Hidrovias Brasileiras: Transporte de Carga e Eficiência Logística

O transporte hidroviário brasileiro é um dos modais mais promissores para a logística do comércio exterior, mas também um dos mais subutilizados.

Publicado em 2026-06-27 | Atualizado em 2026-06-27 | TRADEXA Blog

Hidrovias Brasileiras: Transporte de Carga e Eficiência Logística

O transporte hidroviário brasileiro é um dos modais mais promissores para a logística do comércio exterior, mas também um dos mais subutilizados. Com a maior rede hidrográfica do mundo, o Brasil possui cerca de 40 mil quilômetros de rios potencialmente navegáveis, dos quais apenas aproximadamente 13 mil quilômetros são efetivamente utilizados para o transporte comercial de cargas. Este guia completo apresenta o panorama das hidrovias brasileiras, seus principais corredores, a integração com os portos de exportação e as perspectivas de crescimento para o setor.

O Papel Estratégico das Hidrovias na Matriz Logística Brasileira

As hidrovias desempenham um papel fundamental na redução dos custos logísticos do comércio exterior brasileiro. O transporte hidroviário é o modal mais eficiente em termos de consumo energético por tonelada-quilômetro transportada, com custos operacionais que podem ser até 70% inferiores aos do transporte rodoviário para determinados tipos de carga e distâncias.

Uma composição de barcaças no sistema Tietê-Paraná pode transportar o equivalente à carga de 250 caminhões, consumindo aproximadamente 80% menos combustível por tonelada transportada. Essa eficiência se traduz em frete mais barato para o exportador e em menor impacto ambiental para a sociedade.

A participação do modal hidroviário na matriz de transporte de cargas brasileira é de aproximadamente 4% a 5%, um percentual muito inferior ao de países como Estados Unidos (12%), China (15%) e Alemanha (18%). O potencial de crescimento é enorme, especialmente considerando que o Brasil possui 8% de toda a água doce disponível no planeta e uma das maiores redes fluviais do mundo.

O governo federal tem implementado políticas de incentivo ao transporte hidroviário, com destaque para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano Nacional de Logística (PNL), que preveem investimentos em eclusas, dragagem, sinalização e terminais hidroviários. No entanto, a execução dos projetos tem sido lenta, e o país ainda está distante de aproveitar todo o potencial de suas hidrovias.

O Marco Regulatório do Transporte Hidroviário

O transporte hidroviário brasileiro é regulado por um conjunto de órgãos e normas que estabelecem as condições de navegação, segurança, ambiental e operacional. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) é responsável pela gestão dos recursos hídricos e pela outorga do direito de uso da água para navegação.

A Marinha do Brasil, por meio da Diretoria de Portos e Costas (DPC), é a autoridade responsável pela segurança da navegação, pela habilitação dos tripulantes e pela inspeção naval. As capitanias dos portos e as agências da Marinha em cada região fiscalizam o cumprimento das normas de segurança e ambiental.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é o órgão executivo responsável pela construção e manutenção da infraestrutura hidroviária federal, incluindo eclusas, barragens, canais de acesso e sinalização. O DNIT também realiza estudos de viabilidade para novos projetos de hidrovias.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é a responsável pela regulação econômica do transporte aquaviário, incluindo a navegação interior. A ANTAQ estabelece as tarifas de pedágio das hidrovias concedidas, fiscaliza os contratos de concessão e arbitra conflitos entre operadores.

Hidrovia Tietê-Paraná: O Principal Corredor Hidroviário do Brasil

A Hidrovia Tietê-Paraná é a mais importante hidrovia brasileira em volume de carga transportada. Com aproximadamente 2.400 quilômetros de extensão, a hidrovia conecta os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, integrando as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O sistema é composto pelos rios Tietê (SP) e Paraná (SP/PR/MS), interligados por um conjunto de eclusas que permitem a transposição das barragens hidrelétricas ao longo do percurso. São seis eclusas no total: Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos, todas no rio Tietê, além da Eclusa de Jupiá, no rio Paraná.

