Tributos Federais na Importação: II, IPI, PIS, COFINS ...

Guia completo dos tributos federais na importação: II, IPI, PIS e COFINS-Importação com alíquotas, bases de cálculo, regimes especiais e exemplos práticos.

Publicado em 2026-06-23 | Atualizado em 2026-06-23 | TRADEXA Blog

Tributos Federais na Importação: II, IPI, PIS, COFINS — Guia Completo

Importar mercadorias para o Brasil envolve navegar por um sistema tributário complexo, com cinco tributos federais que incidem diretamente sobre a operação. Conhecer cada um deles — Imposto de Importação (II), IPI, PIS-Importação e COFINS-Importação — é fundamental para calcular corretamente o custo final da mercadoria, evitar surpresas no desembaraço aduaneiro e garantir a competitividade do seu negócio.

Neste guia completo, vamos detalhar a base de cálculo, as alíquotas, as reduções possíveis, os regimes especiais e apresentar exemplos práticos com números reais. Ao final, você verá como a TRADEXA pode simplificar todo esse processo com sua calculadora de impostos de importação e classificação tarifária inteligente.

Imposto de Importação (II): Base de Cálculo e Estrutura de Alíquotas

O Imposto de Importação (II) é o principal tributo federal incidente na importação. Regulado pelo Decreto-Lei 37/1966 e pelo Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/2009), o II tem caráter extrafiscal — sua função não é apenas arrecadar, mas também proteger a indústria nacional contra a concorrência estrangeira.

Base de Cálculo do II

A base de cálculo do Imposto de Importação é o valor aduaneiro da mercadoria, que corresponde ao valor CIF (Cost, Insurance and Freight). O valor CIF inclui:

  • O preço da mercadoria (valor FOB)
  • O frete internacional até o porto ou aeroporto de destino no Brasil
  • O seguro internacional da carga

Fórmula do II:
II = Valor CIF × (Alíquota do II / 100)

Estrutura de Alíquotas

As alíquotas do II são definidas pela Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, variando conforme a classificação fiscal da mercadoria no NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). A estrutura atual contempla:

  • Alíquota mínima: 0% (para insumos, máquinas sem similar nacional, livros, medicamentos essenciais)
  • Alíquota máxima: 35% (para bens que competem diretamente com produção nacional consolidada)
  • Alíquota média para bens industrializados: aproximadamente 14% a 18%
  • Alíquotas intermediárias: 2%, 4%, 8%, 12%, 16%, 20%, 25%, 30%, 35%

As alíquotas variam de acordo com a sensibilidade do setor. Produtos de informática e telecomunicações, por exemplo, têm alíquotas reduzidas (12% a 16%), enquanto têxteis, calçados e autopeças costumam ter alíquotas mais elevadas (20% a 35%).

Ex-Tarifário: Redução do Imposto de Importação

O regime de ex-tarifário é um mecanismo que permite a redução temporária da alíquota do Imposto de Importação para bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicação (BIT) que não tenham produção nacional equivalente.

Como funciona:

  • O importador solicita à Camex (Câmara de Comércio Exterior) a inclusão do produto no regime
  • A alíquota do II pode ser reduzida de 14% (ou mais) para 2%
  • O benefício vale por até 2 anos, renovável
  • A lista de ex-tarifários é publicada em Resoluções da Camex

Exemplo prático: Uma máquina industrial classificada no NCM 8456.30.00 com II de 14% pode, com ex-tarifário aprovado, pagar apenas 2% de II. Sobre um valor CIF de R$ 500.000, a economia é de R$ 60.000 — diferença significativa que pode viabilizar o investimento.

Drawback: Suspensão do II

O regime de drawback (modalidade suspensão) permite importar insumos, matérias-primas e componentes com suspensão do II, IPI, PIS e COFINS, desde que a mercadoria importada seja utilizada na industrialização de produto a ser exportado. O drawback é um dos regimes aduaneiros especiais mais utilizados no Brasil e representa uma economia tributária expressiva para exportadores.

