Importar da Argentina: Vinho, Trigo, Oleaginosas e Insumos Industr...

A Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul e um dos fornecedores mais estratégicos para o mercado brasileiro.

Publicado em 2026-06-27 | Atualizado em 2026-06-27 | TRADEXA Blog

Importar da Argentina: Vinho, Trigo, Oleaginosas e Insumos Industriais

A Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul e um dos fornecedores mais estratégicos para o mercado brasileiro. Com uma economia complementar à brasileira, o país vizinho oferece produtos de alta qualidade nos setores de vinhos, trigo, oleaginosas, farelo de soja e insumos petroquímicos. A proximidade geográfica, a integração logística terrestre e o Mercosul tornam a importação da Argentina particularmente vantajosa. Este guia completo aborda todos os aspectos da importação de produtos argentinos, desde a classificação fiscal até a logística e tributação.

O Comércio Brasil-Argentina no Contexto do Mercosul

Brasil e Argentina são os principais membros do Mercosul, bloco econômico que estabelece uma união aduaneira entre seus integrantes. Isso significa que, para a maioria dos produtos, há livre comércio entre os dois países, com alíquotas de importação zeradas e procedimentos aduaneiros simplificados.

Em 2023, o comércio bilateral entre Brasil e Argentina movimentou aproximadamente US$ 30 bilhões, com destaque para as exportações argentinas de trigo, farelo de soja, óleos vegetais, veículos, autopeças, produtos químicos e, claro, vinhos.

A integração logística entre os dois países é facilitada por uma extensa malha rodoviária, hidrovias compartilhadas e uma fronteira terrestre de mais de 1.200 quilômetros. Isso permite que grande parte do comércio bilateral seja realizada por via terrestre, reduzindo custos e prazos de entrega em comparação com fornecedores de outros continentes.

Importação de Vinhos Argentinos

A Argentina é um dos maiores produtores mundiais de vinhos, reconhecida internacionalmente pela qualidade de seus Malbecs, especialmente da região de Mendoza. O vinho argentino é o mais consumido no Brasil entre os importados, superando concorrentes como Chile e Portugal.

Principais Regiões Vinícolas Argentinas

As principais regiões produtoras de vinho na Argentina incluem:

  • Mendoza: Responsável por aproximadamente 70% da produção argentina. Sub-regiões como Luján de Cuyo, Valle de Uco e Maipú produzem os melhores Malbecs
  • Salta: Vinhos tintos de altitude, especialmente da variedade Torrontés
  • San Juan: Segunda maior região produtora, com vinhos de boa relação custo-benefício
  • Patagônia (Rio Negro, Neuquén): Vinhos de clima mais frio, com Pinot Noir e Merlot de destaque
  • La Rioja: Vinhos tintos encorpados, especialmente da variedade Bonarda

Classificação NCM de Vinhos

Os vinhos classificam-se no Capítulo 22 da NCM (Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres). As NCMs mais comuns incluem:

  • 2204.10.00 – Vinhos espumantes
  • 2204.21.00 – Vinhos em recipientes com capacidade igual ou inferior a 2 litros
  • 2204.22.00 – Vinhos em recipientes com capacidade superior a 2 litros, mas não superior a 10 litros
  • 2204.29.00 – Outros vinhos

A classificação correta depende do teor alcoólico, tipo de vinho (tinto, branco, rosé, espumante) e tipo de embalagem. Para espumantes, é importante verificar se o produto é natural (fermentado em garrafa) ou gaseificado artificialmente, pois a classificação pode diferir.

O Classificador NCM da TRADEXA auxilia o importador de vinhos a identificar a classificação correta com base na descrição detalhada do produto, considerando todas as variáveis que influenciam o enquadramento tarifário.

Tributação na Importação de Vinhos

A importação de vinhos argentinos beneficia-se do Mercosul, mas ainda está sujeita a tributos internos:

Imposto de Importação (II): Como produto do Mercosul, o vinho argentino tem alíquota de 0% de Imposto de Importação, desde que atenda às regras de origem do bloco.

IPI: A alíquota do IPI para vinhos varia de 5% a 30%, dependendo do tipo de vinho. Vinhos tintos finos geralmente têm alíquota de 10%, enquanto espumantes podem chegar a 20%.

PIS e COFINS: As alíquotas na importação são de 2,1% e 9,65% no regime não cumulativo.

