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Exportação
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China
03 de setembro de 202612 min

Exportar Calçados Brasileiros para China: Marcas e Oportunidades

O setor de calçados brasileiros vive um momento de grande transformação e expansão — marcas, canais e operação.

Exportar Calçados Brasileiros para China: Marcas e Oportunidades 2026

Introdução

O setor de calçados brasileiros vive um momento de grande transformação e expansão internacional. Com uma tradição centenária na fabricação de sapatos de qualidade, o Brasil se consolidou como um dos maiores productores e exportadores do mundo, ocupando hoje a quinta posição no ranking global de exportações do setor. No entanto, um dos mercados mais promissores — e ainda subexplorado pelas empresas brasileiras — é a China.

A China, além de ser o maior produtor e consumidor de calçados do mundo, representa uma oportunidade estratégica para as marcas brasileiras que desejam se expandir internacionalmente. Com uma classe média em constante crescimento, uma preferência crescente por produtos premium e sustentáveis, e uma infraestrutura logística cada vez mais integrada ao comércio global, o mercado chinês oferece potencial real de faturamento para quem souber acessá-lo.

Neste artigo, vamos explorar em detalhes como exportar calçados brasileiros para a China, quais são as categorias de produtos com maior demanda, os códigos NCM relevantes, preços FOB praticados, certificações necessárias e estratégias para se destacar nesse mercado competitivo. Se você é produtor, exportador ou empreendedor do setor calçadista, este guia é para você.

O Mercado Chinês de Calçados: Panorama 2026

A China representa aproximadamente 40% da produção global de calçados e consome cerca de 2,5 bilhões de pares por ano. Embora a produção doméstica seja massiva, o mercado chinês apresenta uma demanda crescente por produtos importados, especialmente nas seguintes categorias:

  • Calçados de couro de alta qualidade: O consumidor chinês valoriza marcas que oferecem conforto, durabilidade e design sofisticado. Calçados de couro legítimo fabricados com matéria-prima de alta qualidade têm forte aceitação.

  • Tênis e calçados esportivos premium: Com a crescente cultura fitness e a popularização do esporte recreativo na China, calçados esportivos com tecnologia e design diferenciado buscam espaço no mercado.

  • Calçados sustentáveis: A consciência ambiental está crescendo rapidamente entre os consumidores chineses, especialmente nas grandes cidades como Xangai, Pequim e Guangzhou. Calçados fabricados com materiais reciclados, biodegradáveis ou de processos produtivos sustentáveis ganham cada vez mais espaço.

  • Calçados de moda feminina: A moda feminina chinesa é extremamente dinâmica e receptiva a novidades. Sandalhas, scarpins e botas com design brasileiro podem se destacar pela originalidade e qualidade.

O mercado chinês de calçados é estimado em mais de US$ 80 bilhões em 2026, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 5,2%. A importação de calçados premium representa cerca de 12% desse total e está em constante expansão.

Códigos NCM para Exportação de Calçados

Para realizar a exportação de calçados brasileiros para a China, é fundamental conhecer os códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) que classificam os produtos. Os principais códigos do setor calçadista incluem:

NCM 6403 — Calçados com sola de borracha, plástico, couro ou compósitos

  • 6403.51: Calçados com parte superior de couro legítimo, com sola de borracha ou plástico — ideal para tênis premium e calçados esportivos de couro.
  • 6403.59: Outros calçados com parte superior de couro legítimo — abrange botas, mocassins e calçados formais de couro.
  • 6403.91: Calçados que cubram o tornozelo — botas e cano alto para inverno.
  • 6403.99: Outros calçados — categoria abrangente para diversos estilos.

Faixa de preço FOB: US$ 15,00 a US$ 85,00 par, dependendo do modelo, acabamento e nível de personalização.

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NCM 6404 — Calçados com sola de borracha, plástico, couro ou compósitos e parte superior de materiais têxteis

  • 6404.11: Calçados para esportes — tênis de corrida, futebol e modalidades diversas.
  • 6404.19: Outros calçados de materiais têxteis — sandálias de tecido, mocassins têxteis.

Faixa de preço FOB: US$ 8,00 a US$ 45,00 par.

