potencial eólico offshore do mundo. Estudos do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam um potencial técnico superior a 700 GW na costa brasileira, distribuído ao longo de mais de 8.000 km de litoral. Este potencial coloca o país em posição privilegiada para liderar a geração de energia eólica em alto-mar na América Latina e competir globalmente com mercados maduros como Europa, China e Estados Unidos.

Em 2026, o Brasil vive um momento decisivo para o desenvolvimento da eólica offshore. Mais de 70 projetos de geração eólica offshore já foram protocolados no IBAMA para licenciamento ambiental, somando mais de 160 GW de capacidade solicitada — um número que supera em muito a capacidade instalada total atual do Sistema Interligado Nacional (SIN), que gira em torno de 200 GW. Isso demonstra o enorme interesse do setor privado nessa fronteira energética.

No entanto, para que esse potencial se concretize, o país precisa superar desafios significativos em três frentes principais: regulatória, de infraestrutura portuária e de logística internacional. A cadeia de suprimentos para projetos eólicos offshore depende fortemente de equipamentos importados, desde as turbinas e seus componentes até cabos submarinos, fundações e embarcações especializadas. A importação desses itens envolve classificação fiscal complexa, tributação elevada, regime aduaneiro especial e logística de cargas excepcionais.

Neste artigo, analisamos em profundidade a cadeia de suprimentos da energia eólica offshore no Brasil, com foco na importação de equipamentos críticos. Apresentamos as classificações NCM aplicáveis, o marco regulatório em discussão, as exigências do licenciamento ambiental do IBAMA, as necessidades de infraestrutura portuária e as oportunidades para fornecedores brasileiros. Ao longo do texto, referenciamos as ferramentas da TRADEXA — classificador NCM com inteligência artificial, base de dados tarifários globais, mapas de frete e painéis de inteligência comercial — que podem apoiar importadores e investidores na estruturação de suas operações.

O desenvolvimento da geração eólica offshore no Brasil depende de um marco legal específico que discipline a exploração do potencial energético na faixa marítima. Diferentemente da geração onshore (em terra), a geração offshore requer autorização do governo federal para uso do espaço marítimo, envolvendo a União, a Marinha do Brasil, o Ministério de Minas e Energia e o IBAMA.

O Projeto de Lei 576/2021, em tramitação no Congresso Nacional, estabelece o marco legal para a geração de energia elétrica offshore. O PL 576/2021 define as regras para a outorga de autorizações e concessões para exploração de potencial energético em áreas marítimas, incluindo a realização de chamadas públicas para cessão de áreas pela União. O projeto prevê que a exploração offshore será realizada mediante contrato de concessão ou autorização, com prazo determinado, e estabelece critérios para a priorização de áreas, considerando a proximidade de portos, a existência de infraestrutura de escoamento e a compatibilidade com outros usos do mar (navegação, pesca, defesa, preservação ambiental).

Paralelamente ao PL 576/2021, o Decreto nº 10.946/2022 já havia regulamentado a cessão de espaços físicos em águas interiores e no mar territorial para projetos de geração de energia offshore. Esse decreto estabeleceu as primeiras diretrizes para que empresas pudessem solicitar autorização para estudos de viabilidade, mas o marco legal definitivo depende da aprovação do PL.

Em 2024 e 2025, o tema avançou significativamente no Congresso, com audiências públicas e negociações entre os ministérios envolvidos. A expectativa é que, em 2026, o PL 576/2021 seja finalmente aprovado, abrindo caminho para os primeiros leilões de áreas offshore. Para os importadores e investidores, a aprovação do marco legal será o gatilho para a materialização dos projetos e a consequente demanda por equipamentos importados.

Além do marco legal federal, os projetos offshore precisam se alinhar ao Planejamento Espacial Marinho (PEM), que está sendo desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com a Marinha. O PEM definirá zonas prioritárias para diferentes usos do mar, incluindo a geração de energia, e será um instrumento fundamental para reduzir conflitos e acelerar o licenciamento.