IPI na Importação: Incidência, Alíquotas e Reduções

O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um tributo federal que incide sobre produtos industrializados, incluindo mercadorias importadas. Na importação, o IPI funciona como um imposto seletivo — produtos considerados supérfluos ou que concorrem diretamente com a indústria nacional pagam alíquotas mais altas.

Base de Cálculo do IPI na Importação

Diferentemente do II, a base de cálculo do IPI na importação inclui o próprio Imposto de Importação:

Fórmula do IPI:
IPI = (Valor CIF + II) × (Alíquota do IPI / 100)

Alíquotas do IPI

As alíquotas do IPI variam amplamente conforme a classificação NCM e a essencialidade do produto:

  • Alíquotas reduzidas (0% a 5%): produtos essenciais, alimentos básicos, medicamentos, materiais de construção
  • Alíquotas médias (5% a 20%): bens de consumo em geral, eletrodomésticos, móveis, roupas
  • Alíquotas elevadas (20% a 50%): produtos supérfluos, perfumes, bebidas não alcoólicas
  • Alíquotas máximas (50% a 330%): cigarros, bebidas alcoólicas, produtos que afetam a saúde pública

Para a maioria dos bens de capital e insumos industriais, a alíquota do IPI fica entre 0% e 15%.

Redução do IPI pelo Ex-Tarifário

O ex-tarifário não reduz apenas o II — ele também pode reduzir o IPI. Pela Lei 10.865/2004 e regulamentações da Camex, quando um BK (bem de capital) é incluído no ex-tarifário, a alíquota do IPI também é reduzida a 0% na importação.

Isso significa que, para máquinas e equipamentos sem similar nacional, o importador pode pagar 0% de IPI e 2% de II, contra alíquotas normais de 10% a 15% para o IPI e 14% para o II. A economia combinada chega a mais de 25% do valor CIF.

Exemplo de redução combinada:

Situação II IPI Economia total
Sem ex-tarifário 14% 10%
Com ex-tarifário 2% 0% 22% sobre o CIF

Para uma importação de R$ 1 milhão, a economia é de R$ 220.000.

PIS-Importação e COFINS-Importação: Alíquotas e Não Cumulatividade

O PIS-Importação e a COFINS-Importação são contribuições sociais federais instituídas pela Lei 10.865/2004. Diferentemente do PIS e COFINS incidentes sobre a receita (mercado interno), as contribuições na importação têm regras próprias.

Base de Cálculo

A base de cálculo do PIS-Importação e COFINS-Importação é o valor aduaneiro acrescido do Imposto de Importação e do IPI:

Fórmula:
Base PIS/COFINS = Valor CIF + II + IPI

Alíquotas

O regime padrão para a maioria das importações é o não cumulativo, que permite ao importador apropriar créditos das contribuições:

  • PIS-Importação: 2,10%
  • COFINS-Importação: 9,65%
  • Total: 11,75% sobre a base de cálculo

Para empresas do regime cumulativo (Lucro Presumido, setores específicos como instituições financeiras), as alíquotas são:

  • PIS-Importação: 1,65%
  • COFINS-Importação: 7,60%
  • Total: 9,25% sobre a base de cálculo

Existem ainda produtos com alíquotas zero de PIS e COFINS na importação, como combustíveis, insumos para medicamentos e equipamentos para pesquisa científica.

Não Cumulatividade e Créditos

Empresas optantes pelo Lucro Real e regime não cumulativo podem apropriar créditos de PIS e COFINS sobre a importação. Esses créditos são utilizados para abater o PIS e COFINS devidos sobre a receita no mercado interno.

O que gera crédito:

  • O valor do PIS e COFINS pagos na importação
  • O valor do frete e seguro (quando pagos a pessoa jurídica domiciliada no Brasil)
  • Armazenagem, capatazia e demais despesas aduaneiras

Importante: os créditos só podem ser apropriados se a mercadoria importada for destinada à revenda, industrialização ou produção de bens/services tributados pelo PIS e COFINS no mercado interno.

