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Calçados
Indústria Calçadista
Exportação de Calçados
05 de junho de 202614 min

Exportar Calçados Brasileiros: Guia de Mercados e Oportunidades

Guia completo sobre exportação de calçados brasileiros: principais mercados internacionais, classificação NCM do Capítulo 64, tendências de consumo, certificações exigidas e como a TRADEXA ajuda a encontrar importadores e analisar mercados.

O Brasil no Mercado Global de Calçados

A indústria calçadista brasileira ocupa uma posição de destaque no cenário internacional. O Brasil figura consistentemente entre os cinco maiores produtores mundiais de calçados, com uma produção anual que supera oitocentos e cinquenta milhões de pares. Desse total, aproximadamente cento e cinquenta milhões de pares são destinados ao mercado externo, gerando receitas que ultrapassam um bilhão e duzentos milhões de dólares anualmente. Esses números expressivos são sustentados por uma cadeia produtiva robusta, que emprega diretamente mais de trezentas mil pessoas em aproximadamente seis mil empresas distribuídas pelos principais polos calçadistas do país.

A força do setor reside nos arranjos produtivos locais, ecossistemas que concentram em uma mesma região geográfica fabricantes de calçados, fornecedores de componentes como solados, palmilhas, adesivos, fivelas, cadarços e enfeites, curtumes especializados, prestadores de serviços de design e modelagem, e uma extensa rede de agentes comerciais que conectam a produção aos mercados consumidores. Essa configuração gera economias de aglomeração que reduzem custos de transação, aceleram a difusão de inovações tecnológicas e aumentam a resiliência do setor frente a choques externos.

O Rio Grande do Sul abriga o maior e mais tradicional polo calçadista brasileiro, concentrado no Vale dos Sinos, região que inclui cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga e Dois Irmãos. A região é especializada na produção de calçados femininos de couro com alto valor agregado, exportados majoritariamente para os Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. O design sofisticado, a qualidade do couro e o acabamento artesanal são os diferenciais competitivos que permitem aos calçados do Vale dos Sinos competir com produtos italianos e espanhóis nos mercados mais exigentes.

O interior paulista abriga dois polos de enorme relevância. Franca é reconhecida como a capital nacional do calçado masculino de couro, produzindo desde sapatos sociais de alta qualidade até botas, coturnos e calçados de segurança. A tradição coureira de Franca remonta ao século dezenove, e a cidade desenvolveu um saber-fazer que se traduz em produtos de qualidade excepcional. Já Birigui, também no estado de São Paulo, especializou-se no segmento de calçados infantis e juvenis, respondendo por mais de cinquenta por cento da produção nacional dessa categoria. A expertise de Birigui em calçados infantis é reconhecida internacionalmente, com exportações para países da América Latina, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.

O Nordeste brasileiro também marca presença no mapa calçadista global. A região de Campina Grande, na Paraíba, é o principal polo de calçados sintéticos e sandálias, aproveitando a abundância de mão de obra e os incentivos fiscais para produzir grandes volumes a preços competitivos. Juazeiro do Norte, no Ceará, e Itapetinga, na Bahia, são outros polos nordestinos que vêm conquistando espaço tanto no mercado interno quanto na exportação.

Minas Gerais contribui com o polo de Nova Serrana, que se notabilizou pela produção de calçados esportivos e tênis, categoria que responde por uma parcela crescente do consumo global. A agilidade produtiva e a capacidade de atender pedidos de diferentes escalas tornam Nova Serrana um fornecedor atraente para marcas internacionais que buscam flexibilidade e rapidez.

Este guia foi concebido para oferecer ao exportador de calçados, seja ele um fabricante estabelecido ou uma empresa que está iniciando sua jornada internacional, informações práticas e estratégicas sobre os principais mercados compradores, a correta classificação fiscal pela NCM, os procedimentos de exportação, as certificações mais demandadas e, principalmente, como as ferramentas da plataforma TRADEXA podem acelerar cada etapa do processo de internacionalização.

Principais Mercados de Destino dos Calçados Brasileiros

Os Estados Unidos são, historicamente, o maior mercado para os calçados brasileiros, absorvendo entre quinze e vinte por cento do valor total exportado pelo setor. O consumidor americano valoriza o design diferenciado, a qualidade do couro e o conforto dos calçados brasileiros, especialmente no segmento feminino de médio e alto padrão. As marcas brasileiras conquistaram espaço nas principais redes de lojas de departamento, como Macy's, Nordstrom e Dillard's, e também no varejo especializado e nas plataformas de e-commerce. As feiras FFANY, em Nova York, e FN Platform e Magic, em Las Vegas, são os principais palcos onde os fabricantes brasileiros apresentam suas coleções aos compradores americanos.

