Histórico das Negociações entre Mercosul e União Europeia

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Publicado em 2026-06-28 | Atualizado em 2026-06-28 | TRADEXA Blog

Acordo Mercosul-União Europeia: Histórico e Panorama das Negociações

O acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia é, sem dúvida, um dos tratados comerciais mais ambiciosos e aguardados do século XXI. Após mais de duas décadas de negociações intensas, idas e vindas diplomáticas, e um contexto geopolítico em constante transformação, o acordo finalmente chegou a um texto de princípio em 2019, que desde então aguarda ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos. Mais do que um simples tratado de livre comércio, este acordo representa a convergência de dois blocos que juntos somam aproximadamente 750 milhões de consumidores e cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo com a União Europeia abre portas que estavam fechadas há décadas. O bloco europeu é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e um dos maiores investidores estrangeiros no país. Com a eliminação gradual de tarifas para a maioria dos produtos industrializados e a criação de cotas preferenciais para produtos agrícolas, o acordo tem o potencial de transformar profundamente a pauta de comércio exterior brasileira e impulsionar setores inteiros da economia nacional.

No entanto, o caminho até a implementação efetiva do acordo ainda é longo e repleto de desafios. A ratificação pelos parlamentos dos países membros de ambos os blocos, a adaptação às novas regras de origem, a superação de barreiras não tarifárias e o cumprimento de exigências ambientais e sanitárias são apenas alguns dos obstáculos que empresas brasileiras precisarão enfrentar. Neste contexto, ferramentas de inteligência comercial como as oferecidas pela TRADEXA tornam-se aliadas indispensáveis para que importadores e exportadores brasileiros possam navegar pelas oportunidades e complexidades do acordo com segurança e informação de qualidade.

A TRADEXA, plataforma brasileira de inteligência para comércio exterior, oferece um tarifário global atualizado com dados de 31 países, um classificador NCM com inteligência artificial, dashboards de trade intelligence e um diretório com mais de 3,8 milhões de importadores. Essas ferramentas permitem que empresas brasileiras identifiquem as melhores oportunidades comerciais no mercado europeu, compreendam as vantagens tarifárias oferecidas pelo acordo e se preparem adequadamente para as exigências regulatórias do bloco.

Histórico das Negociações entre Mercosul e União Europeia

As negociações entre o Mercosul e a União Europeia tiveram início oficialmente em 1999, durante a primeira Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos países da América Latina, Caribe e União Europeia, realizada no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, os dois blocos lançaram as bases para o que se pretendia ser um acordo de associação inter-regional ambicioso, cobrindo não apenas o comércio de bens, mas também serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e cooperação política.

Durante os primeiros anos de negociação, o principal foco esteve na troca de ofertas tarifárias e na definição de regras de origem. No entanto, as divergências entre os dois blocos eram profundas: a União Europeia pressionava por maior abertura do mercado sul-americano para produtos industrializados e serviços, enquanto o Mercosul demandava acesso preferencial para seus produtos agrícolas, especialmente carnes, açúcar e etanol, setores fortemente protegidos pela Política Agrícola Comum (PAC) europeia.

As negociações avançaram lentamente até 2004, quando foram praticamente paralisadas. O fracasso da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ascensão de governos mais protecionistas na América do Sul e a crise financeira global de 2008 contribuíram para o arrefecimento das discussões. Durante esse período, a União Europeia priorizou negociações com outros blocos e países, incluindo Coreia do Sul, Canadá, Japão, Singapura e Vietnã, enquanto o Mercosul buscava acordos com seus vizinhos sul-americanos.

Foi somente em 2016, com a mudança de governo no Brasil e na Argentina, que as negociações foram retomadas com novo fôlego. O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Michel Temer e depois de Jair Bolsonaro, adotou uma postura mais aberta ao comércio internacional, enquanto a União Europeia buscava diversificar suas parcerias comerciais em meio à incerteza gerada pelo Brexit e pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Em junho de 2019, após 20 anos de negociações, Mercosul e União Europeia anunciaram um acordo de princípio durante a reunião da Cúpula do G20 em Osaka, no Japão. O anúncio foi celebrado como um marco histórico, mas logo ficou claro que o caminho até a ratificação seria longo. A União Europeia exigiu compromissos adicionais do Mercosul em matéria de proteção ambiental, especialmente no que diz respeito ao desmatamento da Amazônia, e as eleições no Brasil e na Argentina adicionaram incertezas ao processo.