Regimes Especiais na Importação: RECOF, RECAP e Drawback

Além do ex-tarifário, existem regimes aduaneiros especiais que permitem suspensão, isenção ou redução dos tributos federais na importação. Conhecer esses regimes pode representar economias substanciais.

RECOF — Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado

O RECOF permite a importação de mercadorias com suspensão do pagamento de II, IPI, PIS e COFINS. As mercadorias ficam armazenadas em entreposto industrial controlado pela Receita Federal e são nacionalizadas à medida que saem para consumo ou industrialização.

Vantagens do RECOF:

  • Suspensão total dos tributos federais na importação
  • Pagamento dos tributos apenas no momento da saída do entreposto
  • Prazo de permanência de até 5 anos, prorrogável
  • Ideal para empresas que mantêm grandes estoques de insumos importados

RECAP — Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras

O RECAP (Lei 11.196/2005) permite a suspensão do PIS-Importação, COFINS-Importação, IPI e, em alguns casos, do II, na importação de bens de capital destinados ao ativo imobilizado de empresas exportadoras.

Requisitos:

  • A empresa deve ser exportadora (com receita de exportação acima de determinado percentual)
  • O bem de capital deve ser utilizado no processo produtivo
  • A suspensão é convertida em isenção após cumpridas as condições de exportação

Drawback — Suspensão e Isenção

O Drawback é o regime aduaneiro especial mais tradicional do comércio exterior brasileiro. Ele permite:

  • Drawback Suspensão: importar insumos com suspensão de II, IPI, PIS e COFINS, desde que utilizados na industrialização de produto a ser exportado
  • Drawback Isenção: importar insumos com isenção total dos tributos para reposição de estoque, quando o exportador já cumpriu a exportação anteriormente
  • Drawback Intermediário: o benefício se estende ao fornecedor do insumo no mercado interno (não apenas ao importador direto)

Exemplo: Uma empresa que exporta móveis pode importar madeira, ferragens e colas com suspensão total de II, IPI, PIS e COFINS. Se a alíquota média desses tributos é de 25%, sobre uma importação de R$ 2 milhões a economia é de R$ 500 mil — valor que pode definir a competitividade do produto no mercado internacional.

Exemplos de Cálculo com Números Reais

Vamos consolidar tudo que vimos com exemplos práticos que mostram o cálculo de cada tributo federal passo a passo.

Exemplo 1: Importação de Máquina Industrial (sem ex-tarifário)

Dados:

  • Produto: Torno mecânico CNC (NCM 8458.11.00)
  • Valor CIF: R$ 300.000,00
  • Alíquota II: 14% (TEC padrão)
  • Alíquota IPI: 10%
  • Regime: Não cumulativo (PIS 2,1% e COFINS 9,65%)

Cálculo passo a passo:

Etapa Descrição Valor
1 Valor CIF R$ 300.000,00
2 II = R$ 300.000 × 14% R$ 42.000,00
3 IPI = (R$ 300.000 + R$ 42.000) × 10% R$ 34.200,00
4 Base PIS/COFINS = R$ 300.000 + R$ 42.000 + R$ 34.200 R$ 376.200,00
5 PIS = R$ 376.200 × 2,10% R$ 7.900,20
6 COFINS = R$ 376.200 × 9,65% R$ 36.303,30
7 Total tributos federais R$ 120.403,50
8 Custo tributário efetivo 40,13% sobre o CIF

Exemplo 2: Mesma Máquina com Ex-Tarifário

Dados alterados:

  • Alíquota II com ex-tarifário: 2%
  • Alíquota IPI com ex-tarifário: 0%

Cálculo:

Etapa Descrição Valor
1 Valor CIF R$ 300.000,00
2 II = R$ 300.000 × 2% R$ 6.000,00
3 IPI = (R$ 300.000 + R$ 6.000) × 0% R$ 0,00
4 Base PIS/COFINS = R$ 300.000 + R$ 6.000 + R$ 0 R$ 306.000,00
5 PIS = R$ 306.000 × 2,10% R$ 6.426,00
6 COFINS = R$ 306.000 × 9,65% R$ 29.529,00
7 Total tributos federais R$ 41.955,00
8 Economia com ex-tarifário R$ 78.448,50

A economia de R$ 78.448,50 representa uma redução de 65% na carga tributária federal — o que pode ser determinante para viabilizar o investimento em ativos produtivos.