A hidrovia transporta principalmente grãos (soja, milho, farelo), areia, cimento, fertilizantes, combustíveis e contêineres. O volume total transportado gira em torno de 8 a 10 milhões de toneladas por ano, com picos na safra de verão, quando o escoamento da soja e do milho atinge seu ponto máximo.

O principal fluxo de carga na Hidrovia Tietê-Paraná segue de montante para jusante, ou seja, das regiões produtoras do interior em direção aos portos de Santos e Paranaguá. A soja e o milho produzidos no sul de Goiás, no Triângulo Mineiro, no oeste paulista e no norte do Paraná são transportados por barcaças até os terminais hidroviários de Pedemeiras (SP), Anhembi (SP) e Conchas (SP), de onde seguem por ferrovia ou rodovia até o litoral.

As barcaças utilizadas na Hidrovia Tietê-Paraná são do tipo graneleiro, com capacidade de carga que varia de 800 a 1.500 toneladas cada. Os comboios são formados por até 8 barcaças empurradas por um único empurrador, totalizando uma capacidade de carga de até 12 mil toneladas por comboio, o equivalente a aproximadamente 400 caminhões.

O Sistema de Eclusas do Tietê-Paraná

As eclusas são estruturas fundamentais para a navegação nos rios de planalto, onde a presença de barragens hidrelétricas interrompe o fluxo natural da água. O sistema de eclusas do Tietê-Paraná é considerado um dos mais eficientes do mundo, com capacidade para transpor desníveis de até 30 metros entre os trechos de montante e jusante.

Cada eclusa funciona como um elevador de água, onde as embarcações entram em uma câmara fechada, a água é nivelada com o trecho seguinte e as comportas se abrem para permitir a passagem. O ciclo completo de transposição leva entre 15 e 30 minutos por eclusa, dependendo do porte da embarcação e das condições do rio.

A Eclusa de Barra Bonita, a primeira do sistema, tem dimensões de 145 metros de comprimento por 12 metros de largura, comportando comboios de até 6 barcaças. A Eclusa de Três Irmãos, a maior do sistema, tem 210 metros de comprimento por 17 metros de largura, podendo receber comboios de até 8 barcaças.

O funcionamento das eclusas é limitado por restrições operacionais, como a disponibilidade de água nos reservatórios das hidrelétricas. Em períodos de seca prolongada, o nível dos rios pode cair abaixo do mínimo necessário para a navegação, forçando a redução do calado das embarcações ou a paralisação total do tráfego.

Hidrovia Paraguai-Paraná: A Hidrovia do Mercosul

A Hidrovia Paraguai-Paraná é o maior sistema hidroviário da América do Sul, com aproximadamente 3.400 quilômetros de extensão. A hidrovia conecta o Brasil, a Bolívia, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai, formando um corredor de integração comercial que se estende de Cáceres (MT) até o Rio da Prata (Argentina-Uruguai).

No Brasil, a hidrovia compreende o trecho do Rio Paraguai entre Cáceres (MT) e a foz do Rio Apa (MS), na fronteira com o Paraguai. Este trecho tem aproximadamente 1.300 quilômetros de extensão e é navegável durante todo o ano, embora com restrições de calado no período de seca (junho a outubro).

A carga principal na hidrovia é o minério de ferro e manganês transportado pela Vale de Corumbá (MS) para as siderúrgicas argentinas e para o Porto de Nueva Palmira (Uruguai). O volume transportado gira em torno de 3 a 5 milhões de toneladas por ano, com potencial de expansão para 10 milhões de toneladas.

A Hidrovia Paraguai-Paraná também transporta soja, milho, farelo, óleo vegetal e fertilizantes. A soja produzida no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso e em Rondônia pode ser escoada pelos terminais hidroviários de Cáceres (MT) e Corumbá (MS), seguindo de barcaça até os portos do Rio da Prata para exportação.

A navegação na Hidrovia Paraguai-Paraná enfrenta desafios sazonais significativos. No período de seca, o calado máximo permitido cai para 1,5 metro no trecho de Cáceres a Corumbá, limitando a capacidade de carga das barcaças. Já no período de cheia, o nível elevado das águas pode inundar os terminais e interromper as operações de carregamento.