Licenciamento Ambiental no IBAMA: O Primeiro Gargalo

O licenciamento ambiental é, reconhecidamente, um dos maiores gargalos para projetos de energia eólica offshore no Brasil. O IBAMA é o órgão federal responsável pelo licenciamento de empreendimentos de geração de energia em áreas marítimas, e sua atuação tem sido criteriosa e demandado estudos ambientais extensos.

Mais de 70 projetos já foram protocolados no IBAMA para licenciamento prévio, mas nenhum obteve licença de instalação até o primeiro semestre de 2026. O processo de licenciamento ambiental para parques eólicos offshore envolve três etapas principais:

A primeira etapa é a Licença Prévia (LP), que aprova a localização e a viabilidade ambiental do empreendimento. Para obtê-la, o empreendedor deve apresentar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que devem contemplar estudos detalhados sobre a fauna marinha, rotas migratórias de aves, impacto visual, interferência com a navegação, ruído submarino durante a instalação e operação, e efeitos sobre a pesca artesanal e industrial.

Quer testar na prática? Crie sua conta grátis na TRADEXA.

Começar

A segunda etapa é a Licença de Instalação (LI), que autoriza o início da construção. Para a LI, o empreendedor precisa apresentar o Projeto Básico Ambiental (PBA) e detalhar todas as medidas de mitigação e compensação ambiental. É nesta fase que os contratos de importação de equipamentos se concretizam, pois a LI é condição para o início das obras.

A terceira etapa é a Licença de Operação (LO), que autoriza o funcionamento do parque eólico. A LO é concedida após vistoria e verificação do cumprimento das condicionantes ambientais.

O IBAMA tem enfrentado desafios de capacidade técnica para analisar os projetos protocolados. A autarquia criou um grupo de trabalho específico para eólica offshore e tem contratado consultorias especializadas, mas o número de projetos supera a capacidade de análise. Além disso, a complexidade dos estudos ambientais exigidos — como modelagem de dispersão de sedimentos, monitoramento de cetáceos e avaliação de impacto cumulativo — tem exigido investimentos significativos por parte dos empreendedores.

Para acelerar o licenciamento, o governo federal estuda a criação de zonas de desenvolvimento prioritário para eólica offshore, onde estudos ambientais regionais poderiam ser compartilhados entre projetos. Essa abordagem, inspirada no modelo britânico de Round Zoning, poderia reduzir o tempo de licenciamento de 6-8 anos para 2-3 anos.

Classificação NCM dos Principais Equipamentos Importados

A classificação fiscal correta dos equipamentos importados é essencial para determinar os tributos incidentes, os regimes aduaneiros aplicáveis e as obrigações acessórias. Os principais itens da cadeia de suprimentos de eólica offshore e suas respectivas classificações NCM são descritos a seguir.

Turbinas Eólicas e Componentes: NCM 8502.31.00

A NCM 8502.31.00 é o código que classifica os "grupos geradores eólicos" — as turbinas eólicas completas. Este código está inserido na posição 8502 da NCM, que abrange grupos geradores de energia elétrica. A alíquota do Imposto de Importação (II) para esta NCM é de 0% (zero), por força do Acordo sobre Tecnologia da Informação (ITA) da Organização Mundial do Comércio (OMC), do qual o Brasil é signatário.

É importante destacar que a alíquota zero de II para turbinas eólicas é um incentivo importante para o desenvolvimento do setor, mas não elimina os demais tributos federais e estaduais. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para esta NCM é de 15%, enquanto o PIS-Importação é de 2,1% e a COFINS-Importação é de 9,65%. O ICMS varia conforme o estado de destino, geralmente entre 17% e 20%.

Para componentes de turbinas que sejam importados separadamente — como pás, nacelles, geradores e torres — a classificação NCM pode variar. As pás de turbinas eólicas, por exemplo, classificam-se na NCM 8412.90.90 (partes de turbinas eólicas), enquanto as torres podem ser classificadas na NCM 7308.20.00 (torres e pórticos, de ferro fundido, ferro ou aço). Cada classificação tem alíquotas específicas, e a correta identificação do código é fundamental para evitar autuações fiscais e pagamento indevido de tributos.

