Pesquisa de Mercado Setorial no Comex

Guia prático sobre pesquisa de mercado setorial no comércio exterior. Fontes Comex Stat, Apex, indicadores setoriais, heat map e dossiê de inteligência exportadora.

Publicado em 2026-06-23 | Atualizado em 2026-06-23 | TRADEXA Blog

Introdução

Quando se fala em pesquisa de mercado no comércio exterior, muitos exportadores brasileiros pensam imediatamente em relatórios genéricos de consultorias internacionais — aqueles documentos de centenas de páginas que analisam o PIB de um país, sua população, renda per capita e principais setores econômicos. Esse tipo de pesquisa, embora útil para um primeiro panorama, é insuficiente para quem precisa tomar decisões concretas de exportação.

A diferença fundamental está na abordagem: enquanto a pesquisa de mercado genérica olha para um país como um todo, a pesquisa setorial (ou "setorial" no jargão do comex) faz o caminho inverso — ela parte de um setor industrial específico, com seus produtos, cadeias produtivas, fluxos de comércio e concorrentes, e analisa como esse setor se comporta em múltiplos mercados simultaneamente.

Este artigo é um guia prático para exportadores brasileiros que desejam dominar a pesquisa de mercado setorial. Vamos cobrir desde as fontes de dados secundários mais relevantes até as técnicas de pesquisa primária, passando pela construção de heat maps setoriais, análise de cadeias globais de suprimento e desenvolvimento de dossiês de inteligência exportadora. Ao final, você terá um roteiro completo para transformar dados brutos em recomendações acionáveis para seu negócio.

Pesquisa de Mercado Genérica vs. Pesquisa Setorial no Comex

Antes de mergulharmos nas técnicas, é essencial entender por que a pesquisa setorial é superior à pesquisa genérica quando o assunto é exportação.

Uma pesquisa de mercado genérica típica responde a perguntas como: "Qual é o PIB da Alemanha?" "Qual é a renda per capita do Canadá?" "Quantos habitantes tem a Coreia do Sul?" Essas informações são relevantes, mas dizem muito pouco sobre se o seu produto específico tem potencial naquele mercado. A Alemanha pode ter o maior PIB da Europa, mas se o seu produto é açaí congelado, o potencial alemão depende de fatores que o PIB não captura: hábitos alimentares, canais de distribuição de produtos congelados, presença de comunidades brasileiras, tarifas de importação para a NCM do açaí, concorrência de fornecedores de outros países, exigências sanitárias da União Europeia, entre dezenas de outros fatores.

A pesquisa setorial, por outro lado, parte do produto ou setor e analisa seu ecossistema global. Ela responde a perguntas como:

  • Qual é o fluxo global de comércio do código NCM do meu produto?
  • Quem são os maiores importadores mundiais?
  • Quem são os principais concorrentes (outros países exportadores)?
  • Qual é a tarifa de importação aplicada ao meu produto em cada mercado?
  • Quais barreiras não-tarifárias existem?
  • Como está estruturada a cadeia de suprimento global desse setor?
  • Quais mercados estão crescendo e quais estão encolhendo?

Enquanto a pesquisa genérica é estática (baseada em dados macroeconômicos que mudam lentamente), a pesquisa setorial é dinâmica e operacional — ela alimenta decisões de curto, médio e longo prazo.

A Abordagem Setorial: Analisando um Setor Através de Múltiplos Mercados

O grande diferencial da pesquisa setorial no comex é sua capacidade de comparar um mesmo setor em diferentes mercados simultaneamente. Imagine que você é um exportador de máquinas para processamento de alimentos. Em vez de pesquisar o mercado alemão, depois o mercado mexicano, depois o mercado indiano — cada um em um relatório separado — a abordagem setorial permite que você analise todos esses mercados lado a lado, identificando padrões, oportunidades relativas e trade-offs.

Essa abordagem segue uma estrutura metodológica que chamamos de "matriz setorial-multipaís". Ela funciona assim:

  1. Definição do perímetro setorial: você delimita exatamente quais produtos (códigos NCM/SH) compõem o setor que será analisado. Pode ser um código NCM de 8 dígitos, uma família de códigos (capítulo do SH) ou um agrupamento personalizado.

