Guia de Exportação para Tailândia
Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para Tailândia.
Export. 2025-07
US$ 2.0 Bi
-0.0% vs período anterior
Cresc. 3 anos
+0.0%
CAGR 2022-2025
Produtos
10
Principais NCMs
Ranking
#29
Maior parceiro
Evolução das Exportações (US$ bilhões)
Principais Produtos (2025-07)
Tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja, inclusive cascas, palhas
US$ 559.8 MiTortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja, inclusive cascas, palhas
US$ 79.2 MiMinérios de nióbio (colômbio), tântalo, vanádio ou de zircônio e seus concentrad
US$ 39.9 MiPistolas aerográficas e aparelhos semelhantes
US$ 17.0 MiLátex de borracha de estireno-butadieno (SBR)
US$ 16.1 MiPartes ou peças para circuitos integrados eletrônicos
US$ 15.7 MiFibras de algodão (curta, média ou longa); algodão em pluma; algodão em rama
US$ 15.2 MiPastas químicas de madeira, à soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolução
US$ 12.5 Mi2026 (US$ Bi)
Jan-Jun · parcial
Comparativo de Portos
🇧🇷Porto de Santos
US$ 979.5 Mi🇧🇷Porto de Paranaguá
US$ 587.7 MiGuia Completo para Exportar para Tailândia
Oportunidades Setoriais
A Tailândia é uma economia de renda média-alta localizada no coração do Sudeste Asiático, com forte dependência de exportações e um programa governamental ambicioso — o "Tailândia 4.0" — que busca transformar o país em polo industrial de alta tecnologia. O mercado tailandês é relativamente aberto para bens de produção, oferecendo diversas isenções fiscais para importadores que buscam mercadorias estrangeiras para o setor produtivo local. A位置 geográfica estratégica e a participação ativa na ASEAN conferem à Tailândia acesso preferencial a mercados regionais por meio de acordos de livre comércio como o ATIGA e parcerias com China, Japão, Coreia e Austrália-Nova Zelândia.
Produtos agrícolas selecionados
A agricultura responde por cerca de 10% do PIB tailandês e emprega aproximadamente um terço da força de trabalho. Apesar de ser um dos principais exportadores mundiais de alimentos, o país apresenta oportunidades em setores específicos. O café, por exemplo, tem demanda doméstica de aproximadamente 95 mil toneladas anuais contra produção local de apenas 23,6 mil toneladas, abrindo espaço significativo para importação de grãos premium, especialmente à medida que a indústria cafeeira local migra para o segmento de cafés especiais. A carne bovina brasileira também encontra oportunidade: em maio de 2020, Brasil e Tailândia concordaram em aprovar a importação de carne de cinco frigoríficos brasileiros (Minerva, Marfrig de Ji-Paraná, JBS, Frialto e Masterboi), visando atender uma demanda doméstica que historicamente supera a produção local. Outros produtos com potencial incluem superalimentos como açaí e castanha-do-pará, além de queijos artesanais brasileiros, que podem atender ao crescente segmento de consumidores tailandeses interessados em produtos diferenciados.
Inovação e tecnologia agrícola
O programa "Tailândia 4.0" prioriza a modernização do setor agrícola por meio da iniciativa "Smart Farming" do Comitê de Investimentos (CDI). Tecnologias como drones, colheitadeiras inteligentes e tratores conectados são incentivadas pelo governo e pelo Banco Estatal para a Agricultura e Cooperativas (BAAC), que oferece pacotes de incentivo e empréstimos a juros privilegiados. Considerando que o comércio brasileiro de equipamentos e máquinas agrícolas segue em expansão, o mercado tailandês representa oportunidade concreta para exportação ou investimento nesse setor, aproveitando os incentivos governamentais.
Aviação e defesa
A Tailândia apresenta saldo importador para produtos aeroespaciais e tem planos ambiciosos de expansão aeroportuária, incluindo a interligação dos aeroportos de Don Mueang, Suvarnabhumi e U-Tapao Rayong-Pattaya, além da construção de um novo aeroporto em Nakhon Pathom. Esses projetos aumentarão a demanda por serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO), bem como por equipamentos e aeronaves. Na área de defesa, o orçamento cresceu a uma taxa média de 7,96% entre 2017 e 2019, com planos de modernização das forças armadas que abrem espaço para aquisição de equipamentos de alta tecnologia e know-how específico.
