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Guia por País

Guia de Exportação para México

Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para México.

+0.0% em 2025-07
#7 parceiro comercial
10 principais produtos
US$ 4.9 Bi em 12 meses
Cidade BRCidade T1Cidade T2Cidade T3Porto BRPorto Destino
Marítima

Export. 2025-07

US$ 4.9 Bi

+0.0% vs período anterior

Cresc. 3 anos

+0.0%

CAGR 2022-2025

Produtos

10

Principais NCMs

Ranking

#7

Maior parceiro

Evolução das Exportações (US$ bilhões)

3.6B
2020
4.1B
2021
5.1B
2022
4.8B
2023
5.0B
2024
4.7B
2025
4.9B
2026

Principais Produtos (2025-07)

Carnes de bovinos congeladas

US$ 264.3 Mi

Dumpers para utilização fora-de-estrada

US$ 263.1 Mi

Carnes e miudezas de aves, frescas ou refrigeradas

US$ 262.3 Mi

Minérios de ferro pelotizados ou sinterizados

US$ 152.0 Mi

Veículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos

US$ 114.7 Mi

Cápsulas de café, inclusive aromatizado (mesmo descafeinado)

US$ 108.1 Mi

Motores a explosão para propulsão de embarcações

US$ 101.7 Mi

Veículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos

US$ 99.9 Mi

2026 (US$ Bi)

Jan

Jan-Jun · parcial

Comparativo de Portos

🇧🇷Porto de Santos

US$ 2.4 Bi

🇧🇷Porto de Paranaguá

US$ 1.5 Bi

Guia Completo para Exportar para México

Oportunidades Setoriais

O México é a segunda maior economia da América Latina e uma das mais abertas do mundo, com ampla rede de tratados de livre comércio que alcançam mais de 50 países. Apesar da relevância bilateral, o intercâmbio Brasil–México permanece abaixo do potencial das duas economias, o que abre espaço real para ampliar a pauta de exportações brasileiras. O comércio bilateral concentra-se em bens intermediários, mas há nichos crescentes que combinam a oferta competitiva brasileira com as demandas da indústria e do consumo mexicanos.

Produtos agrícolas e agroindustriais

O México é historicamente um grande importador de milho, soja, carnes (suína e de frango) e trigo, bem como de diversos produtos do reino vegetal. Segundo o guia, existe folha de requisitos fitossanitários que viabiliza a exportação brasileira de castanha de caju, amendoim, castanha do Brasil, café, soja, algodão, cevada, tabaco, arroz, feijões, gergelim, sorgo, trigo e milho. Na origem animal, destacam-se as negociações para aditivos e suplementos para animais, carne de aves, couros e peles, mel e geleia real, entre outros. Os produtos agrícolas, contudo, tendem a pagar impostos de importação comparativamente mais altos, por isso o planejamento tarifário é essencial.

Máquinas, equipamentos e bens intermediários

A pauta brasileira para o México é fortemente composta por máquinas e aparelhos mecânicos, veículos e autopeças, ferro e aço, borracha e produtos químicos. O México é um grande importador de bens de capital e insumos para sua indústria manufatureira, que se concentra no centro e no norte do país. Os bens de capital contam com alíquotas de importação bem menores, entre 2,8% e 3,5%, o que favorece a competitividade das exportações brasileiras nesse segmento.

Bens de consumo e nichos de valor agregado

O México possui um grande e rankeado mercado de produtos de luxo, além de forte demanda por alimentos processados, bebidas, cosméticos e artigos de proteção pessoal. Setores como cosméticos (com forte presença brasileira da Natura), calçados, têxteis e móveis apresentam oportunidades, embora exijam esforço de marketing e adaptação aos padrões locais, já que algumas marcas relevantes no Brasil podem ser pouco conhecidas no México. O reconhecimento mútuo da cachaça e da tequila como indicações geográficas protege e valoriza as duas bebidas nacionais.

Produtos florestais e celulose

Há crescimento consistente das exportações brasileiras de madeira, carvão vegetal e obras de madeira ao México. A indústria mexicana importa papel, papelão e pastas de celulose, e a madeira brasileira é utilizada tanto na construção quanto na fabricação de móveis. A SEMARNAT, no México, supervisiona as importações de produtos florestais, o que demanda atenção aos requisitos ambientais e de origem.

