Guia de Exportação para Argentina
Dados de mercado, logística, tributação, certificações e oportunidades comerciais para exportar para Argentina.
Export. 2025-07
US$ 8.8 Bi
+0.0% vs período anterior
Cresc. 3 anos
+0.0%
CAGR 2022-2025
Produtos
10
Principais NCMs
Ranking
#3
Maior parceiro
Evolução das Exportações (US$ bilhões)
Principais Produtos (2025-07)
Veículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos
US$ 637.2 MiVeículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos
US$ 395.5 MiVeículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos
US$ 317.8 MiVeículos para transporte especializado (ambulâncias, carros funerários, veículos
US$ 284.6 MiMotocultivadores e tratores agrícolas de rodas; exceto tratores rodoviários para
US$ 243.2 MiDumpers para utilização fora-de-estrada
US$ 222.7 MiMinérios de ferro pelotizados ou sinterizados
US$ 138.6 MiEnergia elétrica
US$ 133.2 Mi2026 (US$ Bi)
Jan-Jun · parcial
Comparativo de Portos
🇧🇷Porto de Santos
US$ 4.4 Bi🇧🇷Porto de Paranaguá
US$ 2.6 BiGuia Completo para Exportar para Argentina
Oportunidades Setoriais
A Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul e o segundo maior destino das exportações brasileiras no mundo, condição reforçada pela integração no Mercosul. A economia argentina é fortemente industrializada na região metropolitana de Buenos Aires e diversificada no interior, com grande produção agropecuária na região pampeana e energética na Patagônia e em Vaca Muerta. Esse perfil cria espaço para uma pauta exportadora brasileira ampla, que vai de automóveis e autopeças a alimentos processados e serviços.
Indústria automotiva e autopeças
O setor automotivo é uma das espinhas dorsais do comércio bilateral, com intensa complementaridade produtiva entre as montadoras e a cadeia de fornecedores dos dois países. Os automóveis de passageiros figuram historicamente entre os principais produtos da pauta de exportações brasileiras para a Argentina, seguidos de autopeças e veículos comerciais leves, sustentados pela integração das cadeias produtivas e por acordos setoriais no âmbito do Mercosul.
Agroindústria e alimentos processados
Embora a Argentina seja grande produtora agropecuária, há espaço para exportações brasileiras de produtos processados e com maior valor agregado, como preparações alimentícias, óleos, bebidas e ingredientes para a indústria. A proximidade geográfica e a integração logística facilitam a entrada de itens que complementam a oferta local, especialmente em segmentos em que o Brasil possui escala e competitividade reconhecidas.
Máquinas, equipamentos e bens de capital
As compras argentinas de bens de capital e insumos industriais brasileiros são impulsionadas pela necessidade de modernização do parque produtivo local. Maquinário agrícola, equipamentos para os setores de energia e mineração e componentes industriais representam oportunidades recorrentes. Feiras setoriais e missões promovidas pela Apex-Brasil e pelas entidades de classe ajudam a identificar e capturar essas demandas.
Energia e infraestrutura
O desenvolvimento de projetos energéticos — sobretudo ligados a hidrocarbonetos não convencionais, gás e fontes renováveis — abre oportunidades para fornecedores brasileiros de equipamentos, serviços de engenharia e tecnologia. Os investimentos em infraestrutura em geral também geram demanda por materiais de construção e serviços especializados de empresas brasileiras com atuação regional.
Serviços e tecnologia
Cresce a presença de empresas brasileiras de TI, construção civil e serviços financeiros na Argentina, refletindo a integração econômica e a complementaridade dos mercados. Startups de tecnologia, fintechs e empresas de serviços de engenharia encontram oportunidades em um mercado sofisticado e conectado, com forte utilização de meios digitais de pagamento e comércio eletrônico.