Entendendo o Consumidor Tailandês
A Tailândia conta com cerca de 66,6 milhões de habitantes, concentrados principalmente na Região Metropolitana de Bangkok (16,4% da população total) e no Corredor Econômico Leste (CEL). O coeficiente de Gini de 0,36 indica distribuição de renda relativamente equilibrada, mas com contrastes significativos entre áreas urbanas e rurais. A renda média per capita é de aproximadamente 105 mil Baht ao ano (cerca de 3.500 USD), e o consumo médio per capita gira em torno de 83 mil Baht ao ano.
Comércio eletrônico em expansão
Os tailandeses adotaram amplamente o comércio eletrônico, impulsionado pela forte penetração de smartphones em todos os níveis sociais e pelo incentivo governamental ao uso de meios de pagamento digitais como o PromptPay, que elimina taxas bancárias. Plataformas como Lazada, Shopee, JD Central e Kaidee são canais relevantes de venda. Estima-se que o mercado eletrônico atinja 36,4 milhões de consumidores, sendo que 82,3% estão na faixa dos 18 aos 44 anos. Vendas por redes sociais como Instagram e Facebook também são significativas, especialmente no segmento de moda, oferecendo preços mais acessíveis que lojas físicas.
Perfis de consumo e preferências
O aumento na renda dos tailandeses impulsiona a demanda por bens de alto valor agregado, especialmente produtos que oferecem experiências premium, como alimentos gourmet, relógios, joias e acessórios de couro. As classes mais elitizadas concentram-se em áreas urbanas, especialmente em Bangkok, e frequentam os shopping centers do país. Outro fator relevante é a baixa proficiência em inglês da população (64ª posição entre 88 países analisados pela Education First), o que torna importante adaptar a comunicação e o marketing ao tailandês, especialmente para produtos voltados ao consumidor final.
Canais de venda populares e conveniência
O varejo tailandês é diversificado e inclui lojas de departamento (Central Group, The Mall Group), hipermercados e supercentros (Big C, Makro, Tesco Lotus), supermercados (Tops, Gourmet Market, Foodland) e um denso rede de lojas de conveniência (7-Eleven com mais de 12 mil pontos e Family Mart). As lojas de conveniência são particularmente relevantes para produtos de consumo imediato e representam canais eficazes para produtos importados de menor porte e alto giro.
Acesso ao Mercado e Canais
O acesso ao mercado tailandês é regulado pela Lei Alfandegária (B.E. 2560, de 2017) e pelo Decreto de Tarifas Aduaneiras (B.E. 2530, de 1987). O Departamento Aduaneiro, órgão subordinado ao Ministério das Finanças, é responsável pela supervisão dos procedimentos de importação e exportação, bem como pela coleta dos tributos. Atualmente, existem 48 postos aduaneiros em todo o território tailandês, além de alfândegas nos portos de Bangkok e Laem Chabang, e nos aeroportos de Suvarnabhumi e Don Mueang.
Estrutura tarifária
As tarifas são cobradas em base ad valorem ou específica, prevalecendo o valor mais alto entre ambas, com encargos ad valorem variando entre 0% e 80%. A base para cálculo é o valor da transação, e o valor das importações é baseado em CIF (Custo, Seguro e Frete). Além dos encargos alfandegários, incidem sobre as importações o IVA de importação (7% sobre o valor CIF mais encargos aduaneiros e outros impostos), o imposto sobre a circulação de bens, impostos internos e eventuais impostos de saúde e teletransmissão, conforme a categoria dos produtos.
Sistema de Janela Única (NSW)
O National Single Window (NSW) foi projetado para integrar o processo de desembaraço aduaneiro com as listas de produtos restritos definidas pelas agências governamentais. Mais de 30 agências estabelecem restrições sobre produtos importados, incluindo a Lei de alimentos (B.E. 2522), a Lei de medicamentos (B.E. 2510), a Lei de narcóticos (B.E. 2522), a Lei de cosméticos (B.E. 2535) e a Lei de dispositivos médicos (B.E. 2531). A não observância dessas restrições configura infração alfandegária, sujeita a multa de THB 500.000,00 ou confisco da mercadoria.
Procedimentos de importação
O importador deve preencher um formulário de entrada e apresentar os documentos necessários — conhecimento de embarque, fatura e romaneio de carga (packing list) — por meio de sistema eletrônico. A taxa de processamento de uma entrada é de THB 300,00. As mercadorias podem ser mantidas em armazém alfandegado por até 45 dias sem o protocolo do formulário ou por 60 dias caso o formulário seja apresentado. A Aduana tailandesa segue os princípios do Acordo de Valoração da OMC e adota a Nomenclatura Tarifária Harmonizada da ASEAN (AHTN).