A Argentina, a despeito das turbulências econômicas que marcaram as últimas duas décadas, permanece como um mercado estratégico para o setor calçadista brasileiro. A proximidade geográfica, a afinidade cultural e o arcabouço institucional do Mercosul conferem ao mercado argentino uma relevância que transcende os volumes negociados. O calçado feminino de couro brasileiro é particularmente valorizado pela consumidora argentina, que reconhece a qualidade do design e dos materiais. No entanto, o exportador deve estar atento às barreiras não tarifárias que o governo argentino frequentemente impõe, como as Declarações Juramentadas Antecipadas de Importação, e às oscilações cambiais que afetam a competitividade dos produtos brasileiros.

A França é o principal destino europeu dos calçados brasileiros e um mercado de importância simbólica desproporcional ao seu tamanho. Paris, como capital mundial da moda, exerce influência sobre as tendências globais, e ter seus produtos expostos em vitrines francesas funciona como um poderoso selo de qualidade para as marcas brasileiras. O consumidor francês é sofisticado, exigente quanto à qualidade e à sustentabilidade, e está disposto a pagar preços premium por produtos que combinem design autoral, materiais nobres e produção ética.

Outros mercados europeus de destaque incluem a Itália, que, embora seja ela própria uma potência calçadista, importa volumes significativos de calçados brasileiros, especialmente nos segmentos de sandálias e calçados casuais; a Espanha, onde o design brasileiro encontra um consumidor receptivo e sofisticado; o Reino Unido, com seu mercado varejista maduro e consumidores abertos a marcas internacionais; e a Alemanha, maior economia europeia, onde o pragmatismo do consumidor alemão valoriza a excelente relação custo-benefício dos calçados brasileiros.

Na América do Sul, além da Argentina, destacam-se a Colômbia e o Chile como mercados em expansão para os calçados brasileiros. Ambos os países apresentam crescimento econômico consistente, classes médias em expansão e consumidores que valorizam produtos de qualidade. O Paraguai, embora apareça com destaque nas estatísticas de exportação, muitas vezes funciona como entreposto para a triangulação comercial com outros mercados sul-americanos, e não como destino final do consumo.

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No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos despontam como hub de distribuição para toda a região, e o calçado brasileiro, com seu design diferenciado e materiais de qualidade, encontra consumidores de alto poder aquisitivo em Dubai e Abu Dhabi. A Arábia Saudita é outro mercado relevante, especialmente para calçados femininos de couro. A Rússia, antes das sanções econômicas decorrentes do conflito com a Ucrânia, era um mercado importante e que deve voltar a ser relevante quando as condições geopolíticas permitirem.

Classificação NCM para Calçados: Dominando o Capítulo 64

A correta classificação fiscal dos calçados é um dos maiores desafios enfrentados pelo exportador brasileiro. O Capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul é dedicado integralmente a calçados, polainas e artefatos semelhantes, bem como suas partes. A complexidade da classificação decorre do fato de que múltiplos critérios devem ser avaliados simultaneamente: o material predominante do cabedal, ou parte superior; o material da sola externa; a altura do cano; o tipo de fechamento; a finalidade de uso do calçado; e, em alguns casos, até mesmo o gênero do usuário final.

A posição 6401 abrange os calçados impermeáveis cuja sola e parte superior sejam de borracha ou plástico e que não sejam montados por costura, rebitagem ou métodos similares. São as galochas e botas de chuva, produtos que, embora importantes, representam uma fração menor das exportações brasileiras.

A posição 6402 cobre os calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plástico, que não sejam classificados na posição 6401. Aqui se enquadram as sandálias de borracha, os chinelos, grande parte dos calçados esportivos de materiais sintéticos e os calçados de segurança com biqueira de aço ou de material compósito.

A posição 6403 é a mais relevante para a pauta exportadora brasileira, pois abrange os calçados com sola exterior de borracha, plástico, couro ou composição de couro e parte superior de couro natural. São os sapatos de couro, carro-chefe dos polos de Franca e do Vale dos Sinos. Dentro dessa posição, as subposições distinguem o tipo de calçado e, em muitos casos, o gênero do usuário: 6403.59.00 para calçados de couro de uso feminino, 6403.99.00 para calçados de couro de uso masculino. Um erro comum é classificar incorretamente o gênero do calçado, o que pode gerar disputas aduaneiras, uma vez que as alíquotas de importação são frequentemente distintas para cada gênero nos países de destino.