Entendendo o Consumidor Argentino
O consumidor argentino é sofisticado, urbano e culturalmente próximo do brasileiro, o que reduz barreiras de comunicação e facilita a adaptação de produtos e estratégias de marketing. A população concentra-se em grandes centros urbanos, com a região metropolitana de Buenos Aires abrigando parcela expressiva dos habitantes e do poder de compra. Esse perfil torna o mercado altamente receptivo a marcas e produtos brasileiros em categorias como alimentos, bebidas, moda e eletrônicos.
Compras online em expansão
Estudos do comércio eletrônico argentino (como os divulgados pela CACE — Camera Argentina de Comércio Eletrônico) indicam que nove em cada dez argentinos já realizaram compras online, com parcela relevante das ordens efetuada por dispositivos móveis. As categorias líderes incluem alimentos e bebidas, produtos para o lar, móveis e jardim, além de passagens e turismo, sinalizando um canal de venda direta importante para o exportador brasileiro.
Exigência de qualidade e preço
Em um cenário de instabilidade econômica, o consumidor argentino tende a ser sensível a preço, mas também valoriza qualidade, marca e procedência. A percepção favorável dos produtos brasileiros — pela proximidade e pelo histórico comercial — é um ativo, mas exige comunicação cuidadosa sobre qualidade, garantia e regularidade de fornecimento para construir confiança e fidelidade.
Comportamento de compra regional
Há diferenças relevantes entre Buenos Aires, o interior e as regiões da Patagônia e do Noroeste. O comportamento de compra varia em termos de renda, hábitos e preferências, o que recomenda ao exportador segmentar a estratégia de distribuição e comunicação por região, em vez de tratar o país como um mercado único e homogêneo.
Cultura de consumo próxima do Brasil
A semelhança de hábitos de consumo, linguagem e referências culturais entre Brasil e Argentina facilita a entrada de produtos e campanhas. Marcas que já comunicam bem no mercado brasileiro encontram menos atrito na adaptação, o que reduz custos de localização e acelera o ciclo de aceitação de novos produtos.
Acesso ao Mercado e Canais
O acesso ao mercado argentino é fortemente moldado pela pertença do país ao Mercosul, o que confere ao Brasil tratamento preferencial e um marco jurídico comum. Muitas das regras de acesso seguem as decisões do Conselho do Mercado Comum, e a Argentina aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) para a maior parte das importações de fora do bloco. O despacho aduaneiro é controlado pela AFIP e executado pela Diretoria Geral de Alfândegas (DGA), com o apoio de despachantes aduaneiros cadastrados.
Sistema informático de importação
As operações de importação argentinas tramitam por um sistema informatizado, similar ao SISCOMEX brasileiro, que estabelece o circuito administrativo e os canais de seletividade do despacho: Canal Verde (liberação direta), Canal Laranja (controle documental), Canal Vermelho (inspeção física da mercadoria) e, em certos casos, Canal Vermelho com constituição de garantia. É essencial que a documentação seja precisa, pois o canal de controle é definido automaticamente pelo sistema.
Documentação e registros
O importador argentino deve estar cadastrado junto à AFIP e cumprir registros setoriais específicos, como o Registro de Importadores de determinados produtos controlados. Exportadores precisam apresentar documentos comerciais completos (fatura, conhecimento de embarque, certificados de origem e certificações sanitárias ou fitossanitárias quando aplicável), além das declarações exigidas pelo sistema de comércio exterior.
Certificação de origem no Mercosul
Para usufruir das preferências tarifárias do Mercosul, os produtos brasileiros devem apresentar Certificado de Origem válido, emitido conforme as regras do bloco. A Portaria SECEX nº 18/2017 estabelece as condições para as entidades certificadoras de origem brasileiras, e o documento é condição indispensável para a concessão do tratamento preferencial nas importações argentinas.
