Introdução: O Cazaquistão como Parceiro Comercial Estratégico
O Cazaquistão é a maior economia da Ásia Central e um dos players mais relevantes do comércio global de energia e minérios. Com um território de 2,7 milhões de quilômetros quadrados (o nono maior do mundo), uma população de 20 milhões de habitantes e um PIB que ultrapassou US$ 290 bilhões em 2025, o país construiu uma economia baseada na exportação de recursos naturais — petróleo, gás natural, urânio, cobre, zinco, chumbo, ferro e carvão — que o posiciona como fornecedor estratégico para os mercados da Europa, da China e, cada vez mais, da América Latina.
Para o importador brasileiro, o Cazaquistão representa uma oportunidade ainda pouco explorada, mas com potencial real, especialmente nos segmentos de minérios, fertilizantes, produtos petroquímicos e metais não-ferrosos. O país possui as maiores reservas mundiais de urânio (responsável por mais de 40% da produção global), a décima maior reserva de petróleo (cerca de 30 bilhões de barris), enormes depósitos de cobre (mais de 60 milhões de toneladas), zinco (30 milhões de toneladas) e chumbo (15 milhões de toneladas), além de ser um dos maiores produtores mundiais de trigo e farinha.
O comércio bilateral Brasil-Cazaquistão ainda é incipiente, movimentando cerca de US$ 400 milhões em 2025. O Brasil exporta principalmente carnes, açúcar, máquinas e equipamentos, enquanto importa fertilizantes potássicos, produtos petrolíferos, urânio enriquecido e alguns minérios específicos. No entanto, as barreiras comerciais estão diminuindo: o Cazaquistão é membro da União Econômica Eurasiática (UEE) junto com Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão, e o Brasil negocia um acordo de livre comércio com o bloco desde 2023, que pode reduzir significativamente as tarifas de importação e facilitar o acesso para produtos brasileiros e cazaques.
A logística, é verdade, não é trivial. O Cazaquistão é um país sem saída para o mar — o maior país sem litoral do mundo. No entanto, o chamado Corredor Transcaspiano, que conecta o Cazaquistão aos portos do Mar Cáspio e, através do Azerbaijão e da Geórgia, ao Mar Negro e aos mercados europeus e brasileiros, vem sendo desenvolvido com investimentos significativos em infraestrutura portuária, ferroviária e de terminais. Para o importador brasileiro que sabe navegar essa logística, o Cazaquistão oferece preços FOB extremamente competitivos, especialmente em minérios e produtos siderúrgicos, que compensam o custo do frete.
Este guia técnico aborda em profundidade as oportunidades de importação do Cazaquistão para o Brasil, analisando os principais produtos exportáveis (petróleo, urânio, cobre, zinco, chumbo, produtos químicos e fertilizantes), a classificação NCM adequada, as tarifas de importação, as rotas logísticas do Corredor Transcaspiano, a documentação exigida, as certificações e as ferramentas da plataforma TRADEXA que podem apoiar o importador brasileiro em cada etapa da operação.
Petróleo e Gás Natural: A Base da Pauta Exportadora Cazaque
O petróleo é, de longe, o principal produto de exportação do Cazaquistão. O país produziu aproximadamente 90 milhões de toneladas de petróleo em 2025 (cerca de 1,9 milhão de barris por dia), dos quais mais de 85% foram exportados. Os principais campos petrolíferos são Tengiz (operado pela Chevron, o maior do país), Karachaganak (operado por Shell, Eni e Chevron) e Kashagan (operado por um consórcio internacional liderado pela ExxonMobil e pela Shell), no Mar Cáspio. O petróleo cazaque é exportado através de três grandes oleodutos: o oleoduto CPC (Caspian Pipeline Consortium), que leva o petróleo ao porto russo de Novorossiysk no Mar Negro; o oleoduto Atasu-Alashankou, que conecta à China; e o oleoduto Uzen-Atyrau-Samara, que conecta à Rússia.
Para o importador brasileiro, o petróleo cazaque não é um alvo óbvio — a logística de importação de petróleo bruto exige terminais especializados, contratos de longo prazo e escala que poucas empresas brasileiras possuem. No entanto, os derivados de petróleo — nafta petroquímica, GLP, gasolina, diesel e óleo combustível — podem ser importados em volumes menores, especialmente por traders e distribuidores que operam nos portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande.
