Guia de Exportação para Peru
Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para Peru.
Export. 2025-07
US$ 2.2 Bi
-0.0% vs período anterior
Cresc. 3 anos
+0.0%
CAGR 2022-2025
Produtos
10
Principais NCMs
Ranking
#23
Maior parceiro
Evolução das Exportações (US$ bilhões)
Principais Produtos (2025-07)
Óleos brutos de petróleo
US$ 322.8 MiDumpers para utilização fora-de-estrada
US$ 185.8 MiMotocultivadores e tratores agrícolas de rodas; exceto tratores rodoviários para
US$ 125.8 MiVergalhões de aços ao carbono
US$ 82.4 MiCarrocerias para tratores agrícolas, inclusive as cabines
US$ 71.7 MiChassis com motor para automóveis, jipes ou camionetas
US$ 56.4 MiLingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono
US$ 43.2 MiRetroescavadeiras
US$ 38.4 Mi2026 (US$ Bi)
Jan-Jun · parcial
Comparativo de Portos
🇧🇷Porto de Santos
US$ 1.1 Bi🇧🇷Porto de Paranaguá
US$ 674.0 MiGuia Completo para Exportar para Peru
Oportunidades Setoriais
O Peru é uma economia aberta e em desenvolvimento, com política comercial orientada à integração internacional. O comércio exterior representa parcela significativa do PIB, e o país possui cerca de 26 acordos de livre-comércio com mais de 40 países, o que facilita o acesso de produtos brasileiros a este mercado. O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Peru em importações, posicionando-o como mercado estratégico para exportadores brasileiros.
Ferro, aço e produtos siderúrgicos
Produtos siderúrgicos representam uma das principais categorias de importação peruana. Barras de ferro e aço, produtos intermediários e laminados de aço são amplamente demandados para atender ao setor de construção civil e de mineração do Peru. O Brasil ocupa posição competitiva nesse segmento, oferecendo qualidade e preços competitivos comparados a fornecedores asiáticos.
Veículos automotores e suas partes
O Brasil é um dos principais fornecedores de veículos para o mercado peruano. Chassis, veículos para transporte de passageiros, automóveis com motor de explosão e carrocerias compõem a pauta de exportação brasileira. A proximidade geográfica e a compatibilidade normativa entre os dois países favorecem esse fluxo comercial, especialmente para veículos comerciais e utilitários.
Insumos petroquímicos e químicos
Produtos químicos, polímeros (polipropileno, copolímeros de propileno), polietileno e soda cáustica são itens regulares da pauta de exportação brasileira ao Peru. Esses insumos são essenciais para a indústria manufatureira peruana, que abrange alimentos, plásticos, têxteis e produtos farmacêuticos.
Cereais e produtos agropecuários
O arroz, principalmente parbolizado e semi-branqueado, é um dos produtos agrícolas brasileiros com maior demanda no Peru. Produtos como soja, milho e derivados também apresentam oportunidades. O Peru mantém regime específico de faixa de preços para itens agrícolas, o que deve ser considerado na precificação.
Instrumentos e equipamentos
Instrumentos médicos, equipamentos hospitalares e dispositivos eletrônicos representam oportunidades crescentes. O Peru tem investido em modernização de sua infraestrutura de saúde e em expansão de redes hospitalares, gerando demanda por equipamentos importados. A indústria de telecomunicações também é dinâmica, impulsionando a demanda por dispositivos de comunicação.
Produtos de papel e celulose
Papel kraft, papel para impressão e produtos de fibra mecânica são demandados pelo setor peruano de embalagens e de impressão. O Peru possui indústria de alimentos e bebidas em expansão, o que gera demanda crescente por embalagens de papel e papelão.
Entendendo o Consumidor Peruano
O Peru possui uma população de aproximadamente 33 milhões de habitantes, com forte concentração urbana. A capital, Lima, concentra cerca de 32% da população total e é o principal centro de consumo e distribuição do país. As cidades de Arequipa, Trujillo, Chiclayo e Cusco complementam o mercado urbano com perfis regionais específicos. A pirâmide etária revela uma população predominantemente jovem, com 66% entre 15 e 64 anos, o que sustenta a demanda por produtos de consumo.