Conectando com a indústria automotiva e de autopeças

O livre comércio de automóveis e autopeças entre Brasil e México, estabelecido no âmbito do ACE-55, é um dos pilares do relacionamento bilateral. O México é um dos principais polos automotivos do mundo, e há espaço para o fornecimento brasileiro de autopeças e componentes. O Sétimo Protocolo Adicional ao ACE-55 previu a desgravação progressiva dos veículos pesados (caminhões e ônibus) até o livre comércio em 2023, ampliando o mercado para essa cadeia.

Entendendo o Consumidor Mexicano

O consumidor mexicano é, em sua maioria, urbano, com forte influência dos hábitos de consumo dos Estados Unidos. É um mercado sensível a preço e muito concorrido, em que a família e os amigos ainda pesam nas decisões de compra e onde a fidelidade à marca é uma característica marcante. Compreender esse perfil é fundamental para posicionar produtos brasileiros de forma competitiva.

Tendência urbana e influência americana

A grande maioria dos consumidores (76%) mora em centros urbanos, e as preferências de consumo são fortemente influenciadas pelos Estados Unidos. A depender do tipo de bem, o produto brasileiro pode precisar ser adaptado aos padrões locais. O preço é um dos fatores mais preponderantes na escolha do consumidor mexicano, e o mercado oferece oferta semelhante à brasileira, exigindo estratégia de diferenciação.

Fidelidade e papel da família

Os consumidores mexicanos costumam ser fiéis a uma marca; uma crise conjuntural pode levá-los a trocar, mas a maioria tende a retornar quando as condições melhoram. Cotidianamente, são as esposas que fazem as compras de produtos para o lar, enquanto os homens se envolvem em serviços e bens de alto valor, como automóveis. A família e os amigos ainda exercem forte influência, embora os jovens decidam cada vez mais com base em redes sociais e comentários online.

Segmentação social e de renda

O mercado mexicano é marcado por forte segmentação socioeconômica, com uma pequena classe rica e uma extensa base de menor renda. Existem formatos de lojas especializados para cada segmento, desde lojas de autosserviço modernas até redes voltadas às classes de menor poder aquisitivo, como Elektra, Coppel e Bodega Aurrerá. Essa segmentação define canais, embalagens e estratégias de preço distintas para cada produto.

Digitalização do consumo

O consumidor mexicano aderiu fortemente ao comércio eletrônico e às redes sociais, especialmente para alimentos, moda, beleza e cuidados pessoais. Os meios de pagamento mais usados são os cartões de débito e crédito, com presença relevante do pagamento na entrega para alimentos e farmácias. O que mais incomoda o consumidor é a mercadoria chegar danificada ou fora dos prazos de entrega — pontos críticos para o varejo eletrônico brasileiro.

Exigência de adaptação e confiança

O consumidor mexicano valoriza o relacionamento e a confiança com a marca, sendo sensível a garantias e à qualidade percebida. Para o exportador brasileiro, o sucesso depende de oferecer preço atrativo, qualidade consistente e, quando se tratar de marca pouco conhecida, investimento em marketing e posicionamento para construir credibilidade junto ao varejo e ao consumidor final.

Acesso ao Mercado e Canais

O México possui política comercial considerada liberal, com quase a metade das linhas tarifárias isenta de imposto de importação. O acesso efetivo, porém, depende de conhecer o sistema tarifário (TIGIE), as regulamentações não tarifárias, os cadastros exigidos e os canais de venda adequados a cada tipo de produto. O exportador brasileiro conta com acordos bilaterais de preferências tarifárias no âmbito da ALADI.

Sistema tarifário e classificação

A nomenclatura alfandegária mexicana é a Tarifa do Imposto Geral de Importação e Exportação (TIGIE), baseada no Sistema Harmonizado (SH). As tarifas são calculadas ad valorem sobre o valor CIF da mercadoria e podem ser específicas ou mistas. Quase 49% do universo tarifário está livre de imposto para todos os países da OMC, incluindo o Brasil. Para o restante, valem as preferências dos acordos bilaterais, que podem ser consultadas no Siscomex e no sistema CAPTA.