ICMS: O ICMS sobre vinhos varia conforme o estado de destino, com alíquotas entre 12% e 18%. Alguns estados aplicam alíquotas internas mais altas para bebidas alcoólicas.

IPVA (Imposto sobre Produtos Vazados – quando aplicável): Alguns estados cobram imposto específico sobre bebidas alcoólicas.

Para calcular corretamente a carga tributária total sobre vinhos argentinos, a Calculadora de Impostos da TRADEXA considera todas as variáveis, incluindo as alíquotas específicas para bebidas e os benefícios fiscais do Mercosul.

Regulamentação para Importação de Bebidas

A importação de vinhos exige atenção a requisitos específicos:

  • Registro do produto no Ministério da Agricultura (MAPA)
  • Certificado de Origem Mercosul (para comprovar a origem argentina)
  • Certificado de livre comercialização emitido pelo Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) da Argentina
  • Comprovante de pagamento do selo fiscal (quando exigido pelo estado de destino)
  • Análise de rotulagem conforme regulamentação do MAPA
  • Laudo de análise laboratorial (quando exigido)

Além disso, o importador deve estar atento às regras de rotulagem estabelecidas pela Instrução Normativa MAPA, que exige informações como teor alcoólico, safra, variedade da uva, região de origem e presença de sulfitos.

Importação de Trigo Argentino

A Argentina é um dos maiores exportadores mundiais de trigo e o principal fornecedor desse cereal para o Brasil. O trigo argentino é altamente valorizado pela indústria moageira brasileira devido à sua qualidade e à proximidade logística.

Características do Trigo Argentino

O trigo argentino é classificado em diferentes tipos conforme a qualidade panificável:

  • Trigo Tipo 1 (Premium): Alto teor de glúten e força de farinha, ideal para panificação industrial
  • Trigo Tipo 2 (Standard): Qualidade intermediária para panificação e massas
  • Trigo Tipo 3 (Básico): Para produtos de panificação de menor exigência e ração animal

Classificação NCM do Trigo

O trigo classifica-se no Capítulo 10 da NCM:

  • 1001.19.00 – Trigo duro (exceto para semeadura)
  • 1001.99.00 – Outros trigos (mole e misturados)

A classificação correta depende do tipo de trigo e sua destinação. A NCM 1001.19.00 é específica para trigo duro (Triticum durum), utilizado principalmente para produção de massas. A NCM 1001.99.00 abrange os trigos moles (Triticum aestivum), utilizados para panificação.

Tributação do Trigo

O trigo argentino, como produto do Mercosul, tem Imposto de Importação de 0%. Além disso, o trigo é um insumo essencial para a indústria alimentícia brasileira e, em momentos de pressão inflacionária, o governo pode reduzir ou zerar temporariamente as alíquotas de tributos federais.

O IPI para trigo é geralmente de 0%, e o PIS e COFINS seguem as alíquotas padrão. O ICMS na importação de trigo pode ter redução de base de cálculo ou alíquotas diferenciadas em alguns estados, por tratar-se de insumo alimentar básico.

O Tarifário Global TRADEXA permite consultar rapidamente as alíquotas vigentes para cada NCM de trigo, incluindo eventuais reduções temporárias concedidas pelo governo.

Importação de Oleaginosas e Farelo de Soja

A Argentina é o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja, e o Brasil importa volumes significativos desses produtos para complementar sua produção interna.

Produtos Principais

Os principais produtos oleaginosos importados da Argentina incluem:

  • Farelo de soja (soybean meal): Utilizado como ração animal na indústria de aves, suínos e bovinos
  • Óleo de soja refinado e bruto: Utilizado na indústria alimentícia e para produção de biodiesel
  • Sementes de girassol: Para produção de óleo vegetal e ração
  • Sementes de colza (canola): Fonte de óleo vegetal e farelo proteico
  • Amendoim: Consumo in natura e para indústria de doces

Classificação NCM de Oleaginosas

As oleaginosas e seus derivados classificam-se nos Capítulos 12 (Sementes e frutos oleaginosos) e 23 (Resíduos da indústria alimentícia) da NCM:

  • 1201.00.00 – Grãos de soja
  • 1205.10.00 – Sementes de nabo silvestre ou de colza
  • 1206.00.00 – Sementes de girassol
  • 1507.10.00 – Óleo de soja bruto
  • 1507.90.00 – Óleo de soja refinado
  • 2304.00.00 – Farelo de soja e resíduos da extração do óleo de soja

Logística de Importação de Grãos

A importação de grãos e farelos da Argentina é predominantemente terrestre, através de rodovias e hidrovias:

Transporte Rodoviário: Caminhões cruzam a fronteira nos principais postos aduaneiros, como Uruguaiana (RS) / Paso de los Libres, Foz do Iguaçu (PR) / Puerto Iguazú e São Borja (RS) / Santo Tomé.