  2. Identificação dos mercados-relevantes: nem todos os 190+ países do mundo são relevantes para seu setor. Você filtra os países que efetivamente importam seu produto em volumes significativos, criando um universo de 10 a 30 mercados para análise aprofundada.

  3. Coleta padronizada de indicadores: para cada mercado desse universo, você coleta os mesmos indicadores: volume importado, crescimento, tarifas, barreiras, origem dos concorrentes, preço médio, etc. A padronização é essencial para permitir a comparação direta.

  4. Análise comparativa: com os dados padronizados, você compara os mercados, identifica outliers e ranking de oportunidades.

  5. Recomendações priorizadas: com base na análise comparativa, você gera recomendações acionáveis, priorizando os mercados mais promissores para o seu setor.

Vamos detalhar cada etapa com exemplos práticos ao longo deste guia.

Fontes de Dados Secundários para Pesquisa Setorial

A pesquisa setorial se apoia fortemente em dados secundários — informações já coletadas e publicadas por governos, organismos internacionais, associações e instituições de pesquisa. O Brasil é privilegiado nesse aspecto: temos algumas das melhores bases de dados de comércio exterior do mundo, todas públicas e gratuitas. Conhecer e dominar essas fontes é o primeiro passo para qualquer analista setorial.

Comex Stat (MDIC/SECEX)

O Comex Stat é, sem dúvida, a ferramenta mais importante para pesquisa setorial no Brasil. Mantido pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Comex Stat disponibiliza todos os dados de exportação e importação brasileiros, com granularidade por NCM, país de destino/origem, unidade da federação, via de transporte e muito mais.

Para a pesquisa setorial, o Comex Stat permite:

  • Extrair a série histórica completa de exportações brasileiras de um conjunto de NCMs para todos os países do mundo;
  • Identificar quais estados brasileiros mais exportam determinado produto setorial;
  • Calcular taxas de crescimento, concentração e participação de mercado;
  • Cruzar dados de exportação com dados de importação para entender fluxos bilaterais.

Dica prática: utilize o módulo "Consulta por NCM" do Comex Stat para gerar uma matriz de países x anos para seu setor. Exporte os dados para CSV e monte uma planilha de análise. A TRADEXA oferece dashboards que já fazem esse trabalho automaticamente, mas entender a fonte原始 é fundamental para validar os resultados.

Estudos Setoriais da Apex-Brasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) produz alguns dos melhores estudos setoriais do mercado. Os projetos setoriais da Apex — desenvolvidos em parceria com associações empresariais — incluem análises detalhadas de mercados-alvo para diversos setores da economia brasileira.

O que você encontra nos estudos da Apex:

  • Perfil completo do setor no Brasil (produção, exportações, principais empresas);
  • Análise de mercados prioritários com dados de comércio, tarifas e barreiras;
  • Mapeamento de canais de distribuição e feiras internacionais;
  • Estudos de concorrência internacional;
  • Recomendações de posicionamento competitivo.

Esses estudos são gratuitos e estão disponíveis no portal da Apex-Brasil. Eles servem como um excelente ponto de partida para a pesquisa setorial, embora nem sempre cubram todos os mercados que você deseja analisar.

Câmaras Setoriais do MDIC

As câmaras setoriais são fóruns de diálogo entre governo e iniciativa privada, organizados por setor produtivo. Elas produzem atas, relatórios e estudos que contêm informações valiosas sobre os desafios e oportunidades de cada setor. As principais câmaras para pesquisa setorial incluem:

  • Câmara de Comércio Exterior (CAMEX): define tarifas, políticas comerciais e negociações internacionais;
  • Câmaras Setoriais do Agronegócio: carnes, café, frutas, etc.;
  • Câmaras Setoriais da Indústria: automotiva, têxtil, química, máquinas, etc.

Participar das reuniões das câmaras setoriais (ou acompanhar suas atas) é uma forma de obter insights que não estão disponíveis em nenhuma base de dados pública.

ABRACOMEX e Associações de Comércio Exterior

A Associação Brasileira de Comércio Exterior (ABRACOMEX) e outras associações setoriais (como a ABIA para alimentos, ABIMAQ para máquinas, ABIT para têxtil, etc.) produzem estudos, relatórios e indicadores que complementam as fontes governamentais.

As associações setoriais, em particular, têm acesso a dados primários de seus associados (produção, capacidade instalada, exportações) que não estão disponíveis em bases públicas. Muitas delas produzem relatórios mensais ou trimestrais com análises de mercado e tendências setoriais.

