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🇫🇷
Guia por País

Guia de Exportação para França

Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para França.

-0.0% em 2026 (parcial)
#22 parceiro comercial
10 principais produtos
US$ 2.3 Bi em 12 meses
Cidade BRCidade T1Cidade T2Cidade T3Porto BRPorto Destino
Marítima

Export. 2026 (parcial)

US$ 2.3 Bi

-0.0% vs período anterior

Cresc. 3 anos

+0.0%

CAGR 2022-2025

Produtos

10

Principais NCMs

Ranking

#22

Maior parceiro

Evolução das Exportações (US$ bilhões)

2.0B
2020
794.0M
2021
3.5B
2022
2.9B
2023
3.0B
2024
3.1B
2025
2.3B
2026

Principais Produtos (2026 (parcial))

Óleos brutos de petróleo

US$ 670.6 Mi

Tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja, inclusive cascas, palhas

US$ 345.6 Mi

Cápsulas de café, inclusive aromatizado (mesmo descafeinado)

US$ 195.4 Mi

Lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono

US$ 154.7 Mi

Pastas químicas de madeira, à soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolução

US$ 125.8 Mi

Turbinas a gás, n.e.

US$ 83.4 Mi

Querosenes, exceto de aviação

US$ 74.0 Mi

Peças e acessórios n.e., para veículos aéreos, inclusive trens de aterrissagem e

US$ 60.7 Mi

2026 (US$ Bi)

Jan

Jan-Jun · parcial

Comparativo de Portos

🇧🇷Porto de Santos

US$ 1.1 Bi

🇧🇷Porto de Paranaguá

US$ 683.4 Mi

Guia Completo para Exportar para França

Oportunidades Setoriais

A França é a quinta maior economia do mundo e a segunda maior da União Europeia, com uma base industrial diversificada e alta demanda por importações de produtos agrícolas, matérias-primas e manufaturados. A pauta brasileira de exportações para a França apresenta forte potencial em diversos setores, impulsionados pela complementaridade entre a oferta brasileira e as necessidades do mercado francês.

Produtos agrícolas e alimentos

O Brasil é o principal fornecedor de farelo de soja, café em grão e soja em grão para a França. A pasta química de madeira brasileira também possui forte presença no mercado, com o Brasil respondendo por quase metade das importações francesas desse item. Outros alimentos com potencial incluem suco de laranja, carne bovina fresca ou refrigerada, pedaços de frango congelados e preparações alimentícias diversas.

Minérios e produtos semimanufaturados

O minério de ferro brasileiro é um dos principais itens exportados para a França, e há oportunidades adicionais em semimanufaturados de ferro e aço, laminados planos e madeira serrada de coníferas. A indústria francesa de transformação demanda matérias-primas para alimentar sua/base produtiva, especialmente nos setores de metalurgia, siderurgia e papel.

Manufaturados de alto valor agregado

O setor aeronáutico representa uma área de interação significativa entre Brasil e França, com exportações brasileiras de aviões, partes de aviões e turbinas a gás para o mercado francês. Também se destacam partes e acessórios de veículos automóveis, medicamentos e compressores para frigoríficos.

Produtos com maior potencial indicativo

Entre os produtos com maior potencial de expansão no mercado francês, destacam-se polietileno (densidade inferior a 0,94), polipropileno, pneus novos para automóveis e para ônibus e caminhões, dispositivos para válvulas e torneiras, tratores rodoviários, veículos para transporte de mercadorias,compressores para frigoríficos e ouro em formas brutas. Esses itens representam oportunidades reais de crescimento das exportações brasileiras com base na demanda constante do mercado francês.

Setores emergentes

Produtos orgânicos, superfoods (como açaí, guaraná e castanhas), cosméticos naturais e produtos sustentáveis ganham espaço crescente no mercado francês. A França é o país mais visitado do mundo, o que amplia as oportunidades para produtos alimentícios diferenciados, vinhos e bebidas, artigos de luxo e artesanato de qualidade no circuito de restaurants, hôtels et collectivités (CHR).