Diversidade regional e renda
O Peru apresenta significativas disparidades regionais em termos de renda e poder aquisitivo. Lima concentra a maior renda per capita, seguida por regiões como Moquegua e Arequipa. As regiões costeiras abrigam 55% da população, as zonas andinas 32% e a selva amazônica 13%. Essa diversidade geográfica exige estratégias de distribuição diferenciadas, adaptadas às condições logísticas de cada região.
Canal tradicional e canal moderno
A grande maioria do consumo de massa no Peru ainda ocorre por meio do canal tradicional — mercados de bairro, comércios locais e farmácias independentes — que representa cerca de 75% dos gastos das famílias com produtos de consumo. O canal moderno, composto por centros comerciais, supermercados, lojas por departamentos e discounters, vem ganhando participação nos últimos anos, especialmente em Lima. O e-commerce representa apenas 2% do comércio total, mas tem apresentado crescimento expressivo.
Exigência por qualidade e preços competitivos
O consumidor peruano é sensível à relação preço-qualidade. A política comercial aberta do país expõe o mercado a uma ampla oferta de produtos internacionais, tornando o consumidor relativamente exigente. A competição com produtos chineses, que representam a maior fatia de importações, exige que o exportador brasileiro ofereça vantagens competitivas em termos de qualidade, preço e prazo de entrega.
Penetração do comércio eletrônico
Embora o comércio eletrônico peruano represente apenas 2% do total de vendas, o crescimento tem sido significativo. As principais categorias de compra online são celulares e eletrodomésticos, jogos e hobbies, e cuidados pessoais. Os fatores que limitam o crescimento do e-commerce incluem a desconfiança na entrega, preocupação com o uso inadequado de dados pessoais e a preferência pela experiência em loja física.
Acesso ao Mercado e Canais
O Peru mantém uma política comercial amplamente aberta, com tarifa aduaneira média baixa, da ordem de 2% ad valorem. O país assinou cerca de 26 acordos de livre-comércio com mais de 40 economias, incluindo Estados Unidos, China, União Europeia, Chile, México e Mercosul (através do ACE N°58 no âmbito da ALADI). O sistema tarifário peruano baseia-se no Sistema Harmonizado (SH) e na Nomenclatura Comum dos Países Membros da Comunidade Andina (NANDINA).
Preferências tarifárias para o Brasil
No âmbito do ACE N°58, que integra o Mercosul e o Peru, todos os bens listados nos anexos I e II do acordo estão isentos de direitos aduaneiros no Peru. Para produtos agrícolas, são necessários certificados sanitários e/ou fitossanitários além do certificado de origem para usufruir das preferências tarifárias. O Brasil não possui impedimentos comerciais significativos para exportação ao Peru, exceto para produtos usados que não podem utilizar o programa de liberação tarifária.
Impostos sobre importação
- Direitos ad-valorem: variam entre 0%, 4%, 6% e 11%, aplicados sobre o valor CIF aduaneiro, conforme a subposição nacional do produto.
- Imposto Geral sobre Vendas (IGV): 16% sobre o valor CIF acrescido dos direitos aduaneiros e outros impostos de importação.
- Imposto de Promoção Municipal (IPM): 2% sobre a mesma base de cálculo do IGV.
- Imposto Seletivo ao Consumo (ISC): aplicável a produtos que geram externalidades negativas, como cigarros, bebidas alcoólicas, gasolina e veículos automotores.
- Direitos específicos do Sistema de Faixa de Preços: direitos variáveis adicionais sobre importações de arroz, milho, leite e açúcar.
Zona Franca de Tacna
No Peru existe uma Zona Franca localizada em Tacna (ZOFRATACNA), onde todas as mercadorias são isentas de impostos. Esta zona destina-se ao transporte de mercadorias para países terceiros e funciona como zona de intermediário, sem aplicação de impostos adicionais ou direitos aduaneiros.
Regulamentação de importação
Todas as importações de bens seguem o regime da SUNAT (Superintendência Nacional de Aduanas y de Administración Tributaria). Existem bens sujeitos a restrições ou proibidos para importação, como armas e munições, alguns medicamentos, combustíveis com concentração de enxofre superior a 50 ppm, e roupas e calçados usados. A lista completa de mercadorias proibidas está disponível no portal da SUNAT.