Em 2023 e 2024, as negociações para a conclusão do acordo foram retomadas com o novo governo brasileiro, que busca equilibrar a abertura comercial com as exigências ambientais e sociais da União Europeia. Em dezembro de 2024, foi anunciado que as partes haviam finalmente chegado a um texto final do acordo, que agora aguarda a tradução jurídica e a ratificação pelos parlamentos dos países membros.

Principais Benefícios do Acordo para o Brasil

O acordo Mercosul-União Europeia oferece um conjunto expressivo de benefícios potenciais para a economia brasileira, que vão muito além da simples redução de tarifas de importação. O tratado tem o potencial de transformar a estrutura do comércio exterior brasileiro, abrindo novos mercados, atraindo investimentos e estimulando a modernização produtiva.

Em primeiro lugar, a eliminação tarifária é o benefício mais imediato e tangível. O acordo prevê a eliminação de tarifas para aproximadamente 91% dos produtos comercializados entre os dois blocos em um prazo de até 15 anos, com calendários específicos para cada setor. Para os produtos industrializados, a eliminação será mais rápida, chegando a 100% em até 10 anos para a maioria dos itens. Para os produtos agrícolas, a eliminação será gradual e acompanhada de cotas tarifárias que limitam o volume de exportações com tarifa zero.

Em segundo lugar, as cotas de exportação (TRQs — Tariff Rate Quotas) representam uma oportunidade concreta para o agronegócio brasileiro. O acordo prevê cotas significativas para carne bovina (99 mil toneladas), carne de frango (180 mil toneladas), açúcar (180 mil toneladas), etanol (600 mil toneladas), suco de laranja, café solúvel, milho, arroz e mel, entre outros produtos. Essas cotas permitem que o Brasil exporte volumes substanciais para o mercado europeo com tarifas reduzidas ou zero, competindo em condições mais favoráveis com fornecedores de outros países.

Em terceiro lugar, o acordo simplifica e harmoniza as regras de origem, facilitando a vida do exportador brasileiro. As regras de origem determinam quando um produto pode ser considerado originário do Mercosul e, portanto, beneficiar-se das preferências tarifárias do acordo. O texto negociado estabelece critérios claros e previsíveis, incluindo a possibilidade de cumulação de origem entre os países do Mercosul e, em alguns casos, com insumos europeus.

Em quarto lugar, o acordo abre oportunidades significativas no setor de compras governamentais. Empresas brasileiras poderão participar de licitações públicas nos países da União Europeia em condições de igualdade com empresas europeias, um mercado estimado em mais de 2 trilhões de euros anuais. Da mesma forma, empresas europeias terão acesso às licitações públicas no Mercosul, o que pode aumentar a concorrência e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Em quinto lugar, o acordo facilita o comércio de serviços e investimentos. Empresas brasileiras de tecnologia da informação, engenharia, consultoria, arquitetura e serviços financeiros poderão estabelecer presença comercial na União Europeia com menos barreiras regulatórias. Além disso, o acordo oferece proteções mais robustas para investidores, incluindo mecanismos de solução de controvérsias e garantias contra expropriação arbitrária.

Para aproveitar plenamente esses benefícios, o exportador brasileiro precisa de informações precisas sobre as tarifas aplicáveis, as cotas disponíveis e as regras de origem de cada produto. A TRADEXA, com seu Tarifário Global atualizado para 31 países e seu classificador NCM baseado em inteligência artificial, oferece as ferramentas necessárias para que as empresas brasileiras possam calcular com precisão as vantagens tarifárias do acordo e planejar suas estratégias de exportação para o mercado europeu.

Setores Beneficiados no Brasil

O impacto do acordo Mercosul-União Europeia sobre a economia brasileira será diferenciado por setor, com alguns segmentos se beneficiando mais direta e imediatamente do que outros. Compreender quais setores serão mais favorecidos é essencial para que empresários e investidores possam posicionar suas empresas da melhor forma possível.