Entendendo o Consumidor Francês

O consumidor francês habita um dos mercados mais sofisticados e exigentes da Europa, com alto poder aquisitivo e tradição cultural que valoriza qualidade, sabor e autenticidade. Compreender suas características é fundamental para o exportador brasileiro obter sucesso nesse mercado competitivo.

Alta urbanização e poder de compra

Cerca de 82% da população francesa vive em centros urbanos, concentrados em áreas metropolitanas como Paris (mais de 12 milhões de habitantes), Lyon, Marselha, Toulouse, Lille, Bordeaux e Nice. A renda per capita é elevada, posicionando a França entre as 11ª maiores da União Europeia. Apesar das desigualdades sociais, o poder de compra médio sustenta demanda por produtos de qualidade em diversas faixas de preço.

Valorização de qualidade e gastronomia

Os franceses possuem tradição gastronômica reconhecida mundialmente e são extremamente exigentes quanto à qualidade dos alimentos, aroma, sabor e apresentação. A indústria agroalimentar é a maior da França em termos de volume de negócios e emprego, e o consumidor busca produtos diferenciados, com procedência rastreável e, cada vez mais, orgânicos.

Crescimento do comércio eletrônico

O e-commerce francês é o quinto maior do mundo e o terceiro da União Europeia. Em 2016, dois terços dos franceses entre 16 e 74 anos realizaram pelo menos uma compra pela Internet, acima da média europeia de 53%. Os maiores sítios de comércio incluem Amazon.fr, CDiscount, Vente-Privée e eBay.fr, representando oportunidade crescente para exportadores brasileiros com presença digital.

Demanda por produtos orgânicos e sustentáveis

A preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade é crescente entre os consumidores franceses. O consumo de produtos orgânicos expande-se anualmente, e há demanda por rastreabilidade, certificações ambientais e práticas de comércio justo. Produtos brasileiros certificados como orgânicos ou de comércio justo possuem vantagem competitiva nesse segmento em expansão.

Envelhecimento populacional

A França apresenta envelhecimento progressivo da população, com crescimento significativo das faixas etárias acima de 60 anos. Esse perfil demográfico amplia a demanda por produtos de nutrição funcional, saúde, bem-estar, medicamentos e produtos de cuidado pessoal, setores nos quais a França é grande importadora.

Acesso ao Mercado e Canais

A França integra o território aduaneiro da União Europeia, o que significa que as regras de acesso ao mercado seguem o direito comunitário, com tarifa aduaneira comum e regulamentos técnicos, sanitários e de rotulagem harmonizados. A compreensão dessas normas é indispensável para qualquer exportador brasileiro que deseje atuar no mercado francês.

Sistema tarifário e TEC

A Tarifa Externa Comum (TEC) estabelece os direitos de importação aplicados por todos os Estados-Membros da União Europeia a produtos de terceiros países. Os direitos são, na maioria dos casos, ad valorem (sobre o valor CIF) e variam entre 0% e 17%, dependendo do produto. A França utiliza a Nomenclatura Combinada (NC) da UE, complementada pela TARIC, que detalha as disposições regulamentares aplicáveis a cada produto importado.

IVA e impostos incidentes

Sobre as mercadorias importadas incidem, além dos direitos aduaneiros, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) com três níveis: 20% (taxa normal), 10% (intermediário) e 5,5% ou 2,1% (taxas reduzidas para produtos alimentícios, medicamentos reembolsáveis e outros itens específicos). Também podem incidir direitos compensatórios, anti-dumping, adicionais e direitos específicos para produtos protegidos.

Certificações e marcas obrigatórias

A marcação CE (Conformité Européenne) é obrigatória para todos os produtos abrangidos por diretivas europeias e confere o direito à livre circulação na União Europeia. A marcação NF (Norme Française), emitida pela AFNOR, é voluntária mas praticamente indispensável em setores como construção civil. Produtos químicos são regulados pela legislação REACH, que exige registro junto à ECHA para substâncias produzidas ou importadas em quantidades superiores a 1 tonelada/ano.