Regimes alfandegários especiais
A Tailândia oferece diversos regimes de incentivo fiscal, incluindo zonas francas (alfandegárias e da IEAT), sistema de drawback (Seção 29 da Lei Alfandegária), compensação de encargos e impostos, e isenções previstas na Seção IV do Decreto de Tarifas. As empresas promovidas pelo CDI podem importar máquinas e equipamentos com isenção ou redução de alíquotas. O Carnê A.T.A. também está disponível para ferramentas profissionais e produtos para exposições, com isenção de encargos de importação e reimportação.
Modelos de Entrada
O exportador brasileiro dispõe de diversas opções para atuar no mercado tailandês, desde a venda indireta por agentes e distribuidores até a instalação de uma subsidiária completa. A escolha do modelo adequado depende do setor de atuação, do porte da empresa e do nível de controle desejado sobre as operações locais.
Exportação indireta via distribuidor
O modelo mais comum para empresas brasileiras que estão iniciando operações na Tailândia é a venda através de um distribuidor ou atacadista local, que absorve os custos operacionais de distribuição no mercado interno. Essa modalidade reduz os riscos iniciais do exportador, mas tende a gerar margens de lucro menores, pois o intermediário repassa parte da margem para cobrir seus custos de operação, armazenamento e logística. É essencial negociar claramente as condições de exclusividade, prazos de pagamento e responsabilidades de cada parte.
Nomeação de agente comercial
O agente comercial atua como representante do exportador no mercado tailandês, promovendo as vendas e estabelecendo contatos com potenciais compradores. Não há diretrizes fixas para a divisão de custos entre exportador e agente, e é possível negociar acertos exclusivos. O exportador deve estar ciente de que a Lei de Negócios Estrangeiros (B.E. 2542) pode exigir autorizações adicionais dependendo do setor de atuação.
Escritório de representação comercial
O escritório de representação não pode se envolver em atividades diretas com fins lucrativos (ou seja, vender mercadorias em nome do exportador). Sua função é realizar pesquisas de mercado, controle de qualidade, compras e serviços de garantia. É uma opção para empresas que desejam manter presença física no país sem incorrer nos custos de uma subsidiária, mas com limitações operacionais significativas.
Subsidiária e joint venture
Para operação plena, o exportador pode estabelecer uma subsidiária, que será uma pessoa jurídica separada conforme as leis tailandesas. A Lei de Negócios Estrangeiros (B.E. 2542) determina que toda empresa estrangeira deve ter no máximo 49% do capital social proveniente de acionistas estrangeiros. Portanto, o controle de fato pode ser mantido através de ações com direitos especiais de voto. A joint venture é amplamente utilizada, especialmente em projetos de grande investimento, e sua estrutura deve ser cuidadosamente planejada com assessoria jurídica especializada.
Franquias
Existem diversas marcas internacionais com franquias estabelecidas na Tailândia (Starbucks, KFC, McDonald's, 7-Eleven). O modelo de franquias é regulamentado pela Lei de Marcas Comerciais (B.E. 2534), pela Lei de Direitos Autorais (B.E. 2537) e pela Lei de Segredos Comerciais (B.E. 2545). O sucesso depende da adaptação cultural ao mercado local e da manutenção dos padrões de qualidade definidos pela franqueadora.
Documentação e Certificações
Todos os produtos importados para a Tailândia são regulados pela Lei Alfandegária (B.E. 2560) e pelo Decreto de Tarifas Aduaneiras (B.E. 2530). O processo de desembaraço aduaneiro exige a apresentação de documentos específicos e, para determinadas categorias de produtos, a obtenção de licenças e autorizações adicionais junto às agências governamentais competentes.
Documentos de embarque essenciais
Para proceder com o desembaraço aduaneiro, o importador precisa apresentar: fatura comercial contendo nome e endereço do exportador, características e quantidade da mercadoria, país de origem e condições de venda; romaneio de carga (packing list) com informações sobre peso, características de acondicionamento e valor por unidade; conhecimento de embarque (Bill of Lading ou Air Waybill); certificado de origem (quando aplicável); e as licenças eventualmente exigidas. Todos os documentos relevantes devem ser mantidos por pelo menos cinco anos desde a data da importação, em formato eletrônico ou impresso.