Modelos de Entrada
O exportador brasileiro dispõe de diversas alternativas para acessar o mercado peruano, desde a exportação direta até a constituição de empresa local. A escolha do modelo ideal depende do porte da empresa, do volume de vendas projetado, da necessidade de presença física no país e da estratégia de longo prazo. O Peru oferece relativa facilidade para a abertura de empresas e a concessão de vistos para estrangeiros.
Representante comercial e agente
A contratação de um representante comercial ou agente local é uma das formas mais comuns e econômicas de entrada no mercado peruano. O agente comissionado representa firmas estrangeiras sem atuar como importador, recebendo comissões sobre as vendas realizadas. O代表ante deve ser selecionado com atenção, verificando referências profissionais, bancárias e comerciais. A nomeação pode ser exclusiva ou dividida por regiões (costa, serra e selva), dada a extensão territorial e as diferenças regionais do Peru.
Distribuidor local
O distribuidor peruano adquire produtos diretamente do exportador brasileiro e os revende a varejistas ou consumidores finais. Essa modalidade é recomendada para produtos que demandem estoque local, assistência técnica pós-venda e presença contínua no mercado. O distribuidor assume o risco comercial e o relacionamento com os clientes finais, enquanto o exportador brasileiro mantém o controle sobre a política de preços e condições gerais.
Escritório de representação
Um escritório de representação comercial é um estabelecimento não permanente dedicado a atividades preparatórias ou auxiliares. Para sua constituição, é necessária a nomeação de um representante permanente no país com amplas faculdades inscritas nos registros públicos da SUNARP. Delegates brasileiros podem obter o Visto Mercosul, que permite residência temporária de dois anos, com possibilidade de transformação para residência definitiva. É obrigatória a inscrição no RUC da SUNAT.
Filial, sucursal ou subsidiária
A sucursal é um estabelecimento secundário da empresa principal, dotada de representação legal permanente e autonomia de gestão. A filial ou subsidiária é uma empresa independente da empresa-mãe, constituída como qualquer outra empresa no Peru. Ambas devem ser tributadas como agentes domiciliados, escolhendo um regime fiscal adequado. O Peru e o Brasil possuem acordo para evitar a dupla tributação.
Joint venture e franquia
As leis peruanas permitem a criação de empresas com risco compartilhado e joint ventures. O modelo de franquia é amplamente utilizado, transferindo o uso de marca, métodos de produção e sinais distintivos em troca de Initial Fee e royalty mensal. A cessão dos direitos de propriedade intelectual deve ser formalizada junto ao INDECOPI em favor do franqueado.
Documentação e Certificações
A documentação para exportação ao Peru deve ser preparada com rigor, pois a fiscalização aduaneira peruana é detalhista e qualquer inconsistência pode resultar em atrasos, multas ou apreensão de mercadorias. Os documentos devem ser redigidos preferencialmente em espanhol, com valores expressos em dólares americanos (USD), e devem observar a legislação aduaneira da SUNAT.
Documentos essenciais de embarque
- Fatura comercial (fatura proforma): deve conter informações detalhadas sobre o exportador, importador, descrição da mercadoria, quantidade, peso, valor unitário e total CIF, condições de pagamento, Incoterm aplicável e prazo de entrega.
- Conhecimento de embarque: para transporte marítimo (Bill of Lading), aéreo (Air Waybill) ou terrestre (Carta de Porte). Deve estar em conformidade com a fatura comercial.
- Certificado de origem: necessário para benefício das preferências tarifárias do ACE N°58. Pode ser emitido pela FIESP, CNA ou outro órgão competente brasileiro.
- Romaneio (packing list): detalha o conteúdo de cada embalagem, com pesos, dimensões e números de série, facilitando a inspeção aduaneira.