Hidrovia do Rio Madeira: O Corredor Norte

A Hidrovia do Rio Madeira é uma das mais importantes do Arco Norte, conectando os estados de Rondônia e Amazonas aos portos de Itacoatiara (AM) e Santana (AP). Com aproximadamente 1.100 quilômetros de extensão no trecho de Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM), a hidrovia é navegável durante todo o ano, com calado mínimo de 3 metros no período de seca.

O Rio Madeira é o principal canal de escoamento da produção de soja e milho de Rondônia e do noroeste do Mato Grosso. A soja produzida em Vilhena (RO), Ji-Paraná (RO) e Sapezal (MT) é transportada por rodovia até Porto Velho, onde é transferida para barcaças e segue de comboio até o Terminal de Itacoatiara, no Amazonas.

O Terminal de Itacoatiara, operado pela Hermasa (uma joint venture entre a Amaggi e a Louis Dreyfus), é o principal ponto de transbordo da hidrovia. O terminal tem capacidade para armazenar 80 mil toneladas de grãos e carregar navios graneleiros a uma taxa de 1.500 toneladas por hora.

As barcaças na Hidrovia do Madeira são do tipo graneleiro, com capacidade de carga de 1.200 a 2.000 toneladas cada. Os comboios são formados por até 20 barcaças empurradas por um ou dois empurradores, totalizando uma capacidade de carga de até 40 mil toneladas por comboio, o equivalente a mais de 1.300 caminhões.

O tempo de viagem de Porto Velho a Itacoatiara é de aproximadamente 4 a 5 dias no período de cheia (novembro a maio) e de 6 a 7 dias no período de seca (junho a outubro), quando as correntezas são mais fracas e a velocidade dos comboios é menor. Em comparação, o transporte rodoviário de Porto Velho a Itacoatiara levaria de 3 a 4 dias, mas com custo por tonelada muito mais elevado.

Hidrovia Tapajós-Teles Pires: O Projeto da Nova Fronteira Agrícola

A Hidrovia Tapajós-Teles Pires é o projeto hidroviário mais ambicioso para o Arco Norte, com potencial para transformar a logística de exportação do centro-norte do Brasil. O sistema é composto pelos rios Tapajós (PA) e Teles Pires (MT/PA), que formam um corredor de aproximadamente 1.500 quilômetros entre a região de Sinop (MT) e o Porto de Santarém (PA).

O projeto prevê a implantação de um sistema de eclusas para transpor as barragens hidrelétricas existentes e planejadas no Rio Teles Pires, além da dragagem de trechos de menor calado e a sinalização do canal de navegação. Quando concluída, a hidrovia poderá transportar até 30 milhões de toneladas de grãos por ano.

A região de influência da Hidrovia Tapajós-Teles Pires inclui o norte de Mato Grosso (Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde), o sudeste do Pará e o sul do Amazonas. Essas regiões respondem por aproximadamente 40% da produção brasileira de soja e milho, com potencial de crescimento expressivo nos próximos anos.

O projeto enfrenta desafios ambientais significativos, pois parte do traçado atravessa áreas de floresta amazônica e terras indígenas. O licenciamento ambiental tem sido alvo de debates entre o governo, as comunidades locais e as organizações ambientalistas, envolvendo a discussão sobre os impactos da navegação no ecossistema amazônico.

O Porto de Santarém, no Pará, é o ponto de conexão da hidrovia com a navegação de longo curso. O porto já opera um terminal de grãos com capacidade para carregar 2 milhões de toneladas por ano, com planos de expansão para 5 milhões de toneladas. A integração da hidrovia ao porto vai permitir que a soja produzida em Sinop seja escoada por via fluvial até Santarém, de onde segue para os mercados asiáticos com custo logístico reduzido.

Hidrovia do Rio São Francisco: Potencial Limitado

A Hidrovia do Rio São Francisco é uma das mais antigas do Brasil, mas sua utilização para o transporte comercial de cargas é limitada. O trecho navegável compreende aproximadamente 1.400 quilômetros entre Pirapora (MG) e Petrolina (PE)/Juazeiro (BA), passando pelas eclusas de Sobradinho e Xingó.