A TRADEXA oferece um classificador NCM com inteligência artificial que permite ao importador identificar rapidamente o código correto para cada componente, com base em descrição técnica, imagens e referências da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado). A ferramenta também fornece as alíquotas atualizadas de II, IPI, PIS, COFINS e ICMS para cada NCM.

Cabos Submarinos: NCM 8544.60.00 e 8544.70.00

Os cabos submarinos são um dos componentes mais críticos e caros de um parque eólico offshore. Eles são responsáveis pela transmissão da energia gerada pelas turbinas até a subestação offshore e, desta, até o ponto de conexão em terra firme.

Os cabos submarinos de potência para média e alta tensão classificam-se principalmente nas NCMs 8544.60.00 (condutores elétricos para tensão superior a 1.000 V, com isolamento) e 8544.70.00 (cabos de fibras ópticas). A NCM 8544.60.00 abrange cabos de cobre e alumínio revestidos de PVC, XLPE ou EPR, com blindagem e armadura para instalação submarina.

O Imposto de Importação para cabos submarinos varia entre 12% e 18%, dependendo das especificações técnicas e da existência de Ex-tarifário (redução temporária de II para bens de capital sem produção nacional equivalente). Os cabos de fibra óptica (NCM 8544.70.00) têm alíquota de II de 12%.

Quer testar na prática? Crie sua conta grátis na TRADEXA.

Começar

Os cabos submarinos são frequentemente fabricados sob encomenda, com especificações técnicas únicas para cada projeto. Isso significa que o importador precisa planejar a aquisição com meses de antecedência e garantir que o produto atenda às normas técnicas brasileiras (ABNT NBR) e internacionais (IEC 60228, IEC 60502).

Fundações: Monopiles, Jackets e Tripods — NCM 7308.20.00 e 8430.41.00

As fundações são os elementos estruturais que fixam as turbinas ao leito marinho. O tipo de fundação depende da profundidade da água, das condições do solo e das características da turbina. Os principais tipos são:

Monopiles são estruturas cilíndricas de aço cravadas no leito marinho, utilizadas em profundidades de até 30-40 metros. Jackets são estruturas treliçadas de aço, semelhantes a torres de transmissão, utilizadas em profundidades de 40 a 80 metros. Tripods são estruturas de três pernas, adequadas para profundidades intermediárias. Todos esses itens classificam-se na NCM 7308.20.00 (torres e pórticos, de ferro ou aço), com II de 12% a 16%.

Para fundações mais complexas, como suction buckets e âncoras de estaca, a classificação pode recair na NCM 8430.41.00 (máquinas de sondagem ou perfuração), dependendo das características construtivas e funcionais do equipamento.

As fundações eólicas offshore são estruturas de grande porte — um monopile típico pode pesar entre 800 e 1.500 toneladas, com diâmetro de 8 a 12 metros e comprimento de 60 a 100 metros. O transporte dessas estruturas do fabricante até o porto de instalação exige logística especializada de cargas excepcionais, incluindo navios graneleiros ou barcaças de projeto, guindastes de alta capacidade e veículos especiais para movimentação portuária.

A TRADEXA oferece ferramentas de inteligência de frete e logística que permitem ao importador mapear rotas, calcular custos de transporte e identificar parceiros logísticos especializados em carga de projeto (project cargo). O painel de fretes da TRADEXA compila dados de mais de 300 rotas internacionais, com atualização mensal de tarifas.

Embarcações de Instalação: Navios de Lançamento e Guindastes Flutuantes

As embarcações especializadas para instalação de parques eólicos offshore — conhecidas como WTIV (Wind Turbine Installation Vessels) e CLV (Cable Laying Vessels) — são equipamentos de altíssimo valor agregado, frequentemente alugados ou fretados por operadores internacionais.