Regulamentações e restrições não tarifárias

Além do imposto de importação, muitas mercadorias estão sujeitas a Normas Oficiais Mexicanas (NOM), requisitos sanitários e fitossanitários, e licenças emitidas por órgãos como a Secretaria de Agricultura (SADER), a COFEPRIS (registro sanitário) e a Secretaria de Economia (SE). O importador deve estar inscrito no Cadastro de Importadores e, para produtos sensíveis, no chamado Cadastro Setorial. É essencial verificar os requisitos específicos de cada classificação tarifária antes de embarcar.

Preferências tarifárias com o Brasil

O Brasil mantém com o México três acordos no âmbito da ALADI: o ACE-53 (produtos não automotivos, com cerca de 800 posições tarifárias), o ACE-55 (setor automotivo e autopeças) e o APTR-04 (Preferência Tarifária Regional, bastante utilizada pela baixa cobertura dos demais acordos). As margens de preferência e as regras de origem podem ser consultadas no sistema CAPTA/MDIC e no Siscomex, e o certificado de origem é indispensável para usufruir das vantagens.

Canais de venda e distribuição

A importação e a distribuição no México estão quase totalmente a cargo de empresários privados. Ao lado dos canais tradicionais — lojas de bairro, tianguis e mercados públicos — ganham espaço as grandes cadeias de autosserviço e o comércio eletrônico. O importador mexicano, mesmo trading, prefere negociar diretamente com o fabricante brasileiro. Para matérias-primas e bens intermediários, é aconselhável procurar o consumidor final; para bens de consumo, as principais cadeias de varejo são Walmart, Soriana e Chedraui.

Plataformas de prospecção e informações

Informações atualizadas sobre impostos e requisitos estão disponíveis gratuitamente em portais como o sistema SIICEX-CAAAREM (impostos e requisitos), o CAPTA/MDIC (preferências) e a consulta às NOMs no SINEC da Secretaria de Economia. O SECOM da Embaixada do Brasil no México (secom.mexico@itamaraty.gov.br) fornece apoio na identificação de importadores, distribuidores e na análise de barreiras ao acesso ao mercado.

Modelos de Entrada

O exportador brasileiro que deseja atuar no México pode escolher entre diversos modelos de entrada, desde a venda direta a representantes e distribuidores até a constituição de uma empresa local. A decisão depende do porte da empresa, do tipo de produto, dos recursos disponíveis e do objetivo de usar o México como plataforma de acesso a outros mercados, dados seus numerosos tratados de livre comércio.

Venda direta e contratos internacionais

A venda direta a importadores, distribuidores ou clientes finais é o modelo mais simples de entrada. Nos contratos internacionais, recomenda-se redação clara em um único idioma (de preferência espanhol ou inglês), definição do foro e da lei aplicável, e inclusão de cláusula de resolução de controvérsias por arbitragem ou mediação. Costuma-se utilizar o Incoterm CIF e preços em dólares americanos, com prazos de pagamento que podem chegar a até 180 dias.

Representantes e importadores

As empresas de pequeno e médio porte geralmente procuram um representante local ou uma trading interessada na importação e distribuição. O importador mexicano prefere negociar diretamente com o fabricante brasileiro e evita intermediários que encareçam o produto. As representações exclusivas exigem contratos com metas de vendas, pois a má escolha de representante pode prejudicar ou impedir a entrada no mercado, especialmente em setores como cosméticos e equipamentos médicos, onde há vínculos regulatórios com a COFEPRIS.

Escritório de representação e filial

Para empresas que pretendem acompanhar mais de perto o mercado, a abertura de escritório próprio ou filial é uma alternativa vantajosa. O processo envolve a autorização do uso da razão social, a constituição da sociedade, a inscrição no Registro Público de Comércio e no Registro Federal de Contribuintes (RFC/SAT), além do registro do empregador na previdência (IMSS) e demais órgãos locais. A abertura de empresa pode ser especialmente recomendável para quem deseja usar o México como base para mercados internacionais, considerando as regras de origem do TMEC.