NCM 6405 — Outros calçados

  • 6405.10: Calçados com parte superior de couro reconstruído ou composto — opção econômica com qualidade.
  • 6405.20: Calçados com parte superior de materiais têxteis — calçados casuais de tecido.
  • 6405.90: Outros calçados — inclui sandálias artesanais e calçados de materiais variados.

Faixa de preço FOB: US$ 5,00 a US$ 35,00 par.

NCM 6402 — Calçados com sola e parte superior de borracha ou plástico

  • 6402.12: Calçados de esqui e de neve — nicho específico com alta margem.
  • 6402.19: Outros calçados de esportes — chuteiras e calçados técnicos.
  • 6402.91: Calçados que cubram o tornozelo — botas de borracha e botinas.
  • 6402.99: Outros calçados — sandálias e chinelos de borracha/plástico de alta qualidade.

Faixa de preço FOB: US$ 4,00 a US$ 30,00 par.

NCM 6401 — Calçados impermeáveis com sola e parte superior de borracha ou plástico

  • 6401.10: Calçados com sola e parte superior de borraca ou plástico — botas de chuva premium.
  • 6401.92: Calçados que cubram o tornozelo — botas de chuva com design diferenciado.
  • 6401.99: Outros calçados impermeáveis — sandálias aquáticas e calçados para atividades outdoor.

Faixa de preço FOB: US$ 3,00 a US$ 25,00 par.

Marcas Brasileiras com Potencial de Exportação para a China

O Brasil possui marcas calçadistas reconhecidas internacionalmente que podem se beneficiar da expansão para o mercado chinês. Dentre elas:

Havaianas

A sandália brasileira mais icônica do mundo já possui presença na China, mas ainda pode expandir significativamente sua operação. Com lineamentos premium e edições limitadas, a marca pode conquistar o consumidor chinês que busca autenticidade e conforto. As sandálias Havaianas são classificadas principalmente sob NCM 6402.99 e NCM 6405.90.

Rider

A marca do Grupo Dafiti é forte em calçados esportivos e casuais. Com presença em diversos mercados internacionais, a Rider pode oferecer na China calçados com tecnologia de conforto e materiais sustentáveis. Principalmente classificada sob NCM 6403 e NCM 6404.

Melissen

Marca feminina com design sofisticado e alta qualidade de acabamento, a Melissen tem potencial para o segmento premium chinês de moda feminina. Calçados em couro legítimo com design brasileiro diferenciado podem ocupar um nicho rentável. Classificação: NCM 6403.

Opani

Especializada em botas e calçados de couro, a Opani oferece produtos que podem interessar ao mercado chinês em regiões com clima mais frio. Classificação: NCM 6403.51 e 6403.59.

Arezzo

Líder no segmento de moda feminina no Brasil, a Arezzo possui calçados com design contemporâneo e qualidade superior. Com pontos fortes em sandálias, scarpins e botas, a marca pode conquistar consumidoras chinesas que valorizam elegância e conforto. Classificação: NCM 6403.

Design Brasileiro como Diferencial Competitivo

O design brasileiro tem reconhecimento mundial pela sua originalidade,-colorido vibrante e capacidade de combinar estética com funcionalidade. No contexto da exportação para a China, o design pode ser um diferencial decisivo por diversas razões:

  1. Autenticidade cultural: O consumidor chinês valoriza marcas com história e identidade cultural forte. A tradição calçadista brasileira, com décadas de experiência e inovação, pode ser um diferencial comunicacional poderoso.

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  2. Diversidade estética: O Brasil é um país multicultural, e essa diversidade se reflete na variedade de estilos calçadistas produzidos. Da sofisticação das marcas premium à criatividade do artesanato regional, o design brasileiro oferece opções para todos os segmentos.

  3. Conforto e ergonomia: Calçados brasileiros são reconhecidos pelo conforto, especialmente sandálias e tênis. Essa característica é altamente valorizada pelo consumidor chinês, que passa longas horas em deslocamentos urbanos.

  4. Sustentabilidade no design: A integração de materiais sustentáveis e processos eco-friendly no design de calçados brasileiros pode atender à crescente demanda chinesa por produtos ambientalmente responsáveis.

