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Guia por País

Guia de Exportação para Coreia do Sul

Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para Coreia do Sul.

-0.0% em 2025-07
#15 parceiro comercial
10 principais produtos
US$ 2.9 Bi em 12 meses
Cidade BRCidade T1Cidade T2Cidade T3Porto BRPorto Destino
Marítima

Export. 2025-07

US$ 2.9 Bi

-0.0% vs período anterior

Cresc. 3 anos

+0.0%

CAGR 2022-2025

Produtos

10

Principais NCMs

Ranking

#15

Maior parceiro

Evolução das Exportações (US$ bilhões)

2.2B
2020
2.5B
2021
3.0B
2022
2.8B
2023
3.0B
2024
2.8B
2025
2.9B
2026

Principais Produtos (2025-07)

Óleos brutos de petróleo

US$ 801.9 Mi

Minérios de ferro pelotizados ou sinterizados

US$ 270.6 Mi

Tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja, inclusive cascas, palhas

US$ 242.5 Mi

Carnes e miudezas de aves, frescas ou refrigeradas

US$ 240.1 Mi

Minérios de ferro pelotizados ou sinterizados

US$ 174.8 Mi

Cápsulas de café, inclusive aromatizado (mesmo descafeinado)

US$ 172.9 Mi

Pastas químicas de madeira, à soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolução

US$ 137.6 Mi

Ferrossilício

US$ 134.3 Mi

2026 (US$ Bi)

Jan

Jan-Jun · parcial

Comparativo de Portos

🇧🇷Porto de Santos

US$ 1.5 Bi

🇧🇷Porto de Paranaguá

US$ 870.3 Mi

Guia Completo para Exportar para Coreia do Sul

Oportunidades Setoriais

A Coreia do Sul é a 13ª maior economia do mundo e um dos mercados mais dinâmicos da Ásia, com comércio internacional representando mais de 80% do PIB. A pauta de importação coreana é diversificada e volumosa, totalizando USD 731,4 bilhões em 2022. A relação comercial entre Brasil e Coreia é historicamente complementar — o Brasil exporta recursos naturais e produtos agroindustriais, enquanto a Coreia exporta produtos de tecnologia —, o que abre espaço significativo para exportadores brasileiros em diversos setores.

Petróleo e combustíveis

O petróleo bruto é o principal produto importado pela Coreia do Sul do Brasil, com exportações que triplicaram entre 2017 e 2021. As importações coreanas de petróleo do mundo totalizaram USD 67 bilhões em 2021. O Brasil é um fornecedor relevante nesse segmento, posicionado em fase de consolidação no mercado sul-coreano. Com a dependência coreana por energia e a busca por diversificação de fornecedores, há oportunidades para expandir as vendas de petróleo e derivados.

Produtos agroindustriais

O agronegócio representa pouco mais da metade das exportações brasileiras para a Coreia. Os principais produtos incluem soja e derivados (óleo de soja, tortas de soja), milho, café, carne de frango e carne suína. O Brasil é o maior fornecedor coreano de café, com crescimento das exportações na ordem de quatro vezes ao longo de duas décadas. A Coreia adotou quotas de importação com tarifa zero para diversos produtos alimentícios, como soja, milho, café verde, carne de frango e porco, visando conter a inflação doméstica. Essas quotas representam oportunidades concretas para ampliar a presença brasileira.

Minerais e metais

Menos de 1% da demanda mineral coreana é atendida por produção doméstica. O Brasil é o segundo maior fornecedor de minério de ferro para a Coreia, atrás apenas da Austrália. Outros minerais com potencial incluem cobre, prata e ferrosilício. As importações coreanas de produtos minerais atingiram USD 30,6 bilhões em 2021, e o Brasil respondeu por 5,2% desse total. Há potencial para expandir as vendas e atrair investimentos coreanos em projetos de beneficiamento mineral no Brasil.

Biocombustíveis e hidrogênio

A Coreia planeja expandir a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 3,5% para 5-8% até 2030 e implementar uso obrigatório de biocombustíveis no transporte marítimo (2025) e na aviação (2026). Isso cria oportunidades para exportadores brasileiros de matérias-primas como soja para produção de biodiesel. No setor de hidrogênio, a Coreia pretende produzir 27,9 milhões de toneladas até 2050, com mais de 80% do fornecimento previsto para ser importado, abrindo espaço para cooperação brasileira.

