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Guia por País

Guia de Exportação para Malásia

Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para Malásia.

+0.0% em 2025-07
#35 parceiro comercial
10 principais produtos
US$ 1.3 Bi em 12 meses
Cidade BRCidade T1Cidade T2Cidade T3Porto BRPorto Destino
Marítima

Export. 2025-07

US$ 1.3 Bi

+0.0% vs período anterior

Cresc. 3 anos

+0.0%

CAGR 2022-2025

Produtos

10

Principais NCMs

Ranking

#35

Maior parceiro

Evolução das Exportações (US$ bilhões)

1.0B
2020
1.1B
2021
1.4B
2022
1.3B
2023
1.4B
2024
1.3B
2025
1.3B
2026

Principais Produtos (2025-07)

Minérios de ferro pelotizados ou sinterizados

US$ 557.0 Mi

Minérios de cobre (azurita, cuprita, etc.) e seus concentrados, em bruto ou bene

US$ 179.3 Mi

Rapadura, melado e caldo de cana de açúcar, em bruto

US$ 163.2 Mi

Cultivo de milho

US$ 92.6 Mi

Cápsulas de café, inclusive aromatizado (mesmo descafeinado)

US$ 51.1 Mi

Fibras de algodão (curta, média ou longa); algodão em pluma; algodão em rama

US$ 46.9 Mi

Minérios de ferro pelotizados ou sinterizados

US$ 37.5 Mi

Carnes de suínos frescas ou refrigeradas

US$ 36.0 Mi

2026 (US$ Bi)

Jan

Jan-Jun · parcial

Comparativo de Portos

🇧🇷Porto de Santos

US$ 674.9 Mi

🇧🇷Porto de Paranaguá

US$ 405.0 Mi

Guia Completo para Exportar para Malásia

Oportunidades Setoriais

A Malásia é uma economia de renda média com população superior a 30 milhões de habitantes e classe média em expansão, o que gera demanda crescente por alimentos, bens de consumo e equipamentos industriais. O país mantém intensa atividade manufatureira e um setor agrícola limitado pela acelerada urbanização, criando oportunidades reais para exportadores brasileiros, especialmente nos segmentos menos competitivos da economia local.

Agronegócio e alimentos

O crescimento sustentado da demanda interna e as dificuldades para expandir a produção agrícola local mantêm a Malásia como importador líquido de alimentos. A importação de diversos itens alimentícios de consumo expressivo no país, como carne bovina, frango, cereais, algodão e soja, cresceu significativamente na última década. Produtos brasileiros como minério de ferro, açúcar, cereais, algodão e carnes já ocupam posição relevante na pauta de importações malásias. Há espaço para ampliar a oferta de proteínas animais (bovina e aviária), óleos vegetais, soja em grãos e preparações alimentícias.

Motores, autopeças e equipamentos industriais

A Malásia importa quantidades expressivas de motores elétricos, compressores, transformadores, caminhões, chassi e ônibus. A presença brasileira nesses segmentos é ainda incipiente, apesar de o Brasil deter participação relevante nas exportações globais de bens de capital. Há potencial significativo para ampliação das exportações de autopeças, chassi, motores e equipamentos mecânicos destinados à indústria manufatureira malásia, integrada às grandes cadeias globais de produção.

Fármacos, equipamentos médico-odontológicos e segurança

O setor de saúde e de segurança da Malásia demanda equipamentos médico-odontológicos, fármacos e material de segurança. O perfil do consumidor malaio, que valoriza relação custo-benefício, favorece a inserção de produtos brasileiros com competitividade de preço e qualidade adequada aos padrões exigidos.

Roupas, calçados e móveis

As importações malásias de vestuário e calçados são significativas, impulsionadas pela demanda de uma população jovem e urbana. O Brasil possui tradição na fabricação de calçados e vestuário de qualidade, e marcas brasileiras como Havaianas já possuem reconhecimento no mercado. No setor moveleiro, a demanda por móveis residenciais e corporativos cresce com a urbanização e a expansão da construção civil.

Entendendo o Consumidor Malaio

A Malásia é um país multiracial, cuja população é composta por malaios e outros bumiputeras (cerca de 61%), chineses (aproximadamente 23%) e indianos (cerca de 7%), além de uma significativa comunidade de estrangeiros residentes. Essa diversidade étnica gera uma multiplicidade de hábitos alimentares, preferências culturais e estilos de vida que influenciam diretamente o consumo de produtos importados.