Certificados sanitários e fitossanitários
Para produtos agrícolas, alimentícios, farmacêuticos e de origem animal, são exigidos certificados sanitários emitidos por órgãos competentes. As principais agências peruanas responsáveis são: SENASA (Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar) para produtos agropecuários; DIGESA (Direção Geral da Saúde Ambiental) para alimentos e água; DIGEMID (Direção Geral dos Medicamentos, Insumos e Drogas) para medicamentos; e SANIPES (Organismo Nacional de Saúde Pesqueira) para produtos pesqueiros. Para alimentos para consumo humano, é necessário apresentar o Certificado de Livre Venda (CLV) emitido pela autoridade brasileira competente.
Rotulagem e embalagem
A regulamentação de rotulagem é controlada pelo INDECOPI e deve informar: marca ou nome do produto, país de fabricação, data de validade, condições de armazenamento, conteúdo líquido, nome e endereço do fabricante ou importador no Peru, e tratamento de emergência em caso de danos à saúde. Todas as informações devem ser em idioma espanhol, de forma clara e visível. Desde 2019, produtos processados devem incluir octógonos de advertência sobre teor elevado de açúcar, sódio, gorduras saturadas ou gorduras trans.
Registro de marcas e patentes
O registro de marcas e patentes é realizado junto ao INDECOPI. A Direção dos Sinais Distintivos é responsável pelo registro de marcas de produtos, serviços, nomes e slogans comerciais. A Direção de Invenções e Novas Tecnologias é competente para patentes de invenção, desenhos industriais e conhecimentos coletivos de povos indígenas. Recomenda-se antecipar o registro de marca antes de iniciar a comercialização no país.
Declaração aduaneira de importação
A importação para consumo de mercadorias pode ser feita por Declaração Aduaneira de Mercadorias (DAM), para qualquer valor, ou por Declaração Simplificada de Importação (DSI), para mercadorias com valor até USD 2.000 (ou USD 3.000 com ajustamento). O despacho aduaneiro pode ser antecipado, urgente ou diferido, sendo realizado por despachante aduaneiro habilitado. A identificação do importador é feita pelo RUC (Registro Único de Contribuinte).
Logística e Transporte
A logística de exportação do Brasil ao Peru conta com múltiplas opções de transporte marítimo, aéreo e terrestre. O comércio exterior peruano é realizado predominantemente por via marítima — 76% das exportações e 85% das importações — com complementação aérea para cargas de maior urgência ou valor. A proximidade geográfica com a região amazônica brasileira e a conexão rodoviária pelo sul também são fatores relevantes na escolha da rota.
Portos marítimos
O principal porto peruano é o Porto de Callao, localizado na província constitucional de Callao, adjacentes a Lima. O porto é dividido em três zonas: Terminal Multipropósito Doca Norte (operado pela APM Terminals), Terminal de Contêineres Doca Sul (operado pela DP World) e Terminal de Embarque de Concentrados Minerais. Callao é o segundo maior porto em movimentação de contêineres da América do Sul, com mais de 2,3 milhões de TEUs. Outros portos relevantes incluem Matarani (Arequipa), Paita (Piura) e General San Martín (Ica). O terminal portuário de Callao enfrenta congestionamento significativo, com tempos de recolhimento que podem chegar a 6 horas, versus o ideal de 2 horas.
Aeroportos internacionais
O Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Callao, concentra quase 99% do tráfego internacional de passageiros e cargas. As principais companhias aéreas de carga internacional são LATAM Peru, TACA Peru e Atlas Air. Para carga aérea, os fretes são significativamente mais elevados que os marítimos, mas oferecem rapidez para produtos perecíveis ou de urgência. Outros aeroportos com capacidade de carga internacional incluem Velasco Astete (Cusco) e Rodríguez Ballón (Arequipa).
Rotas rodoviárias Brasil-Peru
As principais rodovias para o transporte terrestre de carga são a Estrada Panamericana Sul, a Estrada Panamericana Norte e a Estrada Central. A rede viária peruana tem extensão de aproximadamente 168.000 km, mas apenas 16% são pavimentados. A distância entre Lima e as principais cidades varia: Cusco (573 km), Arequipa (683 km), Trujillo (487 km). A distância entre Lima e São Paulo é de aproximadamente 3.454 km por via terrestre.
Transporte fluvial amazônico
Os principais portos fluviais estão localizados na selva, sendo o mais importante o de Iquitos, que movimenta 64% da carga fluvial do país. Outros terminais relevantes incluem Pucallpa e Yurimaguas. O transporte fluvial conecta a região amazônica peruana ao Brasil, sendo uma rota alternativa para determinados produtos que possam ser transportados via hidrovias.