A carga principal na hidrovia é a celulose produzida pela Suzano e pela Klabin na região de Três Lagoas (MS) e transportada por ferrovia até Pirapora (MG), de onde segue de barcaça até Petrolina (PE) para exportação. O volume transportado é de aproximadamente 500 mil toneladas por ano, muito abaixo do potencial da hidrovia.

A navegação no Rio São Francisco enfrenta restrições significativas de calado, especialmente no período de seca (setembro a novembro), quando o nível do rio atinge seu mínimo histórico. A operação das eclusas de Sobradinho e Xingó também é limitada pela disponibilidade de água para geração de energia elétrica.

Apesar das limitações, a hidrovia do São Francisco tem potencial para transportar cimento, fertilizantes, minério de ferro e contêineres, contribuindo para a redução dos custos logísticos na região Nordeste. O DNIT tem investido na dragagem de trechos críticos e na modernização das eclusas, visando ampliar a janela de navegação e aumentar a confiabilidade do sistema.

O Sistema de Barcaças e Comboios

O transporte hidroviário de carga no Brasil utiliza predominantemente o sistema de barcaças empurradas por empurradores. As barcaças são embarcações sem propulsão própria, projetadas para transportar cargas a granel ou conteinerizadas, que são agrupadas em comboios e movimentadas por uma ou mais unidades empurradoras.

As barcaças graneleiras são as mais comuns, com capacidade de carga que varia de 800 a 2.500 toneladas, dependendo da hidrovia e do calado disponível. As barcaças são construídas em aço naval e têm dimensões padronizadas para facilitar a formação dos comboios.

Os comboios são configurados de acordo com as características de cada hidrovia. Na Hidrovia Tietê-Paraná, os comboios típicos têm 6 a 8 barcaças dispostas em duas fileiras (2x3 ou 2x4). Na Hidrovia do Madeira, os comboios podem ter até 20 barcaças dispostas em quatro fileiras (4x5), totalizando até 40 mil toneladas de carga.

A transferência de carga entre as barcaças e os navios de longo curso é realizada nos terminais portuários, utilizando equipamentos de carregamento como shiploaders, correias transportadoras e guindastes. Nos terminais de grãos, a carga é transferida diretamente das barcaças para os porões dos navios, sem a necessidade de armazenagem intermediária.

Integração Hidroviária com os Portos de Exportação

A eficiência do transporte hidroviário depende da qualidade da integração entre as hidrovias e os portos de exportação. Cada hidrovia conecta-se a um ou mais portos, que funcionam como pontos de interface entre a navegação interior e a navegação de longo curso.

O Porto de Santos é o principal destino das cargas transportadas pela Hidrovia Tietê-Paraná. As barcaças atracam nos terminais hidroviários de Pedemeiras, Anhembi e Conchas, de onde a carga segue por ferrovia ou rodovia até o cais santista. O porto recebe aproximadamente 3 milhões de toneladas de grãos por ano provenientes da hidrovia.

O Porto de Paranaguá também recebe carga da Hidrovia Tietê-Paraná, principalmente soja e milho do norte do Paraná. A carga chega ao terminal hidroviário de São Pedro do Paraná (PR) e é transferida para caminhões que seguem até o cais de exportação.

O Porto de Itacoatiara é o principal ponto de conexão da Hidrovia do Madeira com a navegação de longo curso. O terminal da Hermasa recebe as barcaças com grãos de Rondônia e Mato Grosso e realiza o carregamento direto nos navios graneleiros que seguem para a China e outros mercados asiáticos.

O Porto de Miritituba, no Pará, é o ponto de integração da Hidrovia Tapajós-Teles Pires com a navegação de longo curso. O porto está em fase de expansão, com a construção de novos terminais e a ampliação da capacidade de armazenagem e carregamento.

O Porto de Santana, no Amapá, recebe carga da Hidrovia do Rio Amazonas, que se conecta à Hidrovia do Madeira. O porto opera um terminal de grãos com capacidade para 1 milhão de toneladas por ano, atendendo principalmente produtores do Amapá e do norte do Pará.