Hidrovias: A Hidrovia Paraná-Paraguai é uma rota estratégica para o transporte de grãos argentinos para o Brasil. Barcaças transportam cargas do interior argentino até os portos do Rio Grande do Sul e São Paulo.

Ferrovias: Embora menos utilizadas, as conexões ferroviárias entre Argentina e Brasil têm potencial para expansão no transporte de cargas agrícolas.

O Mapa de Frete Marítimo da TRADEXA, embora focado em rotas marítimas, também oferece informações sobre os principais portos fluviais e conexões hidroviárias que são relevantes para o comércio bilateral Argentina-Brasil.

Importação de Insumos Petroquímicos

A Argentina possui uma indústria petroquímica desenvolvida, que exporta para o Brasil diversos insumos industriais:

  • Nafta petroquímica: Matéria-prima para a indústria petroquímica brasileira
  • Propileno e etileno: Monômeros para produção de plásticos
  • Metanol: Utilizado na produção de formaldeído e solventes
  • Ureia: Fertilizante agrícola
  • Amônia: Insumo para fertilizantes e produtos químicos
  • Ácido sulfúrico: Utilizado na indústria química e de fertilizantes

Classificação NCM de Insumos Químicos

Os produtos petroquímicos classificam-se na Seção VI da NCM (Produtos das indústrias químicas). As principais NCMs incluem:

  • 2709.00.00 – Óleos brutos de petróleo
  • 2710.XX.XX – Óleos de petróleo refinados
  • 2814.10.00 – Amônia anidra
  • 2847.00.00 – Ureia (incluindo soluções aquosas)
  • 2901.10.00 – Hidrocarbonetos acíclicos saturados (propano, butano)
  • 2902.20.00 – Benzeno
  • 2903.XX.XX – Derivados halogenados de hidrocarbonetos

A classificação correta de produtos químicos é particularmente desafiadora devido às especificações técnicas exigidas. O Classificador NCM da TRADEXA, com sua base de dados completa de produtos químicos e regras de classificação, auxilia o importador a identificar a NCM correta.

Regras de Origem do Mercosul

Para que os produtos argentinos se beneficiem da alíquota zero de Imposto de Importação no âmbito do Mercosul, é necessário cumprir as regras de origem do bloco:

Critério de Origem: O produto deve ser totalmente obtido na Argentina ou ter sofrido transformação substancial que resulte em classificação NCM diferente da dos insumos importados de países não membros.

Conteúdo Regional: Para produtos processados, o valor dos insumos do Mercosul deve corresponder a no mínimo 40% do valor FOB do produto.

Certificado de Origem: O Certificado de Origem Mercosul deve ser emitido pelo órgão competente argentino e apresentado no desembaraço aduaneiro.

Produtos Acordados: Nem todos os produtos estão automaticamente incluídos. O Mercosul lista produtos sujeitos a regras de origem específicas em seu Regime de Origem.

O Tarifário Global TRADEXA permite verificar se um produto argentino está abrangido pelo Mercosul e quais os requisitos de origem aplicáveis.

Tributação Geral na Importação da Argentina

A tributação de produtos importados da Argentina segue as regras gerais do comércio internacional, com as vantagens do Mercosul:

Imposto de Importação (II): 0% para a maioria dos produtos originários da Argentina, desde que cumpridas as regras de origem do Mercosul.

IPI: As alíquotas variam conforme o produto, de 0% (para insumos básicos como trigo) até 30% (para bebidas alcoólicas).

PIS/PASEP e COFINS: Na importação, as alíquotas são de 2,1% e 9,65% no regime não cumulativo, ou 1,65% e 7,6% em alguns casos específicos.

ICMS: O ICMS incide na importação conforme as regras do estado de destino. Para produtos do Mercosul, o ICMS pode ter tratamento diferenciado em alguns estados, com benefícios fiscais para importações de países do bloco.

AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante): Incide sobre o frete marítimo, mas não se aplica ao transporte terrestre.

