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Islândia
Comércio Exterior
Panorama
22 de agosto de 20263 min

Comércio Brasil-Islândia: Guia Completo: Guia Completo 2026

Comércio bilateral em crescimento. Commodidades lideram exportações. Tendências 2026: energia, tecnologia, sustentabilidade.

Panorama Comercial Brasil–Islândia: Guia do Exportador

A Islândia é uma economia pequena, rica e altamente importadora de bens industriais e alimentos: PIB nominal de cerca de US$ 33–35 bilhões, PIB per capita entre os 5 maiores do mundo (US$ 86–98 mil) e população inferior a 400 mil habitantes. Em 2026, o Brasil exportou US$ 85,0 milhões para a Islândia e importou US$ 6,5 milhões, segundo a ComexStat. Desde 1º de outubro de 2026, o Acordo de Livre Comércio Mercosul–EFTA vigora entre Brasil e Islândia: 100% das exportações brasileiras para a Islândia estão na lista de livre comércio, com eliminação total das tarifas dos setores industrial e pesqueiro já na entrada em vigor. Este guia mostra macroeconomia real, pauta bilateral, 7 setores com NCM e tarifas, exemplo numérico de custo landed, documentos, regulação, logística até Reykjavik, cultura de negócios e FAQ.

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Islândia em Números: Macroeconomia Real

IndicadorDado
PIB nominal~US$ 33,3 bi (2024, Banco Mundial) a ~US$ 35,4 bi (2025, FMI)
PIB per capita nominal~US$ 86 mil (2024) a ~US$ 98 mil (2025) — 5º do mundo
Crescimento do PIB1,7% (2024); ~2,0% (2025, projeção)
População~390 mil habitantes
MoedaCoroa islandesa (ISK)
Exportações de bens~US$ 7,0–7,3 bilhões/ano
Importações de bens~US$ 9,9 bilhões/ano
Eletricidade~100% renovável (hidrelétrica ~70%, geotérmica ~30%); maior produtor per capita do mundo
BlocosMembro da EFTA; integrada ao mercado europeu via EEE (Espaço Econômico Europeu); não é membro da UE

Três pilares sustentam a economia: pesca (produtos do mar respondem por ~34–40% do valor dos bens exportados; a Islândia é a 2ª maior nação pesqueira do Atlântico Nordeste, atrás da Noruega, com capturas de 1,1–1,4 milhão de t/ano), alumínio (3 fundições — Alcoa Fjarðaál, Rio Tinto ISAL e Norðurál — com capacidade conjunta acima de 850 mil t/ano, 11º produtor mundial; alumínio não ligado responde por ~30% das exportações de bens, ~US$ 2,3 bilhões em 2024) e turismo. A energia renovável abundante e barata é a vantagem comparativa que viabiliza a eletrointensiva indústria do alumínio — e explica por que a alumina brasileira domina a pauta Brasil–Islândia. Do lado das importações islandesas, o país compra petróleo refinado, automóveis, alumina (óxido de alumínio), eletrônicos e computadores; principais parceiros: Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e Noruega.

Balança Comercial Brasil–Islândia (2026, ComexStat)

Exportações brasileiras para a Islândia — US$ 85,0 milhões

ProdutoValor FOB% da pauta
Alumina calcinadaUS$ 82,9 milhões97,5%
Café não torrado, não descafeinado, em grãoUS$ 575 mil0,7%
Partes de turborreatores ou turbopropulsoresUS$ 425 mil0,5%
Carnes desossadas de bovino, congeladasUS$ 142 mil0,2%
Madeira serrada de pinus (espessura > 6 mm)US$ 97 mil0,1%
Termômetros e pirômetrosUS$ 87 mil0,1%
Querosenes de aviaçãoUS$ 71 mil0,1%
Instrumentos de medida/controleUS$ 67 mil0,1%

Importações brasileiras da Islândia — US$ 6,5 milhões

ProdutoValor FOB% da pauta
Folhas e tiras de alumínio (espessura ≤ 0,2 mm)US$ 2,3 milhões34,9%
Filé de saithe (Pollachius virens), congeladoUS$ 1,7 milhão26,3%
Partes de próteses modularesUS$ 1,2 milhão18,4%
Máquinas de corte a jato de águaUS$ 364 mil5,6%
Óleos de fígados de peixesUS$ 236 mil3,6%
Básculas de pesagem constante/ensacadorasUS$ 203 mil3,1%
Sucedâneos de caviarUS$ 100 mil1,5%
Partes de máquinas para alimentosUS$ 65 mil1,0%

Leitura estratégica: a pauta de exportação é hiperconcentrada (alumina), o que significa que quase todo o resto é espaço aberto — café, carne bovina, madeira, equipamentos e instrumentos entram em volumes ainda exploratórios, exatamente os nichos onde o acordo Mercosul–EFTA zera tarifas. No sentido inverso, a Islândia vende ao Brasil pescado de alto valor (saithe), alumínio processado e tecnologia de nicho (próteses da Össur, máquinas de processamento de pescado, jato de água).