Custos de frete
Os fretes marítimos são significativamente mais baixos que os aéreos, em torno de USD 0,05-0,08 por kg bruto de carga para produtos gerais, com exceção de veículos automotores que chegam a USD 0,35 por kg. Os fretes aéreos variam mais amplamente, com valores como USD 2,5 por kg para medicamentos e dispositivos de telecomunicação. A escolha do modal deve considerar o valor do produto, a urgência da entrega e o custo logístico total.
Estratégias de Distribuição
A distribuição no Peru é fortemente centralizada em Lima Metropolitana, que concentra 32% da população e cerca de 41% do PIB nacional. A capital abriga as duas principais infraestruturas de transporte do país — o Terminal Portuário do Callao e o Aeroporto Internacional Jorge Chávez — e funciona como hub de distribuição para todas as regiões do país. Não existe outra cidade com população urbana superior a um milhão de habitantes.
Canal tradicional vs. canal moderno
O canal tradicional — mercados de bairro, comércios locais, farmácias independentes — representa cerca de 75% dos gastos das famílias com produtos de consumo de massa. Suas características incluem atomização de empresas, administração pouco sofisticada e informalidade. O canal moderno — centros comerciais, supermercados, lojas por departamentos, discounters — é composto por grandes empresas formalizadas e vem crescendo nos últimos anos, especialmente com a abertura de formatos pequenos como lojas de conveniência.
Principais redes varejistas
- Cencosud: opera supermercados Wong, Metro e lojas Paris.
- Falabella: inclui Saga Falabella, Tottus (supermercados), Sodimac (melhoria da casa), Maestro e Linio.
- Intercorp: opera Plaza Vea, Vivanda, Promart (construção), Inkafarma (farmácias) e Real Plaza (centros comerciais).
- Ripley: lojas por departamentos e eletrodomésticos.
- Discounters: Mass, Hiperbodega Precio Uno, OXXO e Tambo (lojas de conveniência).
Distribuição regional
Para além de Lima, as principais vias de distribuição são as rodovias Panamericana Sul, Panamericana Norte e Central. A infraestrutura logística nas regiões é menos desenvolvida, com vias não pavimentadas predominantes. A distribuição para as regiões da selva (Iquitos, Pucallpa) geralmente requer transporte fluvial ou aéreo complementar.
Infraestrutura de armazenagem
Os principais mercados atacadistas, fábricas manufatureiras e centros de armazenagem estão localizados nas zonas menos centrais de Lima Metropolitana. Não existem zonas de atividades logísticas, anteporto ou portos secos que ofereçam suporte adequado às atividades portuárias, embora diversas empresas prestem serviços de consolidação e desconsolidação de mercadorias nas proximidades do porto.
Compras governamentais
O sistema de compras públicas peruano é coordenado pelo organismo competente do governo central. As principais áreas de investimento público incluem educação, transportes e saúde. Empresas brasileiras podem participar de licitações, especialmente em infraestrutura, equipamentos médicos e produtos agropecuários, desde que atendam aos requisitos documentais e técnicos exigidos.
Cultura de Negócios e Etiqueta
O Peru é um país multicultural, resultado da fusão de tradições indígenas (quechuas e aymaras), coloniais espanholas e influências modernas. Essa diversidade cultural se reflete nas práticas de negócios e na etiqueta empresarial. A construção de relacionamentos pessoais é fundamental no contexto comercial peruano, e a confiança mútua costuma preceder qualquer transação comercial significativa.
Relacionamento pessoal e confiança
No Peru, os negócios são conduzidos com base em relacionamentos pessoais. Antes de fechar um contrato, é comum que as partes se conheçam pessoalmente, almoçem juntos e construam uma relação de confiança. Reuniões de negócios geralmente começam com conversas informais sobre família, futebol ou gastronomia antes de tratar do assunto comercial. A hospitalidade é uma característica marcante da cultura peruana.