Licenciamento de produtos controlados
Cerca de 30 agências governamentais estabelecem restrições sobre produtos importados. Para alimentos, é necessária a licença do Departamento de Agricultura conforme a Lei de Alimentos (B.E. 2522); para medicamentos, a autorização da Administração de Drogas e Alimentos (FDA) vinculada ao Ministério da Saúde Pública; para cosméticos, o cumprimento da Lei de Produtos Cosméticos (B.E. 2558); e para dispositivos médicos, a conformidade com a Lei de Dispositivos Médicos (B.E. 2531). O Sistema Nacional de Janela Única (NSW) facilita a obtenção dessas autorizações por meio eletrônico.
Rotulagem e embalagem
Os requisitos de rotulagem são definidos por cada autoridade governamental conforme a categoria dos produtos. Para alimentos, todos os produtos nacionais e importados devem cumprir a Notificação n. 367 do Ministério da Saúde Pública (B.E. 2557), que estabelece requisitos de rotulagem, incluindo nome e detalhes do produto, número de registro, informações sobre fabricação, data de vencimento e informações sobre alergias. Para cosméticos, a Lei de Produtos Cosméticos (B.E. 2558) define requisitos semelhantes. A violação desses regulamentos pode levar à apreensão dos produtos importados.
Medidas sanitárias e fitossanitárias
Como membro da OMC, a Tailândia segue os princípios do Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS), que visa promover a segurança alimentar, a proteção da flora e a produção segura da atividade pesqueira. As principais autoridades reguladoras são a FDA (alimentos, medicamentos e dispositivos médicos), o Departamento de Desenvolvimento da Pecuária (qualidade e condições sanitárias do gado) e o Departamento de Agricultura (sementes e plantas). Existem também regulamentos específicos como a Lei de Quarentena das Plantas (B.E. 2507) e a Lei de Epidemias Animais (B.E. 2558).
Documentação no Brasil para exportação
No lado brasileiro, o exportador deve realizar cadastro no RADAR junto à Receita Federal para obter acesso ao SISCOMEX. Os documentos normalmente exigidos incluem fatura comercial, romaneio de carga, Registro de Exportação (RE), documentos pré-aprovados para produtos sensíveis (quando aplicável) e Declaração de Exportação. O exportador deve confirmar com o importador tailandês as exigências específicas do país de destino antes do embarque.
Logística e Transporte
A Tailândia possui uma infraestrutura logística diversificada, com portos marítimos de importância regional, aeroportos internacionais de primeiro nível e uma rede rodoviária extensa. A localização geográfica estratégica no coração do Sudeste Asiático facilita o acesso a mercados vizinhos e a rotas comerciais globais. No entanto, a rota Brasil-Tailândia envolve longa distância marítima, o que torna essencial uma planejamento logístico cuidadoso.
Portos marítimos
Os principais portos da Tailândia são o Porto de Bangkok e o Porto de Laem Chabang, este último sendo o maior e mais moderno do país, localizado na província de Chonburi, no Corredor Econômico Leste (CEL). Laem Chabang é responsável pela maior parte do comércio exterior tailandês e conta com infraestrutura moderna para containeres e carga geral. Para exportações do Brasil, a rota marítima mais comum inclui escalas em portos intermediários (como Singapura ou Colombo) antes de chegar à Tailândia, com tempos de trânsito que podem variar de 30 a 45 dias dependendo da rota e do serviço contratado.
Aeroportos
O Aeroporto Internacional Suvarnabhumi, em Bangkok, é o principal hub aéreo do país, com capacidade para operar voos de longa distância e receber cargas de alto valor agregado. O Aeroporto de Don Mueang complementa a operação, atendendo principalmente voos de baixo custo e cargas regionais. Há planos de interligação entre Don Mueang, Suvarnabhumi e U-Tapao Rayong-Pattaya, além da construção de um novo aeroporto em Nakhon Pathom, visando ampliar a capacidade e descongestionar o tráfego aéreo da capital.
Rede rodoviária e fluvial
A Tailândia conta com extensa rede rodoviária que conecta Bangkok às províncias e aos países vizinhos (Camboja, Laos, Malásia e Myanmar). A rede fluvial, embora menos utilizada para comércio exterior, é relevante para transporte interno de mercadorias, especialmente na região de Bangkok e no sistema de canais (khlongs). O governo investe continuamente na melhoria da infraestrutura, incluindo projetos de ferrovelocidade e modernização de rodovias.