A classificação NCM para petróleo e seus derivados está concentrada no capítulo 27 (Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais):
- NCM 2709.00.10 — Óleos brutos de petróleo: alíquota de II de 0% (zero), por ser matéria-prima essencial para a indústria de refino. No entanto, a importação de petróleo bruto é restrita a empresas autorizadas pela ANP.
- NCM 2710.12.91 — Óleos leves para fins petroquímicos (nafta): alíquota de II de 0% a 6%, dependendo da destinação e da autorização da ANP.
- NCM 2710.19.21 — Óleo diesel: alíquota de II de 6% a 8%, com exigências de mistura de biodiesel (B10, B15) definidas pelo CNPE.
- NCM 2710.19.91 — Óleos combustíveis para fins petroquímicos: alíquota de II de 0% a 6%.
- NCM 2711.14.00 — Gás liquefeito de petróleo (GLP): alíquota de II de 0% a 4%, dependendo da origem e da destinação.
A importação de petróleo e derivados do Cazaquistão para o Brasil exige o cumprimento de regulações específicas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), incluindo o registro do importador, a autorização de operação e a comprovação da qualidade do produto conforme as especificações da ANP. O Classificador NCM da TRADEXA é uma ferramenta indispensável para garantir a classificação correta de cada derivado, evitando erros que podem resultar em multas de até R$ 5 milhões por parte da ANP.
O gás natural cazaque é outro produto com potencial. O Cazaquistão produziu mais de 30 bilhões de metros cúbicos de gás natural em 2025, dos quais cerca de metade foi exportada para a China e a Rússia. O gás natural liquefeito (GNL) e o gás natural comprimido (GNC) podem ser opções de importação para o Brasil, especialmente em momentos de alta dos preços internacionais do GNL. No entanto, a logística de GNL exige terminais de regaseificação especializados, que o Brasil possui em Pecém (CE) e na Baía de Guanabara (RJ).
Urânio e Minérios Radioativos: O Líder Global Cazaque
O Cazaquistão é, de longe, o maior produtor mundial de urânio, responsável por mais de 40% da produção global em 2025 — cerca de 22 mil toneladas de urânio natural (U₃O₈). O país possui as segundas maiores reservas de urânio do mundo (atrás apenas da Austrália), com mais de 900 mil toneladas de recursos identificados. A produção está concentrada na província de Turkistão, no sul do país, onde a mineração é feita predominantemente pelo método de lixiviação in-situ (ISL), que é mais barato e menos impactante ambientalmente que a mineração convencional.
O urânio cazaque é exportado para usinas nucleares em todo o mundo — China, Rússia, França, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Canadá são os principais compradores. A empresa nacional Kazatomprom é a maior produtora de urânio do mundo, responsável por cerca de um terço da produção global.
Para o Brasil, o urânio cazaque é particularmente relevante. O Brasil opera duas usinas nucleares em Angra dos Reis (Angra 1 e Angra 2, com Angra 3 em construção) que consomem urânio enriquecido como combustível. Atualmente, o Brasil importa a maior parte do urânio enriquecido necessário para suas usinas, e o Cazaquistão é um fornecedor potencial tanto de urânio natural (para enriquecimento no Brasil) quanto de urânio enriquecido (ready-to-use).
A classificação NCM para urânio e materiais nucleares está no capítulo 28 (Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos) e no capítulo 84 (Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos):
- NCM 2844.10.10 — Urânio natural e seus compostos: alíquota de II de 0% (zero), pois o urânio natural é matéria-prima estratégica para o programa nuclear brasileiro.
- NCM 2844.20.10 — Urânio enriquecido e seus compostos: alíquota de II de 0%.
- NCM 2844.30.10 — Urânio empobrecido e seus compostos: alíquota de II de 0%.
- NCM 2844.50.00 — Elementos e isótopos radioativos e seus compostos: alíquota de II de 0% a 6%, dependendo da aplicação.
A importação de urânio do Cazaquistão exige autorizações específicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que regula todos os aspectos da importação, armazenamento e uso de materiais nucleares no Brasil. O processo é complexo e burocrático, mas perfeitamente factível para empresas habilitadas no setor nuclear.