Perfil sócioeconômico e poder de compra

O consumidor malaio tornou-se progressivamente mais exigente em relação à qualidade dos produtos, mas ainda apresenta sensibilidade ao preço, característica típica de economias de renda média em crescimento. A classe média em expansão, com acesso crescente a crédito e serviços financeiros, amplia a demanda por bens de consumo diferenciados. A taxa de urbanização acelerada e o crescimento da massa salarial sustentam o aumento do consumo interno.

Preferências alimentares e diversidade cultural

Cada comunidade étnica mantém hábitos alimentares específicos: a comunidade malaia é predominantemente muçulmana e consome alimentos certificados como halal; a comunidade chinesa valoriza massas, molhos de soja e frutos do mar; a comunidade indiana prefer temperos, legumes e especiarias. Essa diversidade amplia a variedade de produtos alimentícios demandados, desde carnes e grãos até temperos e preparações prontas, permitindo que diferentes produtos brasileiros encontrem nichos específicos de consumo.

Compras online e comportamento digital

Cerca de 48% dos malásios realizam ao menos uma compra mensal por meio da internet. Plataformas como Lazada, Shopee e Amazon são canais relevantes para consumo de bens importados. O exame dos sítios de venda eletrônica dedicados ao consumidor malaio é uma alternativa de baixo custo para que o exportador brasileiro familiarize-se com o mercado e teste a receptividade de seus produtos.

Acesso ao Mercado e Canais

A Malásia mantém uma política de comércio exterior relativamente aberta, embora aplique tarifas de importação e barreiras não tarifárias a uma quantidade significativa de produtos. O Brasil e o Mercosul não possuem acordo de livre comércio bilateral com a Malásia, o que implica a incidência das alíquotas de importação regulares sobre os produtos brasileiros. A compreensão do arcabouço tarifário e regulatório é essencial para calcular o custo final da mercadoria no mercado malaio.

Acordos de livre comércio

A Malásia é membro fundador da ASEAN e participa da Área de Livre Comércio da ASEAN (AFTA), que busca reduzir ou eliminar barreiras tarifárias e não tarifárias entre os países membros. A ASEAN possui acordos de livre comércio com Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Japão e Nova Zelândia. A Malásia também participa das negociações da Parceria Regional Econômica Abrangente (RCEP), que envolve países da Ásia e da Oceania. A existência desses acordos pode conferir vantagem competitiva a concorrentes de empresas brasileiras no mercado malaio.

Alfândega e desembaraço

O Departamento Real de Alfândega da Malásia (Royal Malaysian Customs Department) é responsável pelo cumprimento das leis alfandegárias. A valoração aduaneira segue os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC), e o desembaraço exige documentação completa, classificação correta sob o Sistema Harmonizado e pagamento dos tributos devidos. A transferência eletrônica de documentação nos portos de Klang, Penang e Johor permite desembaraço mais rápido. O Tribunal de Recursos Alfandegário, constituído em 2007, pode ser acionado em caso de divergências.

Produtos controlados e proibidos

Existem categorias de produtos cuja importação na Malásia é proibida ou está sujeita a controle especial. São proibidos, por exemplo, artigos contendo reprodução de moedas ou notas bancárias, publicações obscenas, determinados produtos químicos e bebidas com excesso de chumbo. Produtos derivados de animais ou aves, plantas, drogas perigosas, arroz, solo, pesticides, instrumentos de radiocomunicação, veículos a motor e imitações de armas estão sujeitos a aprovação de importação e cumprimento de exigências regulatórias específicas.

Modelos de Entrada

Os investidores estrangeiros dispõem de diversas formas para conduzir negócios na Malásia, desde a exportação indireta até a constituição de uma subsidiária local. A escolha do modelo mais adequado depende do volume de negócios pretendido, do grau de controle desejado sobre a operação e do tipo de produto ou serviço ofertado.