Considerações para remessas do Brasil
Devido à longa distância entre Brasil e Tailândia, é altamente recomendável contratar seguro de transporte de cargas com cobertura total contra danos, já que as chances de acidente ou outros incidentes são maiores. O valor declarado ao Departamento Aduaneiro deve ser o valor CIF (Custo, Seguro e Frete), o que significa que contratar seguro com prêmio mais alto implica maior carga tributária. A maioria dos importadores tailandeses utiliza agentes de carga ou despachantes para auxiliar nos procedimentos de desembaraço aduaneiro. O prazo de armazenamento em armazém alfandegado é de até 45 dias sem formulário de importação ou 60 dias com o formulário apresentado.
Estratégias de Distribuição
A estratégia de distribuição de produtos importados na Tailândia depende essencialmente do mercado visado, seja no varejo ou atacado. Normalmente, os produtos chegam ao usuário final através de três rotas principais: do exportador a um intermediário terceiro (atacadista, comerciante ou distribuidor) e então ao varejista e consumidor final; do exportador ao varejista/comerciante e ao usuário final; ou diretamente do exportador ao consumidor final. A escolha da rota adequada deve considerar a natureza do produto, a necessidade de serviços pós-venda e a capacidade operacional do exportador.
Mercado atacadista
O mercado atacadista tailandês apresenta bom potencial de crescimento, com associações setoriais que podem facilitar o contato entre exportadores e distribuidores locais. Algumas das principais associações incluem a Associação Tailandesa de Comerciantes de Pedras Preciosas e Joalheria (thaigemjewelry.or.th), a Associação Tailandesa do Café (thaicoffee.or.th), a Associação Tailandesa da Indústria Automotiva (taia.or.th) e a Associação Tailandesa de Alimentos Congelados (thai-frozen.or.th). A tendência atual é de encurtamento da cadeia de negociação, com fabricantes buscando vender diretamente ao varejo ou ao consumidor final.
Comércio varejista
O varejo tailandês está dividido em quatro segmentos principais: lojas de departamento (Central Group com Central e Robinson, The Mall Group com Siam Paragon, Emquartier e Emporium), lojas populares e supercentros (Big C, Makro, Tesco Lotus), supermercados (Tops, Gourmet Market, Foodland) e lojas de conveniência (7-Eleven com mais de 12 mil pontos e Family Mart). As lojas de departamento são ideais para produtos importados de alto padrão, enquanto as lojas de conveniência são canais eficazes para produtos de menor porte e alto giro.
Comércio eletrônico
O e-commerce é um canal de distribuição cada vez mais relevante, com plataformas como Lazada, Shopee, JD Central e Kaidee sendo amplamente utilizadas. A principal vantagem é a redução nos custos com manutenção de loja física. A Associação Tailandesa de Comércio Eletrônico (thaiecommerce.org) pode fornecer informações detalhadas sobre margens de lucro e comparativos de mercado. Para produtos de maior valor, o comércio físico continua sendo preferido pelos consumidores, que desejam analisar presencialmente antes de comprar.
Canais recomendados
Ao comercializar produtos diretamente ao consumidor tailandês, a estratégia mais recomendada é manter canais de venda físicos e eletrônicos simultaneamente, maximizando a exposição da marca. Para produtos industriais, a parceria com um atacadista local que já mantenha contatos no setor específico é a opção mais eficaz. A Câmara de Comércio Brasil-Tailândia (CCBT) pode orientar o exportador na escolha do canal mais adequado para cada tipo de produto.
Cultura de Negócios e Etiqueta
A cultura tailandesa é classificada como de alto contexto, o que significa que a comunicação vai além das palavras e depende fortemente de gestos, expressões faciais, tom de voz e contexto situacional. Compreender essa dinâmica é essencial para o exportador brasileiro que deseja estabelecer relações comerciais duradouras e produtivas no país. A Tailândia é uma monarquia constitucional com forte tradição cultural budista, e esses valores permeiam as relações de negócios.
Reuniões e comunicação
Os profissionais tailandeses da área de negócios conseguem se comunicar em inglês e tailandês, a depender do parceiro comercial. A maior parte das comunicações é feita por e-mail, sendo o fax raramente utilizado no setor privado. No entanto, é recomendável promover ao menos uma reunião presencial como ponto de partida. A senioridade é um fator de peso: os participantes de uma reunião devem gozar de status semelhante. Para comunicações com órgãos do governo, o tailandês é o único idioma oficial e todos os documentos em outros idiomas devem ser traduzidos, com exigência de autenticação notarial em alguns casos.