Vantagens Competitivas do Transporte Hidroviário

O transporte hidroviário oferece vantagens competitivas significativas para o comércio exterior brasileiro, especialmente para cargas de baixo valor agregado e alto volume, como grãos e minérios.

A principal vantagem é o custo. O frete hidroviário pode ser até 70% mais barato que o rodoviário para distâncias superiores a 1.000 quilômetros. Um exemplo prático: o transporte de uma tonelada de soja de Porto Velho (RO) a Itacoatiara (AM) por hidrovia custa aproximadamente R$ 80, enquanto o mesmo trajeto por rodovia custaria cerca de R$ 250.

A eficiência energética é outra vantagem importante. O consumo de combustível por tonelada-quilômetro no transporte hidroviário é aproximadamente 80% menor que no rodoviário, resultando em menor emissão de gases de efeito estufa e menor custo operacional.

A capacidade de carga é um diferencial competitivo. Um único comboio na Hidrovia do Madeira transporta o equivalente a mais de 1.300 caminhões, reduzindo o congestionamento nas rodovias e o desgaste da infraestrutura rodoviária.

A segurança é outro ponto favorável. O transporte hidroviário tem taxas de acidentes significativamente menores que o rodoviário, especialmente para cargas perigosas como combustíveis e produtos químicos.

Desafios e Limitações do Transporte Hidroviário

Apesar das vantagens, o transporte hidroviário no Brasil enfrenta desafios que limitam sua expansão e eficiência. A sazonalidade é um dos principais problemas, especialmente nas hidrovias do Centro-Oeste e Norte, onde as variações no nível dos rios afetam o calado máximo e a capacidade de carga das barcaças.

A falta de investimentos em infraestrutura é outro gargalo. Muitas hidrovias carecem de sinalização adequada, dragagem regular e terminais de transbordo eficientes. As eclusas do Tietê-Paraná, por exemplo, operam com restrições de horário e capacidade, limitando o fluxo de embarcações.

A burocracia regulatória também é um entrave. A obtenção de licenças e autorizações para operar terminais hidroviários pode levar anos, desestimulando investimentos privados no setor. A falta de integração entre os órgãos reguladores (ANA, Marinha, DNIT, ANTAQ) gera duplicidade de processos e insegurança jurídica.

A integração multimodal é outro desafio. Muitos terminais hidroviários não têm conexão eficiente com ferrovias ou rodovias, exigindo múltiplas transferências de carga que aumentam o custo e o tempo total de transporte. A construção de terminais integradores, onde diferentes modais se encontram, é essencial para reduzir esses custos de transbordo.

Comparação de Custos: Hidrovia vs. Rodovia

A comparação de custos entre os modais hidroviário e rodoviário é um exercício fundamental para a tomada de decisão logística. O custo do frete varia de acordo com a distância, o volume, o tipo de carga e as condições de cada hidrovia, mas é possível estabelecer parâmetros gerais.

Para o transporte de grãos, o custo médio do frete rodoviário no Brasil é de aproximadamente R$ 0,12 a R$ 0,18 por tonelada-quilômetro, dependendo da distância e da região. Já o frete hidroviário fica entre R$ 0,04 e R$ 0,08 por tonelada-quilômetro, com vantagem crescente para distâncias maiores.

Em distâncias curtas (até 300 quilômetros), a diferença de custo entre os modais é pequena, e a maior flexibilidade do transporte rodoviário compensa a ligeira vantagem de custo da hidrovia. Em distâncias médias (300 a 800 quilômetros), a hidrovia começa a mostrar vantagem competitiva. Em distâncias longas (acima de 800 quilômetros), a hidrovia é claramente mais econômica.

O tempo de trânsito é uma desvantagem do transporte hidroviário. Enquanto um caminhão percorre 800 quilômetros em aproximadamente 12 horas, um comboio de barcaças leva de 3 a 5 dias para percorrer a mesma distância. Por isso, a escolha entre hidrovia e rodovia depende da urgência da entrega e do valor da carga.

A TRADEXA oferece um mapa de fretes que permite comparar os custos dos diferentes modais de forma precisa e atualizada. A ferramenta considera as tarifas vigentes, as condições de cada rota e as características específicas da carga, gerando cenários comparativos que auxiliam na tomada de decisão.