A posição 6404 abrange os calçados com sola de borracha, plástico, couro ou composição de couro e parte superior de matérias têxteis. Aqui se enquadram os tênis com cabedal têxtil e uma infinidade de calçados casuais. A classificação nessa posição demanda atenção à composição percentual dos materiais: se o cabedal for composto por mais de cinquenta por cento de matérias têxteis em relação à sua superfície externa, o calçado deve ser classificado na posição 6404. Caso contrário, dependendo do material predominante, poderá ser classificado nas posições 6402 ou 6403.

A posição 6405 cobre os calçados que não se enquadram nas posições anteriores, como aqueles com sola de madeira ou de cortiça, ou com parte superior de matérias trançadas. É uma posição residual, de menor relevância para a pauta exportadora, mas que não deve ser ignorada por fabricantes de calçados diferenciados que explorem materiais alternativos.

A plataforma TRADEXA oferece um classificador NCM baseado em inteligência artificial que simplifica radicalmente esse processo. O exportador descreve o calçado em linguagem natural — por exemplo, "sandália feminina de couro com sola de borracha, salto baixo, aberta nos dedos, com tira no tornozelo" — e o sistema retorna a classificação mais adequada, acompanhada de fundamentação legal, classificações concorrentes e alertas sobre possíveis ambiguidades. Para o exportador que trabalha com coleções de dezenas ou centenas de modelos diferentes a cada temporada, a automação da classificação NCM representa economia de tempo, redução de erros e diminuição do risco de autuações fiscais.

Documentação e Procedimentos Operacionais

Além da correta classificação NCM, o exportador de calçados deve dominar o fluxo documental da exportação. O processo começa com a habilitação no Registro de Exportadores e Importadores, o REI, mantido pela Receita Federal. Uma vez habilitada, a empresa deve estar apta a emitir, para cada embarque, a Nota Fiscal de Exportação, a Fatura Comercial detalhando as condições de venda e o Incoterm acordado, o Packing List com as especificações de cada par e a Declaração Única de Exportação no Portal SISCOMEX.

Especificamente para o setor calçadista, diversos mercados exigem certificações adicionais. A União Europeia, por meio do Regulamento REACH, impõe limites rigorosos à presença de substâncias químicas perigosas nos produtos comercializados em seu território. Substâncias como o cromo hexavalente, utilizado em alguns processos de curtimento do couro, os corantes azoicos, que podem liberar aminas cancerígenas, e os ftalatos, utilizados como plastificantes em solados de PVC, são estritamente controlados. O exportador deve garantir que seus produtos estejam em conformidade, o que frequentemente demanda a realização de análises laboratoriais por entidades acreditadas e a obtenção de declarações de conformidade de seus fornecedores de insumos.

A rotulagem e etiquetagem também merecem atenção. Muitos países exigem que os calçados tragam etiquetas com informações sobre a composição dos materiais utilizados no cabedal, no forro e na sola, o país de origem, as instruções de conservação e a identificação do fabricante ou importador. A etiqueta deve estar redigida no idioma do país de destino e seguir as normas técnicas locais, que podem diferir significativamente das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Tendências de Consumo e Sustentabilidade

O mercado global de calçados passa por transformações profundas impulsionadas pela crescente consciência ambiental dos consumidores e por novas tecnologias de produção. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito básico de acesso a mercados, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

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Os consumidores das gerações Y e Z, que representam uma parcela crescente do poder de compra global, estão dispostos a pagar mais por produtos que comprovadamente respeitem o meio ambiente e os direitos dos trabalhadores envolvidos em sua fabricação. Para o exportador brasileiro, isso se traduz em oportunidades e desafios. Oportunidades porque o Brasil possui atributos naturais valorizados nesse contexto, como a disponibilidade de couro bovino como subproduto da indústria da carne, borracha natural da Amazônia e outros materiais de fontes renováveis. Desafios porque a comprovação da sustentabilidade exige investimentos em certificações, rastreabilidade e transparência.

A certificação do couro pela Leather Working Group é cada vez mais valorizada pelos compradores internacionais. O LWG audita os curtumes quanto ao tratamento de efluentes, ao consumo de água e energia e ao manejo de produtos químicos. Couro certificado pelo LWG é praticamente obrigatório para exportar para marcas europeias de médio e alto padrão.