Para simular a carga tributária total de uma importação da Argentina, a Calculadora de Impostos da TRADEXA é a ferramenta ideal. Ela considera a alíquota zero de II para produtos do Mercosul e calcula corretamente os demais tributos.

Logística Terrestre Brasil-Argentina

A logística terrestre é um dos grandes diferenciais da importação da Argentina. As principais rotas e modais incluem:

Rodovias

A malha rodoviária conecta os dois países através de diversas travessias de fronteira. As principais rotas são:

  • BR-101 / Ruta 14 (Rio Grande do Sul – Buenos Aires): Principal corredor rodoviário
  • BR-277 / Ruta 12 (Foz do Iguaçu – Puerto Iguazú): Conexão com o norte argentino
  • BR-116 / Ruta 7 (Rio Grande do Sul – Mendoza): Rota para os vinhos da região de Mendoza
  • BR-290 / Ruta 3 (Rio Grande do Sul – Patagônia): Para cargas do sul argentino

Postos Aduaneiros

Os principais postos de fronteira para o comércio bilateral são:

  • Uruguaiana (RS) – Paso de los Libres (Argentina): Maior posto de fronteira seca da América Latina
  • Foz do Iguaçu (PR) – Puerto Iguazú (Argentina): Movimentação intensa de cargas
  • São Borja (RS) – Santo Tomé (Argentina): Alternativa para desafogar Uruguaiana
  • Dionísio Cerqueira (SC) – Bernardo de Irigoyen (Argentina): Rota para o norte argentino

Hidrovias

A Hidrovia Paraná-Paraguai conecta portos argentinos (Rosário, San Lorenzo, Santa Fé) a portos brasileiros (Porto Alegre, Rio Grande, Estrela, Cáceres). É uma rota de baixo custo para cargas de grande volume, como grãos e fertilizantes.

Vantagens Logísticas

Importar da Argentina por via terrestre oferece vantagens como:

  • Prazo de entrega de 5 a 15 dias (contra 25 a 40 dias por via marítima da Ásia)
  • Custos de frete mais baixos para cargas consolidadas
  • Maior flexibilidade para embarques fracionados
  • Menor burocracia em comparação com importações de fora do Mercosul
  • Facilidade de retorno de cargas (aproveitamento de fretes de retorno de caminhões que levam exportações brasileiras)

Documentação para Importação da Argentina

A importação de produtos argentinos requer documentação específica, embora simplificada em relação a importações de fora do Mercosul:

  • Fatura Comercial (Factura Comercial): Emitida pelo exportador argentino
  • Romaneio (Remito): Equivalente ao packing list
  • Conhecimento de Transporte (Carta de Porte Internacional): Para transporte rodoviário (CRM – Conhecimento de Transporte Rodoviário Internacional)
  • Certificado de Origem Mercosul: Formulário emitido pela autoridade competente argentina
  • Declaração de Importação (DI): Registrada no SISCOMEX
  • Documentos Sanitários: Quando aplicável (certificado fitossanitário, certificado de análise para vinhos)
  • Manifesto Internacional de Carga (MIC/DTA): Documento de trânsito aduaneiro

Conclusão

Importar da Argentina oferece vantagens únicas para o importador brasileiro: livre comércio no âmbito do Mercosul (com Imposto de Importação zero), proximidade geográfica que reduz prazos e custos logísticos, integração rodoviária e hidroviária, e uma pauta diversificada de produtos de alta qualidade, desde vinhos premiados até insumos industriais essenciais.

O sucesso na importação de produtos argentinos depende do conhecimento das regras do Mercosul, da classificação fiscal correta (utilizando o Classificador NCM da TRADEXA), da consulta às alíquotas aplicáveis (com o Tarifário Global TRADEXA), do cálculo preciso da carga tributária (através da Calculadora de Impostos), da análise de mercado e fornecedores (com Trade Intelligence e Smart Rank), da pesquisa de players do setor (no Diretório de Importadores) e do planejamento logístico terrestre e hidroviário (com auxílio do Mapa de Frete Marítimo TRADEXA).

Com as ferramentas certas e o conhecimento adequado das especificidades do mercado argentino, qualquer empresa brasileira pode transformar o país vizinho em uma fonte estratégica de fornecimento, aproveitando a integração econômica do Mercosul e a complementaridade das economias para aumentar sua competitividade.