Restrições e proibições

Existem restrições à importação para material de defesa, espécies ameaçadas (Convenção de Washington), vegetais e produtos de origem animal (controle sanitário e fitossanitário), medicamentos, tabaco e outros itens sensíveis. Produtos proibidos incluem objetos falsificados, amianto, substâncias perigosas como sais de chumbo e níquel, e produtos de origem animal de espécies regulamentadas.

Ponto de entrada na UE

Certos produtos vegetais e animais devem passar por um Ponto de Entrada Comunitário (PEC) antes do desembaraço aduaneiro, onde são submetidos a controles sanitários ou fitossanitários. Para produtos de origem animal, os estabelecimentos exportadores devem estar habilitados pela Comissão Europeia, processo que exige garantias de conformidade com padrões comunitários de saúde pública e animal.

Modelos de Entrada

Para atuar no mercado francês, o exportador brasileiro dispõe de diversas modalidades de entrada, que variam conforme o volume esperado, o tipo de produto, os recursos disponíveis e a estratégia de longo prazo. A França oferece um ambiente favorável ao investimento estrangeiro, com infraestrutura de excelência e acesso irrestrito ao mercado único da União Europeia.

Representante comercial

A designação de um representante comercial pode ser o meio mais rápido e econômico para a colocação dos produtos no mercado francês. Um representante com conhecimento do mercado saberá identificar o canal mais apropriado para o produto, especialmente junto ao circuito tradicional. Os contratos devem ser feitos por período experimental com metas definidas, são regidos pelas leis francesas e a remuneração é feita, na maioria dos casos, por comissões sobre as vendas.

Importador-distribuidor

A melhor forma de acessar o circuito tradicional francês é através de um importador-distribuidor que trabalhe com diversos produtos e tenha capacidade de venda em todo o território. Em geral, a compra por item é pequena, o que implica na necessidade de distribuidor multiprodutos para viabilizar as visitas dos vendedores. A designação de distribuidor exclusivo pode ser uma opção, mas requer cautela quanto às leis francesas de concorrência.

Joint venture e parceria estratégica

É possível firmar joint ventures ou parcerias estratégicas com empresas francesas, o que reduz custos de investimento mas exige dividir lucros e ceder parte da autonomia. A França é o 5º maior investidor no Brasil e possui mais de 900 empresas no país, o que facilita a identificação de potenciais parceiros. O investimento estrangeiro direto na França é estimulado com auxílios governamentais iguais aos prestados a empresas francesas.

Subsidiária e escritório

Empresas com ambição de longo prazo podem instalar uma subsidiária ou escritório de representação na França. A localização privilegiada, no centro da Europa, e a excelente infraestrutura de transporte fazem da França um ponto de distribuição natural para todo o mercado europeu. As formalidades administrativas para empresas estrangeiras foram significativamente reduzidas nos últimos anos, e a qualidade de vida é reconhecida internacionalmente.

Participação em feiras e eventos

A França é sede de importantes feiras internacionais em diversos setores, como o Salon International de l'Agriculture, o SIAL (alimentação), o Vinexpo (vinhos), o Maison & Objet (casa e decoração), o Paris Air Show (aviação) e a Première Vision (moda). A participação em feiras é um método eficiente para estabelecer contatos iniciais, embora os negócios raramente sejam concretizados durante o evento.

Documentação e Certificações

A documentação necessária para o desembaraço de mercadorias na França segue os padrões adotados pela União Europeia. A correta preparação dos documentos é essencial para evitar atrasos e penalidades no processo de importação, e o exportador brasileiro deve seguir rigorosamente as instruções do importador francês quanto à documentação a ser fornecida.

Documentos básicos de embarque

Os documentos exigidos para o desembaraço alfandegário são: fatura comercial (providenciada pelo exportador), romaneio de embarque (packing list, não obrigatório mas facilita o desembaraço), conhecimento de embarque (Bill of Lading ou Air Way Bill) e certificados sanitários ou fitossanitários quando aplicável. A declaração de importação é feita no formulário DAU (Documento Administrativo Único) pelo importador ou seu representante.

