Exportar para Chile e Peru: Acordos Comerciais e Oportu

Guia sobre exportação para Chile e Peru aproveitando acordos comerciais. Oportunidades por setor, logística, documentação e vantagens tarifárias.

Publicado em 2026-06-23 | Atualizado em 2026-06-23 | TRADEXA Blog

Introdução: A Costa do Pacífico como Rota de Expansão para Exportadores Brasileiros

Chile e Peru representam duas das oportunidades mais estratégicas para o exportador brasileiro que busca diversificar seus mercados na América do Sul. Enquanto a Argentina e o Mercosul são a porta de entrada natural para a internacionalização, os países da costa oeste da América do Sul oferecem algo que o Brasil precisa urgentemente: acesso ao Oceano Pacífico e, por consequência, aos mercados asiáticos — China, Japão, Coreia do Sul e os países da ASEAN.

Mas não é apenas o acesso geográfico que torna Chile e Peru atraentes. Ambos os países possuem acordos de complementação econômica com o Brasil que reduzem ou eliminam tarifas de importação para milhares de produtos. O Chile, através do ACE-35 (Acordo de Complementação Econômica nº 35), firmado em 1996 no âmbito da ALADI, e o Peru, através do ACE-58 (Acordo de Complementação Econômica nº 58), de 2005. Esses acordos são robustos, maduros e oferecem vantagens tarifárias reais e imediatas para o exportador brasileiro.

Além dos acordos bilaterais, Chile e Peru são membros fundadores da Aliança do Pacífico (Pacific Alliance), bloco de integração regional criado em 2011 que também inclui Colômbia e México. A Aliança do Pacífico é hoje um dos blocos comerciais mais dinâmicos da América Latina, com ambições de se tornar uma plataforma de integração profunda com livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas.

O Chile é, de longe, o mercado mais maduro e estável da América Latina. Com um PIB per capita superior a US$ 15.000, o mais alto da região, o país possui um ambiente de negócios previsível, instituições sólidas, baixo risco de calotes e uma classe média consumidora de bens industrializados de qualidade. O país é o principal destino das exportações brasileiras para a costa oeste, com destaque para veículos, máquinas, produtos siderúrgicos, químicos e alimentos processados.

O Peru, por sua vez, é a economia que mais cresce na região, com taxas médias anuais de 4% a 5% nas últimas duas décadas. Com mais de 34 milhões de habitantes, o país apresenta uma demanda crescente por máquinas, equipamentos, veículos, produtos químicos e alimentos industrializados que o Brasil pode atender com vantagens tarifárias significativas graças ao ACE-58.

Este guia completo cobre todos os aspectos que o exportador brasileiro precisa conhecer para exportar para Chile e Peru com segurança, aproveitando ao máximo os acordos comerciais vigentes e as ferramentas de inteligência comercial disponíveis.

ACE-35: O Acordo de Complementação Econômica com o Chile

O Acordo de Complementação Econômica nº 35 (ACE-35), firmado entre Brasil e Chile em 1996 no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), é um dos acordos bilaterais mais completos e bem-sucedidos do Brasil. Ele estabeleceu um programa de liberalização comercial que eliminou tarifas para a maioria dos produtos comercializados entre os dois países, com algumas exceções temporárias em setores sensíveis.

Atualmente, mais de 95% dos produtos originários do Brasil e do Chile circulam com tarifa zero no comércio bilateral. Isso significa que o exportador brasileiro pode vender a maior parte de seus produtos para o Chile sem pagar direitos de importação, desde que cumpra as regras de origem estabelecidas no acordo.

Regras de Origem do ACE-35

Para se beneficiar da tarifa zero, o produto precisa ser "originário" do Brasil segundo as regras do ACE-35. Existem três critérios principais:

  1. Produtos totalmente obtidos: Aplicável a produtos agrícolas, minerais e animais extraídos ou produzidos integralmente no território brasileiro.

  2. Produtos substancialmente transformados: O valor CIF dos insumos importados de fora da ALADI não pode exceder 50% do valor FOB do produto final. Esse é o critério geral para produtos industrializados.

  3. Requisitos específicos por produto: Para setores como automotivo, siderúrgico, químico e têxtil, existem regras de origem específicas que podem ser mais ou menos rigorosas que o critério geral.