Entendendo o Consumidor Sul-Coreano

A Coreia do Sul conta com aproximadamente 51,7 milhões de habitantes, dos quais 91,4% vivem em áreas urbanas. Seul, a capital, concentra cerca de 18,3% da população (9,4 milhões), e a Região da Capital (Seul, Incheon e Gyeonggi-do) abriga mais de 50% do total. Com um PIB per capita de USD 32.237, o consumidor sul-coreano possui poder aquisitivo elevado e hábitos de consumo sofisticados.

Urbanização e concentração

A altíssima taxa de urbanização cria um mercado massivo em áreas geográficas concentradas, facilitando a distribuição e o acesso a diferentes regiões. Busan (3,3 milhões), Incheon (2,9 milhões), Daegu (2,4 milhões) e Daejeon (1,5 milhão) complementam a demanda da Região da Capital. A infraestrutura de transporte avançada, com trens de alta velocidade (KTX) e metrôs nas principais cidades, conecta rapidamente os centros de consumo.

Consumo e poder aquisitivo

A renda média anual das famílias coreanas atingiu USD 44.940 em 2022, com despesas médias mensais de consumo de USD 2.043. Os maiores gastos são com hotéis e restaurantes (15%), alimentos e bebidas não alcoólicas (14,8%), transporte (12%) e habitação (11,5%). Os coreanos não são necessariamente leais a marcas, mas utilizam o consumo como forma de expressar imagem e status, com preferência por produtos com logotipos visíveis de marcas renomadas.

Comércio eletrônico e digital

A Coreia do Sul possui a melhor infraestrutura digital do mundo, com quase 100% dos domicílios conectados à internet e mais de 93,4% da população com smartphone. Cerca de 90% dos coreanos utilizam plataformas de comércio eletrônico, e as compras online representam 27,5% do total de vendas no varejo. As redes sociais e influenciadores digitais desempenham papel significativo no processo de decisão de compra, com plataformas como Coupang, Naver Shopping e Gmarket liderando o mercado online.

Tendências de consumo

Observa-se uma ocidentalização na dieta sul-coreana, com aumento do consumo per capita de proteína animal (58,4 kg em 2022) e queda no consumo de grãos (135,3 kg). As importações de café saltaram de 80,2 mil toneladas em 2002 para 205 mil toneladas em 2022. Grandes redes de supermercados estão se adaptando, adotando formatos de lojas de conveniência e investindo em comércio online. Lojas de saúde e beleza (Olive Young, LOHB) e lojas de conveniência (CU, GS25, 7-Eleven) ganham popularidade.

Acesso ao Mercado e Canais

A Coreia do Sul é signatária de 21 acordos de livre comércio bilaterais e regionais que abrangem 59 países, incluindo grandes economias como China, EUA e União Europeia. A política comercial do país tem como bases a abertura de mercado, desregulamentação e livre comércio. Para o Brasil, ainda não há um ALC firmado, mas existem preferências tarifárias por meio do SGPC e do TNDC.

Sistema tarifário

O Serviço Aduaneiro da Coreia (KCS) gerencia os impostos aduaneiros e internos. As tarifas são classificadas em nacionais (básicas e provisórias) e convencionais (preferenciais de ALCs, SGPC, TNDC). A maioria dos produtos é tributada por tarifa ad valorem (percentual sobre o valor CIF). Produtos sensíveis, como arroz, ginseng e alguns grãos, possuem tarifas elevadas para proteção doméstica. O Brasil se beneficia de tarifas preferenciais do SGPC e TNDC para produtos específicos como açafrão, óleo de coco, açúcar de cana, látex, cobre e bombas.

Portos e aeroportos autorizados

Navios e aeronaves de comércio internacional apenas podem acessar portos e aeroportos designados pela legislação aduaneira — atualmente 25 portos e 8 aeroportos. Os principais são o Porto de Busan (maior em exportações), Porto de Incheon (maior em importações) e Aeroporto Internacional de Incheon (99,3% do comércio aéreo). Outros portos relevantes incluem Pyeongtaek, Ulsan, Yeosu e Daesan.