Dados de Comércio Global (UN Comtrade, ITC TradeMap)

Para a pesquisa setorial, não basta olhar apenas para os dados brasileiros — é preciso entender o fluxo global de comércio do setor. As principais fontes internacionais são:

  • UN Comtrade: a maior base de dados de comércio do mundo, mantida pela ONU, com dados reportados por mais de 200 países. A principal limitação é a defasagem na publicação (6 a 12 meses).
  • ITC TradeMap: mantido pelo International Trade Centre (parceria UNCTAD/OMC), oferece dados de comércio internacional com ferramentas de análise integradas. A versão básica é gratuita; a versão completa (com mais indicadores) é paga.
  • WTO Tariff Data: base de dados tarifários da Organização Mundial do Comércio, que permite consultar as tarifas aplicadas por cada país-membro para cada código SH.

A limitação das bases internacionais é que elas usam o sistema SH (Sistema Harmonizado) de 6 dígitos, enquanto o Brasil usa o NCM de 8 dígitos. Para compatibilizar, você precisa trabalhar no nível SH6 ou fazer o mapeamento manual.

Dados da TRADEXA para Pesquisa Setorial

A TRADEXA integra todas essas fontes em uma única plataforma, oferecendo dashboards específicos para análise setorial. Com a TRADEXA, você pode:

  • Visualizar os fluxos de comércio do seu setor em mapas interativos;
  • Comparar mercados lado a lado com indicadores padronizados;
  • Acessar tarifas atualizadas para mais de 30 países;
  • Identificar importadores potenciais em cada mercado;
  • Gerar relatórios setoriais automatizados.

Os dashboards da TRADEXA são particularmente úteis para a etapa de análise comparativa da pesquisa setorial, pois eliminam o trabalho braçal de coleta e padronização dos dados.

Pesquisa Primária: Indo Além dos Dados Públicos

Os dados secundários são o alicerce da pesquisa setorial, mas eles contam apenas parte da história. Para entender verdadeiramente um mercado setorial, é preciso complementar a análise com pesquisa primária — informações coletadas diretamente com fontes no mercado.

Entrevistas em Feiras Internacionais

As feiras setoriais internacionais são o melhor lugar para fazer pesquisa primária. Elas concentram, em um único local, os principais players do setor: compradores, fornecedores, concorrentes, formadores de opinião e especialistas.

Para maximizar o retorno da sua participação em feiras com fins de pesquisa, siga este roteiro:

  1. Antes da feira: pesquise os expositores, identifique os principais compradores e concorrentes, prepare um roteiro de visitas e uma lista de perguntas específicas sobre o mercado.

  2. Durante a feira: conduza entrevistas semi-estruturadas com compradores potenciais. Pergunte sobre: critérios de compra, preços praticados, exigências de qualidade, canais de distribuição preferidos, percepção sobre o produto brasileiro, barreiras percebidas.

  3. Depois da feira: sistematize as respostas, identifique padrões e insights, cruze as informações com os dados secundários que você já coletou.

Feiras internacionais recomendadas para pesquisa setorial incluem: Anuga (alimentos, Colônia), Ambiente (casa e decoração, Frankfurt), MAGIC Show (moda, Las Vegas), Bauma (máquinas, Munique), Gulfood (alimentos, Dubai), SIAL (alimentos, Paris), entre centenas de outras.

Pesquisas com Compradores

Outra técnica de pesquisa primária é a aplicação de questionários estruturados com compradores internacionais. Você pode fazer isso de forma remota (via e-mail ou LinkedIn) ou presencial (em feiras ou visitas).

O questionário ideal para pesquisa setorial deve incluir:

  • Informações demográficas do comprador (país, setor, porte);
  • Comportamento de compra (volumes, frequência, sazonalidade);
  • Critérios de decisão (preço, qualidade, prazo, certificações, confiabilidade);
  • Percepção sobre o produto brasileiro em comparação com concorrentes;
  • Barreiras percebidas para aumentar as compras do Brasil;
  • Interesse em novos produtos ou variações.

A taxa de resposta para pesquisas remotas com compradores internacionais costuma ser baixa (5% a 10%), mas as respostas obtidas são de altíssimo valor, pois vêm diretamente de quem decide as compras.