O Certificado de Origem da ALADI (formulário padrão) é o documento que comprova a origem do produto. Ele é emitido por entidades credenciadas (federações de indústrias, associações comerciais) e tem validade de 180 dias.

Produtos Brasileiros com Melhor Desempenho no Chile

O Chile importou do Brasil aproximadamente US$ 4,5 bilhões em 2024, com destaque para os seguintes setores:

Veículos e autopeças: O Chile não possui indústria automotiva local significativa, importando praticamente todos os veículos que consome. O Brasil é um dos principais fornecedores, exportando veículos de passeio (NCM 8703), caminhões (NCM 8704), chassis com motor (NCM 8706), carrocerias (NCM 8707) e autopeças (NCM 8708). Marcas como Volkswagen, Fiat, Chevrolet e Toyota exportam do Brasil para o Chile com tarifa zero no ACE-35.

Máquinas e equipamentos: Tratores agrícolas (NCM 8701), colheitadeiras (NCM 8433), máquinas para construção civil (NCM 8429), equipamentos de mineração (NCM 8474) e máquinas-ferramenta (NCM 8456 a 8466) têm forte demanda. O Chile é um grande produtor de cobre e demanda constantemente equipamentos para mineração.

Siderurgia e metalurgia: Chapas grossas, bobinas laminadas a quente e a frio, tubos de aço, vergalhões e perfis estruturais (NCM 7208 a 7229) são amplamente exportados. A Gerdau, a Usiminas e a ArcelorMittal Brasil têm presença consolidada no mercado chileno.

Produtos químicos: Polímeros (NCM 3901 a 3917), resinas termoplásticas, defensivos agrícolas, fertilizantes e produtos petroquímicos.

Alimentos processados: Carnes bovina e de frango congeladas, açúcar, café solúvel, sucos de frutas, cerveja, bebidas destiladas e produtos lácteos.

Para identificar com precisão quais produtos do seu portfólio se beneficiam das tarifas zero do ACE-35, o Tarifário Global TRADEXA oferece uma consulta completa: basta inserir o código NCM para visualizar a alíquota preferencial aplicável ao Chile, as regras de origem, os documentos exigidos e a alíquota cheia para comparação.

ACE-58: O Acordo de Complementação Econômica com o Peru

O Acordo de Complementação Econômica nº 58 (ACE-58), firmado entre Brasil e Peru em 2005, também no âmbito da ALADI, segue a mesma lógica do ACE-35, mas com cronogramas e coberturas distintas. O ACE-58 é mais recente e seu programa de liberalização tarifária foi gradual, com reduções progressivas ao longo de 10 a 15 anos.

Atualmente, a maioria dos produtos industriais brasileiros já goza de tarifa zero para exportação ao Peru. Produtos agrícolas e alguns itens considerados mais sensíveis mantêm tarifas residuais ou cronogramas de desgravação mais longos.

Particularidades do ACE-58

Diferentemente do ACE-35 com o Chile, o ACE-58 com o Peru possui algumas particularidades que o exportador brasileiro precisa conhecer:

  1. Lista de exceções: O Peru manteve uma lista de produtos excluídos da liberalização tarifária, principalmente nos setores têxtil, confecções, calçados e alguns produtos agrícolas. Para esses itens, a tarifa normal (NMF) é aplicada.

  2. Regras de origem setoriais: O ACE-58 estabelece regras de origem específicas para setores como automotivo, químico, siderúrgico e têxtil, que podem ser mais restritivas que a regra geral de 50% de insumos importados.

  3. Cláusulas de salvaguarda: Ambos os países podem aplicar medidas de salvaguarda temporárias se as importações de determinado produto causarem dano à indústria local.

  4. Facilitação de comércio: O ACE-58 inclui disposições sobre harmonização de procedimentos aduaneiros, reconhecimento mútuo de certificações e cooperação regulatória.

Produtos Brasileiros com Maior Potencial no Peru

As exportações brasileiras para o Peru somaram aproximadamente US$ 2,8 bilhões em 2024, com potencial significativo de crescimento. Os setores mais promissores incluem:

Veículos e autopeças: O Peru também não possui indústria automotiva relevante e importa veículos do Brasil, Japão, Coreia do Sul e México. O Brasil compete com vantagem no ACE-58, que oferece tarifa zero para a maioria dos veículos e autopeças.