Cobre, Zinco e Chumbo: Metais Não-Ferrosos
Além do petróleo e do urânio, o Cazaquistão é um produtor significativo de metais não-ferrosos, com destaque para o cobre, o zinco e o chumbo. O país possui algumas das maiores minas de cobre do mundo, incluindo a mina de Aktogay (operada pela KAZ Minerals, uma das minas de cobre a céu aberto mais modernas do mundo) e a mina de Bozshakol, ambas na região de Pavlodar, no leste do Cazaquistão.
A produção cazaque de cobre refinado ultrapassou 500 mil toneladas em 2025, posicionando o país entre os dez maiores produtores mundiais. O cobre cazaque é exportado principalmente para a China (que absorve mais de 60% da produção), a Rússia e a Europa. Para o Brasil, o cobre refinado cazaque pode competir com o cobre chileno e peruano em preço, especialmente em momentos de alta do dólar e de volatilidade no mercado de metais.
A classificação NCM para cobre e seus produtos está no capítulo 74 (Cobre e suas obras):
- NCM 7402.00.00 — Cobre não refinado; ânodos de cobre para refinação eletrolítica: alíquota de II de 0% a 4%, dependendo do grau de pureza e da forma de apresentação.
- NCM 7403.11.00 — Cobre refinado, em formas de cátodos e segmentos de cátodos: alíquota de II de 0% (zero). O cobre refinado em cátodos é a forma mais comum de importação de cobre, com isenção total de II.
- NCM 7403.12.00 — Cobre refinado, em formas de barras: alíquota de II de 0% a 6%.
- NCM 7403.13.00 — Cobre refinado, em formas de vergalhões (wire rods): alíquota de II de 0% a 6%.
- NCM 7404.00.00 — Desperdícios e resíduos de cobre: alíquota de II de 0% a 4%.
O zinco é outro metal onde o Cazaquistão tem posição de destaque. O país é o sétimo maior produtor mundial de zinco refinado, com produção anual de aproximadamente 350 mil toneladas. As principais minas de zinco cazaques são a mina de Zhairem (na região de Karaganda) e a mina de Ridder-Sokol (no leste do país). O zinco cazaque é exportado na forma de lingotes (NCM 7901.11.00 — zinco não ligado, com teor de zinco superior a 99,99%), com alíquota de II de 0% a 4%.
O chumbo cazaque segue o mesmo padrão. O país é o oitavo maior produtor mundial de chumbo refinado, com produção anual de aproximadamente 120 mil toneladas. O chumbo cazaque é exportado na forma de lingotes (NCM 7801.10.00 — chumbo refinado), com alíquota de II de 0% a 4%. O chumbo é utilizado na fabricação de baterias automotivas, munições, revestimentos de cabos e proteção contra radiação.
Para o importador brasileiro de metais não-ferrosos, a grande vantagem do Cazaquistão é o preço FOB competitivo. Os custos de mineração e refino no Cazaquistão estão entre os mais baixos do mundo, graças à energia elétrica barata (gerada por carvão e hidrelétricas nas regiões produtoras), à mão de obra qualificada e à infraestrutura de transporte ferroviário existente. O preço FOB do cobre cazaque pode ser 5% a 10% inferior ao do cobre chileno, embora o frete marítimo do Mar Cáspio ao Brasil seja mais caro que o frete do Chile.
Fertilizantes e Produtos Químicos: Suprindo a Demanda do Agronegócio Brasileiro
Um segmento de alta relevância para o importador brasileiro é o de fertilizantes e produtos químicos. O Cazaquistão é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes potássicos e nitrogenados, graças às imensas reservas de potássio e aos subprodutos da indústria petroquímica.
O Cazaquistão possui a segunda maior reserva mundial de potássio (mais de 10 bilhões de toneladas), localizada na bacia de Satimola, na província de Atyrau, e no depósito de Zhilyanskoye, no oeste do país. A empresa estatal KazPotash e a joint venture com a EuroChem (Rússia) estão desenvolvendo projetos de mineração de potássio que devem elevar a produção para mais de 5 milhões de toneladas por ano até 2030. O cloreto de potássio (KCl) cazaque (NCM 3104.20.90) pode ser uma alternativa ao potássio russo e bielorrusso, que têm sido alvo de sanções internacionais e restrições logísticas.