Os navios de instalação de turbinas (WTIV) são equipados com guindastes de alta capacidade (1.200 a 3.000 toneladas), sistema de posicionamento dinâmico (DP2) e pernas autoelevatórias (jack-up) que permitem operar em profundidades de até 60 metros. Esses navios são utilizados para içar e posicionar as fundações, instalar as torres, nacelles e pás das turbinas.

Os navios lançadores de cabos (CLV) são projetados para instalar os cabos submarinos de potência e fibra óptica. Eles possuem tanques de armazenamento de cabos, sistemas de tensão e posicionamento e equipamentos de enterramento (jetting tools e ROVs).

A importação ou afretamento dessas embarcações envolve regimes aduaneiros especiais, como o admissão temporária (para navios que entram no Brasil para prestar serviço e depois saem) ou o drawback (para componentes que serão utilizados na construção de parques offshore e posteriormente exportados). A classificação aduaneira de embarcações segue a NCM 8905.20.00 (navios de dragagem ou flutuantes) ou NCM 8905.90.00 (outros navios), com II de 0% para navios de uso comercial, conforme estipulado no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).

Infraestrutura Portuária: A Base Logística para a Eólica Offshore

A viabilidade dos projetos de eólica offshore no Brasil depende criticamente da infraestrutura portuária disponível. Diferentemente da energia onshore, onde os componentes podem ser transportados por rodovias até o local de instalação, a eólica offshore requer portos com capacidade de receber, armazenar e movimentar cargas de grandes dimensões e peso elevado.

Porto do Rio Grande (RS)

O Porto do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, é um dos principais candidatos a hub de eólica offshore no Brasil. O porto possui um calado natural profundo (acima de 40 pés), área para expansão de terminais especializados e proximidade de áreas offshore com alto potencial eólico na costa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O terminal TECON (Terminal de Contêineres) e o terminal de granéis do porto têm capacidade para movimentação de cargas de projeto, mas necessitam de investimentos em pátios de armazenagem, guindastes de alta capacidade e áreas de pré-montagem.

Quer testar na prática? Crie sua conta grátis na TRADEXA.

Começar

Complexo do Pecém (CE)

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, é outro forte candidato. O Pecém já possui infraestrutura moderna, terminal de contêineres com calado de até 16 metros e área para expansão de 13.000 hectares. O porto está estrategicamente localizado próximo à costa com excelente regime de ventos (velocidade média acima de 9 m/s) e já recebeu investimentos de empresas como a Vestas e a Siemens Gamesa para armazenagem de pás e nacelles. O Pecém também abriga um terminal de cabos submarinos e tem potencial para se tornar um centro de pré-montagem de fundações e torres.

Porto do Açu (RJ)

O Porto do Açu, no norte do estado do Rio de Janeiro, é o maior complexo portuário privado do Brasil e já se posiciona como hub de energia offshore. O Açu possui terminal multicargas, estaleiro para reparo naval, retroárea de 90 km² e profundidade natural de até 20 metros. O porto já firmou parcerias com empresas de energia eólica offshore para desenvolvimento de terminal dedicado, incluindo área para montagem de turbinas e armazenagem de componentes. O Açu também abriga o terminal da BP Energy e está próximo das bacias de petróleo e gás do pré-sal, o que facilita sinergias com a indústria offshore de óleo e gás.

Outros Portos Estratégicos

Além dos três principais, outros portos brasileiros têm potencial para apoiar a cadeia da eólica offshore. O Porto de Suape (PE) possui calado profundo e terminal de cargas de projeto, além de estar próximo a áreas offshore com projetos protocolados. O Porto de Salvador (BA) tem infraestrutura para movimentação de cargas pesadas e está próximo ao campo de Búzios, que pode ser área de desenvolvimento eólico. O Porto de Santos (SP), embora concentrado em contêineres, pode ser utilizado para componentes menores e peças de reposição.