Certificação CE

A marcação CE é obrigatória para produtos como aparelhos elétricos de baixa tensão, brinquedos, produtos para construção, equipamentos de proteção individual, máquinas, dispositivos médicos, equipamentos de telecomunicação e muitos outros. O fabricante brasileiro deve nomear um representante legal estabelecido na UE para assumir a responsabilidade pela marcação CE. Empresas credenciadas para testes de conformidade incluem AFNOR, SGS e Intertek.

Regulamentação sanitária e fitossanitária

Produtos de origem animal e vegetal estão sujeitos a rigorosos controles sanitários. A UE exige que estabelecimentos exportadores de terceiros países sejam habilitados pela Comissão Europeia, processo que envolve lista de estabelecimentos aprovados pelo Ministério da Agricultura brasileiro. Produtos vegetais devem passar por um Ponto de Entrada Comunitário (PEC) para controle fitossanitário, com certificado emitido pelo Serviço Regional de Proteção dos Vegetais.

Rotulagem e embalagens

A União Europeia adotou regulamentação sobre rotulagem e apresentação de produtos alimentícios, destinada a orientar o consumidor. O Estado-Membro poderá exigir que a etiqueta esteja em francês ou em vários idiomas oficiais da UE. É possível utilizar pictogramas desde que a interpretação não deixe dúvidas. Informações detalhadas sobre a regulamentação de rotulagem podem ser encontradas no portal da UE.

Propriedade industrial e marcas

É possível patentear um produto ou marca em mais de 30 países da Europa através de único depósito junto ao OEB (Office Européen des Brevets). O órgão competente na França para marcas e patentes é o INPI (Institut National de la Propriété Industrielle). A proteção de marcas e patentes é fundamental para evitar concorrência desleal no mercado francês.

Logística e Transporte

A França dispõe de uma das melhores infraestruturas de transporte do mundo, com rede rodoviária mais extensa da Europa, ferroviária das mais modernas e eficientes, e 66 portos comerciais. A situação geográfica privilegiada, no centro da Europa, garante acesso às rotas marítimas mais movimentadas do mundo e transforma o país em plataforma de distribuição natural para todo o mercado europeu.

Transporte marítimo

É pelo modal marítimo que são efetuadas 72% das transações comerciais francesas com o exterior. Os principais portos por peso transportado são: Marselha (Mediterrâneo), Le Havre (Atlântico), Dunkerque (Mar do Norte), Calais (Canal da Mancha), Nantes/Saint Nazaire (Atlântico), Rouen (Rio Sena), Bordeaux (Atlântico) e La Rochelle (Atlântico). Para exportações brasileiras, os portos de Le Havre e Marselha são os mais relevantes, por sua capacidade e conexões com rotas transatlânticas.

Transporte aéreo

A França possui 170 aeroportos, sendo o principal o CDG (Charles de Gaulle), na região parisiense, com fluxo de aproximadamente 66 milhões de passageiros anuais. O CDG é a segunda maior plataforma de correspondência aeroportuária da Europa. No frete aéreo, a França ocupa o segundo lugar entre os países europeus. A Air France-KLM é a principal empresa de frete aéreo do país.

Transporte rodoviário

A rede rodoviária francesa é a mais extensa da Europa, com 12.400 km, dos quais 9.400 km de autoestradas. O modal rodoviário responde por aproximadamente 85% do transporte interno de mercadorias. A malha inclui rede nacional (autoestradas concessionárias e públicas), vias departamentais e vias municipais, garantindo cobertura integral do território.

Transporte ferroviário e fluvial

A rede ferroviária possui 29.335 km, sendo a segunda maior da Europa, com approximately 10.980 km de linhas de alta velocidade. A França também dispõe de 18.000 km de vias fluviais, das quais 8.500 km navegáveis — a mais longa rede de vias navegáveis do continente. Essa infraestrutura combinada permite a intermodalidade e a otimização logística para distribuição no mercado francês e europeu.