Compras governamentais

O Serviço de Compras Públicas (PPS) gerencia as aquisições governamentais por meio do sistema eletrônico KONEPS. Em 2022, o valor total das compras foi de USD 31,6 bilhões. Empresas estrangeiras podem participar de licitações, que são realizadas integralmente online. As propostas devem ser elaboradas em inglês e apresentadas conforme os prazos estipulados no Convite de Licitação (IFB). A Coreia segue procedimentos não discriminatórios, conforme o Acordo sobre Compras Governamentais da OMC.

Regimes aduaneiros especiais

A Coreia oferece diversos regimes para facilitar as operações de comércio exterior: admissão temporária (carnê ATA para amostras e feiras), trânsito aduaneiro (transporte controlado com suspensão de impostos), Zonas de Livre Comércio (15 zonas com redução ou isenção de impostos), drawback, isenção para reexportação e o programa de Operador Econômico Autorizado (OEA). Esses regimes são particularmente úteis para importadores temporários e participantes de feiras.

Modelos de Entrada

Os exportadores brasileiros dispõem de diversas opções para atuar no mercado sul-coreano, desde a exportação direta até o estabelecimento de subsidiárias. A escolha do modelo adequado depende do tipo de produto, do volume de vendas esperado, dos recursos disponíveis e da estratégia de longo prazo. É essencial compreender as normas culturais e práticas comerciais coreanas, que enfatizam a modéstia e relacionamentos baseados em valores confucianos.

Exportação direta e atacadistas

Para matérias-primas, é comum a importação direta, podendo ser necessário contar com agentes ou empresas de distribuição. O setor atacadista cumpre papel fundamental na aquisição de produtos em grandes quantidades, que são posteriormente fornecidos a varejistas. Os principais atacadistas coreanos incluem conglomerados que lidam com produtos gerais, especializados e importados. A distribuição direta, na qual os fabricantes vendem diretamente aos atacadistas, é amplamente praticada.

Agentes e representantes de vendas

As empresas coreanas costumam utilizar agentes de vendas para comercialização dos produtos, responsáveis por prospectar clientes, prestar informações sobre as mercadorias e fechar negócios. É crucial selecionar agente local confiável e com reputação ilibada. Representantes de vendas costumam exigir acordos de exclusividade, o que implica benefícios como aumento do volume de vendas, mas também pode limitar opções e reduzir flexibilidade. Caso o agente contribua significativamente para o aumento das transações, poderá reivindicar compensação financeira após o término do contrato.

Subsidiárias e franquias

Para presença duradoura, as empresas podem estabelecer representações comerciais, subsidiárias ou franquias. A subsidiária requer autorização da KOTRA e notificação à Invest Korea. Os dois tipos mais comuns são sociedades anônimas (com ações negociáveis) e sociedades de responsabilidade limitada. Para franquias, a Lei de Transações Justas regula a relação entre franqueadores e franqueados, com registro obrigatório na KFTC (Comissão de Comércio Justo).

Joint ventures

A formação de joint ventures entre empresas estrangeiras e coreanas é prática comum. O processo é semelhante à conformação de uma corporação convencional, com partenariado entre entidades independentes para aproveitar sinergias. Um acordo deve incluir montante de capital, composição do Conselho de Administração, restrições de transferência de ações e cláusulas de não-concorrência. Há restrições em setores como administração pública, defesa nacional, geração de energia e transporte aéreo.

Escritórios de representação

Escritórios de representação comercial (ou "escritórios de ligação") são uma opção para manter presença próxima aos consumidores a custo baixo. Realizam pesquisa de mercado e contatos com clientes, mas não podem conduzir vendas diretas, assinar contratos ou emitir faturas. São isentos de registro contábeis e pagamento de impostos corporativos, mas estão sujeitos à Lei de Transações Cambiais.

Documentação e Certificações

A documentação para exportação ao Brasil e importação na Coreia do Sul segue procedimentos rigorosos e bem definidos. No Brasil, o desembaraço é realizado exclusivamente por meio do Portal SISCOMEX. Na Coreia, o processamento é feito pelo sistema eletrônico UNIPASS, do KCS. A atenção aos requisitos documentais é fundamental para evitar atrasos e custos adicionais.