Formalidade e vestimenta
O vestuário em reuniões de negócios é formal, especialmente em Lima. Homens devem usar terno e gravata, e mulheres vestimenta executiva conservadora. Nas demais cidades, o vestuário pode ser menos formal, mas a elegância é sempre bem-vista. A apresentação pessoal é valorizada e transmite profissionalismo e respeito pelo interlocutor.
Linguagem e comunicação
O idioma oficial é o espanhol, embora o quíchua e o aymara sejam amplamente falados nas regiões andinas. Para comunicações de negócios, o espanhol é indispensável. O inglês é utilizado em alguns setores internacionais, especialmente em empresas de grande porte e no setor financeiro. Recomenda-se investir em tradução e interpretação profissional para garantir clareza nas negociações. O WhatsApp é a ferramenta de comunicação mais utilizada no país.
Pontualidade e negociação
A pontualidade em reuniões de negócios varia conforme a região e o contexto. Em Lima, grandes empresas costumam ser pontuais, mas em outras cidades a tolerância ao atraso pode ser maior. As negociações tendem a ser processos lentos, com múltiplas rodadas de discussão antes de se chegar a um acordo. É comum que o importador peruano solicite amostras, condições especiais de pagamento e prazos estendidos.
Festividades e feriados
O Peru possui numerosos feriados nacionais e regionais, especialmente durante festas cívicas e religiosas. O Día de los Muertos (2 de novembro), o Carnaval, a Semana Santa e a Fête de la Candelaria (Puno) são datas importantes. O planejamento de viagens de negócios e entregas deve considerar esses períodos, nos quais muitos estabelecimentos comerciais permanecem fechados.
Tributação e Tarifas
O sistema tributário peruano é composto por uma série de impostos sobre importação e sobre a atividade econômica em geral. A administração tributária é realizada pela SUNAT (Superintendência Nacional de Aduanas y de Administración Tributária), enquanto a política fiscal é conduzida pelo Ministério de Economia e Finanças (MEF). A política comercial do Peru é liberal, com tarifa nominal média de aproximadamente 2% e ampla rede de acordos de livre-comércio.
Tributos sobre importação
- Direitos ad-valorem: alíquotas de 0%, 4%, 6% ou 11%, aplicáveis sobre o valor CIF aduaneiro, conforme a subposição nacional do produto na Tarifa Aduaneira vigente.
- IGV (Impuesto General a las Ventas): equivalente ao IVA, com alíquota de 16% sobre o valor CIF acrescido dos direitos aduaneiros e outros tributos de importação. Existe um regime de recuperação definitiva do IGV para determinados setores.
- IPM (Impuesto de Promoción Municipal): 2% sobre a mesma base de cálculo do IGV, destinado aos governos municipais.
- ISC (Impuesto Selectivo al Consumo): aplicável a produtos específicos como cigarros, bebidas alcoólicas, combustíveis e veículos automotores, com alíquotas variáveis.
- Direitos antidumping e compensatórios: aplicáveis quando existir resolução prévia do INDECOPI, geralmente com alíquota de 29% sobre o valor FOB.
Fruta de preço (Faixa de Preço)
O sistema de faixa de preços estabelece direitos variáveis adicionais ou reduções tarifárias sobre importações de produtos agrícolas estratégicos, como arroz, milho amarelo, leite e açúcar. A metodologia de cálculo é publicada pelo MEF e os direitos específicos em vigor podem ser consultados no portal do Ministério de Economia e Finanças do Peru.
Regime tributário e empresa
Empresas constituídas no Peru devem escolher um regime fiscal adequado. O regime geral prevê imposto sobre a renda de 29,5% sobre lucros. Existem regimes especiais para micro e pequenas empresas com alíquotas mais baixas. O trabalhador dependente é submetido a imposto progressivo de 8% a 30% sobre sua renda de quinta categoria. Para empresas não domiciliadas que geram rendas de fontes peruanas, aplicam-se taxas específicas.
Acordo para evitar dupla tributação Brasil-Peru
O Brasil e o Peru possuem acordo bilateral para evitar a dupla tributação sobre a renda. Este acordo é importante para empresas brasileiras que estabeleçam filiais, sucursais ou joint ventures no Peru, pois evita que o mesmo rendimento seja tributado nos dois países. Os detalhes do acordo podem ser consultados no portal do Invest in Peru (ProInversión).