A classificação NCM para fertilizantes está no capítulo 31 (Adubos ou fertilizantes):
- NCM 3104.20.90 — Cloreto de potássio (KCl) com teor de K₂O superior a 60%: alíquota de II de 0% (zero), graças ao regime de Ex-tarifário para fertilizantes, que reconhece a importância estratégica do insumo para o agronegócio brasileiro.
- NCM 3105.20.00 — Fertilizantes minerais ou químicos contendo os três elementos fertilizantes (NPK): alíquota de II de 0% a 4%.
- NCM 3105.30.00 — Fosfato de hidrogênio de diamônio (DAP): alíquota de II de 0% a 4%.
- NCM 3102.10.10 — Ureia com teor de nitrogênio superior a 45%: alíquota de II de 0% a 4%.
O Brasil importa mais de 40 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, sendo o maior importador mundial de potássio. A dependência brasileira de potássio russo e bielorrusso tem gerado vulnerabilidades logísticas e geopolíticas, e o Cazaquistão surge como uma alternativa estratégica para diversificar as origens de fornecimento. O Tarifário de 31 Países da TRADEXA permite ao importador de fertilizantes verificar as alíquotas exatas aplicáveis ao seu NCM, considerando acordos comerciais e regimes especiais.
Além dos fertilizantes, o Cazaquistão exporta produtos petroquímicos básicos — polietileno, polipropileno, metanol, amônia — que podem ser de interesse para a indústria química brasileira. O complexo petroquímico de Atyrau, operado pela KazMunayGas (a estatal de petróleo e gás cazaque), produz uma gama de produtos petroquímicos que são exportados para a China, a Europa e o Sudeste Asiático.
O Corredor Transcaspiano: Como Chega ao Brasil
A logística é, simultaneamente, o maior desafio e o maior diferencial competitivo do Cazaquistão como origem de importação para o Brasil. Por ser um país sem saída para o mar, todo o comércio exterior cazaque depende de rotas terrestres, dutoviárias e marítimas que atravessam países vizinhos.
O Corredor Transcaspiano é a rota mais promissora para o comércio entre o Cazaquistão e o Brasil. O corredor funciona da seguinte forma: a carga sai das regiões produtoras (Aktau, Atyrau, Karaganda, Pavlodar) por ferrovia até o porto de Aktau, no Mar Cáspio. Em Aktau, a carga é transferida para navios de cabotagem caspiana que cruzam o Mar Cáspio até o porto de Baku, no Azerbaijão. De Baku, a carga segue por ferrovia até Tbilisi (Geórgia) e depois para os portos de Poti ou Batumi, no Mar Negro. Em Poti ou Batumi, a carga é embarcada em navios oceânicos com destino aos portos brasileiros (Santos, Paranaguá, Rio Grande, Vitória).
O tempo total de trânsito do Cazaquistão ao Brasil via Corredor Transcaspiano é de 45 a 60 dias, dependendo das conexões ferroviárias, da disponibilidade de navios no Mar Cáspio e da frequência de linhas oceânicas saindo da Geórgia para o Brasil. O custo total do frete (incluindo o trecho ferroviário interno, a travessia do Cáspio, o trecho ferroviário no Cáucaso e o frete marítimo oceânico) varia de US$ 3.500 a US$ 6.500 por contêiner de 20 pés, dependendo do produto e da urgência.
Uma alternativa ao Corredor Transcaspiano é a rota via Rússia e Mar Báltico. A carga sai do Cazaquistão por ferrovia até os portos russos de Novorossiysk (Mar Negro) ou São Petersburgo (Mar Báltico), de onde segue por navio para o Brasil. Essa rota é mais rápida (35 a 50 dias) e mais barata (US$ 2.500 a US$ 4.500 por contêiner), mas depende da estabilidade geopolítica e da disponibilidade de contêineres na Rússia — fatores que se tornaram mais imprevisíveis desde as sanções ocidentais à Rússia.