Para maximizar o potencial do design brasileiro na China, é importante adaptar as coleções às preferências do mercado local — como tamanhos, cores sazonais e estilos que agradem ao consumidor chinês, sem perder a identidade da marca.

Certificações Necessárias para Exportação

A exportação de calçados para a China requer uma série de certificações e conformidades que garantam a qualidade e segurança do produto. As principais certificações incluem:

Certificações Chinesas

  • CCC (China Compulsory Certification): Embora não seja obrigatória para todos os calçados, pode ser necessária para produtos que se enquadrem em categorias específicas. É importante verificar a aplicabilidade para cada tipo de produto.

  • GB Standards (国家标准): A China possui normas técnicas nacionais que regulam a qualidade dos calçados. Products devem atender aos padrões GB para serem comercializados legalmente no mercado chinês.

  • AQSIQ (Administración General de Calidad, Inspección y Cuarentena): Organismo responsável pela inspeção e certificação de produtos importados. É necessário obter a aprovação para a importação.

Certificações Internacionais

  • ISO 9001:2015: Sistema de gestão da qualidade, essencial para demonstrar processos produtivos padronizados e controle de qualidade.

  • ISO 14001:2015: Sistema de gestão ambiental, cada vez mais exigido pelo mercado chinês para produtos sustentáveis.

  • OEKO-TEX Standard 100: Certificação que garante que o produto não contém substâncias nocivas à saúde. Fundamental para calçados com partes têxteis.

  • SA8000: Certificação de responsabilidade social que demonstra práticas trabalhistas éticas na cadeia produtiva.

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  • REACH (Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals): Regulamento europeu que também é reconhecido e valorizado pelo mercado chinês.

Certificações de Sustentabilidade

  • FSC (Forest Stewardship Council): Para calçados que utilizam componentes de madeira ou materiais derivados de florestas sustentáveis.

  • B Corp Certification: Certificação que atesta práticas sustentáveis e responsáveis em toda a cadeia produtiva.

  • Carbon Neutral Certification: Para empresas que conseguem demonstrar compensação de carbono em seus processos produtivos e logísticos.

Logística e Frete para a China

A logística de exportação de calçados brasileiros para a China envolve diversas etapas que devem ser bem planejadas:

Modalidades de Transporte

  • Marítimo: A opção mais econômica para grandes volumes. Os principais portos brasileiros para exportação para a China são Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). O tempo de trânsito para portos chineses como Xangai, Ningbo e Guangzhou é de aproximadamente 30 a 40 dias.

  • Aéreo: Mais rápido, com tempos de trânsito de 5 a 10 dias, mas significativamente mais caro. Ideal para amostras, protótipos e produtos de alto valor agregado.

  • Ferroroviário (Nova Rota da Seda): Uma opção em crescimento, com tempos de trânsito de 15 a 20 dias e custos intermediários entre marítimo e aéreo.

Documentação Necessária

  • Fatura Comercial (Commercial Invoice)
  • Lista de Embalagem (Packing List)
  • Conhecimento de Embarque (Bill of Lading ou Airway Bill)
  • Certificado de Origem
  • Certificado Fitossanitário (quando aplicável)
  • Licença de Importação (quando exigida)
  • Certificado de Conformidade do Produto

Incoterms Recomendados

Para exportação de calçados para a China, os Incoterms mais utilizados são:

  • FOB (Free on Board): O vendedor é responsável até o produto ser carregado no navio. É o termo mais comum em exportações brasileiras.
  • CIF (Cost, Insurance and Freight): O vendedor arca com o custo do frete e seguro até o porto de destino. Mais prático para o comprador.
  • DDP (Delivered Duty Paid): O vendedor é responsável por todas as despesas até a entrega ao comprador na China. Menos comum, mas oferece maior comodidade.

Estratégias de Entrada no Mercado Chinês

Para sucesso na exportação de calçados brasileiros para a China, é fundamental adotar estratégias adequadas:

1. Participação em Feiras Internacionais

As principais feiras do setor na China incluem:

  • Canton Fair (Feira de Cantão): Realizada em Guangzhou, é a maior feira de comércio exterior da China. Acontece duas vezes ao ano e é um espaço ideal para fazer contatos e fechar negócios.