Máquinas e equipamentos: O Peru é um grande produtor mineral (cobre, ouro, prata, zinco) e a demanda por equipamentos de mineração é constante e crescente. Britadores, moinhos, peneiras, bombas, transportadores e equipamentos de perfuração estão entre os itens mais demandados.

Produtos siderúrgicos: O Brasil exporta bobinas laminadas, chapas, tubos e perfis de aço para a indústria da construção civil e metalmecânica peruana.

Químicos e petroquímicos: Polímeros, resinas, fertilizantes, defensivos agrícolas e produtos de limpeza industrial têm boa demanda.

Papel e celulose: O Peru importa papelão ondulado, papel kraft, embalagens e celulose do Brasil.

Agronegócio: Carnes (frango e bovina), açúcar, café, milho, soja processada, laticínios e alimentos processados.

O Smart Rank TRADEXA é particularmente útil para o exportador que está começando a explorar o mercado peruano. Ele ranqueia automaticamente os produtos do seu portfólio com maior potencial, considerando as tarifas do ACE-58, as tendências de importação peruana e a concorrência de outros países. Em minutos, você tem uma lista priorizada de oportunidades com scores de mercado, preço e risco.

Aliança do Pacífico e as Oportunidades de Integração Regional

A Aliança do Pacífico (AP) é um bloco de integração regional formado por Chile, Peru, Colômbia e México, criado em 2011. O bloco representa aproximadamente 230 milhões de consumidores e responde por cerca de 40% do PIB da América Latina. Embora o Brasil não seja membro, a Aliança do Pacífico tem impacto direto nas exportações brasileiras para Chile e Peru.

O que a Aliança do Pacífico significa para o exportador brasileiro

Os países da Aliança do Pacífico eliminaram tarifas entre si para 92% dos produtos comercializados, com cronogramas para os 8% restantes. Isso significa que, em alguns setores, os produtos chilenos e peruanos enfrentam concorrência mais acirrada de produtos colombianos e mexicanos dentro do bloco.

No entanto, o Brasil não fica em desvantagem em relação aos membros da AP porque o ACE-35 e o ACE-58 oferecem tarifas zero ou preferenciais para a grande maioria dos produtos brasileiros. Na prática, o exportador brasileiro compete em condições de igualdade tarifária com os concorrentes da Aliança do Pacífico.

Além disso, a Aliança do Pacífico tem buscado aproximação com o Mercosul. Em 2023, os dois blocos assinaram um acordo de cooperação que pode evoluir para uma área de livre comércio interblocos. Se isso se concretizar, o exportador brasileiro teria acesso preferencial não apenas a Chile e Peru, mas também a Colômbia e México.

Oportunidades de integração logística

Um dos benefícios mais concretos da Aliança do Pacífico para o Brasil é a integração logística. Os portos chilenos e peruanos — Valparaíso, San Antonio, Callao, Iquique, Antofagasta — são portas de saída para o Pacífico e, portanto, para a Ásia. O Brasil, através de corredores bioceânicos (rodoviários e ferroviários), pode utilizar esses portos para exportar para a China e outros mercados asiáticos com fretes potencialmente mais baratos do que pelos portos do Atlântico.

O Corredor Bioceânico Central, que liga o Mato Grosso do Sul e o Paraguai aos portos do norte do Chile (Antofagasta, Iquique), é o projeto mais avançado. Quando concluído, reduzirá em até 30% o tempo de trânsito das exportações brasileiras para a Ásia.

O Tarifário Global TRADEXA também ajuda a comparar os custos logísticos totais de cada rota, incluindo fretes, seguros e taxas portuárias, permitindo que o exportador escolha a opção mais eficiente para cada tipo de produto e mercado.

Principais Setores e Produtos por Mercado

Vamos aprofundar a análise setorial para Chile e Peru, destacando os produtos com maior potencial de exportação, as vantagens competitivas brasileiras e as barreiras a superar.