Joint ventures e parcerias

É frequente a criação de joint ventures entre grandes empresas que já têm grau de relacionamento prévio. Na maior parte dos setores, a legislação mexicana não impõe limitações à participação acionária de estrangeiros ou à associação e aquisição de empresas locais. O sucesso depende da qualidade do contrato, sendo recomendável a assistência de escritórios de advocacia locais, muitos com atendimento em português.

Aquisição de empresas locais

Grandes empresas brasileiras frequentemente se inserem no mercado mexicano comprando concorrentes ou empresas locais em operação, adaptando-as às exigências do grupo. Há inúmeros exemplos de empresas brasileiras instaladas no México nos segmentos de autopeças, químicos, alimentos, construção e serviços financeiros. O Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) Brasil-México apoia e facilita esse fluxo bilateral de investimentos.

Documentação e Certificações

Para exportar ao México, o importador mexicano é o responsável perante a autoridade local pela apresentação dos documentos de desembaraço aduaneiro, mas o exportador brasileiro deve preparar com cuidado ao menos cinco documentos essenciais: a fatura comercial, o certificado de origem, os documentos de cumprimento de regulações não tarifárias, o packing list e o conhecimento de embarque (Bill of Lading). O planejamento documental evita atrasos, multas e apreensões.

Documentos essenciais de embarque

Entre os principais documentos estão a fatura comercial (com nome e endereço de exportador e importador, descrição detalhada da mercadoria, preço e condições de venda), o packing list, o conhecimento de embarque (BL), o certificado de origem (quando aplicável para aproveitar preferências tarifárias) e a prova de cumprimento das regulamentações não tarifárias. Toda importação é feita por meio da Janela Única de Comércio Exterior (VUCEM), com o preenchimento da petição (declaração) de importação, preparada pelo despachante aduaneiro.

Registros e cadastros do importador

O importador mexicano deve estar inscrito no Registro Federal de Contribuintes (RFC) perante o Serviço de Administração Tributária (SAT), com a atividade de importação no contrato social, e deve solicitar a FIEL (assinatura eletrônica avançada). Também é obrigatório o registro no Cadastro de Importadores e, para mercadorias sensíveis, no Cadastro Setorial de Importadores. A situação fiscal do importador deve estar atualizada para realizar operações de comércio exterior.

Normas técnicas e rotulagem

Existe um grande número de Normas Oficiais Mexicanas (NOM) que abrange quase todas as mercadorias, incluindo fitossanitárias, zoossanitárias, ambientais, de segurança, qualidade, metrologia e defesa do consumidor. Na rotulagem, destacam-se a NOM-050-SCFI-2004 (informação comercial geral) e a NOM-051-SCFI/SSA1-2010 (rotulagem de alimentos e bebidas pré-embalados). Rótulos e materiais devem estar preferencialmente em espanhol.

Sanitário e fitossanitário

Para produtos agropecuários, a autoridade mexicana é especialmente estrita na revisão documental. É recomendável enviar embarques diretamente ao México, garantir que os dados do Certificado Sanitário sejam idênticos aos registrados no sistema SICPA do SENASICA e coincidir as informações com fatura e conhecimento de embarque. As folhas de requisitos fitossanitários e zoossanitários negociadas entre Brasil e México viabilizam a exportação de diversos produtos de origem animal e vegetal.

Marcas, propriedade intelectual e amostras

O registro de marcas e patentes é feito no Instituto Mexicano da Propriedade Industrial (IMPI), com possibilidade de registro online, e pode ser complementado pelo sistema internacional de Madrid. Para amostras comerciais, aplicam-se regras específicas: valor unitário de até um dólar, marcação que desqualifique o produto para venda e ausência de embalagens para comercialização — sem dispensar os certificados de origem e sanitários quando exigidos. Documentos que produzam efeito no outro país são legalizados por apostila da Convenção da Haia.