Documentos no Brasil (desembaraço de exportação)

  • Inscrição no REI: Registro de Exportadores e Importadores na SECEX.
  • Fatura Pro Forma e contrato: documentos que formalizam a operação comercial.
  • Registro de Exportação no SISCOMEX: inclui Registro de Operações de Crédito (RC), Registro de Vendas (RV) e Solicitação de Despacho (SD).
  • Conhecimento de Embarque (B/L) ou AWB: documentos de transporte marítimo ou aéreo.
  • Certificado de Origem: necessário para produtos negociados no âmbito do SGPC e TNDC.
  • Certificado ou Apólice de Seguro: cobertura de seguro de carga, sendo o ICC(A) o termo mais utilizado.

Documentos na Coreia (desembaraço de importação)

  • Declaração de Importação: preenchida pelo importador no sistema UNIPASS, acompanhada de documentação pertinente.
  • Fatura e relatório de declaração de preço: com Romaneio de Carga, quando necessário.
  • Cópia do B/L ou AWB: comprovante de transporte.
  • Certificado de Origem: apenas quando solicitado para determinados bens.
  • Aprovação de alíquota fiscal: para aplicação de tarifa preferencial de algum acordo específico.

Rotulagem e embalagem

Alimentos enlatados ou empacotados devem possuir etiquetas em coreano (ou inglês em alguns casos) com informações sobre peso líquido, principais ingredientes, data de fabricação, prazo de validade e dados do produtor e importador. Para produtos com alto teor de açúcares, sal, gorduras saturadas e calorias, a legislação coreana exige rotulagem específica com advertências.

Propriedade intelectual

O registro de marcas e patentes é realizado junto ao Escritório de Propriedade Intelectual da Coreia (KIPO), vinculado ao MOTIE. A proteção de propriedade intelectual é um aspecto importante a considerar, especialmente ao compartilhar informações durante negociações. É recomendável registrar marcas e patentes previamente à entrada no mercado.

Logística e Transporte

O transporte internacional de cargas na Coreia do Sul é limitado aos modais marítimo e aéreo, devido à localização peninsular do país e à fronteira terrestre inacessível com a Coreia do Norte. O transporte marítimo responde por cerca de 70% do valor das cargas de comércio exterior, enquanto o aéreo corresponde a aproximadamente 30%. A infraestrutura portuária e aeroportuária coreana é de altíssimo padrão tecnológico.

Portos marítimos

A Coreia possui 25 portos autorizados para comércio internacional, sendo os principais: Busan (maior em valor exportado, 33,5% do total), Incheon (maior em valor importado, 17,7%), Pyeongtaek (9,9% nas importações), Ulsan (6,9% nas importações), Yeosu (5,9%) e Daesan (4,4%). O Porto de Busan é o sétimo do mundo em movimentação de contêineres, com 22,1 milhões de TEUs em 2022. O Novo Porto de Busan e o Porto de Gwangyang também são relevantes.

Aeroportos

A Coreia possui nove aeroportos internacionais e sete domésticos. O Aeroporto Internacional de Incheon é o principal hub, movimentando 99,3% do comércio aéreo do país. As principais companhias são Korean Air e Asiana Airlines, que operam voos domésticos e internacionais. Projetos de novos aeroportos estão em curso, como o Aeroporto Internacional de Saemangeum e o Novo Aeroporto de Busan Gadeok-do (previsão 2029).

Transporte doméstico de cargas

O modal rodoviário representa a maior parcela na movimentação doméstica (92,8% em 2020), com 104.828 km de extensão. A malha rodoviária é administrada pela Companhia de Rodovias da Coreia (KEC) e por pedágios privados. O transporte ferroviário, operado pela KORAIL, inclui o sistema de alta velocidade KTX e o trem SRT. O metrô é amplamente utilizado em Seul, Busan, Incheon, Daegu, Daejeon e Gwangju.

Empresas de logística

As principais empresas de encaminhamento de frete incluem CJ Logistics, LX Pantos, Lotte Global Logistics, DHL Korea e Taewoong Logistics. Para o transporte aéreo do Brasil para a Coreia, os exportadores preferem estabelecer contato com empresas de encaminhamento de frete em vez de diretamente com as companhias aéreas, devido às facilidades oferecidas no gerenciamento do processo completo de transporte.

Conectividade Brasil-Coreia

As principais rotas marítimas conectam os portos brasileiros aos portos de Busan e Incheon, passando geralmente por escala na Ásia. Para cargas aéreas, o aeroporto de Guarulhos (SP) é o principal ponto de origem, com conexões via hubs asiáticos. O frete é influenciado pela taxa de câmbio e pelas condições do mercado internacional de navegação.