7 Setores com NCM e Tarifas

Tarifa na Islândia = regime do Anexo III do Acordo Mercosul–EFTA (vigor Brasil–Islândia desde 01/10/2026): produtos NAMA (não agrícolas/industriais e pescado) têm 0% desde a entrada em vigor; produtos AG (agrícolas) pagam o direito indicado em duas componentes — ad valorem (%) + específico (ISK/kg). II Brasil = TEC de referência para o fluxo inverso (confirme a TEC vigente e o cronograma do Anexo II para importações originárias da EFTA).

#Setor / produtoNCMSentidoTarifa na Islândia (pós-acordo)II Brasil (referência)
1Alumina calcinada2818.20.10BR → IS0% (NAMA, livre desde 01/10/2026)6% (TEC)
2Café verde em grão0901.11.10BR → IS0% (linha agrícola zerada)10% (TEC)
3Carne bovina desossada congelada0202.30.00BR → ISRedução de 50% dentro da cota global OMC (95 t/ano); fora da cota, NMF plena10,8% (TEC)
4Madeira serrada de pinus4407.11.00BR → IS0% (NAMA, livre desde 01/10/2026)6% (TEC)
5Partes de turborreatores8411.91.00BR → IS0% (NAMA, livre desde 01/10/2026)0% (TEC, setor aeronáutico)
6Filé de saithe congelado0304.73.00IS → BRn/a (exportação islandesa)10–12% (TEC, verifique vigência) + desgravação Anexo II
7Folhas de alumínio ≤ 0,2 mm7607.11.10 / 7607.19.90IS → BRn/a (exportação islandesa)12–14% (TEC, verifique vigência) + desgravação Anexo II

Notas práticas por setor:

  • Alumina (1): insumo das fundições islandesas movidas a energia renovável; contrato de fornecimento contínuo com especificação de pureza. Origem Mercosul garante o 0%.
  • Café verde (2): mercado nórdico de alto consumo per capita de café; torrefadoras islandesas compram microlotes e contêineres; certificação (orgânico, Rainforest) agrega prêmio.
  • Carne bovina (3): única cota relevante — 95 t/ano globais OMC com 50% de desconto; fora dela, o específico islandês inviabiliza. Opere com importador que detenha parcela da cota.
  • Madeira de pinus (4): construção civil islandesa importa praticamente toda a madeira; exigir secagem em estufa e marcação NIMF nº 15 nas embalagens de madeira.
  • Partes aeronáuticas (5): cadeia MRO europeia; rastreabilidade e certificação ANAC/EASA por lote.
  • Saithe e pescado (6): filé congelado para food service e varejo brasileiro; exigir certificado sanitário da autoridade islandesa (MAST) e cadeia do frio documentada.
  • Alumínio processado (7): folhas finas para embalagens e indústria; II brasileiro em desgravação progressiva pelo Anexo II — simule a alíquota do ano do embarque.

Exemplo Numérico: Café Verde Santos → Reykjavik

Operação-modelo: 1 contêiner de 20' com 19,2 t de café arábica verde (320 sacas de 60 kg), FOB Santos, Incoterm CIF Reykjavik:

ComponenteCálculoValor (US$)
Mercadoria FOB (19,2 t × US$ 4.800/t)19,2 × 4.80092.160
Frete marítimo Santos → Reykjavik (via Rotterdam)lump sum3.800
Seguro (0,3% sobre FOB + frete)0,003 × 95.960288
CIF Reykjavik92.160 + 3.800 + 28896.248
Direito de importação islandês (0% — café verde no acordo)0% × CIF0
IVA islandês reduzido sobre alimentos (11% sobre CIF + direitos)11% × 96.24810.587
Custo landed (sem despesas portuárias locais)96.248 + 10.587106.835
Custo por tonelada landed106.835 ÷ 19,2~US$ 5.565/t

Premissas explícitas: câmbio e frete de referência (cotar Eimskip/Samskip na semana do embarque); IVA (virðisaukaskattur) padrão é 24%, mas alimentos pagam 11%; despesas de THC em Sundahöfn, armazenagem e despacho do Tollurinn (aduana) somam à parte (~US$ 800–1.500 por contêiner). O ganho do acordo aqui é a consolidação do 0% — sem risco de reversão tarifária — e, para produtos NAMA como madeira e equipamentos, a eliminação imediata do direito.