Logística e Transporte

O México oferece ampla infraestrutura de transporte, integrada por rodovias, ferrovias, aeroportos e portos nos dois litorais. O principal modal para o comércio com o Brasil é o marítimo, e a rota histórica mais utilizada é a ligação Santos (SP) – Veracruz (Ver). O conhecimento da infraestrutura portuária, aeroportuária e terrestre é essencial para planejar custos e prazos de cada operação.

Portos e conexões marítimas

O México possui 121 portos, 58 no litoral do Pacífico e 63 no Golfo do México e Caribe. No Pacífico, destacam-se Manzanillo (Colima) e Lázaro Cárdenas (Michoacán); no Golfo, Veracruz, Altamira, Coatzacoalcos e Dos Bocas. Veracruz, a 454 km da Cidade do México, é o principal porto de carga na relação com o Brasil. A consolidação de cargas é comum e é a opção mais econômica, embora o tempo de trânsito seja longo — uma embarcação leva, em média, de 45 a 60 dias entre Santos e Veracruz.

Modal rodoviário e ferroviário

A rede rodoviária mexicana ultrapassa 780 mil quilômetros, e o transporte terrestre é relevante para a distribuição interna até o destino final. O sistema ferroviário, com cerca de 27 mil quilômetros, movimenta grande volume de cargas de comércio exterior, sobretudo pelas fronteiras de Nuevo Laredo e Piedras Negras e pelo porto de Veracruz. Um contêiner de 40 pés entre Veracruz e a Cidade do México custa, em média, US$ 1.200 por rodovia e entre US$ 500 e US$ 750 por ferrovia, a depender do serviço.

Modal aéreo

O México conta com 77 aeroportos, sendo 64 internacionais. Os principais aeroportos por passageiros são o da Cidade do México, Cancún, Guadalajara, Tijuana e Monterrey. O transporte aéreo é pouco utilizado no tráfego Brasil–México pelo custo elevado, sendo recomendado para cargas pequenas, urgentes ou de alto valor, quando a agilidade compensa o frete.

Viagens de negócios e vistos

Desde 2016, brasileiros não precisam de visto para viagens de curta duração ao México, em função do acordo de isenção de vistos em passaportes comuns. Recomenda-se consultar os requisitos migratórios antes de viajar, carregar comprovantes de hospedagem, passagem de regresso e meios de subsistência, e evitar períodos de alta temporada e feriados para agendar reuniões. O México possui três fusos horários, e a Cidade do México está duas a três horas atrás de Brasília.

Seguros e supervisão de embarques

Não há exigência legal de contratar seguro de embarque, mas recomenda-se fazê-lo, dada a frequência de danos e furtos às mercadorias, com risco maior nas rodovias e ferrovias. Também se recomenda a contratação de custódia para o trânsito interno, sobretudo nos trechos mais vulneráveis de estados como Estado do México, Puebla, Jalisco, Veracruz e Cidade do México. O período mais perigoso para o transporte de cargas é entre 20h e 14h.

Estratégias de Distribuição

A estrutura de comercialização mexicana combina canais tradicionais, cadeias modernas de varejo e um comércio eletrônico em forte expansão. A escolha do canal depende do tipo de produto, do segmento de consumidor e do volume da operação. No México, a importação e a distribuição estão quase totalmente nas mãos de empresários privados, e a seleção correta do canal é decisiva para o custo e o sucesso da operação.

Canal moderno e grandes redes

O canal moderno é dominado por poucas cadeias com presença nacional, principalmente Walmart, Soriana e, em menor medida, Chedraui, além de redes locais bem posicionadas. As grandes cadeias também criam formatos menores para bairros, como as lojas de conveniência Oxxo e Bodega Aurrerá Express. Essas redes têm poder de compra e costumam transferir riscos (perdas, roubo) aos fornecedores, o que exige atenção aos termos contratuais.

Canal tradicional

O canal tradicional é integrado por milhares de lojas de bairro, tianguis e mercados públicos, onde predominam produtos importados, principalmente da China, por ponderar o preço acima da qualidade. Os comerciantes tradicionais compram de grandes importadores. Para produtos brasileiros consolidados, pode ser necessário esforço adicional de marketing para competir por preço nesse segmento.