Estratégias de Distribuição

A Coreia do Sul apresenta grande diversidade de canais de distribuição, desde vendas atacadistas e varejistas tradicionais até comércio eletrônico avançado. O mercado de distribuição está em constante evolução, com tendência para um modelo mais direto que prioriza a relação custo-benefício e a eficiência. A competição em termos de preços é altamente acirrada, e a redução no número de atacadistas e predomínio de varejistas de grande porte são tendências marcantes.

Atacadistas e varejistas

O setor atacadista está subdividido entre distribuidores de produtos gerais, especializados e importados, com mais de 528 mil estabelecimentos em diversos setores. No varejo, os canais incluem mercados tradicionais, lojas de departamento, lojas de desconto (E-Mart, Homeplus), lojas de conveniência 24 horas (CU, 7-Eleven, GS25) e plataformas online. As grandes lojas de desconto e lojas em shoppings são amplamente encontradas, oferecendo experiência de compra conveniente com ampla variedade de produtos.

Comércio eletrôrico e canais online

O comércio eletrônico apresentou crescimento anual de quase 20% entre 2010 e 2020, atingindo USD 11,45 bilhões em 2020. As plataformas mais populares são Naver (17% de mercado), Grupo Shinsegae/SSG Dotcom (15%), Coupang (13%), 11st (6%) e Lotte ON (5%). O comércio móvel representa 72,4% de todas as compras online. O crescimento anual projetado para o setor é de 4%, atingindo valor estimado de USD 46,6 bilhões em 2022.

Vendas porta-a-porta (Home Shopping)

As vendas por Home Shopping são um canal popular na Coreia do Sul, com destaque para Hyundai Home Shopping e Lotte Home Shopping. Esse formato permite a comercialização de produtos variados diretamente ao consumidor por meio de transmissões televisivas e plataformas digitais, sendo particularmente eficaz para produtos de consumo que se beneficiam de demonstrações ao vivo.

Canais recomendados para brasileiros

Para matérias-primas, recomenda-se importação direta com apoio de agentes. Para alimentos, são viáveis parcerias com plataformas de comércio eletrônico ou lojas especializadas. Para bens de consumo, o canal mais comum é a venda em varejistas e supermercados. Para bens de capital, é necessária colaboração com distribuidores ou agentes locais capazes de fornecer suporte técnico e pós-venda. A participação em feiras de negócios e delegações comerciais constitui estratégia efetiva para estabelecer contatos.

Cultura de Negócios e Etiqueta

A cultura de negócios sul-coreana é fortemente influenciada por valores confucianos que enfatizam hierarquia, respeito aos mais velhos, modéstia e a construção de relacionamentos duradouros. A modéstia é valorizada em detrimento da autopromoção, e demonstrar respeito por meio de expressões de saudação e gratidão — inclusive em coreano — pode conquistar potenciais parceiros de negócios.

Relacionamentos pessoais e hierarquia

Os coreanos valorizam vínculos duradouros nos negócios. A confiança mútua e o contato pessoal são fundamentais para o sucesso comercial. Reuniões presenciais ou conferências telefônicas são muito valorizadas. A construção de relacionamentos sólidos é vital para manter a estabilidade das vendas, e o estilo de negociação mais difícil não significa necessariamente más intenções. Não se deve levar divergências para o lado pessoal.

Idioma e comunicação

Apesar do ensino de inglês ser comum nas escolas, a proficiência da maioria dos coreanos deixa a desejar, e os importadores podem preferir conduzir reuniões em coreano, demandando contratação de intérprete. É recomendável redigir correspondências e traduzir documentos para o idioma local, e resumir discussões em e-mail nas línguas de trabalho para evitar mal-entendidos. O KakaoTalk é o principal aplicativo de mensagens entre coreanos.

Cartões de visita e pontualidade

Os cartões de visita são mandatórios e tratados com cuidado. É recomendável ter quantidade suficiente e verificar que estejam em perfeitas condições. Ao receber um cartão, é educado olhá-lo rapidamente antes de guardá-lo. A pontualidade é essencial — recomenda-se chegar 10 a 20 minutos antes do horário agendado. Trajes formais são apropriados, e o cumprimento deve ser feito com pequena reverência ou aperto de mão, mantendo contato visual.