Visitas Técnicas In Loco

Nada substitui uma visita in loco ao mercado-alvo. Uma visita bem planejada pode render mais insights do que meses de pesquisa secundária. O objetivo da visita não é fechar negócios (embora isso possa acontecer), mas sim entender o mercado na prática.

Roteiro recomendado para visita de pesquisa setorial:

  • Portos e zonas alfandegadas: entenda como a carga chega, quais os procedimentos de desembaraço, quanto tempo leva, quais os custos de movimentação.
  • Canais de distribuição: visite atacadistas, distribuidores e varejistas que vendem produtos do seu setor. Entenda a margem praticada em cada elo.
  • Pontos de venda: observe como o produto é exposto, precificado e promovido. Compare com os concorrentes.
  • Órgãos reguladores: quando aplicável, visite os órgãos responsáveis por certificações e registros do seu setor para entender exatamente os requisitos.
  • Associações setoriais locais: as associações do setor no país de destino são fontes riquíssimas de informação e networking.

Construindo um Heat Map Setorial

Um dos outputs mais úteis da pesquisa setorial é o heat map — uma matriz visual que identifica, para cada combinação de produto e mercado, o potencial de exportação. O heat map permite que o exportador enxergue rapidamente onde estão as maiores oportunidades.

A construção de um heat map setorial segue os seguintes passos:

Passo 1: Defina os Produtos

Liste os principais produtos do seu setor com seus respectivos códigos NCM. Para um setor como móveis, por exemplo, você teria:

  • 9403.30.00 — Móveis de madeira para escritório
  • 9403.50.00 — Móveis de madeira para dormitórios
  • 9403.60.00 — Móveis de madeira para outros ambientes
  • 9401.61.00 — Assentos com estrutura de madeira estofados

Passo 2: Defina os Mercados

Liste os mercados que você quer analisar. Para uma primeira rodada, 10 a 15 mercados é um número gerenciável. Inclua mercados grandes (EUA, Alemanha, China), mercados regionais (Argentina, Chile, Colômbia) e mercados de nicho (Emirados Árabes, Coreia do Sul, África do Sul).

Passo 3: Colete os Indicadores

Para cada combinação produto-mercado, colete:

  • Valor importado total: quanto o mercado importa do produto (US$)
  • Crescimento das importações: CAGR dos últimos 3-5 anos (%)
  • Participação do Brasil: qual o market share brasileiro (%)
  • Tarifa aplicada: tarifa NMF ou preferencial (%)
  • Número de concorrentes: quantos países fornecem o produto
  • Preço médio: preço médio de importação (US$/unidade)
  • Distância logística: tempo médio de trânsito (dias)
  • Facilidade de fazer negócios: índice Doing Business (0-100)

Passo 4: Normalize e Pontue

Para cada indicador, transforme os valores brutos em notas de 0 a 100 usando normalização min-max ou por percentis. Um mercado que importa US$ 1 bilhão em móveis recebe nota 100 no indicador "valor importado"; um que importa US$ 1 milhão recebe nota próxima de zero.

Passo 5: Calcule o Score Final

Atribua pesos para cada indicador com base na relevância para seu setor e calcule o score final de cada combinação produto-mercado.

Passo 6: Visualize

Monte uma matriz com produtos nas linhas, mercados nas colunas e scores nas células, coloridas como um heat map (verde = alto potencial, vermelho = baixo potencial). O resultado é uma ferramenta visual poderosa que orienta a priorização de mercados.

A TRADEXA automatiza todo esse processo com o Smart Rank e os dashboards setoriais, mas entender a lógica manual é importante para que você possa interpretar corretamente os resultados automatizados e, se necessário, fazer ajustes.

Análise de Cadeias Globais de Suprimento por Setor

A pesquisa setorial não se limita a analisar fluxos de comércio bilateral. É preciso entender como a cadeia global de suprimento do setor está estruturada, pois isso determina as oportunidades e ameaças para o exportador brasileiro.

A análise da cadeia global de suprimento de um setor envolve:

Mapeamento dos Fluxos de Comércio Global

Comece identificando os principais fluxos de comércio do setor no mundo. Quem exporta para quem? Quais são as rotas dominantes? Por exemplo, no setor de carne bovina, os fluxos principais são: Brasil e Austrália exportam para China e Hong Kong; EUA exportam para Japão e Coreia do Sul; Índia exporta para Oriente Médio e Sudeste Asiático.