O agronegócio é, sem dúvida, o setor mais diretamente beneficiado pelo acordo. O Brasil é uma potência agrícola global, e o acesso preferencial ao mercado europeu de 450 milhões de consumidores representa uma oportunidade histórica. A carne bovina brasileira, que enfrenta tarifas de até 44% no mercado europeu, terá uma cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida de 7,5%, abrindo caminho para que os frigoríficos brasileiros aumentem significativamente suas exportações para a Europa.

O setor de avicultura também será amplamente beneficiado. A cota de 180 mil toneladas de carne de frango com tarifa zero representa uma oportunidade expressiva para a indústria avícola brasileira, que já é uma das maiores e mais competitivas do mundo. Empresas como BRF e JBS, que já possuem operações na Europa, poderão expandir sua participação no mercado europeu com vantagens tarifárias significativas.

O açúcar é outro produto que terá acesso preferencial ao mercado europeu. A cota de 180 mil toneladas de açúcar com tarifa zero permite que o Brasil, maior produtor mundial de açúcar, aumente suas exportações para a Europa, competindo diretamente com produtores europeus de beterraba. O etanol, com cota de 600 mil toneladas, também terá acesso preferencial, o que pode impulsionar as exportações do biocombustível brasileiro para um mercado que busca cada vez mais fontes de energia renovável.

O café brasileiro, especialmente o café solúvel e o café torrado, terá tarifas reduzidas para entrar no mercado europeu. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, e a Europa é um dos maiores mercados consumidores do produto. A redução tarifária aumentará a competitividade do café brasileiro frente a concorrentes de países africanos e asiáticos.

O suco de laranja brasileiro, que responde por mais de 70% do mercado mundial, também será beneficiado com cotas tarifárias e redução de tarifas para entrar no mercado europeu. O mesmo vale para frutas frescas como manga, melão, uva e limão, que ganharão acesso preferencial a um mercado de alta renda.

O setor de celulose e papel, no qual o Brasil é líder global, também será beneficiado. A celulose brasileira, produzida a partir de florestas plantadas de eucalipto, já é extremamente competitiva em termos de custo e qualidade. A eliminação de tarifas para o mercado europeu fortalecerá ainda mais a posição do Brasil como fornecedor global de celulose.

O minério de ferro e outros produtos minerais brasileiros também terão tarifas reduzidas ou eliminadas para entrada no mercado europeu. Embora as tarifas para minérios já sejam baixas na maioria dos casos, a eliminação completa representa uma economia adicional para as mineradoras brasileiras.

Setores Sensíveis e Desafios para a Indústria Brasileira

Nem todos os setores da economia brasileira sairão ganhando com o acordo Mercosul-União Europeia. Alguns segmentos industriais, que hoje se beneficiam de maior proteção tarifária, poderão enfrentar concorrência mais intensa de produtos europeus no mercado brasileiro. É o caso dos setores automotivo, químico, têxtil, de máquinas e equipamentos, e de laticínios.

O setor automotivo brasileiro é um dos mais sensíveis ao acordo. Atualmente, o Brasil aplica tarifas de importação de 35% para veículos montados, o que protege a indústria automobilística nacional da concorrência internacional. Com o acordo, essas tarifas serão gradualmente reduzidas até zero em um prazo de até 15 anos, expondo as montadoras brasileiras à concorrência de veículos europeus, especialmente dos segmentos premium.

No entanto, o acordo também oferece oportunidades para o setor automotivo brasileiro. As exportações de autopeças para a Europa terão tarifas reduzidas, o que pode beneficiar a indústria brasileira de componentes automotivos, que já é competitiva em diversos segmentos. Além disso, a abertura do mercado pode estimular investimentos europeus no Brasil, com a instalação de novas plantas produtivas.

O setor químico brasileiro, que inclui produtores de petroquímicos básicos, resinas termoplásticas, fertilizantes e defensivos agrícolas, também será impactado. A eliminação de tarifas para produtos químicos europeus pode aumentar a concorrência no mercado brasileiro, pressionando as margens dos produtores nacionais. Por outro lado, a indústria química brasileira terá acesso a insumos europeus mais baratos, o que pode reduzir custos de produção para setores downstream.