Presentes e refeições

A troca de presentes é bastante comum para construir relacionamentos empresariais. Na cultura local, espera-se que o destinatário retribua com presente de valor similar. É indelicado presentear com algo de valor que o presenteado possa não ter condições de retribuir. Convites para jantares após o expediente são comuns, sendo costume reabastecer as bebidas dos outros. Ao beber com alguém mais velho, é costume virar o rosto para longe durante o brinde.

O que evitar

  • Tinta vermelha: a tinta vermelha é utilizada para escrever nomes de falecidos. Assinar com essa cor é considerado má sorte.
  • Advogado durante reuniões: envolver profissional jurídico durante negociações pode ser interpretado como sinal de desconfiança. Consultar advogado após a reunião.
  • Impaciência: os coreanos são policrônicos, abordando múltiplos tópicos simultaneamente. Interromper reuniões e revisitar assuntos são comportamentos comuns.
  • Discussões comerciais em contextos sociais: evitar chamar atenção desnecessária durante almoços e jantares de negócios.

Feriados e planejamento

Ao planejar viagens de negócios, é importante considerar feriados públicos como o Seollal (ano novo lunar) e o Chuseok (Dia de Ação de Graças coreano), períodos em que grande parte dos coreanos viaja e as empresas não funcionam. É necessário solicitar a Autorização Eletrônica de Viagem (K-ETA) previamente, com taxa de KRW 10.000, válida por dois anos para viagens múltiplas.

Tributação e Tarifas

O sistema tributário sul-coreano para importações é regido pela Lei Aduaneira, pela Lei de Comércio Exterior e pela Lei de Transações Cambiais. O KCS (Serviço Aduaneiro da Coreia) é o órgão responsável pela arrecadação e supervisão. As tarifas são determinadas de acordo com o preço ou a quantidade das mercadorias, e o Brasil se beneficia de preferências tarifárias no âmbito do SGPC e do TNDC.

Estrutura tarifária

As tarifas são classificadas em nacionais (básicas e provisórias) e convencionais (preferenciais). A tarifa básica é a alíquota fundamental, enquanto a provisória é imposta em casos específicos. Entre as convencionais destacam-se a tarifa convencional da OMC, o SGPC (para 43 países em desenvolvimento, incluindo o Brasil), o TNDC (para 12 países) e as preferências de ALCs. O Brasil não é signatário de ALC com a Coreia, mas tem acesso às preferências do SGPC e TNDC para produtos específicos.

Produtos com preferência tarifária para o Brasil

No âmbito do SGPC, produtos como açafrão (7,2%), óleo de coco bruto (2,7%), açúcar de cana (2,7%), manteiga de cacau (4,5%), amônia anidra (1,8%), cloreto de polivinila (7,2%), látex de borracha (10%) e cobre refinado (4,5%) possuem tarifas reduzidas. No TNDC, destacam-se tabaco (18%), cimento (4,5-9,9%), medicamentos com penicilinas (9,9%) e móveis de rattan (9,9%). Para se beneficiar, é necessário verificar se os produtos estão enquadrados nas listas e se há necessidade de Certificado de Origem.

Tarifas variáveis e medidas de defesa comercial

Além das tarifas nacionais e convencionais, a Coreia aplica tarifas antidumping, compensatórias, retaliatórias, emergenciais, de reajuste e sazonal. As tarifas antidumping incidem sobre produtos com preços abaixo do valor de mercado interno, causando prejuízos às indústrias locais. Atualmente, o Brasil não possui produtos em nenhuma lista antidumping sul-coreana. Tarifas de reajuste foram implementadas em 14 tipos de produtos em 2023, incluindo pasta de pimenta vermelha, temperos mistos e arenque congelado.

IVA e impostos internos

O IVA coreano é de 10%, aplicado sobre o valor aduaneiro acrescido dos direitos alfandegários. Para produtos específicos, incidem impostos adicionais: Imposto sobre Consumo Individual (para artigos de luxo), Imposto sobre Bebidas Alcoólicas (para bebidas) e Imposto sobre Comunicações (para serviços de telecomunicações). Para bebidas alcoólicas ou artigos de luxo, alguns impostos internos aumentam o ônus tributário, podendo resultar em perda de competitividade. A venda para operadores de lojas duty-free pode isentar direitos aduaneiros e impostos internos.