Chile

Automotivo: O Chile importa cerca de 400 mil veículos por ano. O Brasil exporta aproximadamente 30 mil veículos anualmente para o Chile, com participação de mercado de cerca de 8%. Há espaço para crescer, especialmente em veículos comerciais leves, caminhões e SUVs. A tarifa zero do ACE-35 é uma vantagem decisiva contra concorrentes como Coreia do Sul (que paga tarifa zero pelo acordo Chile-Coreia, mas com regras de origem diferentes) e China (tarifa zero pelo acordo Chile-China).

Mineração: O Chile é o maior produtor mundial de cobre. A demanda por equipamentos de mineração — caminhões fora-de-estrada, britadores, moinhos, bombas, correias transportadoras, equipamentos de perfuração — é permanente. O Brasil fabrica esses equipamentos com qualidade internacional e preço competitivo.

Construção civil: O Chile vive um ciclo de crescimento da construção civil, impulsionado por investimentos em infraestrutura, habitação e energia. Materiais de construção, tubos, conexões, esquadrias, tintas, vernizes, revestimentos cerâmicos e produtos de aço para construção têm forte demanda.

Alimentos e bebidas: O Chile é um grande produtor de vinhos, frutas e salmão, mas importa carnes (bovina, frango, suína), café, açúcar, arroz, laticínios, cerveja e bebidas destiladas. O Brasil é fornecedor competitivo em todos esses itens.

Energia solar e renováveis: O Chile tem o maior deserto do mundo (Atacama) e um dos maiores potenciais de energia solar do planeta. O país está expandindo rapidamente sua capacidade de geração solar e eólica, o que gera demanda por painéis fotovoltaicos, inversores, baterias, torres eólicas, cabos e transformadores. O Brasil pode fornecer boa parte desses equipamentos.

Peru

Mineração: O Peru é o segundo maior produtor mundial de cobre e prata, e um grande produtor de ouro, zinco e chumbo. A similaridade com a mineração brasileira (a Vale e a CSN têm operações em ambos os países) abre oportunidades para equipamentos, insumos e serviços especializados.

Agroindústria: A costa peruana é um polo de agricultura intensiva para exportação (uvas, mirtilos, abacates, aspargos, alcachofras). O Brasil pode fornecer tratores, sistemas de irrigação, fertilizantes, defensivos agrícolas, embalagens e equipamentos de processamento de alimentos.

Infraestrutura: O Peru tem um déficit de infraestrutura significativo e está investindo em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento e habitação. O programa de concessões do governo peruano abre oportunidades para exportação de máquinas, equipamentos e materiais de construção brasileiros.

Químicos: O Peru importa uma ampla gama de produtos químicos para sua indústria manufatureira, mineração e agricultura.

O Smart Rank TRADEXA pode ser configurado para comparar diretamente Chile e Peru, mostrando para quais produtos cada mercado oferece maior potencial, considerando tarifas, demanda, concorrência e logística.

Logística Portuária no Pacífico: Portos Chilenos e Peruanos

A logística de exportação para Chile e Peru envolve predominantemente o transporte marítimo, com os portos do Pacífico como principais pontos de entrada.

Principais Portos Chilenos

Porto de Valparaíso: O principal porto de contêineres do Chile, localizado a 120 km de Santiago. Movimenta cerca de 1,2 milhão de TEUs por ano e é a porta de entrada para a região metropolitana de Santiago, que concentra 40% da população e 50% do PIB chileno. Valparaíso tem terminais especializados em contêineres, cargas gerais e granéis.

Porto de San Antonio: Localizado a 100 km de Santiago, é o maior porto do Chile em movimentação total de cargas. Movimenta contêineres, granéis líquidos e sólidos, cargas refrigeradas e veículos. San Antonio tem vantagens em escala e eficiência.

Porto de Antofagasta: Principal porto do norte do Chile, especializado em granéis minerais (cobre, lítio, nitratos), mas também movimenta contêineres e cargas gerais. É o porto de saída do Corredor Bioceânico Central.

Porto de Iquique: Localizado no extremo norte do Chile, na fronteira com o Peru. É um porto livre (Zona Franca de Iquique) e movimenta contêineres, cargas gerais e granéis.

Principais Portos Peruanos

Porto de Callao: O maior e mais importante porto do Peru, localizado a 15 km de Lima. Movimenta cerca de 2,5 milhões de TEUs por ano e responde por mais de 80% do comércio marítimo peruano. Callao tem terminais de contêineres modernos operados pela APM Terminals e pela DP World.