O desenvolvimento portuário para eólica offshore exige investimentos estimados em R$ 5-10 bilhões nos próximos 10 anos, incluindo dragagem, reforço de cais, aquisição de guindastes de alta capacidade, construção de pátios de armazenagem e instalação de áreas de pré-montagem. Esses investimentos podem ser viabilizados por meio de parcerias público-privadas (PPPs), financiamento do BNDES e aportes privados dos operadores de parques eólicos.

Oportunidades para Fornecedores Brasileiros

A cadeia de suprimentos da eólica offshore oferece oportunidades significativas para fornecedores brasileiros, tanto na fabricação de componentes quanto na prestação de serviços especializados.

Na fabricação de estruturas metálicas, o Brasil possui parque industrial siderúrgico desenvolvido, com capacidade para produção de aço para fundações monopile, jacket e tripod. Empresas como Gerdau, Usiminas e Villares Metals podem fornecer chapas grossas e perfis estruturais para fabricação de fundações. Estaleiros nacionais como o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), o Estaleiro Rio Grande (ERG) e o Estaleiro Mauá podem fabricar as fundações e torres, desde que passem por processo de qualificação técnica e certificação de classe.

Na área de cabos submarinos, a Prysmian (com fábrica em Sorocaba/SP) e a Furukawa (com fábrica em Limeira/SP) têm capacidade para produzir cabos de média tensão, mas cabos de alta tensão (acima de 132 kV) atualmente são importados. Há oportunidade para instalação de nova capacidade produtiva no Brasil, especialmente com o desenvolvimento de cabos dinâmicos para eólica offshore flutuante.

Na prestação de serviços de instalação e manutenção, empresas brasileiras de óleo e gás — como a DOF Subsea, a Oceânica e a CBO — podem reposicionar suas embarcações de apoio para atender ao mercado eólico offshore. Essas empresas já possuem conhecimento de operações marítimas no litoral brasileiro, frota de embarcações de apoio (PSV, AHTS) e equipes técnicas qualificadas.

No desenvolvimento de projetos de engenharia, escritórios brasileiros como a CEBRACE, a PROGERAL e a SIX ENERGIA podem oferecer serviços de projeto básico, detalhamento executivo e gerenciamento de obras para parques eólicos offshore. A parceria com empresas internacionais de engenharia — como a Ramboll, a Arup e a COWI — pode acelerar a transferência de tecnologia.

A TRADEXA oferece ferramentas de inteligência comercial que permitem aos fornecedores brasileiros identificar oportunidades de fornecimento na cadeia da eólica offshore. O painel de trade intelligence da TRADEXA consolida dados de importação e exportação por NCM, país de origem/destino e porto, permitindo ao usuário mapear a concorrência internacional, identificar potenciais compradores e monitorar tendências de preço e volume.

Regimes Aduaneiros Especiais e Redução de Custos

A importação de equipamentos para projetos de eólica offshore pode se beneficiar de regimes aduaneiros especiais que reduzem a carga tributária e simplificam os procedimentos alfandegários.

O Ex-tarifário é um mecanismo de redução temporária do Imposto de Importação para bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicação (BIT) sem produção nacional equivalente. Equipamentos como guindastes de alta capacidade, embarcações de instalação, cabos submarinos especiais e sistemas de posicionamento dinâmico podem ser enquadrados no Ex-tarifário, reduzindo o II de 12%-16% para 0% ou 2%. O processo de aprovação do Ex-tarifário é conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços (SDIC) do MDIC, com prazo médio de análise de 60 a 120 dias.

Quer testar na prática? Crie sua conta grátis na TRADEXA.

Começar

O Regime de Admissão Temporária (RECOF) permite a entrada de equipamentos estrangeiros no Brasil com suspensão de tributos, desde que sejam reexportados no prazo legal (até 5 anos, prorrogável). Este regime é particularmente útil para embarcações de instalação e equipamentos de teste que entram no Brasil para execução de serviços específicos e depois deixam o país.