Regimes cambiais

A Coreia adota regime de câmbio livre. Para transações de importação/exportação iguais ou superiores a USD 5 milhões em ano calendário, há necessidade de informação ao Banco da Coreia (BOK). A taxa de câmbio para fins fiscais é anunciada semanalmente pelo KCS. O dólar americano corresponde a mais de 80% das importações no país.

Contatos e Entidades de Apoio

O exportador brasileiro conta com uma rede de instituições, no Brasil e na Coreia do Sul, para apoiar a entrada e a expansão no mercado coreano. Não existem Câmaras de Comércio brasileiras estabelecidas na Coreia do Sul, mas diversas entidades oferecem suporte. As informações abaixo são referência do guia oficial do MRE — confirme sempre os canais atualizados nos sites oficiais antes de contatar.

Instituições brasileiras na Coreia do Sul

  • Embaixada do Brasil em Seul — SECOM: Cheongwadae-ro, Jongno-gu, Seul 73 — E-mail: secom.seul@itamaraty.gov.br — Site: https://www.gov.br/mre/pt-br/embaixada-seul — principal apoio a empresas brasileiras, oferecendo consultas sobre comércio, contatos com importadores, apoio a feiras e seminários.
  • ApexBrasil: Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos — Tel: +55-61-2027-0202 — E-mail: investinbrasil@apexbrasil.com.br — Site: https://apexbrasil.com.br/br/pt.html.
  • Departamento de Promoção Comercial e Investimentos (DPR): Esplanada dos Ministérios, Bloco H, Anexo I, sala 514, Brasília-DF — Tel: +55-61-2030-9724 — E-mail: dpr@itamaraty.gov.br.

Agências e órgãos governamentais coreanos

  • KOTRA (Agência de Promoção Comercial e Investimento): 13, Heolleung-ro, Seocho-gu, Seul — Tel: +82-1600-7119 — Site: https://www.kotra.or.kr/english/index.do — mantém 128 filiais no mundo, incluindo uma em São Paulo.
  • Invest Korea: vinculada à KOTRA, promove investimentos estrangeiros — Site: https://www.investkorea.org/.
  • KITA (Associação Internacional de Comércio): mais de 70 mil empresas associadas — Site: http://kita.org — fornece informações e pesquisas comerciais.
  • KOIMA (Associação de Importadores): mais de 8 mil empresas comerciais — Site: https://koima.or.kr/ — organiza a Feira de Importação da Coreia (KIF).
  • KCCI (Câmara de Comércio e Indústria): 39, Sejongdaero, Jung-gu, Seul — Tel: +82-2-6050-3543 — E-mail: international@korcham.net — composta por 71 câmaras regionais.

Entidades de apoio no Brasil

  • Embaixada da Coreia do Sul no Brasil: SEN Lote 14, Asa Norte, Brasília-DF — Tel: +55-61-3321-2500 — Site: https://overseas.mofa.go.kr/br-pt/index.do.
  • Consulado Geral da Coreia em São Paulo: Av. Paulista, 37, 8º andar — Tel: +51-11-3141-1278.
  • KOTRA em São Paulo: Al. Santos, 700, 8º andar, Ed. Trianon Corporate — Tel: +55-11-3175-3030.
  • Banco KDB no Brasil: Av. Brigadeiro Faria Lima, 3400, 15º andar, São Paulo — Tel: +55-11-2138-0000.

Órgãos de regulação e aduana

  • KCS (Serviço Aduaneiro): sistema UNIPASS para consultas tarifárias — https://unipass.customs.go.kr/clip/index.do.
  • PPS (Serviço de Compras Públicas): sistema KONEPS para licitações — https://www.g2b.go.kr/index.jsp.
  • KCAB (Conselho de Arbitragem Comercial): 43F Trade Tower, Gangnam-gu, Seul — E-mail: international@kcab.or.kr — fornece diretrizes para contratos internacionais.

Empresas brasileiras com presença na Coreia

  • Kodo International Co., Ltd.: Rm. 604-1, Gayang Techno Town, Gangseo-gu, Seul — Tel: +82-2-2659-3901.
  • Silimed Korea Co., Ltd.: 28, Saemunan-ro 5ga-gil, Jongno-gu, Seul — Tel: +82-02-723-7773 — E-mail: contact@silimedkorea.com.

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