Origem do produto e restrições
O tratamento preferencial depende do cumprimento estrito das regras de origem do Mercosul. Produtos com conteúdo de terceiros países podem perder a preferência, e a verificação de origem é feita pelos organismos aduaneiros. Além disso, certos produtos sujeitos a regimes especiais (vitivinícolas, armas e munições, resíduos perigosos) exigem autorizações de órgãos setoriais, como o Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) e o RENAR.
Modelos de Entrada no Mercado
Há diversas formas de atuar no mercado argentino, e a escolha depende do porte da empresa, do produto, do volume e dos objetivos de longo prazo. A proximidade geográfica e a integração no Mercosul tornam a exportação direta uma opção especialmente viável, permitindo às empresas brasileiras testar o mercado com investimento relativamente baixo antes de evoluir para estruturas mais complexas.
Exportação direta
Na exportação direta, a empresa brasileira vende diretamente ao importador argentino, ao distribuidor ou ao varejista final, mantendo maior controle sobre preço, marca e relacionamento com o cliente. É o modelo mais comum nas fases iniciais, indicado para produtos com demanda já identificada e para empresas que desejam conhecer de perto o mercado.
Agente ou distribuidor local
Muitas empresas utilizam agentes comerciais ou distribuidores argentinos, que conhecem o mercado, mantêm carteira de clientes e cuidam da venda e da distribuição local. Não existe regulamentação oficial detalhada sobre a designação de agentes comerciais, o que recomenda a formalização cuidadosa do contrato, com cláusulas de exclusividade, remuneração e resolução de conflitos claramente definidas.
Associação temporária de empresas (UTE)
A União Transitória de Empresas (UTE) é um mecanismo previsto no direito argentino que permite a associação temporária de empresas para a execução de projetos específicos, como obras e serviços. É uma alternativa relevante para empresas brasileiras de construção e engenharia que desejam atuar em consórcio com parceiros locais em grandes empreendimentos.
Escritório, subsidiária ou joint venture
Para operações de maior porte e compromisso de longo prazo, as empresas brasileiras podem abrir escritório de representação, constituir subsidiária ou formar joint venture com sócio local. Diversas companhias brasileiras dos setores industrial, agroalimentar, financeiro, de energia e de serviços já operam estruturas locais na Argentina, muitas delas há mais de duas décadas, o que demonstra a viabilidade e a consolidação desse caminho.
Documentação e Certificações
A documentação exigida para exportar à Argentina deve ser completa e impecável, pois a qualificação do despacho em um dos canais de controle aduaneiro (verde, laranja ou vermelho) é determinada automaticamente pelo sistema informático. Falhas documentais podem elevar o nível de inspeção e atrasar a liberação da mercadoria, gerando custos e retrabalho.
Documentos comerciais essenciais
- Fatura Comercial (em espanhol, com dados completos do exportador, importador e mercadoria)
- Conhecimento de embarque (marítimo, aéreo ou rodoviário conforme o modal)
- Packing list (romaneio de carga) detalhado
- Certificado de Origem do Mercosul (para usufruir das preferências tarifárias)
- Declaração de importação registrada no sistema da AFIP pelo despachante
Certificações sanitárias e fitossanitárias
Produtos de origem animal e vegetal exigem certificados sanitários e fitossanitários emitidos pelos órgãos brasileiros competentes, em conformidade com os requisitos argentinos. A habilitação de estabelecimentos e a apresentação de certificados válidos são condição para a entrada desses produtos, e a verificação é feita em pontos de controle da alfândega e de organismos técnicos locais.
Rotulagem e normas técnicas
A rotulagem deve atender às exigências argentinas, usualmente em espanhol, com informações sobre produto, ingredientes, validade e origem. Em setores regulamentados, normas técnicas e registros setoriais se aplicam: por exemplo, produtos vitivinícolas são controlados pelo Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV), e armas e munições dependem do registro no RENAR, com cadastro de importadores.