Exportação indireta e agente comercial

O modelo mais simples de entrada no mercado malaio é a exportação indireta, por meio de um agente comercial ou distribuidor local. A representação por um atacadista ou varejista local tem sido a forma utilizada por empresas brasileiras para ingressar no mercado, como ocorre com marcas brasileiras presentes em Kuala Lumpur. Não há diretrizes fixas para a divisão de custos entre exportador e agente, sendo possível negociar acertos exclusivos e contratos personalizados.

Sociedade limitada (Berhad)

A forma societária mais popular entre investidores estrangeiros é a sociedade limitada, identificada pelo sufixo "Berhad" ou "Bhd", regulada pela Lei das Sociedades de 2016. A sociedade limitada por ações é o tipo mais comum. Para sua constituição, é necessário o registro junto à Comissão de Sociedades da Malásia (SSM) e a indicação de pelo menos um diretor residente. A responsabilidade dos acionistas limita-se ao valor nominal das ações detidas, o que protege o investidor.

Filial de empresa estrangeira

Empresas estrangeiras podem estabelecer filiais na Malásia, autorizadas a se envolver em uma ampla gama de negócios, embora algumas atividades, como comércio atacadista e varejista, possam exigir aprovação prévia da Divisão de Comércio Doméstico do Ministério do Comércio e Indústria Internacional. A filial deve ser registrada junto à Comissão de Sociedades da Malásia antes de iniciar suas operações.

Escritório de representação

Um escritório de representação comercial pode ser constituído para atividades de coordenação, pesquisa de mercado e contato com clientes, sem que possa firmar contratos ou fechar negócios diretamente. Esse modelo é útil como etapa preliminar antes de uma entrada mais definitiva no mercado, permitindo ao exportador brasileiro avaliar oportunidades e estabelecer contatos estratégicos.

Joint venture e parcerias

Diversas empresas estrangeiras optam por joint ventures com empresas malásias para acessar mercados regulados ou setores sensíveis. A parceria com um sócio local pode facilitar o enfrentamento de barreiras culturais, regulatórias e de distribuição, especialmente em setores como alimentos, farmacêuticos e equipamentos industriais.

Documentação e Certificações

A documentação exigida para importação na Malásia segue padrões internacionais e depende do tipo de produto, do valor da operação e de eventuais tratamentos aduaneiros preferenciais. A preparação cuidadosa da documentação é pré-requisito para o desembaraço alfandegário e para a liberação da mercadoria pela Aduana Real da Malásia.

Documentos básicos de importação

Os documentos exigidos para a maioria das operações de importação incluem: conhecimento de embarque ou guia de remessa, notas fiscais dos produtos, declarações de importação, e, quando aplicável, licença de importação ou carta de aprovação para produtos controlados. Para operações de exportação com valor igual ou superior a RM 100.000 em valor FOB, são exigidos documentos relativos à operação cambial.

Certificado de origem

O certificado de origem é necessário quando o produto se beneficia de tratamento aduaneiro preferencial previsto em acordos de livre comércio. Como o Brasil não possui ALC com a Malásia, esse documento não se aplica diretamente às exportações brasileiras, mas pode ser relevante em casos de reexportação ou de produtos com componentes de terceiros países parceiros.

Certificação halal para produtos alimentícios

Para a exportação de produtos de origem animal (carnes, leite, ovos) para a Malásia, é obrigatória a obtenção de certificação halal. No Brasil, a certificação halal é fornecida por entidades habilitadas pelo Departamento de Desenvolvimento Islâmico (JAKIM) da Malásia. A lista de certificadoras brasileiras habilitadas está disponível no endereço eletrônico do JAKIM. Os estabelecimentos registrados sob o SIF devem seguir procedimentos específicos de habilitação junto ao Departamento de Serviços Veterinários (DVS) da Malásia, incluindo o preenchimento de questionários específicos e chancela do MAPA.

Documentação para proteína animal

A exportação de carnes do Brasil para a Malásia está sujeita a restrições específicas. O DVS autoriza a importação de carne bovina congelada desossada, carnes e miúdos de frango e peru, ovos, material genético avícola, leite e derivados. Os exportadores devem observar as orientações do MAPA e consultar os comunicados mais recentes quanto à lista de estabelecimentos autorizados, disponível no site do DVS.