O setor têxtil e de confecções brasileiro enfrenta desafios significativos. A indústria têxtil nacional, que já sofre com a concorrência de produtos asiáticos, terá que competir também com produtos europeus de maior valor agregado. No entanto, as regras de origem do acordo podem proteger parcialmente o setor, ao exigir que os tecidos utilizados nas confecções sejam produzidos no Mercosul ou na Europa.

O setor de laticínios brasileiro é outro segmento sensível. A União Europeia é um dos maiores produtores mundiais de laticínios, com produtos de alta qualidade e forte reconhecimento de marca. A abertura do mercado brasileiro para queijos, manteiga e leite em pó europeus pode aumentar a concorrência para os produtores nacionais. No entanto, o acordo prevê cotas e prazos de eliminação tarifária mais longos para esses produtos, mitigando o impacto inicial.

O setor de máquinas e equipamentos brasileiro também enfrentará concorrência europeia. No entanto, como o Brasil já importa uma parcela significativa de máquinas europeias, o impacto pode ser menor do que em outros setores. Além disso, a redução de tarifas para máquinas e equipamentos pode beneficiar os setores usuários, que terão acesso a tecnologia de ponta a custos mais baixos.

Para navegar por essas mudanças, o empresário brasileiro precisa de informações precisas e atualizadas sobre as tarifas aplicáveis a cada produto, as regras de origem e os prazos de eliminação tarifária. A TRADEXA oferece exatamente isso: seu Tarifário Global permite consultar as alíquotas de importação para 31 países, incluindo todos os membros da União Europeia, e simular cenários com e sem o acordo. O classificador NCM com inteligência artificial ajuda a identificar a classificação fiscal correta dos produtos, garantindo que o exportador brasileiro possa usufruir das preferências tarifárias do acordo.

Barreiras Não Tarifárias e Exigências Europeias

Um dos aspectos mais importantes e frequentemente subestimados do acordo Mercosul-União Europeia são as barreiras não tarifárias. Mesmo com a eliminação das tarifas de importação, o exportador brasileiro precisará cumprir uma série de exigências regulatórias, sanitárias, ambientais e técnicas para colocar seus produtos no mercado europeu. Essas barreiras não tarifárias podem ser tão ou mais relevantes que as tarifas para determinar o sucesso das exportações brasileiras para a Europa.

A primeira e mais importante barreira não tarifária diz respeito aos padrões sanitários e fitossanitários da União Europeia. O bloco europeu possui um dos sistemas de segurança alimentar mais rigorosos do mundo, com regras detalhadas para resíduos de agrotóxicos, aditivos alimentares, contaminantes, higiene na produção, rastreabilidade e rotulagem. Para exportar carne bovina, frango, suínos, frutas, verduras e outros alimentos para a Europa, o produtor brasileiro precisa obter certificações sanitárias específicas, que envolvem inspeções de estabelecimentos produtores por autoridades europeias.

A rastreabilidade é uma exigência central do sistema sanitário europeu. Cada lote de produto exportado deve ser rastreável desde a origem (a fazenda, o frigorífico ou a indústria processadora) até o ponto de venda no mercado europeu. Isso exige sistemas de informação robustos, que integrem dados de produção, processamento, transporte e distribuição.

A segunda grande barreira não tarifária são as regras ambientais, especialmente o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR — European Union Deforestation Regulation). Aprovado em 2023 e em vigor desde 2025, o EUDR exige que importadores europeus comprovem que produtos como café, cacau, carne bovina, soja, óleo de palma, borracha e madeira não foram produzidos em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

O EUDR representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro, especialmente para a pecuária e a soja, que estão frequentemente associadas ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Para exportar para a Europa, o produtor brasileiro precisará demonstrar a origem sustentável de seus produtos, utilizando sistemas de georreferenciamento, certificações de terceira parte e blockchain para garantir a rastreabilidade.