Regimes especiais
A Argentina dispõe de regimes de importação temporária — para aperfeiçoamento industrial e para participação em feiras e exposições — que podem reduzir custos. Há também regime simplificado para remessas de baixo valor e amostras, com limites de valor FOB e de quantidade de operações mensais, sujeitas a verificação obrigatória. Confirme as condições vigentes junto às autoridades aduaneiras com antecedência.
Logística e Transporte
O transporte rodoviário é o principal modal no comércio Brasil-Argentina, dado o forte intercâmbio por via terrestre entre os dois países. A extensa malha rodoviária argentina, que converge para Buenos Aires e conecta as principais regiões produtoras, permite a integração direta com os corredores rodoviários brasileiros e o escoamento de grandes volumes com prazos curtos.
Conexão rodoviária
A rede rodoviária argentina é a principal via para o transporte de cargas entre os dois países, com ligações diretas a partir do Sul do Brasil pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A fronteira terrestre entre os países é intensamente utilizada, e o transporte rodoviário é competitivo em prazo e custo para a maior parte da pauta exportadora brasileira, especialmente alimentos processados, autopeças e bens de consumo.
Hidrovias e transporte fluvial
A rede de hidrovias formada pelos rios da Prata, Paraná, Paraguai e Uruguai constitui um corredor logístico estratégico, conectando o interior da América do Sul aos portos do Rio da Prata. Essa hidrovia permite o transporte de cargas a granel e de grandes volumes com custo competitivo, complementando o modal rodoviário e ampliando as opções logísticas para o exportador brasileiro.
Portos e transporte marítimo
O comércio marítimo concentra-se nos portos do complexo do Rio da Prata, com destaque para o porto de Buenos Aires, principal porta de entrada de cargas conteinerizadas. O transporte marítimo é a alternativa para cargas de alto volume, cargas pesadas e mercadorias provenientes de outras regiões do Brasil, complementando o escoamento rodoviário para o mercado argentino.
Aeroportos e transporte aéreo
O Aeroporto Internacional de Ezeiza Ministro Pistarini, em Buenos Aires, é a principal porta de entrada aérea internacional da Argentina, com voos frequentes a partir de São Paulo e de outras capitais brasileiras. O modal aéreo é recomendado para cargas de alto valor, perecíveis, amostras e produtos com urgência logística, embora represente custo mais elevado por unidade transportada.
Tempos de despacho por modal
Os prazos de liberação aduaneira variam por modal e são definidos pela legislação: por via aquática, contam-se a partir do início da descarga; por via terrestre, até o dia seguinte à chegada do meio de transporte; e por via aérea, dentro das 24 horas seguintes à chegada. Planejar o embarque com folga nesses prazos reduz riscos de multa por atraso no despacho.
Estratégias de Distribuição
A estrutura de comercialização na Argentina organiza-se em canais de distribuição diretos e indiretos, cuja escolha depende do tipo de produto, do público-alvo e da cobertura desejada. Importadores e agentes desempenham papel central na intermediação, e a presença em feiras e missões comerciais é um dos caminhos mais eficientes para apresentar o produto a compradores locais.
Canal direto e indireto
No canal curto, o exportador vende diretamente ao usuário final, ao varejista ou a um pequeno número de compradores. No canal longo, o produto passa por importadores e distribuidores antes de chegar ao ponto de venda. Bens de consumo duráveis e alimentos frequentemente utilizam canais mais longos, com atacadistas e distribuidores cobrindo o território nacional.
Importadores e agentes de venda
Os importadores argentinos mantêm contato direto com o mercado, dispõem de catálogos, listas de preços e informações sobre novos produtos, e podem cuidar do registro, da distribuição e do relacionamento com o varejo. Trabalhar com um importador bem estabelecido reduz custos de entrada e acelera a capilaridade, especialmente em um mercado geograficamente extenso como o argentino.