Relacionamentos e confiança
A cultura tailandês valoriza a construção de relacionamentos pessoais antes de firmar acordos comerciais. O conceito de "kreng jai" (respeito e consideração pelo outro) influencia as negociações, tornando-as mais lentas e diplomáticas. É importante demonstrar paciência, respeito e cortesia em todas as interações. A hierarquia social é respeitada, e a idade e a posição profissional determinam o tratamento dispensado. O uso do "wai" (saudação com as mãos juntas) é uma expressão de respeito que deve ser correspondida.
Contratos e pagamentos
Os contratos podem ser firmados em tailandês ou inglês, e ambos têm valor vinculante. É recomendável manter um contrato bilingue detalhando condições de venda (INCOTERMS), método de pagamento, cláusulas arbitrais, especificações do produto e inspeções de qualidade. A emissão de cartas de crédito é prática comum nas negociações tailandesas. Em caso de disputas, o Instituto de Arbitragem Tailandês (TAI) e o Centro de Arbitragem Tailandês (THAC) são instituições reconhecidas para resolução alternativa de litígios.
Feiras e eventos comerciais
Participar de feiras é uma forma eficaz de ingressar no mercado tailandês. Os principais eventos incluem a THAIFEX (alimentos e bebidas), AGRITECHNICA ASIA (equipamentos agrícolas), PROPAK (embalagem e processamento), Medical Fair (equipamentos hospitalares), Thailand Coffee Fest (café), Bangkok Gems & Jewellery Fair (joalharia) e Thailand Defense and Security Event (defesa). A maioria das feiras ocorre no IMPACT Convention Centre, no Queen Sirikit National Convention Centre ou no BITEC, todos em Bangkok.
Tributação e Tarifas
A tributação na Tailândia é regulada pela Lei Alfandegária (B.E. 2560, de 2017) e pelo Decreto de Tarifas Aduaneiras (B.E. 2530, de 1987). O Departamento Aduaneiro, subordinado ao Ministério das Finanças, é o órgão responsável pela arrecadação dos tributos aduaneiros e pela fiscalização do comércio exterior. A estrutura tributária envolve encargos aduaneiros, imposto sobre valor agregado (IVA) e diversos impostos internos, conforme a categoria dos produtos importados.
Encargos aduaneiros
As tarifas aduaneiras são cobradas em base ad valorem ou específica, prevalecendo o valor mais alto entre as duas modalidades. Os encargos ad valorem variam entre 0% e 80%, conforme a classificação tarifária do produto. A base para cálculo dos encargos é o valor da transação, ou seja, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias quando vendidas para exportação, sujeito a ajustes para determinados elementos. O valor das importações é baseado em CIF (Custo, Seguro e Frete), enquanto os produtos exportados são baseados em FOB (Livre a Bordo). A Tailândia adota a Nomenclatura Tarifária Harmonizada da ASEAN (AHTN) de 2017.
IVA e outros impostos
O IVA de importação é de 7% incidente sobre o valor CIF mais os encargos aduaneiros e outros impostos. Além disso, podem incidir sobre as importações o imposto sobre a circulação de bens, o imposto interno e eventuais impostos de saúde e teletransmissão, dependendo da categoria dos produtos. Encargos antidumping e de salvaguarda podem ser aplicados conforme cada situação, definidos pelo Ministério do Comércio. A arrecadação é administrada pelo Departamento Aduaneiro em nome dos Departamentos de Receita e de Tributação sobre a Circulação de Bens.
Regimes de incentivo fiscal
A Tailândia oferece diversos regimes para reduzir a carga tributária sobre importações: zonas francas (alfandegárias e da IEAT), onde materiais importados ficam isentos de encargos e IVA até sua remoção para o mercado interno; sistema de drawback (Seção 29 da Lei Alfandegária), que permite a devolução dos encargos de importação sobre materiais empregados na produção de exportações; compensação de encargos e impostos, regida pela Lei B.E. 2524, que ressarcir o importador/exportador pelos tributos embutidos no custo das mercadorias exportadas; e as isenções da Seção IV do Decreto de Tarifas, que contemplam 19 categorias de bens.