A terceira barreira não tarifária relevante é a questão do carbono. A União Europeia está implementando gradualmente o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM — Carbon Border Adjustment Mechanism), que exige que importadores de produtos intensivos em carbono (como aço, alumínio, cimento, fertilizantes e eletricidade) adquiram certificados de carbono para compensar as emissões incorporadas em seus produtos. O CBAM entrará em vigor plenamente até 2026 e pode aumentar significativamente o custo de exportação para setores industriais brasileiros.

A quarta barreira diz respeito às certificações técnicas e de qualidade. Muitos produtos industrializados precisam obter a marcação CE (Conformité Européenne) para serem comercializados na União Europeia, atestando que atendem aos requisitos de segurança, saúde e proteção ambiental do bloco. A obtenção da marcação CE envolve ensaios laboratoriais, avaliação de conformidade e, em alguns casos, certificação por organismos notificados europeus.

Para superar essas barreiras, o exportador brasileiro precisa de informações detalhadas e atualizadas sobre os requisitos regulatórios de cada produto em cada país europeu. A TRADEXA, com sua plataforma de inteligência comercial, oferece dashboards que consolidam informações tarifárias, regulatórias e de mercado para mais de 30 países, permitindo que o exportador brasileiro identifique antecipadamente os requisitos que precisará cumprir e planeje suas operações de acordo.

Próximos Passos: Ratificação e Implementação

O acordo Mercosul-União Europeia ainda não está em vigor. Após mais de duas décadas de negociações, o texto final foi acordado em dezembro de 2024, mas ainda precisa passar por um longo processo de ratificação antes que suas disposições possam ser aplicadas.

A primeira etapa do processo de ratificação ocorre na União Europeia. O texto do acordo precisa ser aprovado pelo Conselho da União Europeia (que reúne os ministros dos 27 países membros) e pelo Parlamento Europeu. Após a aprovação europeia, o acordo precisa ser ratificado individualmente por cada um dos 27 parlamentos nacionais dos países membros da União Europeia. Esse processo pode levar de dois a cinco anos, dependendo da agilidade de cada parlamento nacional.

Alguns países europeus, como França, Áustria, Países Baixos e Irlanda, têm mostrado resistência à ratificação do acordo, especialmente por preocupações com a concorrência agrícola e com o desmatamento na Amazônia. A França, em particular, tem sido um dos principais opositores, com seu poderoso setor agrícola temendo a concorrência de produtos brasileiros.

No lado do Mercosul, o acordo precisa ser aprovado pelos parlamentos dos quatro países membros: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil, o acordo precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em dois turnos de votação em cada casa. Considerando o histórico de tramitação de acordos internacionais no Congresso Nacional brasileiro, a aprovação pode levar de um a dois anos.

Paralelamente ao processo de ratificação, os dois blocos estão negociando um acordo complementar sobre compras governamentais, que ampliará o acesso de empresas brasileiras às licitações públicas nos países europeus. Esse acordo complementar tem sido um dos pontos mais sensíveis das negociações, com a União Europeia pressionando por maior abertura do mercado brasileiro de compras governamentais.

Após a ratificação, o acordo entrará em vigor de forma progressiva. As reduções tarifárias serão implementadas em fases, com calendários específicos para cada setor. Para alguns produtos, a eliminação total das tarifas levará até 15 anos. As cotas tarifárias para produtos agrícolas também serão implementadas gradualmente, com aumentos anuais até atingir o volume total previsto.

Durante esse período de implementação, as empresas brasileiras precisarão se adaptar às novas regras e aproveitar as oportunidades que surgirem gradualmente. A consulta ao Tarifário Global da TRADEXA será essencial para acompanhar as reduções tarifárias e identificar os momentos mais favoráveis para iniciar ou expandir exportações para a Europa.

Como se Preparar para Aproveitar o Acordo

O acordo Mercosul-União Europeia representa uma oportunidade histórica para o comércio exterior brasileiro, mas aproveitá-la plenamente exige preparação estratégica. Empresas que começarem a se preparar agora, antes mesmo da ratificação do acordo, estarão em posição privilegiada para capturar as oportunidades assim que as tarifas começarem a cair.