Matérias-primas e bens intermediários

Para matérias-primas e bens intermediários, é aconselhável procurar os consumidores finais desses bens, pois a empresa mexicana prefere negociar diretamente com o fabricante brasileiro em vez de tradings que encarecem o produto. Um exemplo é o açúcar, consumido por grandes fabricantes de pão e refrigerantes, como Bimbo e FEMSA, que negociam diretamente com o produtor no Brasil. A consolidação de cargas e a otimização logística são essenciais nesse segmento.

Bens de consumo e bens de capital

Os bens de consumo são muito sensíveis a preço e sua principal porta são as lojas de autosserviço e de departamento; recomenda-se o contato com as três maiores cadeias e com as redes menores que buscam produtos novos. Já os bens de capital têm preços mais altos e processos de venda longos, sendo prática comum nomear representantes locais para vender e acompanhar todo o processo até a entrega dos equipamentos.

Comércio eletrônico como canal de entrada

Para a introdução de novos produtos, o guia recomenda a utilização dos canais modernos, principalmente o comércio eletrônico. O e-commerce mexicano cresceu fortemente e representa parcela relevante do varejo, com plataformas como Amazon, Mercado Livre, Claro Shop e as operações online das grandes redes. As categorias mais procuradas incluem alimentos, moda, beleza, cuidados pessoais e eletrônicos, com pagamento predominante por cartão.

Feiras e exposições

Há um robusto circuito de feiras e exposições no México, e o importador tem o hábito de participar intensamente desses eventos para conhecer pessoalmente produtos e serviços. Pela proximidade, o empresário mexicano também visita feiras nos Estados Unidos, o que amplia o alcance de quem expõe naquele país. A participação deve ser parte de estratégia com ações antes, durante e depois do evento, e a ApexBrasil apoia a montagem de pavilhões brasileiros.

Cultura de Negócios e Etiqueta

A cultura de negócios mexicana é fortemente baseada em relações pessoais e confiança. Os mexicanos tendem a não firmar relações comerciais de longo prazo sem conhecer bem o interlocutor, por isso é essencial investir tempo e esforço no desenvolvimento de contatos e vínculos antes de avançar para as negociações. A hierarquia é marcada, e as decisões costumam ser tomadas pelos níveis mais altos das empresas.

Relações pessoais e hierarquia

As empresas mexicanas são estruturadas hierarquicamente, e os compromissos devem ser agendados com quem toma as decisões, com duas a três semanas de antecedência, confirmados com uma semana e reconfirmados nas 48 ou 24 horas anteriores. A pontualidade é importante, embora atrasos de até 15 minutos possam ocorrer. Em reuniões informais, é aconselhável não falar de negócios de imediato e investir no desenvolvimento das relações pessoais.

Linguagem e comunicação

O idioma de negócios é o espanhol, embora quase todas as empresas tenham funcionários que falam inglês. Por força cultural, mexicanos das regiões centrais, inclusive da Cidade do México, têm dificuldade em dizer "não" frontalmente, usando respostas ambíguas ou protelações que podem indicar uma negativa; essa postura é menos frequente no norte, mais objetivo. É preciso estar atento a esses sinais. Todo material promocional deve ser traduzido ao espanhol ou inglês, com cuidado com as diferenças de significado.

Valorização da parceria e da produção local

O mexicano tende a valorizar parcerias que permitam empreender em território nacional. Observam-se histórias de sucesso de empresas brasileiras que investiram em associações com distribuidores mexicanos, parcerias com plantas estabelecidas e instalação de escritório no país. A disposição de gerar emprego e desenvolvimento local fortalece o relacionamento comercial de longo prazo.

Horários e etiqueta prática

A semana de trabalho é de segunda a sexta, com lojas e shoppings abertos nos fins de semana. Empresas privadas funcionam em geral das 8h às 18h e repartições públicas das 9h às 17h, com expediente que costuma terminar às 15h nas sextas. O almoço ocorre entre 14h e 16h. A troca de cartões de visita é de suma importância nos encontros presenciais, e nos encontros virtuais recomenda-se conservar cópias das mensagens e obter e-mails e telefones dos interlocutores.