Perspectivas de Crescimento e Investimentos

O futuro do transporte hidroviário no Brasil depende de investimentos em infraestrutura, modernização regulatória e integração multimodal. O governo federal tem planos ambiciosos de expansão, mas a execução depende da disponibilidade de recursos e da capacidade de superar os obstáculos burocráticos e ambientais.

O Plano Nacional de Logística (PNL 2025-2035) prevê investimentos de aproximadamente R$ 30 bilhões em hidrovias nos próximos dez anos, incluindo a construção de novas eclusas, a dragagem de trechos críticos, a sinalização de canais de navegação e a implantação de terminais integradores.

Os projetos prioritários incluem a conclusão das eclusas de Ilha Solteira (SP/MS), que vão conectar a Hidrovia Tietê-Paraná à Hidrovia Paraná-Tietê (trecho inferior), ampliando o sistema navegável em mais 800 quilômetros. A Eclusa de Ilha Solteira está em obras desde 2014 e tem previsão de conclusão para 2026.

A implantação da Hidrovia Tapajós-Teles Pires é outro projeto prioritário, com investimentos estimados em R$ 8 bilhões. A conclusão do sistema de eclusas nas barragens do Rio Teles Pires vai permitir a navegação entre Sinop (MT) e Santarém (PA), criando um corredor de exportação estratégico para o norte do Mato Grosso.

A modernização das eclusas existentes no Tietê-Paraná também está no radar dos investimentos. A ampliação das câmaras das eclusas de Barra Bonita e Três Irmãos vai permitir a passagem de comboios maiores, aumentando a capacidade de transporte da hidrovia em até 50%.

Como a TRADEXA Pode Ajudar na Análise de Custos Hidroviários

Para as empresas que dependem da logística de exportação, a escolha entre os modais hidroviário, ferroviário e rodoviário é uma decisão estratégica que impacta diretamente a competitividade do produto no mercado internacional. A TRADEXA oferece ferramentas e consultoria especializada para apoiar essa tomada de decisão.

O mapa de fretes da TRADEXA é uma ferramenta interativa que permite visualizar e comparar os custos de transporte em diferentes rotas e modais. O usuário pode simular o custo total de uma operação logística considerando o frete hidroviário, as taxas portuárias, o seguro de carga e os custos de transbordo.

A plataforma da TRADEXA integra dados atualizados sobre tarifas de frete, condições de navegabilidade, restrições sazonais e capacidade dos terminais. Essas informações permitem que o usuário identifique a melhor janela de embarque, avalie as alternativas de rota e programe o carregamento com antecedência.

A TRADEXA também oferece serviços de consultoria em logística internacional, com profissionais especializados em transporte hidroviário e multimodal. A equipe auxilia os clientes na negociação de contratos de frete, na escolha dos terminais de transbordo e na otimização do fluxo de carga entre os diferentes modais.

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Considerações Finais sobre as Hidrovias Brasileiras

As hidrovias brasileiras representam uma oportunidade única para reduzir os custos logísticos do comércio exterior e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global. Com a maior rede fluvial do mundo, o Brasil tem condições de desenvolver um sistema de transporte hidroviário de classe mundial, capaz de competir com os melhores do mundo.

O desenvolvimento das hidrovias depende de investimentos consistentes, de uma regulação eficiente e de uma visão estratégica de longo prazo. Cada quilômetro de hidrovia desenvolvido, cada eclusa construída e cada terminal modernizado representam um avanço na capacidade do Brasil de escoar sua produção de forma eficiente e sustentável.

Para os exportadores brasileiros, entender as características e o potencial de cada hidrovia é essencial para tomar decisões logísticas acertadas. A escolha do modal adequado, a definição da rota mais eficiente e a seleção dos parceiros logísticos certos fazem a diferença entre uma operação lucrativa e uma operação com custos excessivos.

A TRADEXA está comprometida em apoiar as empresas brasileiras nessa jornada, oferecendo as ferramentas, os dados e a expertise necessários para otimizar a logística do comércio exterior. Com a TRADEXA, a complexidade do sistema logístico brasileiro se transforma em vantagem competitiva.