O primeiro passo é realizar um diagnóstico detalhado da empresa e de seus produtos. O empresário precisa saber exatamente quais produtos exporta ou pretende exportar, qual é a classificação NCM de cada um deles, e quais tarifas e barreiras não tarifárias incidem sobre esses produtos no mercado europeu. A TRADEXA oferece o classificador NCM com inteligência artificial, que ajuda a identificar a classificação fiscal correta de cada produto, e o Tarifário Global, que permite consultar as alíquotas aplicáveis em cada país europeu.

O segundo passo é analisar as regras de origem do acordo. Para que um produto se beneficie das preferências tarifárias, ele precisa ser considerado originário do Mercosul. Isso significa que o produto deve ser totalmente obtido no bloco (como produtos agrícolas) ou ter passado por transformação substancial no Mercosul. Empresas que utilizam insumos importados de fora do Mercosul precisarão verificar se seus produtos atendem aos requisitos de origem do acordo.

O terceiro passo é adequar a produção às exigências sanitárias, ambientais e técnicas da União Europeia. Empresas do agronegócio precisarão implementar sistemas de rastreabilidade, obter certificações de sustentabilidade e comprovar a origem não desmatada de seus produtos. Empresas industriais precisarão obter a marcação CE e outras certificações técnicas exigidas pelo bloco europeu.

O quarto passo é desenvolver uma estratégia comercial para o mercado europeu. Isso inclui identificar os países e os segmentos de mercado mais promissores para cada produto, estabelecer canais de distribuição, participar de feiras e missões comerciais, e construir relacionamentos com importadores e distribuidores europeus. A TRADEXA oferece um diretório com mais de 3,8 milhões de importadores verificados, que pode ser utilizado para prospectar compradores em toda a Europa.

O quinto passo é planejar o financiamento das exportações. O BNDES, o Banco do Brasil e outras instituições financeiras brasileiras oferecem linhas de crédito específicas para exportação, incluindo o BNDES Exim e o Proex. Além disso, o seguro de crédito à exportação pode proteger a empresa contra o risco de inadimplência dos compradores europeus.

O sexto passo é investir em inteligência comercial. O mercado europeu é altamente competitivo e sofisticado, e o sucesso das exportações brasileiras dependerá da capacidade das empresas de tomar decisões baseadas em dados atualizados e análises aprofundadas. Os dashboards de trade intelligence da TRADEXA oferecem informações sobre fluxos comerciais, tendências de mercado, preços internacionais e inteligência competitiva, permitindo que o exportador brasileiro identifique oportunidades, antecipe movimentos da concorrência e ajuste sua estratégia em tempo real.

Conclusão

O acordo Mercosul-União Europeia é, potencialmente, o tratado comercial mais importante já negociado pelo Brasil. Após mais de duas décadas de negociações, o acordo finalmente está próximo da ratificação, abrindo caminho para uma nova era de integração comercial entre o Brasil e um dos maiores e mais ricos mercados consumidores do mundo.

As oportunidades são enormes para o agronegócio brasileiro, que terá acesso preferencial a 450 milhões de consumidores europeus, e para a indústria brasileira, que poderá exportar mais e melhores produtos para um mercado que valoriza qualidade, inovação e sustentabilidade. No entanto, os desafios também são significativos, especialmente no que diz respeito às barreiras não tarifárias, às exigências ambientais e à concorrência com produtores europeus.

Para aproveitar as oportunidades e superar os desafios, o exportador brasileiro precisa de informação de qualidade, ferramentas de inteligência comercial e planejamento estratégico. A TRADEXA, com sua plataforma integrada de classificação NCM, tarifário global, diretório de importadores e dashboards de trade intelligence, oferece exatamente o que as empresas brasileiras precisam para se preparar para o acordo e competir com sucesso no mercado europeu.

O momento de se preparar é agora. As empresas que começarem hoje a analisar seus produtos, adequar seus processos, certificar sua produção e prospectar compradores europeus serão as primeiras a colher os frutos do acordo quando ele entrar em vigor. A TRADEXA está pronta para ajudar nessa jornada, oferecendo as ferramentas e os dados necessários para que o exportador brasileiro transforme o acordo Mercosul-União Europeia em crescimento real e sustentável para o seu negócio.