Segurança e prevenção a fraudes

A violência mudou o estilo de fazer negócios e elevou a desconfiança. Há grupos criminosos especializados em fraudar transferências financeiras, principalmente por aplicativos de mensagens. Antes de efetuar pagamentos, é essencial conferir mais de uma vez os dados bancários precisos do importador, evitar transmitir essas informações por aplicativos e, preferencialmente, validar por telefone, fazendo, se possível, uma transferência inicial de menor valor para verificar o recebimento.

Tributação e Tarifas

A tributação das importações mexicanas é regida pelo sistema tarifário nacional, baseado na TIGIE, e inclui o Imposto Geral de Importação (IGI), o Imposto ao Valor Agregado (IVA), o direito de trâmite aduaneiro (DTA) e, para determinados produtos, impostos especiais como o IEPS e o ISAN. O Brasil não possui tratado de livre comércio com o México, mas mantém acordos de preferência tarifária no âmbito da ALADI, além de tratado para evitar a dupla tributação.

Imposto de importação (IGI)

Quase 49% do universo tarifário mexicano está livre de imposto de importação para todos os países da OMC. As tarifas são ad valorem sobre o valor CIF, podendo ser específicas ou mistas. Para os produtos não isentos, os exportadores brasileiros podem usufruir das preferências do ACE-53, do ACE-55 (setor automotivo) e do APTR-04, que reduzem ou eliminam a alíquota ad valorem. As preferências devem ser consultadas por posição tarifária, e o certificado de origem é exigido.

Imposto ao Valor Agregado (IVA)

O IVA é um imposto sobre o consumo, equivalente ao ICMS brasileiro, cobrado no desembaraço da mercadoria juntamente com os demais impostos. A alíquota básica é de 16%, mas nas zonas de fronteira (norte e sul) é de apenas 8%. Empresas instaladas nas faixas fronteiriças podem receber crédito fiscal de 50% do IVA, desde que tenham endereço fiscal ou estabelecimento na região.

Impostos especiais (IEPS) e ISAN

Alguns produtos estão sujeitos ao Imposto Especial sobre Produção e Serviços (IEPS), como combustíveis, bebidas alcoólicas e energéticas, fumo, alimentos não básicos e agrotóxicos, com alíquotas que variam conforme o produto. Há também o Imposto sobre Automóveis Novos (ISAN) para veículos. O direito de trâmite aduaneiro (DTA) é cobrado por serviços de processamento (8 por mil sobre o valor da mercadoria nas importações definitivas), além de possíveis custos de armazenagem.

Acordos e evitação de dupla tributação

Brasil e México firmaram Convenção para evitar a dupla tributação em relação aos impostos sobre a renda e prevenir a evasão fiscal, que outorga vantagens às empresas de capital brasileiro com operações no México e vice-versa. Além disso, o ACFI (Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos) facilita os fluxos de investimentos diretos. A conquista de novas preferências comerciais dependeria de negociações futuras entre o Mercosul e o México no âmbito do ACE-54.

Defesa comercial e medidas compensatórias

A Unidade de Práticas Comerciais Internacionais (UPCI) da Secretaria de Economia é responsável por investigações de dumping, subsídios e salvaguardas. Há, por exemplo, direitos compensatórios sobre o papel bond cortado brasileiro (37,78%) e sobre vergalhões (57,69%), o que exige atenção a medidas antidumping incidentes sobre produtos específicos. O exportador deve verificar a situação de sua mercadoria para evitar custos imprevistos.

Consulta de tarifas e requisitos

Para calcular os impostos incidentes, recomenda-se consultar o sistema SIICEX-CAAAREM e as preferências no CAPTA/MDIC e no Siscomex. O SECOM da Embaixada do Brasil no México pode auxiliar na análise de barreiras tarifárias e não tarifárias e na organização das operações, além de indicar os cuidados necessários com normas e certificações para a entrada do produto no país.

Contatos e Entidades de Apoio

O exportador brasileiro conta com uma rede de instituições, no Brasil e no México, para apoiar a entrada e a expansão no mercado mexicano. As informações abaixo são referência do guia oficial do MRE — confirme sempre os canais atualizados nos sites oficiais antes de contatar, pois telefones, e-mails e endereços podem mudar.