Exemplo 3: Importação de Insumo com Drawback

Dados:

  • Produto: Resina plástica (NCM 3901.10.10)
  • Valor CIF: R$ 500.000,00
  • Alíquota II: 4%
  • Alíquota IPI: 5%
  • Regime: Drawback Suspensão

Resultado: Todos os tributos (II, IPI, PIS, COFINS) ficam suspensos. O importador/exportador não desembolsa nada na importação. A economia total é de aproximadamente R$ 78.750,00 em tributos que seriam devidos se a importação fosse para consumo interno.

Tributo Valor sem Drawback Com Drawback
II (4%) R$ 20.000,00 Suspenso
IPI (5%) R$ 26.000,00 Suspenso
PIS (2,1%) R$ 11.466,00 Suspenso
COFINS (9,65%) R$ 52.684,90 Suspenso
Total R$ 110.150,90 R$ 0,00

Como a TRADEXA Simplifica o Cálculo dos Tributos Federais

Diante de tanta complexidade — alíquotas variáveis por NCM, bases de cálculo distintas, regimes especiais, ex-tarifários — ter uma ferramenta que automatiza o cálculo é essencial para o importador.

A TRADEXA oferece um ecossistema completo de inteligência em comércio exterior que simplifica drasticamente o processo:

Calculadora de Imposto de Importação

A Calculadora de Imposto de Importação da TRADEXA permite simular todos os tributos federais em segundos. Basta informar o NCM do produto, o valor CIF e o estado de destino para obter:

  • Cálculo detalhado de II, IPI, PIS e COFINS
  • Cálculo do ICMS (tributo estadual)
  • Custo total landed da mercadoria
  • Breakdown por tributo, mostrando exatamente quanto cada imposto representa

Classificador NCM com Inteligência Artificial

O Classificador NCM com IA da TRADEXA ajuda a evitar erros de classificação fiscal — um dos principais causadores de multas e retenções na importação. Com descrição do produto em linguagem natural, a IA sugere o NCM mais adequado e já exibe as alíquotas de II, IPI, PIS e COFINS associadas.

Global Tariff — Tarifas de 31 Países

Para empresas que importam de diversos países, o módulo Global Tariff da TRADEXA compara as tarifas de importação em 31 países, permitindo identificar a melhor origem para cada produto com base no custo tributário total.

Trade Intelligence para Decisões Estratégicas

Com os módulos de Trade Intelligence e Smart Rank, o importador pode analisar dados reais de importação, identificar oportunidades de redução de custos, comparar regimes tributários e tomar decisões baseadas em dados, não em achismos.

Quer simular os tributos da sua próxima importação? Acesse a Calculadora de Importação da TRADEXA e obtenha em segundos o custo total da sua operação, incluindo II, IPI, PIS, COFINS e ICMS.

Conclusão

Os tributos federais na importação — II, IPI, PIS e COFINS — representam a maior parcela do custo tributário de uma importação. Compreender a base de cálculo de cada um, as alíquotas aplicáveis ao seu produto e os regimes especiais disponíveis (ex-tarifário, RECOF, RECAP, Drawback) pode gerar economias de 20% a 65% nos tributos.

Cada real economizado em tributos é um real que melhora a margem do seu negócio ou permite oferecer preços mais competitivos. Por isso, dominar a tributação federal na importação não é apenas uma obrigação fiscal — é uma vantagem competitiva.

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