Conexão Brasil-França

As principais rotas marítimas entre Brasil e França passam pelo oceano Atlântico, com destaque para os portos de Le Havre (Atlântico norte) e Marselha (Mediterrâneo). Empresas como DB Schenker, Gondrand Frères e Stellair Cargo oferecem serviços de transporte e logística entre os dois países. Para produtos perecíveis, o transporte aéreo via CDG é a alternativa mais rápida.

Estratégias de Distribuição

O mercado de distribuição francês é estruturado em quatro grandes circuitos, cada um com suas características, atores e regras de funcionamento. A escolha do canal adequado é decisiva para o sucesso da exportação brasileira, e o exportador deve adaptar sua estratégia ao tipo de produto e ao segmento-alvo do mercado francês.

Circuito tradicional

Formado por atacadistas especializados, atacadistas multiprodutos, cadeias de varejistas, lojas de departamento (Galeries Lafayette, Le Printemps, BHV, Le Bon Marché), lojas multicomércio (como Monoprix) e varejistas independentes. Nesse circuito, um produto não-alimentício chega ao consumidor final com valores de quatro a seis vezes o valor FOB. A melhor forma de acesso é através de um importador-distribuidor multiprodutos.

Hipermercados e supermercados

Os hipermercados (superfícies entre 2.501 e 20.000 m²) e supermercados (400 a 2.500 m²) movimentam anualmente cerca de 110 bilhões de euros. Oito grupos dominam o segmento, sendo seis franceses e dois alemães. O Carrefour e Leclerc lideram com 40% do volume de negócios, seguidos por Intermarché, Casino, Système U, Auchan, Lidl e Aldi. A negociação para entrada ocorre com as centrais de compras, e o caminho mais acessível para o exportador brasileiro é através de um atacadista já fornecedor da cadeia desejada.

Marca do Distribuidor (MDD)

As marcas próprias (MDD - Marque Du Distributeur) representam cerca de 28% da oferta dos hiper e supermercados franceses. Embora em leve declínio em relação às marcas nacionais, as MDD permanecem como canal relevante para exportadores que consigam atender aos volumes e especificações das centrais de compras. Os grupos Casino, Monoprix, Carrefour, Auchan e Leclerc possuem linhas próprias com posicionamentos que variam de economia a premium.

Circuito CHR (Collectivités, Hôtels et Restaurants)

Cerca de 4 mil atacadistas asseguram a distribuição de produtos alimentícios, bebidas e equipamentos junto a cantinas, restaurantes, hotels, padarias e lojas de conveniência. O segmento é muito segmentado e representa grande potencial para o setor agroalimentar brasileiro. Os atacadistas são organizados em full line, tradicionais, especializados, cash & carry e logística.

E-comércio

Com volume de negócios superior a 80 bilhões de euros, a França ocupa o 5º lugar do e-commerce mundial e o 3º da União Europeia. Os principais sítios são Amazon.fr (generalista), CDiscount (generalista), Vente-Privée (venda privada), Zalando (moda) e Chronodrive (alimentos). Grupos tradicionais como Galeries Lafayette expandiram sua presença digital, adquirindo participación na La Redoute.

Cultura de Negócios e Etiqueta

A França possui uma cultura de negócios marcada por formalidade, tradição e valorização do conhecimento. Compreender as particularidades culturais francesas é essencial para construir relacionamentos comerciais sólidos e duradouros no mercado francês.

Formalidade e respeito

O exportador brasileiro deverá dirigir-se aos empresários franceses pelo sobrenome e com formalidade. O cumprimento informal deve ser evitado, especialmente nos primeiros contatos. O domínio do idioma francês representa uma vantagem significativa, embora a comunicação em inglês seja cada vez mais frequente no meio empresarial. A apresentação pessoal e a qualidade da documentação são valorizadas.

Relacionamento gradual

A evolução dos negócios com empresários franceses é gradual. O começo será sempre modesto, e a velocidade da evolução dependerá da aceitação do produto no mercado e da eficácia do processo de compra e logística. O não cumprimento do acordado — prazos, preços, qualidade — poderá comprometer a continuidade do negócio de forma definitiva. A confiança deve ser construída ao longo do tempo.