Carta de crédito e romaneio

Quando a carta de crédito é utilizada como forma de pagamento do transporte, ela deve ser apresentada como documentação complementar. O romaneio de embarque é necessário quando a nota fiscal não informa adequadamente a quantidade de mercadorias. Esses documentos complementares podem ser exigidos dependendo da natureza da operação e dos termos contratuais acordados entre exportador e importador.

Logística e Transporte

A Malásia conta com uma infraestrutura logística bem desenvolvida e em contínua expansão, com mais de 90% do comércio exterior sendo realizado por via marítima. A localização central do país no Sudeste Asiático, entre os principais rotas de comércio global, confere-lhe vantagem estratégica como hub logístico regional. O governo malásio lançou o Plano Mestre de Facilitação de Logística e Comércio com o objetivo de tornar o país o portal preferencial de logística para a Ásia.

Portos marítimos

A Malásia possui sete portos internacionais: Porto Penang, Porto Klang, Porto Johor, Porto de Tanjung Pelepas, Porto Kuantan, Porto Kemaman (na península) e Porto Bintulu (em Sarawak). O Porto Klang, por sua localização central e pelo estímulo governamental, é o principal centro de carga nacional e regional. O Porto de Tanjung Pelepas (PTP), no extremo sul da península, é um dos poucos portos do mundo integrado a uma Zona de Livre Comércio. O intercâmbio eletrônico de dados nos portos Klang, Penang e Johor permite desembaraço rápido com transferência eletrônica de documentação.

Aeroportos e transporte aéreo

A localização central da Malásia na região Ásia-Pacífico a torna uma passagem ideal para a região. O Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur (KLIA) e o KLIA2 possuem capacidade para lidar com milhões de passageiros e toneladas de carga anualmente. Os procedimentos de importação e exportação de carga são automatizados no KLIA. Outros aeroportos internacionais incluem Penang, Senai, Langkawi, Kota Kinabalu e Kuching.

Rede rodoviária e ferroviária

A Via Expressa Norte-Sul (772 km) juntamente com a Ponte Penang e a Rodovia Kuala Lumpur-Kuala Terengganu formam a espinha dorsal da infraestrutura rodoviária da Malásia peninsular. Essas rodovias ligam os principais centros de crescimento a portos marítimos e aeroportos. A malha ferroviária da península possui dois ramais no sentido Norte-Sul, com o serviço de contêineres Kuala Lumpur-Bangkok-Kuala Lumpur (Asean Rail Express).

Transporte de carga terrestre

O transporte terrestre de contêineres é regulamentado pelo Conselho de Licenciamento de Veículo Comercial (CVLB). Diversas empresas prestam serviços de transporte de carga, agente de frete, armazenamento, desembaraço portuário e alfandegário, e manutenção de contêineres. A Federação de Transportadores de Carga da Malásia congrega mais de mil empresas de logística no país.

Estratégias de Distribuição

A comercialização de produtos na Malásia é majoritariamente realizada por empresas de atacado e varejo com pontos de venda nas principais cidades. A presença de grandes cadeias internacionais e de grupos locais diversificados oferece ao exportador brasileiro múltiplas opções de distribuição, desde a venda direta até a atuação por meio de intermediários especializados.

Grandes redes varejistas

Atuam na Malásia comercializando produtos de outras empresas grandes cadeias internacionais de atacado e varejo, incluindo Tesco, Isetan, AEON, Cold Storage, 7-Eleven, IKEA, Toys "R" Us, Kinokuniya, Zara, H&M e Marks & Spencer. Essas redes importam por sua própria conta, mantêm estoques e prestam serviços de manutenção, oferecendo ao exportador a possibilidade de inserção por meio de contratos de fornecimento direto ou de distribuidores especializados.

Grupos locais

Entre os grupos malásios de destaque, pode-se mencionar Parkson (loja de departamento), Jaya Grocer (supermercado), Go Shop (venda direta), Stadium (material esportivo), Bata (calçados), YFS (moda), Mydin (material para casa) e Biwani's (moda). A representação por um atacadista ou varejista local tem sido a forma utilizada por empresas brasileiras para ingressar no mercado, como ocorre com marcas brasileiras já presentes em Kuala Lumpur.