Varejo e supermercados
As grandes redes de supermercados e atacadistas constituem o principal canal para produtos de consumo, especialmente alimentos e bebidas. O acesso a essas redes geralmente se dá por meio de importadores e distribuidores que detêm as negociações com o varejo. Apresentar produto, preço, logística e regularidade de fornecimento são fatores decisivos para a conquista de espaço nas prateleiras.
E-commerce como canal direto
O comércio eletrônico é um canal crescente e estratégico. Como a grande maioria dos argentinos já compra online, o exportador pode combinar a venda por intermediários com presença digital direta, utilizando marketplaces locais e redes sociais. As categorias líderes (alimentos, produtos para o lar, turismo) apontam onde o canal online pode complementar a distribuição tradicional.
Feiras e missões comerciais
A participação em feiras setoriais e missões comerciais organizadas pela Apex-Brasil e por entidades de classe brasileiras é um dos métodos mais eficazes de prospecção no mercado argentino. Levar catálogos, amostras e estar preparado para negociar em espanhol aumentam a eficácia dessas ações e aceleram o fechamento de negócios com importadores e distribuidores locais.
Cultura de Negócios e Etiqueta
A cultura de negócios argentina é calorosa, relacional e marcada pela comunicação direta e expressiva. A proximidade cultural e linguística com o Brasil facilita o relacionamento, mas há códigos próprios que o exportador deve respeitar: a construção de confiança pessoal é valorizada, e as negociações tendem a ser conduzidas com bom humor, mas também com firmeza.
Relacionamento pessoal primeiro
Os argentinos valorizam o relacionamento pessoal nos negócios. É comum dedicar tempo a conversas informais, à troca de cortesias e ao estabelecimento de confiança antes de avançar em detalhes comerciais. Visitas presenciais, frequência de contato e demonstração de compromisso de longo prazo são percebidas como sinais de seriedade e fortalecem a parceria.
Comunicação direta e expressiva
A comunicação nos negócios argentinos tende a ser direta e emocionalmente expressiva, com uso frequente de gestos, entonação e entusiasmo. Ser claro e transparente sobre objetivos, prazos e condições é bem-visto, mas deve-se evitar confrontos públicos e manter o tom respeitoso. O senso de humor é valorizado e pode facilitar a aproximação, desde que usado com bom senso.
Pontualidade e flexibilidade de horários
Embora a pontualidade seja apreciada, existe certa flexibilidade na administração do tempo, especialmente em refeições de negócios e encontros sociais. Os horários comerciais e culturais são mais tardios do que no Brasil, com almoços que se estendem e jantares tardios. Adaptar a agenda à rotina local demonstra respeito e facilita o relacionamento.
Etiqueta em reuniões e cartões
Em reuniões, o vestuário tende ao formal e elegante, especialmente em setores tradicionais. O idioma espanhol é o padrão dos negócios — ter materiais e apresentações em espanhol é essencial. Cartões de visita devem ser trocados com cortesia, e o uso de títulos e cumprimentos formais é comum no primeiro contato, sendo gradualmente relaxado com a proximidade.
Recomendações práticas
Pacientes, cordiais e bem preparados com dados de mercado, os negociadores brasileiros tendem a se adaptar bem ao ambiente argentino. Recomenda-se confirmar contratos por escrito, formalizar acordos de exclusividade e distribuição com clareza, e manter comunicação regular após as reuniões, pois a continuidade do contato é decisiva para a construção de uma relação comercial duradoura.
Tributação e Tarifas
Como membro fundador do Mercosul, a Argentina aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) às importações de países de fora do bloco, ao mesmo tempo em que concede preferências tarifárias ao Brasil. A estrutura tributária de importação inclui, além do direito de importação, o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) e antecipações de impostos locais, exigindo planejamento cuidadoso do custo total de entrada no mercado.