Pontualidade e cumprimento de prazos

É aconselhável muito rigor no cumprimento dos prazos acordados. Esse aspecto tem grande importância no mercado francês. A pontualidade em entregas, apresentação de propostas e reuniões é um sinal de profissionalismo e confiabilidade que os franceses valorizam profundamente.

Negociação e preços

Habituados com uma economia de inflação baixa, o mercado francês não entende mudanças de preços no decorrer do ano. Em geral, trabalham com as mesmas tarifas de janeiro a dezembro. As formas de pagamento mais comuns são duplicatas com prazo de 60 dias (sem incluir o mês da compra), pagamentos contra documentos ou por cobrança bancária. Cartas de crédito não são prática bem aceita devido ao custo elevado, exceto junto aos grandes atacadistas e centrais de compras.

Horários e calendário comercial

Os horários comerciais na França são das 9h às 12h e das 14h às 18h, com carga horária semanal de 35 horas. Os melhores períodos para viagens de negócios são de setembro até a primeira quinzena de dezembro e de janeiro até final de abril. O mês de maio funciona em ritmo lento (3 feriados), junho e julho são meses de preparação para férias, e agosto a maioria das empresas fecha para férias coletivas.

Produtos em francês

Os catálogos, prospectos e documentos enviados deverão estar, preferencialmente, no idioma francês e conter informações claras e precisas dos produtos. A rotulagem de produtos alimentícios deve seguir a regulamentação europeia, e o Estado-Membro poderá exigir a etiqueta em francês. A comunicação em francês demonstra respeito e comprometimento com o mercado.

Tributação e Tarifas

A tributação aplicada a importações na França segue o regime aduaneiro da União Europeia, com direitos e impostos harmonizados para todos os Estados-Membros. Compreender a estrutura tarifária é essencial para o exportador brasileiro calcular custos e precificar adequadamente seus produtos no mercado francês.

Direitos aduaneiros e TEC

A Tarifa Externa Comum (TEC) compreende 21 seções e 99 capítulos, abrangendo cerca de 15.000 itens numéricos formados por 8 dígitos (6 do Sistema Harmonizado + 2 definidos pela UE). Os direitos autônomos estabelecidos unilateralmente e os convencionais oriundos de negociações na OMC aplicam-se aos produtos de terceiros países. A maioria dos direitos é ad valorem sobre o valor CIF, variando de 0% a 17%.

IVA francês

O IVA (TVA - Taxe sur la Valeur Ajoutée) incobre sobre as mercadorias importadas e possui quatro alíquotas: 20% (taxa normal, aplicável à maioria dos bens e serviços), 10% (intermediário, para certos bens e serviços como reforma de imóveis), 5,5% (reduzido, para produtos alimentícios e fornecimento de gás e eletricidade) e 2,1% (reduzido, para medicamentos reembolsáveis, bilhetes de espetáculos e imprensa escrita).

Direitos compensatórios e anti-dumping

Os direitos compensatórios recaem sobre mercadorias que recebem subsídios no país de origem, e os direitos anti-dumping aplicam-se a mercadorias importadas a preços inferiores aos praticados no mercado doméstico exportador. Os setores mais afetados por medidas anti-dumping são ferro, aço, eletrônicos e químicos. Direitos adicionais podem incidir sobre mercadorias que requerem controle sanitário adicional, como carnes.

Sistema Geral de Preferências (SGP)

O Brasil foi excluído da lista de países beneficiários do SGP europeu pelo Regulamento da UE n° 978/2012, em vigor desde 01/01/2014 e com validade até 31/12/2023. Isso significa que os produtos brasileiros não gozam de preferências tarifárias unilaterais no mercado europeu, diferentemente de 77 países em desenvolvimento que permanecem no sistema. A redução ou eliminação de tarifas dependerá de acordos bilaterais ou multilaterais.

Acordos bilaterais Brasil-França

Os principais acordos bilaterais de caráter econômico-comercial incluem: Acordo de Cooperação Técnica e Científica (1968), Convenção para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal (1971), Acordo sobre Transporte Marítimo (1979), Acordo no Campo da Propriedade Industrial (1983) e a Parceria Estratégica (2012). O Fórum Econômico Brasil-França, lançado em 2013, tem como objetivo fortalecer a cooperação para aumentar o volume de intercâmbio comercial e dos investimentos recíprocos.