Comércio eletrônico e plataformas digitais

Com o advento da internet, é cada vez maior o número de consumidores malásios que realizam compras online. Plataformas como Lazada, Shopee e Amazon são canais relevantes para venda de produtos importados. O exame dos sítios de venda eletrônica dedicados ao consumidor malaio é uma alternativa de baixo custo para que o exportador brasileiro familiarize-se com o mercado e teste a receptividade de seus produtos antes de investir em estrutura física.

Métodos de distribuição e logística reversa

Os métodos de distribuição variam conforme o canal. Grandes lojas de departamento podem operar como varejista/importador e também importar por meio de pedidos colocados junto a empresas trading representando fornecedores estrangeiros. Os distribuidores varejistas especializados em alimentos e outros produtos seguem modelo similar. A qualidade do serviço de transporte de carga do país é boa, contribuindo para a eficiência da distribuição.

Cultura de Negócios e Etiqueta

A Malásia é uma sociedade multicultural, resultante da convivência de comunidades malaias, chineses, indianos e de outros grupos étnicos. Essa diversidade reflete-se diretamente nos costumes de negócios, nos protocolos de etiqueta e nas expectativas nas relações comerciais. Compreender a riqueza cultural do país é fundamental para o exportador brasileiro que deseja estabelecer parcerias duradouras no mercado malaio.

Relações pessoais e hierarquia

Os negócios na Malásia são fortemente influenciados por relações pessoais e por respeito à hierarquia. Reuniões de negócios costumam ser precedidas por períodos de socialização nos quais se busca建立ir confiança pessoal. É importante dirigir-se aos interlocutores pelo título e sobrenome, evitando o uso do primeiro nome até que haja familiaridade. O cumprimento inclui um aperto de mão suave; em contextos com comunidade malaia muçulmana, espera-se que a mão direita seja usada.

Comunicação e negociação

O inglês é amplamente utilizado como língua franca nos negócios, especialmente em Kuala Lumpur e outras grandes cidades. Mandarim e tâmil são também línguas comuns. Na comunicação empresarial, a abordagem indireta é frequentemente valorizada; críticas e objeções podem ser expressas de forma sutil, e o constrangimento público do interlocutor deve ser evitado. As decisões de negócios tendem a ser tomadas de forma coletiva e após período de deliberação, o que exige paciência do exportador.

Religião e sensibilidades culturais

Cerca de 61% da população é de religião muçulmana, o que influencia os costumes sociais e os horários de trabalho, especialmente durante o Ramadã. A comunidade chinesa segue tradições budistas, confucionistas e taoistas, enquanto a comunidade indiana é predominantemente hindu. É importante respeitar as práticas religiosas e evitar compromissos em horários de prece ou em feriados religiosos específicos de cada comunidade.

Princípios de conduta em reuniões

Reuniões de negócios costumam pontualidade, mas atrasos leves são tolerados. Apresentações formais e materiais impressos em inglês são bem recebidos. É cortês oferecer cartões de visita, preferencialmente com informações em inglês. Nas refeições de negócios, é comum aceitar convites para almoço ou jantar; a escolha do restaurante deve considerar restrições alimentares religiosas (por exemplo, evitar restaurantes que sirvam carne de porco em contextos com colegas muçulmanos).

Tributação e Tarifas

A Malásia mantém um sistema de tributação que combina impostos diretos e indiretos, regulados pelo Ministério das Finanças e pela Aduana Real da Malásia. A compreensão da carga tributária incidente sobre produtos importados é essencial para o exportador brasileiro calcular o preço final ao consumidor malaio e avaliar a competitividade de seus produtos no mercado local.

Imposto de importação

Na Malásia, a base de cálculo do imposto de importação é majoritariamente ad valorem, embora alguns itens estejam sujeitos a alíquotas específicas. As alíquotas variam com base no tipo de produto e estão disponíveis na Programação de Tarifas Harmonizadas da Malásia. Embora a alíquota máxima seja de 50% sobre o valor CIF, as alíquotas de importação estão usualmente entre 0% e 30%. O imposto incide sobre o custo do produto no mercado aberto, seguro, frete, comissões e demais encargos até o local de pagamento do tributo.

Imposto sobre bens e serviços (GST)

O Imposto sobre Bens e Serviços (Goods and Services Tax - GST), com alíquota padrão de 6%, é aplicado a toda operação de provimento de bens ou serviços na Malásia, inclusive sobre a importação de bens e serviços. Alguns produtos essenciais, como arroz, açúcar, farinha, óleo de cozinha, verduras, peixe, carne, ovos, transporte público e moradia, estão isentos do GST. Empresas com faturamento bruto inferior a RM 500.000 não pagam GST sobre seus produtos.