Direito de importação e TEC
As mercadorias originárias do Brasil ingressam na Argentina com tratamento preferencial, segundo as margens de preferência definidas no âmbito do Mercosul. Para produtos de terceiros países, aplica-se a Tarifa Externa Comum, cujas alíquotas variam conforme a posição tarifária e a sensibilidade setorial, sendo mais elevadas em setores como automotivo e eletrônicos.
Imposto sobre o Valor Agregado (IVA)
A base de tributação das importações é o valor aduaneiro da mercadoria, acrescido do direito de importação e demais encargos. Sobre essa base incide o IVA, cuja alíquota geral é de 21%, com alíquotas reduzidas para determinados bens. Certas categorias de importadores e produtos podem estar sujeitas a regimes especiais ou antecipações de IVA e de impostos sobre os ingressos brutos.
Antecipações e outros tributos
As operações de importação podem sofrer antecipações de impostos, como o adiantamento do imposto sobre os ingressos brutos do importador e outras retenções administradas pela AFIP. Esses pagamentos antecipados, que podem somar percentuais sobre o valor da operação, devem ser considerados no cálculo do custo total de importação e na estratégia de precificação do exportador.
Produtos de zonas francas e regimes especiais
O tratamento de mercadorias originárias de zonas francas é regulado por decisões do Conselho do Mercado Comum, que definem restrições e condições de ingresso. A existência de regimes de importação temporária e de regimes especiais para feiras e exposições oferece alternativas de redução de custo, mas exige o cumprimento rigoroso dos requisitos e prazos estabelecidos.
Acordos e financiamento
O Mercosul é o principal marco de integração, e o relacionamento comercial Brasil-Argentina é amparado por acordos bilaterais no âmbito do bloco. Para apoiar o exportador, o BNDES oferece linhas do programa Exim — de pré-embarque e pós-embarque, para bens e serviços — que podem financiar a produção e a comercialização externa, inclusive com financiamento ao importador argentino por meio de bancos credenciados.
Contatos e Entidades de Apoio
Diversas instituições brasileiras e argentinas apoiam o exportador na inserção no mercado argentino. Os Setores de Promoção Comercial (SECOM) das representações diplomáticas brasileiras são o primeiro ponto de contato oficial, oferecendo informações de mercado, apoio a missões e orientação sobre oportunidades. Verifique sempre os canais atualizados nos sites oficiais antes de contatar.
Representações diplomáticas e SECOM
- SECOM da Embaixada do Brasil em Buenos Aires — promoção comercial e inteligência de mercado
- Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires — apoio consular e comercial à comunidade e empresas
- Consulado-Geral do Brasil em Córdoba — atendimento e promoção comercial no interior
- Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — políticas e orientação ao exportador
ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apoia empresas brasileiras com projetos setoriais, missões comerciais, participação em feiras e inteligência de mercado, atuando de forma coordenada com os SECOMs e as entidades de classe para o mercado argentino.
Entidades de apoio no Brasil
Associações setoriais brasileiras, federações de indústria e o sistema CNC/CNI oferecem suporte a exportadores, incluindo estudos de mercado, rodadas de negócios e assessoria técnica. Participar dessas iniciativas amplia o acesso a canais e a contatos qualificados no mercado argentino.
Entidades locais argentinas
No país, entidades como a Asociación Empresaria Argentina (AEA) e as câmaras de comércio bilaterais e setoriais reúnem o empresariado local e promovem o intercâmbio com o Brasil. Consultorias locais de inteligência de mercado e de crédito (como as dedicadas à verificação de solvência de empresas) auxiliam na seleção de parceiros confiáveis e na mitigação de riscos comerciais.
Autoridades aduaneiras e fiscais argentinas
Os órgãos técnicos argentinos relevantes incluem a AFIP (Administração Federal de Ingresos Públicos), responsável pela tributação e pela coordenação aduaneira, a Diretoria Geral de Alfândegas (DGA), que executa o despacho de importação, e organismos setoriais como o Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) e o RENAR para produtos controlados. Confirme os requisitos específicos do seu produto junto a esses organismos.
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