Porto de Matarani: Localizado no sul do Peru, é o porto de saída da produção mineral do sul do país (cobre, ouro, zinco) e também movimenta contêineres e cargas gerais.

Porto de Paita: Localizado no norte do Peru, próximo à fronteira com o Equador. Movimenta contêineres, cargas gerais e produtos da agroindústria local.

Rotas Marítimas do Brasil para o Pacífico

A principal rota marítima do Brasil para o Chile e Peru sai dos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), contorna o Estreito de Magalhães ou passa pelo Canal do Panamá (para o norte do Chile e Peru), e chega aos portos de Valparaíso/San Antonio (Chile) ou Callao (Peru).

O tempo de trânsito estimado é:

  • Santos → Valparaíso/San Antonio: 14 a 18 dias
  • Santos → Callao: 16 a 20 dias
  • Paranaguá → Valparaíso/San Antonio: 15 a 19 dias

O custo do frete marítimo para um contêiner de 20 pés varia de US$ 3.000 a US$ 6.000, dependendo da armadora, da época do ano e do tipo de carga.

Para cargas urgentes ou de alto valor agregado, o frete aéreo é uma alternativa. Voos diretos de São Paulo (GRU) para Santiago (SCL) ou Lima (LIM) têm duração de 4 a 6 horas, com custo de US$ 3 a US$ 6 por quilo.

O Tarifário Global TRADEXA também oferece funcionalidades de comparação logística, ajudando o exportador a escolher a rota mais eficiente com base em custo, tempo e tipo de carga.

Aspectos Regulatórios e Procedimentos Aduaneiros

Tanto o Chile quanto o Peru possuem sistemas aduaneiros modernos e informatizados, mas com particularidades que o exportador brasileiro precisa conhecer.

Chile

A Aduana do Chile (Servicio Nacional de Aduanas) é considerada uma das mais eficientes da América Latina. O processo de importação é eletrônico, com o Sistema Integrado de Comercio Exterior (SICEX) permitindo o desembaraço em até 48 horas para a maioria das cargas.

Documentos exigidos para importação no Chile:

  1. Fatura Comercial: Em espanhol ou inglês, com dados completos do exportador e importador.
  2. Packing List: Obrigatório para cargas consolidadas.
  3. Conhecimento de Embarque (Bill of Lading) ou Guia Aérea (Air Waybill).
  4. Certificado de Origem ALADI: Essencial para usufruir das tarifas preferenciais do ACE-35.
  5. Certificados Sanitários e Fitossanitários: Exigidos para produtos de origem animal e vegetal, emitidos pelo MAPA e validados pelo SAG (Servicio Agrícola y Ganadero) chileno.
  6. Certificado de Análises: Para produtos químicos, farmacêuticos e cosméticos.

O Chile aplica um IVA (chamado de IVA) de 19% sobre o valor CIF da mercadoria, além do direito de importação (quando aplicável). O IVA é recuperável para o importador final.

Peru

A Aduana do Peru (SUNAT) também possui um sistema eletrônico de desembaraço (Sistema de Despacho Aduanero - SDA). O processo é relativamente ágil, mas a burocracia pode ser maior do que no Chile para certos produtos.

Documentos exigidos para importação no Peru:

  1. Fatura Comercial: Em espanhol, com dados completos.
  2. Packing List: Obrigatório para cargas consolidadas.
  3. Conhecimento de Embarque ou Guia Aérea.
  4. Certificado de Origem ALADI: Necessário para preferências do ACE-58.
  5. Certificados Sanitários e Fitossanitários: Exigidos para alimentos, bebidas, produtos agropecuários e insumos agrícolas. A autoridade competente é o SENASA (Servicio Nacional de Sanidad Agraria).
  6. Registro Sanitário: Para alimentos processados, bebidas, cosméticos e produtos de higiene, é necessário obter registro sanitário junto à DIGESA (Dirección General de Salud Ambiental) ou à SANIPES (para produtos pesqueiros).

O Peru aplica um IGV (equivalente ao IVA) de 18% sobre o valor CIF da mercadoria, além do direito de importação.