Impostos especiais de consumo

Certos produtos, como bebidas alcoólicas, cigarros, veículos a motor e artigos de jogos, estão sujeitos a impostos especiais sobre consumo. No caso dos automóveis, a alíquota pode variar significativamente, e incidem também o imposto de importação e o GST, o que eleva substancialmente o custo final desses produtos no mercado malaio.

Isenções e regimes especiais

A Malásia isenta determinadas pessoas e produtos do pagamento de impostos de importação ou exportação. As isenções, totais ou parciais, são aplicáveis sobretudo a departamentos governamentais, instituições filantrópicas e fabricantes que importam insumos para produção. Fabricantes que exportam 80% ou mais de seus produtos acabados podem solicitar status de depósito de fabricação licenciado (LMW), sob o qual matérias-primas, componentes e maquinários ficam isentos de impostos de importação.

Imposto de renda e investimento

As empresas, residentes ou não, são tributadas à taxa de 24% sobre toda renda ou lucros obtidos na Malásia. Lucros obtidos de fontes fora da Malásia e remetidos por empresa residente estão isentos, exceto em casos específicos. O sistema de controle de câmbio é liberal, permitindo a repatriação livre de capital, lucros, dividendos, juros, royalties e comissões.

Contatos e Entidades de Apoio

Diversas entidades governamentais, câmaras de comércio, associações setoriais e consultorias especializadas podem apoiar o exportador brasileiro em sua estratégia de entrada e atuação no mercado malaio. O contato prévio com essas organizações proporciona informações atualizadas sobre regulamentação, oportunidades de negócios e condições de mercado.

Órgãos governamentais malásios

A Malaysia External Trade Development Corporation (MATRADE) é a principal entidade de promoção comercial da Malásia, oferecendo informações sobre mercado, missões comerciais e conexões com importadores. O Ministério do Comércio Internacional e Indústria (MITI) regula as políticas de comércio exterior e investimento. A Autoridade de Desenvolvimento Industrial da Malásia (MIDA) atua na atração e facilitação do investimento estrangeiro. A Aduana Real da Malásia administra as questões alfandegárias e tributárias, e o Departamento de Serviços Veterinários (DVS) regula a importação de produtos de origem animal.

Câmaras de comércio

A Câmara Malásia Internacional de Comércio e Indústria (MICCI) é uma das principais entidades representativas do setor privado. Existem também a Câmara Chinesa Associada de Comércio e Indústria da Malásia, a Câmara Malaia de Comércio (MCCM), a Associação Malásia de Câmaras Indianas de Comércio e Indústria (MAICCI) e a Câmara Nacional de Comércio e Indústria da Malásia (NCCIM). Essas organizações refletem a diversidade étnica do país e oferecem canais de networking diferenciados.

Entidades brasileiras na Malásia

A Embaixada do Brasil em Kuala Lumpur, por meio do Setor de Promoção Comercial (SECOM), apoia empresários brasileiros com informações sobre oportunidades, legislação e contatos com importadores. O SECOM identificou oportunidades específicas para produtos brasileiros nos setores de motores, equipamentos industriais, alimentos e vestuário. A Embaixada da Malásia em Brasília e o Escritório da MATRADE em São Paulo também podem apoiar empresas brasileiras interessadas em estabelecer contatos comerciais.

Entidades setoriais e de apoio

A Federação Malásia de Fabricantes (FMM) congrega diversas associações industriais. Existem também entidades específicas para setores como petroquímica (MPA), plásticos (MPMA), borracha (MARGMA), têxteis (MTMA), moveleiro (MFIC), eletrônicos (TEEAM) e máquinas e equipamentos (MEMA). Para apoio financeiro, o Export-Import Bank of Malaysia (EXIM Bank) e o SME Bank oferecem linhas de crédito para comércio exterior e apoio a pequenas e médias empresas. A Consultoria PwC Malaysia, Ernst & Young Malaysia e Crowe Horwath Malaysia oferecem serviços de assessoria tributária, contábil e de compliance.

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