Drawback e regimes especiais
O regime de drawback permite aos exportadores peruanos recuperar parte das tarifas pagas na importação de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. A taxa de restituição é de 3%, não superior a 50% do valor FOB dos produtos. Além disso, o Peru possui regimes de admissão temporária, depósito aduaneiro e trânsito aduaneiro que podem ser utilizados em operações específicas de comércio exterior.
Contatos e Entidades de Apoio
Para empresas brasileiras que desejam exportar ao Peru, existe uma rede de apoio institucional tanto no Brasil quanto no Peru, incluindo representações diplomáticas, órgãos governamentais, câmaras de comércio e associações de classe. Essas entidades podem fornecer informações atualizadas sobre regulamentação, oportunidades de negócios, feiras e eventos, além de apoio logístico e jurídico.
Representação diplomática brasileira no Peru
- Embaixada do Brasil em Lima: Av. José Pardo Nro. 850, Miraflores, Lima. Tel: +511 512-0830. E-mail: embaixada.lima@itamaraty.gov.br. A Seção de Promoção Comercial (SECOM) é responsável por apoiar exportadores brasileiros, com e-mail: secom.lima@itamaraty.gov.br.
Órgãos oficiais peruanos relevantes
- MINCETUR (Ministério de Comércio Exterior e Turismo): responsável pela política comercial e promoção de exportações e importações. Site: www.gob.pe/mincetur
- PROMPERÚ (Comissão de Promoção do Peru para Exportação e Turismo): órgão de promoção comercial peruano, com informações sobre feiras, eventos e oportunidades de negócios. Tel: +511 616-7300. Site: www.promperu.gob.pe
- ProInversión (Agência de Promoção do Investimento Privado): apoio a investidores estrangeiros com informações sobre projetos de investimento, parcerias público-privadas e oportunidades setoriais. Tel: +511 200-1200. Site: www.proinversion.gob.pe
- SUNAT (Superintendência Nacional de Aduanas y de Administración Tributária): administração aduaneira e tributária. Tel: +511 315-0730. Site: www.sunat.gob.pe
- INDECOPI (Instituto Nacional de Defesa de la Competencia y de la Protección de la Propiedad Intelectual): proteção de propriedade intelectual, defesa da concorrência e direitos do consumidor. Tel: +511 224-7800. Site: www.indecopi.gob.pe
Câmaras de comércio no Peru
- Câmara de Comércio de Lima (CCL): uma das mais tradicionais e influentes instituições empresariais do país. Tel: +511 463-3434. Site: www.camaralima.org.pe
- Câmara Binacional de Comércio e Integração Peru-Brasil (CAPEBRAS): entidade específica para fortalecimento das relações comerciais bilaterais. Tel: +511 447-3797. Site: www.capebras.org
- Câmara Nacional de Comércio del Peru: representa os interesses do setor comercial peruano. Tel: +511 468-5396. Site: camaranacional.pe
Órgãos e entidades brasileiras
- APEX Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos): apoio à internacionalização de empresas brasileiras. Tel: (+55 61) 2027-0202. Site: www.apexbrasil.com.br
- Ministério das Relações Exteriores: Divisão de Informação Comercial (DIC) e Divisão de Operações de Promoção Comercial (DOC) fornecem informações sobre tarifas, regulamentação e oportunidades. Tel: (+55 61) 2030-6161.
- Escritório Comercial do Peru no Brasil: Rua Padre João Manuel Nro. 755, São Paulo. Tel: (+55 11) 5095-2627. Site: www.escritoriodoperu.com.br
Associações de classe peruanas
- SNI (Sociedad Nacional de Industrias): principal entidade representativa da indústria peruana. Tel: +511 616-4444. Site: www.sni.org.pe
- ADEX (Associação de Exportadores do Peru): apoio a empresas exportadoras peruanas e conexão com importadores internacionais. Tel: +511 618-3333. Site: www.adexperu.org.pe
- COMEXPERU (Sociedad de Comercio Exterior del Perú): promoção do comércio exterior e relacionamento com empresas estrangeiras. Tel: +511 625-7700. Site: www.comexperu.org.pe
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