Documentos para Embarcar

Exportação Brasil → Islândia (base):

  1. Fatura comercial (commercial invoice) em inglês, com NCM/SH a 8 dígitos;
  2. Packing list com pesos líquido/bruto e marcação de volumes;
  3. Conhecimento de embarque marítimo (B/L) ou aéreo (AWB);
  4. Prova de origem Mercosul–EFTA (certificado ou declaração de origem conforme o capítulo de regras de origem — sem ela, perde-se o 0%);
  5. Certificado de origem comum + documentos de transporte para comprovar expedição direta/regras de não manipulação.

Específicos por produto:

  • Café: certificado fitossanitário do MAPA; certificado de fumigação quando exigido; laudo de qualidade/classificação por lote.
  • Carne bovina: habilitação SIF/DIPOA do frigorífico, certificado sanitário internacional, rotulagem conforme regulamento islandês/EEE e comprovação de cota (quando usar a cota OMC com 50%).
  • Madeira: certificado fitossanitário + embalagens de madeira com marca NIMF nº 15.
  • Equipamentos/instrumentos: manual em inglês, declaração de conformidade CE (reconhecida via EEE) e lista de peças de reposição.
  • Importação de pescado da Islândia: certificado sanitário da MAST (Matvælastofnun), registro no MAPA/DIPOA do importador, LI/LPCO no Siscomex quando aplicável e monitoramento de temperatura do reefer.

Regulação: Acordo Mercosul–EFTA e Regras Islandesas

  • O acordo: negociações concluídas em 02/07/2025, assinado no Rio em 16/09/2025, em vigor para Brasil e Islândia desde 01/10/2026 (Noruega a partir de novembro; Suíça e Liechtenstein pendentes). Cobre bens, serviços, investimentos, compras governamentais, barreiras técnicas, SPS, concorrência e desenvolvimento sustentável.
  • Acesso brasileiro à Islândia: a EFTA eliminou 100% das tarifas dos setores industrial e pesqueiro na entrada em vigor; considerando agricultura + indústria, ~99% do valor exportado pelo Brasil tem livre comércio — e para a Islândia, 100%. Sem cotas bilaterais islandesas (exceção: carne bovina, 50% dentro da cota OMC de 95 t).
  • Como ler o Anexo III (Islândia): linhas NAMA = 0% direto; linhas AG = ad valorem (%) + específico (ISK/kg); NC = sem compromisso. Vale sempre o menor entre a tarifa do acordo e a NMF aplicada.
  • Regras de origem: só tem preferência o produto originário (totalmente obtido ou com transformação suficiente + valor/percentuais do Anexo I); organize rastreabilidade de insumos desde já — alumina com matéria-prima importada e máquinas com componentes terceiros exigem cálculo de origem.
  • Importando da Islândia (Anexo II): a desgravação brasileira é progressiva por categoria de anos — a alíquota do ano do embarque sai da fórmula (menor entre base e NMF) × (1 − margem do ano); confira a coluna do Brasil e eventuais cotas (vinhos, queijos, fórmulas infantis, chocolates).
  • EEE, não UE: a Islândia aplica o acervo do mercado interno europeu (marcação CE, segurança de produtos, químicos estilo REACH, rotulagem de alimentos) exceto agricultura e pesca, que têm regime próprio islandês — valide cada produto com o importador e o Tollurinn.
  • Fiscal local: IVA 24% padrão / 11% reduzido (alimentos, hotelaria); imposto de renda corporativo ~20%; sem bitributação automática — verifique o acordo Brasil–Islândia aplicável ao seu caso.