Embaixada do Brasil no México

  • Embaixada do Brasil no México: Lope de Armendáriz 130, Col. Lomas Virreyes, Alcaldía Miguel Hidalgo, C.P. 11000, Cidade do México; tel. +52 (55) 5201-4531; e-mail brasemb.mexico@itamaraty.gov.br; site mexico.itamaraty.gov.br.
  • Setor de Promoção Comercial (SECOM): presta apoio a exportadores brasileiros, com informações sobre barreiras, potenciais importadores e distribuidores, organização de eventos e apoio a missões; e-mail secom.mexico@itamaraty.gov.br.
  • Setor Consular: apoia brasileiros no México; informações gerais +52 (55) 4160-3953; e-mail cgmexico@itamaraty.gov.br; site cgmexico.itamaraty.gov.br (também atende assistência em emergências por e-mail assistencia.cgmexico@itamaraty.gov.br).

Instituições brasileiras de apoio

  • ApexBrasil: coordena ações de promoção das exportações e a montagem de pavilhões brasileiros em feiras, com apoio dos setores de promoção comercial das embaixadas, no âmbito de projetos setoriais; liste os projetos no portal apexbrasil.com.br.
  • BNDES: principal fonte de apoio financeiro aos exportadores brasileiros no relacionamento com o México, pois não há banco brasileiro credenciado no país para linhas locais.
  • Divisões do Itamaraty e MDIC: Divisão de Informação Comercial (DIC) e Divisão de Integração Regional (DIR); e o Departamento de Negociações Internacionais (DEINT) da SECEX/MDIC, para consultas sobre preferências tarifárias e regras de origem.
  • Câmara de Comércio Brasil-México (BRAMEX): sedia no Brasil, com serviços de prospecção de mercado, cursos e assessoria em comércio exterior; mais informações em bramexbrasilmexico.com.

Órgãos oficiais mexicanos

  • Secretaria de Economia (SE): administra cotas de importação, normas técnicas, investimentos estrangeiros e defesa comercial; site gob.mx/se.
  • Secretaria da Fazenda e Crédito Público (SHCP) e SAT: arrecadação de impostos, cadastro RFC e administração das alfândegas; site gob.mx/hacienda e sat.gob.mx.
  • COFEPRIS: equivalente mexicano da ANVISA, responsável pelo registro sanitário de medicamentos, dispositivos médicos, alimentos, bebidas e cosméticos; site gob.mx/cofepris.
  • SADER e SENASICA: política agropecuária e sanidade agroalimentar, com inspeção em portos e alfândegas; sites gob.mx/agricultura e gob.mx/senasica.
  • Secretaria do Meio Ambiente (SEMARNAT) e PROFEPA: supervisionam importações de produtos florestais e o cumprimento ambiental; gob.mx/semarnat e gob.mx/profepa.
  • IMPI: Instituto Mexicano da Propriedade Industrial, para registro de marcas e patentes; gob.mx/impi.

Câmaras e associações bilaterais

  • Câmara México-Brasil (CAMEBRA): sedia no México, oferece análise tarifária, busca por representante/distribuidor, rodadas de negócios, missões, traduções e apoio à criação de empresas; site camebra.mx.
  • CANACO (Câmara de Comércio da Cidade do México): oferece serviços de mediação e arbitragem comercial, com regulamento próprio para resolução de controvérsias.
  • ANTAD: Associação Nacional das Lojas de Autosserviço e Departamentais, relevante para acesso ao varejo; site antad.net.

Financiamento e bancos no México

O BANCOMEXT é o banco mexicano de comércio exterior, atuando no financiamento de exportações e, também, de importações de máquinas e equipamentos. O sistema bancário local inclui grandes bancos de varejo como BBVA Bancomer, Santander, Banamex, Banorte, HSBC e Scotiabank, além de instituições de fomento (Nafin, Banobras) aptas a apoiar projetos. Para cartas de crédito, estão credenciados diversos bancos de primeira linha no México, e recomenda-se contar com despachante aduaneiro e assessoria jurídica local em cada operação.

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