Esse mapeamento revela:

  • Quem são os principais players (países e empresas);
  • Qual é a direção dos fluxos (que regiões consomem e que regiões produzem);
  • Qual é a intensidade dos fluxos (volumes e valores);
  • Quais são os gargalos logísticos (portos, rotas marítimas, corredores terrestres).

Identificação dos Elos da Cadeia

Para cada setor, identifique os diferentes elos da cadeia produtiva global:

  • Insumos e matérias-primas: quem fornece os insumos básicos?
  • Processamento e manufatura: onde ocorre a transformação?
  • Distribuição: quais canais levam o produto ao consumidor final?
  • Consumo final: onde está a demanda?

No setor de móveis, por exemplo, os insumos (madeira, painéis, ferragens) vêm de diversos países; o processamento ocorre em países com mão de obra qualificada e custo competitivo (Brasil, China, Vietnã, Itália); a distribuição global é feita por grandes varejistas (IKEA, Home Depot) e distribuidores especializados.

Análise de Concentração e Dependência

Identifique pontos de concentração na cadeia que representam riscos ou oportunidades. Se 70% das importações de um produto em determinado mercado vêm de um único país exportador, há um risco de dependência que pode ser explorado por novos entrantes (incluindo o Brasil). Se, ao contrário, o mercado é abastecido por dezenas de países com participações pequenas, a barreira de entrada pode ser menor.

Tendências e Disrupções

A cadeia global de suprimento de cada setor está sujeita a tendências e disrupções que criam oportunidades. Exemplos recentes:

  • A pandemia de COVID-19 acelerou a busca por fornecedores alternativos à China (China+1);
  • A guerra na Ucrânia afetou cadeias de alimentos, energia e fertilizantes;
  • As tensões EUA-China redirecionaram fluxos de comércio e investimento;
  • A agenda ESG está pressionando cadeias a reduzir emissões e adotar práticas sustentáveis.

A pesquisa setorial deve capturar essas tendências e avaliar seu impacto sobre as oportunidades para o Brasil.

Desenvolvendo um Dossiê de Inteligência Exportadora

O produto final da pesquisa setorial é o dossiê de inteligência exportadora — um documento consolidado que reúne todas as análises, dados e recomendações em formato acionável para a tomada de decisão.

Um dossiê de inteligência exportadora completo deve conter:

1. Executive Summary

Uma página com os principais achados da pesquisa: quais são os 3 a 5 mercados mais promissores para o setor, por que eles são prioritários, e quais são as recomendações imediatas.

2. Perfil do Setor

Descrição do setor no Brasil: produção, exportações atuais, principais empresas, vantagens competitivas (recursos naturais, mão de obra, tecnologia, logística).

3. Análise Global do Setor

Panorama do setor no mundo: fluxos de comércio globais, principais países exportadores e importadores, tendências de consumo, inovações tecnológicas, regulações emergentes.

4. Análise de Mercados Prioritários

Para cada mercado selecionado (5 a 10), um mini-dossiê com:

  • Dados de comércio (importações totais do setor, crescimento, sazonalidade);
  • Tarifas e barreiras (alíquotas, certificações exigidas, licenças);
  • Concorrência (principais países fornecedores, participação do Brasil, preços médios);
  • Canais de distribuição (como o produto chega ao consumidor final);
  • Recomendações de entrada (estratégia de precificação, parceiros potenciais, feiras relevantes).

5. Heat Map Setorial

A matriz visual de produtos x mercados com scores de potencial.

6. Plano de Ação

Recomendações priorizadas com prazos, responsáveis, investimentos estimados e KPIs de acompanhamento.

7. Monitoramento

Indicadores a serem monitorados trimestralmente para revisar as recomendações: mudanças tarifárias, novos concorrentes, variação cambial, alterações regulatórias.

Usando os Dashboards TRADEXA para Análise Setorial

A TRADEXA oferece uma suíte de dashboards que aceleram e aprofundam a pesquisa setorial. Aqui está como cada ferramenta se encaixa no processo:

Dashboard de Fluxos de Comércio

O dashboard de fluxos de comércio da TRADEXA permite visualizar, em tempo real, as importações e exportações de qualquer código NCM para mais de 30 países. Você pode:

  • Ver o valor total importado por país e sua evolução histórica;
  • Identificar os principais países exportadores para cada mercado (concorrência);
  • Calcular o market share brasileiro e sua trajetória;
  • Analisar preços médios e volumes;
  • Exportar os dados para aprofundamento em planilhas.