Regimes especiais

A França oferece vários regimes especiais de liberação alfandegária, incluindo armazém alfandegário (estocagem sem recolhimento de impostos), aperfeiçoamento ativo/drawback (importação para transformação e reexportação), aperfeiçoamento passivo (exportação temporária para processamento) e importação temporária (para feiras, testes e amostras). Esses regimes podem representar oportunidades para exportadores brasileiros que utilizem a França como plataforma para o mercado europeu.

Contatos e Entidades de Apoio

Para apoiar exportadores brasileiros que desejam atuar no mercado francês, existe uma rede de entidades oficiais, câmaras de comércio, associações de classe e empresas de serviços especializados que oferecem informações, assessoria e conexões com potenciais parceiros comerciais.

Órgãos oficiais brasileiros na França

A Embaixada do Brasil em Paris conta com o Setor de Promoção Comercial (SECOM), localizada na 34 Cour Albert 1er, 75008 Paris, telefone (+33)1 4561 6380, e-mail secom.paris@itamaraty.gov.br. O Consulado-Geral do Brasil em Paris está na 65 Avenue Franklin Delano Roosevelt, 75008 Paris. O Invest & Export Brasil, portal do Ministério das Relações Exteriores (www.investexportbrasil.gov.br), oferece informações sobre mercados e oportunidades de exportação.

Câmaras de Comércio

A CCI Paris Ile-de-France (www.cci-paris-idf.fr) e a CCI FRANCE (www.cci.fr) são as principais câmaras de comércio francesas. A Câmara do Comércio França-Brasil (CCIFB) está presente no Brasil, telefone (+55) 11 3060-2290, e-mail ccfbsp@ccfb.com.br. A CCBF - Chambre de Commerce du Brésil en France (www.ccbf.fr) representa os interesses das empresas brasileiras na França.

Entidades de classe e federações

O MEDEF (Mouvement des Entreprises de France, www.medef.com) é a principal organização empresarial francesa. Entre as federações de destaque estão: FCD (Federação do Comércio e da Distribuição), ANIA (Associação Nacional das Indústrias Alimentícias), GIFAS (Grupamento das Indústrias Francesas Aeronáuticas e Espaciais), FEBEA (Federação das Empresas de Produtos de Beleza) e UIMM (União das Indústrias e Profissões Metalúrgicas).

Empresas de apoio comercial

A Business France (www.businessfrance.fr) é o organismo público de apoio ao desenvolvimento internacional das empresas francesas e dos investidores estrangeiros. A COFACE (Compagnie Française d'Assurance pour le Commerce Extérieur, www.coface.fr) oferece seguros de crédito à exportação. Para estudos de mercado, empresas como Xerfi, Les Echos Etudes e TNS Sofres disponibilizam pesquisas e análises do mercado francês.

Empresas de transporte e logística

Entre as empresas de transporte com atuação no eixo Brasil-França destacam-se DB Schenker France (www.dbschenker-france.fr), Transports Gondrand Frères (www.gondrand.com) e Stellair Cargo (www.stellaircargo.com). Para controle e inspeção de embarques, estão disponíveis Bureau Veritas, Cotecna, Intertek e SGS. A Direction Générale des Douanes et Droits Indirects (www.douane.gouv.fr) é a autoridade aduaneira francesa.

Fontes de informações úteis

O portal EUR-Lex (eur-lex.europa.eu) contém legislação europeia, incluindo regulamentos de rotulagem e aduane. O sítio www.entreprises.gouv.fr/libre-circulation-marchandises/marquage-CE informa sobre obrigatoriedade da marcação CE. A TARIC pode ser consultada em ec.europa.eu/taxation_customs/dds2/taric. As principais feiras francesas podem ser consultadas em www.tradefairdates.com, e a Gira Foodservice (www.girafoodservice.com) publica anuário completo do circuito CHR.

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