Acordos comerciais e alíquotas preferenciais
Alíquotas privilegiadas são aplicáveis a produtos importados de países com acordo de livre comércio com a Tailândia. Atualmente, o país mantém acordos com os membros da ASEAN, Austrália, Chile, Índia, Japão, Nova Zelândia e Peru. Como membro da ASEAN, a Tailândia também mantém acordos preferenciais com China, Índia, Japão, Coreia e Hong Kong. Atualmente, não há acordo de livre comércio entre Tailândia e Brasil, o que significa que os produtos brasileiros estão sujeitos às tarifas normais de importação, sem benefícios tarifários adicionais.
Regime de câmbio
Os regulamentos sobre câmbio são geridos pelo Banco da Tailândia. Para exportações partindo da Tailândia, é exigida a contrapartida de entrada real de caixa no país em até 360 dias da data da exportação, quando o valor exceder o equivalente a 1 milhão de dólares americanos por conhecimento de embarque. As importações ao país podem ser compensadas com exportações, e a empresa pode solicitar autorização para postergar o recebimento do dinheiro junto ao Banco da Tailândia.
Contatos e Entidades de Apoio
Para empresas brasileiras que desejam iniciar ou ampliar operações na Tailândia, existe uma rede de entidades institucionais que oferecem orientação, apoio técnico e acesso a informações de mercado. O contato com essas organizações é essencial para reduzir riscos, compreender as particularidades do mercado local e identificar oportunidades concretas de negócio.
Representações diplomáticas e comerciais brasileiras
A Embaixada do Brasil na Tailândia, sediada em Bangkok, é o principal ponto de contato institucional. O Setor de Promoção Comercial (SECOM) da Embaixada presta assistência a empresas brasileiras interessadas em exportar ou investir na Tailândia, oferecendo informações sobre o mercado, orientação sobre regulamentações e apoio na participação de feiras e eventos comerciais. A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) também atua na promoção de exportações brasileiras e pode auxiliar empresas na preparação para entrada no mercado tailandês.
Câmara de Comércio Brasil-Tailândia (CCBT)
A Câmara de Comércio Brasil-Tailândia (CCBT, brazilthaichamber.org) é uma entidade fundamental para o empresariado brasileiro. Ela oferece orientações práticas sobre o mercado tailandês, recomenda contatos confiáveis em diversos setores e presta assessoria cultural para garantir que as relações comerciais sejam produtivas. A experiência da CCBT na indústria local é especialmente valiosa para recomendar parceiros comerciais adequados às necessidades de cada empresa e para aconselhar sobre questões culturais que podem impactar as negociações.
Órgãos governamentais tailandeses
Os principais órgãos governamentais envolvidos no comércio exterior tailandês incluem o Departamento Aduaneiro (Ministério das Finanças), responsável pela fiscalização e desembaraço aduaneiro; o Departamento de Comércio Exterior (Ministério do Comércio), que regulamenta as atividades de comércio internacional; o Comitê de Investimentos (CDI), que promove e regula investimentos estrangeiros oferecendo isenções fiscais e incentivos; o Departamento de Desenvolvimento de Negócios (dbd.go.th), que registra e regula empresas; e o Banco da Tailândia, que regulamenta as operações cambiais e monetárias.
Associações setoriais e consulados
Além das entidades governamentais, existem diversas associações setoriais que podem facilitar o contato entre exportadores brasileiros e potenciais parceiros tailandeses. Entre elas, destacam-se a Associação Tailandesa do Café (thaicoffee.or.th), a Associação Tailandesa da Indústria Automotiva (taia.or.th), a Associação Tailandesa de Alimentos Congelados (thai-frozen.or.th) e a Associação de Varejistas da Tailândia (thairetailer.com). O Escritório de Relações Comerciais de um Consulado Geral ou Embaixada da Tailândia no Brasil também pode fornecer informações iniciais sobre oportunidades no mercado tailandês.
Consultorias de mercado
Para empresas que buscam assessoria especializada, existem diversas firmas de consultoria com atuação na Tailândia, incluindo escritórios de consultoria internacionais como ABeam Consulting, Accenture, Boston Consulting Group, Deloitte Consulting, Ernst & Young, Grant Thornton, KPMG Consulting, McKinsey & Company e PricewaterhouseCoopers, todos com escritórios em Bangkok. Essas empresas podem oferecer serviços de avaliação de mercado, planejamento estratégico e assessoria tributária e jurídica.
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