O DRAWBACK é um regime que suspende ou isenta tributos na importação de insumos destinados à fabricação de bens a serem exportados. Para a cadeia da eólica offshore, o DRAWBACK pode ser aplicado na importação de componentes (rolamentos, geradores, conversores de frequência) para fabricação de turbinas ou partes delas que serão posteriormente exportadas para outros projetos offshore na América Latina.

A TRADEXA mantém base de dados atualizada de todos os regimes aduaneiros especiais vigentes, com requisitos, prazos e procedimentos para solicitação. A ferramenta de regimes aduaneiros da TRADEXA permite ao usuário simular o impacto tributário de cada regime e identificar o mais adequado para sua operação.

Perspectivas e Desafios para o Setor

O mercado de eólica offshore no Brasil está em fase de estruturação, com perspectivas promissoras para os próximos anos. A aprovação do PL 576/2021 e a realização dos primeiros leilões de áreas offshore devem ocorrer ainda em 2026 ou início de 2027. Projeções da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) indicam que o Brasil pode instalar entre 5 GW e 10 GW de capacidade offshore até 2035, e até 30 GW até 2050.

Os principais desafios para o setor são o custo de capital elevado (taxa de retorno exigida para projetos de alto risco), a complexidade do licenciamento ambiental, a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária, a dependência de equipamentos importados e a falta de mão de obra especializada em operações offshore de energia.

No front logístico, a importação de equipamentos representa entre 40% e 60% do custo total de investimento (CAPEX) de um parque eólico offshore. A otimização tributária, a correta classificação NCM, o aproveitamento de regimes aduaneiros especiais e a negociação de fretes marítimos são alavancas fundamentais para reduzir o custo dos projetos e viabilizá-los no ambiente regulatório brasileiro.

A TRADEXA se posiciona como parceira estratégica para empresas que atuam na cadeia de suprimentos da eólica offshore. Com ferramentas como o classificador NCM com IA, a base tarifária global para 160 países, o painel de inteligência comercial, o módulo de regimes aduaneiros e os mapas de frete internacional, a plataforma oferece todo o suporte necessário para importadores, fabricantes e prestadores de serviços que desejam aproveitar as oportunidades desse mercado emergente.

Conclusão

A energia eólica offshore representa uma das maiores oportunidades de investimento em infraestrutura energética no Brasil das próximas décadas. Com potencial técnico superior a 700 GW, mais de 70 projetos protocolados no IBAMA e um marco regulatório em fase final de aprovação, o setor está maduro para decolar.

A cadeia de suprimentos offshore depende fortemente de equipamentos importados — turbinas, cabos submarinos, fundações e embarcações —, o que exige dos importadores profundo conhecimento de classificação NCM, tributação internacional, regimes aduaneiros especiais e logística de cargas excepcionais. A correta classificação dos equipamentos nas NCMs adequadas (8502.31.00, 7308.20.00, 8544.60.00, entre outras) é o ponto de partida para uma operação de importação bem-sucedida.

O Marco Legal da Eólica Offshore (PL 576/2021) e o licenciamento ambiental do IBAMA são os principais marcos regulatórios que definirão o ritmo de desenvolvimento do setor. A infraestrutura portuária — com destaque para Rio Grande, Pecém e Açu — precisará de investimentos significativos para atender à demanda de movimentação de cargas de grandes dimensões.

Para fornecedores brasileiros, as oportunidades vão desde a fabricação de estruturas metálicas e cabos até a prestação de serviços de instalação, manutenção e engenharia. A TRADEXA, com suas ferramentas de inteligência comercial e classificação NCM, é a plataforma ideal para apoiar empresas que desejam se posicionar nessa nova fronteira da energia brasileira.

Artigos Relacionados

Coloque em prática com a TRADEXA

Use nossas ferramentas para classificar NCM, consultar tarifas em 31+ países e analisar dados reais de comércio exterior.

Criar Conta Grátis

Pronto para transformar seu comércio exterior?

Comece gratuitamente hoje. Sem cartão de crédito. Acesso imediato a dados reais.