Logística até Reykjavik

  • Porto de Reykjavik (ISREY) — operado pela Faxaflóahafnir (FaxaPorts): o terminal de Sundahöfn concentra contêineres e carga geral (cais Skarfabakki 650 m/12 m, Kleppsbakki, Sundabakki e Vogabakki); Gamla höfn (porto velho) atende pesca e reparos; Grundartangi é o porto industrial das fundições.
  • Terminais e reefer: Eimskip (~300 mil m², 7.000 TEU, 500 tomadas reefer) e Samskip (7.530 TEU, 352 tomadas reefer) — infraestrutura crítica para pescado e alimentos; reserve reefer com antecedência no inverno.
  • Linhas e frequência: Eimskip, Samskip, CMA CGM, Maersk, Hapag-Lloyd e Torcargo operam ~13 serviços ligando Reykjavik a ~23 portos em 12 países; rota Reykjavik–Rotterdam direta em ~3 dias, 1–2 vezes/semana.
  • Rota desde o Brasil: não há serviço direto — padrão é Santos/Itaguaí → Rotterdam/Algeciras (12–15 dias) + feeder → Reykjavik (~3 dias); porta-a-porta típico de 25–35 dias. Cotar through B/L único.
  • Aéreo: aeroporto internacional de Keflavik (KEF) para cargas urgentes e de alto valor (próteses, instrumentos, amostras de café) — armazém alfandegado e voos diários para hubs europeus.
  • Operação: acesso ao porto livre de gelo o ano todo; pilotagem obrigatória (aviso de ETA com 24 h); inverno (nov–mar) pode gerar blank sailings e atrasos por tempestades — inclua 1 semana de colchão no cronograma e cubra stock-out com seguro de transporte adequado (Institute Cargo Clauses A para reefer).

Cultura de Negócios na Islândia

  • Diretos e igualitários: hierarquia quase inexistente; o estagiário contesta o CEO na mesma mesa. Seja objetivo, sem floreio nem títulos pomposos.
  • Pontualidade absoluta: chegar atrasado sinaliza desrespeito; reuniões começam na hora e terminam na hora.
  • Inglês fluente: negocia-se em inglês sem barreira; ainda assim, aprender meia dúzia de palavras em islandês (takk, góðan dag) abre portas.
  • Consenso antes do contrato: decisões amadurecem em grupo; não pressione por "sim" na primeira reunião — envie o resumo escrito e aguarde.
  • Confiança > papel: palavra dada vale muito; contratos são curtos e cumpridos à risca. Quebrar prazo mancha o nome no mercado inteiro — que é minúsculo e todos se conhecem.
  • Calendário: evite a semana do Natal/Ano-Novo e o auge das férias de julho; no verão, daylight de quase 24 h acelera o ritmo; no inverno, jornadas encurtam.
  • Sustentabilidade como filtro: energia limpa, pesca certificada (MSC) e pegada de carbono entram na avaliação do fornecedor — apresente seus diferenciais verdes com dados, não slogans.

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FAQ — Exportar para a Islândia

1. O acordo Mercosul–EFTA já vale para a Islândia? Sim. Entrou em vigor para Brasil e Islândia em 01/10/2026. Produtos industriais e pescado têm 0% desde essa data; agrícolas seguem o Anexo III (muitos zerados, alguns com específico em ISK/kg).

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2. Qual o imposto de importação do café brasileiro na Islândia? Café verde em grão (NCM 0901.11.10) entra com 0%. Sobre o CIF incide apenas o IVA reduzido de 11% (alimentos).

3. Consigo exportar carne bovina com preferência? Dentro da cota global OMC de 95 t/ano, com redução de 50% dos direitos. Fora da cota, aplica-se a NMF islandesa integral — valide a disponibilidade da cota com o importador antes de fechar.

4. Quais documentos não podem faltar? Fatura, packing list, B/L, prova de origem Mercosul–EFTA e o certificado específico do produto (fitossanitário do MAPA para café/madeira; sanitário SIF para carne; conformidade CE para equipamentos).

5. Quanto tempo leva um embarque Santos–Reykjavik? De 25 a 35 dias porta a porta, com transbordo no Norte da Europa (geralmente Rotterdam). No inverno, some uma semana de margem por condições meteorológicas.

6. Como encontrar compradores islandeses? Torrefadoras e atacadistas de alimentos (café), construtoras e depósitos de material (madeira), fundições e traders de alumina, além de feiras europeias de seafood e da prospecção via diretório de empresas e do painel da Islândia na TRADEXA.

7. A Islândia usa o euro? Não. A moeda é a coroa islandesa (ISK) e o país não integra a UE — mas, via EEE, aplica as regras do mercado interno europeu para produtos industriais.

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