Para ambos os países, a classificação NCM correta é fundamental. O Classificador NCM TRADEXA usa inteligência artificial para sugerir o código mais adequado, prevenindo erros que podem resultar em pagamento de tarifas incorretas, multas e atrasos no desembaraço.

Ferramentas TRADEXA para Exportar para Chile e Peru

A TRADEXA oferece um conjunto completo de ferramentas que cobrem todas as etapas da exportação para Chile e Peru.

Smart Rank

O Smart Rank TRADEXA é a ferramenta de priorização de mercados e produtos. Para o exportador que está decidindo entre Chile e Peru (ou ambos), o Smart Rank pode comparar diretamente os dois mercados para cada produto do seu portfólio, mostrando:

  • Qual mercado oferece maior demanda para cada produto
  • Qual tarifa preferencial se aplica (ACE-35 vs. ACE-58)
  • Qual o nível de concorrência de outros países em cada mercado
  • Qual o custo logístico estimado para cada destino
  • Qual o prêmio de preço praticado em cada mercado

Tarifário Global

O Tarifário Global TRADEXA consolida as informações tarifárias do ACE-35 (Chile) e ACE-58 (Peru), permitindo consultar rapidamente:

  • Alíquota preferencial aplicável por NCM
  • Regras de origem (critério geral e setorial)
  • Alíquota NMF (sem preferência) para comparação
  • Impostos internos (IVA/IGV)
  • Exigências regulatórias e documentação
  • Licenças de importação específicas

Classificador NCM

O Classificador NCM TRADEXA usa inteligência artificial para classificar seus produtos na NCM correta, garantindo que as preferências tarifárias dos acordos sejam aplicadas corretamente. Uma classificação errada pode significar perder benefícios tarifários ou pagar mais imposto do que o devido.

Diretório de Importadores

O Diretório de Importadores da TRADEXA permite identificar compradores potenciais no Chile e no Peru por produto, setor e região. Você pode:

  • Listar importadores chilenos e peruanos por NCM
  • Analisar o perfil de importação de cada empresa
  • Conhecer os fornecedores atuais de cada importador
  • Preparar uma abordagem comercial personalizada
  • Validar a demanda real para seu produto

Com essas ferramentas integradas, o exportador brasileiro pode reduzir significativamente o risco e o custo de entrada nos mercados chileno e peruano, acelerando o tempo de geração de receita.

Conclusão: Chile e Peru na Rota de Crescimento do Exportador Brasileiro

Chile e Peru são, cada um à sua maneira, mercados complementares e estratégicos para o exportador brasileiro. O Chile oferece estabilidade, previsibilidade e um consumidor de alto poder aquisitivo. O Peru oferece crescimento acelerado, uma população jovem e uma demanda reprimida por produtos industrializados e serviços.

Os acordos de complementação econômica — ACE-35 com o Chile e ACE-58 com o Peru — são maduros, estáveis e oferecem vantagens tarifárias reais para o exportador brasileiro. A tarifa zero para a maioria dos produtos industriais é um diferencial competitivo decisivo contra concorrentes extra-bloco.

A Aliança do Pacífico, embora não inclua o Brasil, não é uma barreira. Pelo contrário: a aproximação entre a AP e o Mercosul abre perspectivas de integração ainda maior no futuro, com potencial para uma área de livre comércio que abrangeria todo o continente.

A logística via portos do Pacífico — Valparaíso, San Antonio, Antofagasta, Callao — é a porta de entrada natural para esses mercados, com opções marítimas e aéreas bem estabelecidas e custos competitivos.

Para o exportador brasileiro que busca diversificar seus mercados e reduzir a dependência de Argentina e China, Chile e Peru são as escolhas mais lógicas e rentáveis. Com as ferramentas certas — o Smart Rank, o Tarifário Global, o Classificador NCM e o Diretório de Importadores da TRADEXA — o caminho para a costa do Pacífico está pavimentado e acessível.

O momento de agir é agora. Enquanto muitos exportadores brasileiros ainda hesitam, aqueles que já utilizam inteligência comercial para explorar Chile e Peru estão colhendo os frutos de mercados que crescem, consomem e valorizam a qualidade dos produtos brasileiros. A TRADEXA está aqui para acelerar essa jornada.