Dashboard Tarifário

O dashboard tarifário da TRADEXA cobre as alíquotas de importação para 31 países, considerando acordos preferenciais do Mercosul. Você pode:

  • Consultar a tarifa NMF e a tarifa preferencial (quando aplicável);
  • Simular o custo total de importação incluindo tarifas e taxas;
  • Identificar oportunidades de redução tarifária via acordos comerciais;
  • Monitorar mudanças tarifárias em tempo real.

Smart Rank

O Smart Rank automatiza a construção do heat map setorial, gerando scores de mercado para cada combinação de produto e destino. Você pode:

  • Inserir seu código NCM e obter o ranking dos melhores mercados;
  • Personalizar os pesos dos critérios de acordo com seu setor e estratégia;
  • Comparar mercados lado a lado;
  • Gerar relatórios de score para apresentação à diretoria.

Diretório de Importadores

Uma vez identificados os mercados prioritários, o diretório de importadores da TRADEXA (com mais de 3,8 milhões de contatos) permite que você encontre potenciais compradores em cada mercado, agilizando a etapa de prospecção comercial.

Como Criar Recomendações Setoriais Acionáveis

A pesquisa setorial só gera valor quando se traduz em recomendações acionáveis — recomendações que podem ser implementadas pela equipe comercial, pela diretoria ou pela área de desenvolvimento de produtos.

Para criar recomendações acionáveis, siga estes princípios:

Seja Específico

Em vez de "explorar o mercado asiático", recomende "priorizar a Coreia do Sul para o produto X, com entrada via distribuidor especializado no canal HORECA, participação na feira Seoul Food em 2027 e investimento inicial de prospecção de R$ 150 mil".

Priorize por Impacto e Viabilidade

Classifique as recomendações em uma matriz de impacto (retorno potencial) versus viabilidade (recursos necessários, tempo, complexidade). Comece pelas recomendações de alto impacto e alta viabilidade — os "low-hanging fruits".

Inclua Prazos e KPIs

Cada recomendação deve ter um prazo claro (curto prazo: 0-6 meses; médio prazo: 6-18 meses; longo prazo: 18-36 meses) e KPIs mensuráveis (valor exportado, número de clientes ativos, participação de mercado, margem obtida).

Estabeleça Gatilhos de Revisão

O mercado muda, e suas recomendações também devem mudar. Estabeleça gatilhos para revisão: mudança tarifária significativa, entrada de novo concorrente, variação cambial acima de 20%, alteração regulatória relevante.

Comunique de Forma Visual

Diretores e tomadores de decisão têm pouco tempo. Use dashboards, heat maps, gráficos e tabelas resumidas para comunicar os achados da pesquisa setorial de forma rápida e impactante. O relatório completo fica como documento de referência; o executive summary e o heat map são o que realmente influenciam a decisão.

Conclusão

A pesquisa de mercado setorial é a ferramenta mais poderosa que um exportador brasileiro pode ter em seu arsenal. Ela transforma a escolha de mercados de um exercício de adivinhação baseado em intuição para um processo analítico baseado em evidências.

A diferença entre o exportador que faz pesquisa setorial e o que não faz não está apenas na qualidade das decisões — está também na velocidade e na confiança com que essas decisões são tomadas. O exportador setorial sabe exatamente para onde ir, por que ir, e como ir. Ele não perde tempo com mercados de baixo potencial nem deixa passar oportunidades em mercados que ninguém está olhando.

Com as ferramentas certas — Comex Stat, Apex-Brasil, UN Comtrade, e especialmente os dashboards da TRADEXA — qualquer empresa brasileira, independentemente de seu porte, pode conduzir pesquisa setorial de nível internacional. O que antes era privilégio de multinacionais com departamentos de inteligência de mercado agora está ao alcance de qualquer exportador com acesso à internet e disposição para aprender.

O convite que fica é: antes de escolher seu próximo mercado de exportação, pare e faça a pesquisa setorial. Os dados estão disponíveis. As ferramentas existem. O que falta é apenas a disciplina de usá-las. E a TRADEXA está aqui para ajudar em cada etapa do caminho.