Para cargas de alto valor ou urgência — como produtos químicos especiais, metais de alta pureza ou equipamentos — o frete aéreo é uma opção. O Aeroporto Internacional Nursultan Nazarbayev (NQZ), em Astana, e o Aeroporto de Almaty (ALA) operam voos cargueiros regulares para hubs europeus (Istambul, Frankfurt, Dubai, Moscou), com conexões para o Brasil. O frete aéreo de Almaty para São Paulo custa entre US$ 3,50 e US$ 6,00 por quilo, com trânsito de 7 a 14 dias.
O Mapa de Frete Marítimo da TRADEXA é uma ferramenta essencial para o importador que deseja visualizar as rotas disponíveis, comparar tempos de trânsito e custos, e escolher a opção mais eficiente para sua carga. A ferramenta integra dados de posicionamento de navios (AIS), frequência de linhas, capacidade de terminais e histórico de custos de frete, oferecendo uma visão completa das alternativas logísticas para cada origem e destino.
Tributação, Acordos Comerciais e Viabilidade
A importação de produtos do Cazaquistão para o Brasil segue a estrutura tributária padrão aplicável a países sem acordo de livre comércio com o Mercosul. Atualmente, o Cazaquistão e o Brasil negociam um acordo comercial no âmbito do Mercosul-União Econômica Eurasiática, mas ele ainda não foi concluído. Portanto, as alíquotas de II seguem a tarifa MFN (Nação Mais Favorecida) da OMC.
A estrutura tributária completa para importação do Cazaquistão inclui:
- Imposto de Importação (II): 0% para urânio, potássio, cobre refinado e matérias-primas estratégicas; 0% a 6% para derivados de petróleo; 0% a 4% para fertilizantes; 0% a 6% para produtos químicos.
- IPI: 0% a 15%, dependendo do produto e da classificação NCM.
- PIS-Importação: 2,10% sobre o valor CIF.
- COFINS-Importação: 9,65% sobre o valor CIF.
- ICMS: 12% a 25%, dependendo do estado de destino, incidente sobre a base ampliada.
- AFRMM: 8% sobre o valor do frete marítimo internacional.
- Taxa de Siscomex: R$ 199,00 por DI.
O custo total de nacionalização de produtos do Cazaquistão pode ser calculado com precisão usando a Calculadora de Importação da TRADEXA, que simula todos os tributos com base no NCM, valor FOB, frete, seguro e estado de destino. A ferramenta permite modelar diferentes cenários e identificar a combinação mais eficiente de origem, rota e regime tributário.
Um regime especial relevante para a importação de minérios e metais do Cazaquistão é o Recof-Sped (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), que permite a suspensão de tributos na importação de insumos destinados à industrialização de produtos exportados. Empresas brasileiras que importam cobre, zinco ou fertilizantes cazaques para processamento e reexportação podem se beneficiar desse regime, reduzindo significativamente o custo de capital de giro.
Do ponto de vista cambial, as transações com o Cazaquistão podem ser realizadas em dólares americanos (USD) ou, em alguns casos, em euros (EUR). O sistema bancário cazaque é estável e integrado ao sistema SWIFT, e as cartas de crédito (L/C) emitidas por bancos cazaques (Halyk Bank, Kaspi Bank, Banco Central do Cazaquistão) são aceitas por bancos brasileiros. Para transações de menor valor, transferências bancárias (T/T) com pagamento antecipado parcial são comuns.
Como a TRADEXA pode ajudar
Importar do Cazaquistão envolve complexidades que vão muito além do fechamento de câmbio e do embarço da mercadoria. A distância geográfica, as múltiplas modalidades logísticas do Corredor Transcaspiano, a classificação fiscal específica de minérios e produtos químicos, as tarifas variáveis por NCM e a necessidade de verificação de fornecedores em um mercado ainda pouco conhecido pelo importador brasileiro são desafios que exigem ferramentas de inteligência de mercado robustas e integradas.
A plataforma TRADEXA foi projetada para endereçar exatamente esses desafios, oferecendo ao importador brasileiro o conjunto de ferramentas necessário para operar com segurança e competitividade no mercado cazaque.