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  • Shoes China (Xiamen): Feira especializada em calçados, com foco em importação e tendências do setor.

  • CIFF (China International Furniture Fair): Embora focada em móveis, também apresenta produtos de design que podem ser complementares.

2. Parcerias com Distribuidores Locais

Estabelecer parcerias com distribuidores e importadores chineses que já possuam rede de distribuição estabelecida pode acelerar significativamente a entrada no mercado. É importante realizar due diligence rigorosa e verificar referências.

3. E-commerce Cross-border

A plataforma de e-commerce cross-border da China oferece canais como:

  • Tmall Global: Plataforma do Alibaba para marcas internacionais.
  • JD Worldwide: Plataforma de e-commerce premium do JD.com.
  • Kaola: Plataforma especializada em produtos importados.

Essas plataformas permitem que marcas brasileiras vendam diretamente ao consumidor chinês sem necessidade de presença física no país.

4. Showrooms e Brand Houses

Alugar espaço em showroom ou brand house em cidades-chave como Xangai, Pequim ou Guangzhou pode ser uma forma eficaz de apresentar a coleção a compradores e distribuidores.

Custos e Margens na Exportação

Compreender a estrutura de custos é fundamental para precificar adequadamente os produtos para o mercado chinês:

Estrutura de Custos FOB

  • Matéria-prima: 35% a 50% do custo total
  • Mão de obra: 15% a 25% do custo total
  • Encargos industriais: 10% a 15% do custo total
  • Embalagem: 3% a 5% do custo total
  • Logística interna: 5% a 8% do custo total
  • Margem do exportador: 10% a 20% do custo total

Custos Adicionais na China

  • Impostos de importação: 10% a 25% sobre o valor CIF
  • ICMS de importação: 13% a 17% (varia por estado)
  • Taxa de tramitação aduaneira: 0,3% a 0,5% do valor CIF
  • Frete marítimo: US$ 2.000 a US$ 5.000 por contêiner 20'
  • Seguro marítimo: 0,3% a 0,5% do valor da mercadoria

Margens Esperadas

Com uma estratégia bem executada, as margens na exportação de calçados para a China podem variar de 15% a 35%, dependendo do segmento, da marca e do canal de distribuição escolhido. Produtos premium com forte identidade de marca podem alcançar margens superiores.

Tendências do Mercado 2026

O mercado chinês de calçados em 2026 apresenta as seguintes tendências que podem ser exploradas por exportadores brasileiros:

  • Personalização em massa: Consumidores chineses buscam calçados personalizados, com opções de cores, materiais e estampas.
  • Tecnologia embarcada: Calçados com sensores, conectividade e recursos de saúde.
  • Economia circular: Produtos feitos com materiais reciclados e processos sustentáveis.
  • Cultura streetwear: Influência da cultura pop e do hip-hop na moda jovem chinesa.
  • Envelhecimento populacional: Calçados ergonômicos e confortáveis para uma população que envelhece.
  • Sustentabilidade como diferencial: Consumidores dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis e certificados.

Casos de Sucesso

Alguns exemplos de marcas brasileiras que já estão com sucesso exportando para a China:

  • Havaianas: Presente em mais de 100 países, incluindo a China, com faturamento internacional significativo.
  • Osklen: Marca de moda sustentável brasileira que já exporta produtos para o mercado chinês.
  • Arezzo: Presença em puntos de venda selecionados na China, com foco no segmento premium.
  • Melissen: Expandindo gradualmente para mercados asiáticos com sua coleção de calçados de couro.

Conclusão e Próximos Passos

Exportar calçados brasileiros para a China representa uma oportunidade real de crescimento para as empresas do setor. Com uma combinação de design diferenciado, qualidade superior, sustentabilidade e estratégias de comercialização adequadas, as marcas brasileiras podem se posicionar de forma competitiva no maior mercado de calçados do mundo.

O sucesso nessa empreitada depende de um planejamento cuidadoso, que inclua desde a escolha dos produtos e códigos NCM até a definição dos canais de distribuição e estratégias de marketing. Investir em certificações, adaptar os produtos às preferências locais e estabelecer parcerias estratégicas são passos fundamentais para o êxito.

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