O calçado vegano, fabricado sem nenhum material de origem animal, é um segmento em franca expansão na Europa e nos Estados Unidos. O Brasil, com sua expertise em materiais sintéticos desenvolvida no polo de Campina Grande e em inúmeras empresas do Rio Grande do Sul, está bem posicionado para atender essa demanda. As microfibras de alta tecnologia, que reproduzem a textura e a respirabilidade do couro sem utilizar matéria-prima animal, os solados de borracha natural e os tingimentos com corantes naturais são diferenciais dos calçados veganos brasileiros.

A economia circular é outra tendência que começa a impactar o setor. Marcas que oferecem programas de logística reversa, coletando calçados usados para reciclagem dos materiais, conquistam a preferência de consumidores ambientalmente conscientes. Solados fabricados com borracha reciclada de pneus, cabedais com fibras recicladas de garrafas PET e embalagens biodegradáveis são inovações que agregam valor ao produto brasileiro no mercado internacional.

Como a TRADEXA Potencializa as Exportações de Calçados

A plataforma TRADEXA reúne um conjunto de ferramentas que respondem diretamente às necessidades do exportador de calçados. O módulo de inteligência comercial integra dados oficiais de comércio exterior de dezenas de países, gerando dashboards interativos que mostram as importações de calçados por país, por código NCM, por faixa de preço e por origem. Essas informações permitem identificar rapidamente mercados em crescimento, nichos com baixa concorrência e países onde o calçado brasileiro ainda possui pequena participação, representando oportunidades de expansão.

O diretório de importadores, com mais de três milhões e oitocentos mil contatos verificados em trinta e um países, é uma ferramenta de prospecção que elimina grande parte da dificuldade de encontrar compradores no exterior. O exportador pode filtrar importadores por país, por categoria de produto, por volume de compras e por canal de distribuição, obtendo perfis detalhados com histórico de importações, países de origem com os quais já trabalham, feiras que costumam frequentar e, em muitos casos, contatos diretos dos buyers responsáveis pela categoria de calçados.

A base de dados tarifários da TRADEXA, atualizada constantemente, permite calcular com precisão o imposto de importação aplicável a cada tipo de calçado em cada mercado de destino. Considerando que as tarifas de importação de calçados são notoriamente elevadas em muitos países, frequentemente superando trinta por cento ad valorem, conhecer exatamente a carga tributária é indispensável para precificar corretamente e negociar com segurança.

Os mapas de frete marítimo cobrem as rotas entre os principais portos brasileiros e os portos de destino nos Estados Unidos, Europa e Ásia. A ferramenta permite simular o custo do frete para diferentes tamanhos de embarque, essencial para o exportador que frequentemente trabalha com cargas fracionadas ou consolidadas, prática comum no setor calçadista, onde os pedidos raramente preenchem contêineres completos.

Feiras e Eventos: O Palco para os Calçados Brasileiros

A participação em feiras internacionais continua sendo uma das estratégias mais eficazes para conquistar mercados no setor calçadista. A MICAM, realizada duas vezes por ano em Milão, é a maior feira de calçados do mundo e o ponto de encontro obrigatório para compradores de todos os continentes. A GDS, em Düsseldorf, a FN Platform, em Las Vegas, a Expo Riva Schuh, em Riva del Garda, e a Couromoda, em São Paulo, que atrai compradores latino-americanos e africanos, são outras feiras que compõem o circuito internacional do setor.

O Brazilian Footwear, programa mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados em parceria com a ApexBrasil, oferece suporte às empresas brasileiras que desejam participar de feiras internacionais, subsidiando parte dos custos e fornecendo inteligência de mercado e serviços de matchmaking com compradores potenciais. Aproveitar esses programas é uma decisão estratégica para pequenas e médias empresas que buscam a internacionalização.

Conclusão

O calçado brasileiro possui atributos que o diferenciam nos mercados internacionais: design criativo e autoral, qualidade do couro e dos acabamentos, flexibilidade produtiva para atender diferentes escalas de pedido e uma imagem-país associada à alegria, à cor e à sustentabilidade. Para converter esses atributos em negócios consistentes, o exportador precisa de três pilares: informação estratégica sobre mercados, conhecimento regulatório aprofundado e acesso qualificado a compradores.

A TRADEXA entrega esses três pilares em uma plataforma integrada. Com inteligência de mercado, o exportador sabe para onde ir; com classificação NCM automatizada e dados tarifários, sabe como precificar e documentar; com o diretório de importadores, sabe a quem oferecer; e com os mapas de frete, sabe a que custo logístico pode fechar o negócio. O design e a qualidade ficam por conta da indústria brasileira, que já demonstrou, ao longo de décadas, sua capacidade de competir e vencer no mercado global.

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