O Classificador NCM com Inteligência Artificial é indispensável para a classificação correta de minérios, petróleo, fertilizantes e metais do Cazaquistão. O capítulo 26 (minérios), 27 (combustíveis minerais), 28 (produtos químicos), 31 (fertilizantes), 74 (cobre), 78 (chumbo) e 79 (zinco) têm subcategorias sutis que alteram significativamente as alíquotas de importação. O classificador da TRADEXA sugere o código NCM mais adequado com base na descrição detalhada do produto, reduzindo o risco de erros de classificação.
O Tarifário de 31 Países permite consultar as alíquotas de Imposto de Importação aplicáveis a cada NCM específico na importação do Cazaquistão, comparando-as com as tarifas de outros 30 países. Essa visão global é estratégica para entender onde seus produtos cazaques têm vantagem competitiva e como precificá-los no mercado brasileiro.
O Smart Rank ranqueia as melhores oportunidades de importação com base em critérios objetivos — volume de mercado, taxa de crescimento, concorrência, tarifas, risco-país e distância logística. Para quem está avaliando importar urânio, cobre, fertilizantes ou produtos petroquímicos do Cazaquistão, o Smart Rank oferece uma visão consolidada do potencial de cada segmento, permitindo priorizar os produtos com maior relação entre oportunidade e complexidade logística.
O Diretório de 3,8 Milhões de Importadores é uma ferramenta de prospecção comercial que permite identificar empresas brasileiras que já importam produtos similares aos que você planeja trazer do Cazaquistão, em quais volumes e com que frequência. Use esses dados para validar seu mercado, identificar concorrentes e encontrar potenciais parceiros comerciais.
O Mapa de Frete Marítimo é particularmente útil para a logística complexa do Cazaquistão. A ferramenta visualiza as rotas do Corredor Transcaspiano, da rota russa e da rota aérea, com tempos de trânsito estimados, faixas de custo de frete e frequência de conexões. Você pode comparar rotas e escolher a opção mais eficiente para sua carga, levando em conta o valor do produto, a urgência e o custo logístico.
Os Dashboards de Trade Intelligence consolidam dados de comércio exterior em tempo real, permitindo monitorar as exportações do Cazaquistão para o Brasil e para o mundo, identificar tendências de preço e volume, e antecipar movimentos de mercado. Para commodities como petróleo, urânio e metais, onde os preços internacionais são voláteis, essa inteligência é fundamental para timing de compra e negociação de contratos.
Conclusão
O Cazaquistão é uma fronteira comercial pouco explorada pelo importador brasileiro, mas com um potencial que merece atenção estratégica. O país oferece produtos que o Brasil demanda em larga escala — fertilizantes potássicos, cobre refinado, urânio enriquecido, petróleo e derivados — a preços competitivos e com qualidade comprovada. A diversificação das origens de fornecimento para incluir o Cazaquistão reduz a dependência brasileira de fornecedores tradicionais (Chile para cobre, Rússia e Bielorrússia para potássio, Canadá e Austrália para urânio) e cria resiliência na cadeia de suprimentos.
Os desafios são reais: a logística do Corredor Transcaspiano é mais complexa que as rotas tradicionais, a distância geográfica é grande, o conhecimento do mercado cazaque ainda é limitado no Brasil e o acordo comercial Mercosul-União Eurasiática ainda não foi concluído. No entanto, para o importador que investir no conhecimento do mercado, na construção de relacionamentos com fornecedores cazaques e no uso de ferramentas de inteligência de mercado, as recompensas podem ser significativas.
A TRADEXA está ao lado do importador brasileiro em cada etapa dessa jornada. Do Classificador NCM ao Trade Intelligence, passando pelo Tarifário Global, Smart Rank, Diretório de Importadores e Mapa de Frete Marítimo, a plataforma oferece a inteligência necessária para transformar a promessa de uma boa oportunidade em uma operação de importação bem-sucedida e lucrativa.
O Cazaquistão é o maior país sem litoral do mundo, mas para o importador brasileiro que souber navegar suas rotas, entender sua classificação fiscal e avaliar corretamente seus custos logísticos, ele pode se tornar uma fonte regular e estratégica de suprimentos. O primeiro passo é acessar a TRADEXA, classificar seu produto e começar a explorar as oportunidades que o Cazaquistão oferece para o mercado brasileiro.