Exportar para a Nova Zelândia: Laticínios e Agronegócio
A Nova Zelândia é uma das economias mais abertas e dinâmicas da Oceania, com um Produto Interno Bruto de aproximadamente US$ 260 bilhões e uma população de 5,2 milhões de habitantes. Apesar de seu tamanho modesto, o país exerce uma influência desproporcional no comércio global de alimentos, sendo o maior exportador mundial de laticínios, o maior exportador de carne ovina e um player relevante nos mercados de carne bovina, vinho, kiwi, maçã, mel manuka e frutos do mar.
Para o exportador brasileiro, a Nova Zelândia representa um mercado premium, com consumidores de alta renda (PIB per capita de aproximadamente US$ 50.000), exigentes em qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. O país importa cerca de US$ 55 bilhões por ano em produtos que vão desde máquinas e equipamentos até café, cacau, açúcar, frutas tropicais e alimentos processados — categorias em que o Brasil tem forte competitividade global.
Este guia completo da TRADEXA analisa as oportunidades de exportação para a Nova Zelândia, com foco especial nos setores de laticínios e agronegócio, mas também abordando os segmentos de café, cacau, açúcar, frutas tropicais, máquinas e equipamentos. Apresentamos o perfil econômico neozelandês, as certificações exigidas pelo MPI (Ministry for Primary Industries), a logística portuária, o regime de comércio exterior e as estratégias de entrada no mercado.
Economia Neozelandesa: O Poder do Agronegócio
A Nova Zelândia possui uma economia moderna, diversificada e fortemente orientada para a exportação. Os principais setores econômicos são agropecuária, turismo, serviços financeiros, tecnologia da informação, manufatura leve e indústrias criativas (cinema e produção digital). O país tem uma das menores taxas de inflação do mundo desenvolvido e uma dívida pública controlada, o que lhe confere estabilidade macroeconômica invejável.
Fonterra e a Indústria de Laticínios
A indústria de laticínios é o coração da economia neozelandesa. O setor responde por aproximadamente 25% das exportações totais do país e emprega dezenas de milhares de pessoas direta e indiretamente. A Nova Zelândia produz cerca de 21 bilhões de litros de leite por ano, processados em uma vasta gama de produtos: leite em pó integral e desnatado, manteiga, queijos, caseína, proteínas do leite (concentradas e isoladas), soro de leite em pó, fórmula infantil e ingredientes lácteos funcionais.
A Fonterra é a maior empresa de laticínios da Nova Zelândia e uma das maiores do mundo. Trata-se de uma cooperativa de propriedade de aproximadamente 10.000 produtores de leite neozelandeses, que processa cerca de 85% do leite produzido no país. A empresa tem operações globais, com escritórios e fábricas em mais de 30 países, e exporta para mais de 100 mercados, incluindo China, Sudeste Asiático, Oriente Médio, África, América Latina e Europa.
A dominância da Fonterra no mercado neozelandês de laticínios significa que o setor é altamente verticalizado e eficiente. No entanto, a Nova Zelândia importa laticínios especializados, como queijos finos, manteiga gourmet, iogurtes funcionais e ingredientes lácteos específicos, que não são produzidos localmente em volumes significativos. Para o exportador brasileiro de laticínios, a oportunidade está em nichos específicos e produtos de valor agregado.
Carne Ovina e Bovina
A Nova Zelândia é o maior exportador mundial de carne ovina, com uma participação de aproximadamente 40% do mercado global. O país possui cerca de 25 milhões de ovelhas (embora esse número tenha caído significativamente das 70 milhões de cabeças registradas na década de 1980, devido à diversificação para a pecuária de corte e leiteira). A carne ovina neozelandesa é exportada principalmente para China, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos e Japão.
Na pecuária de corte, a Nova Zelândia é o sétimo maior exportador mundial de carne bovina, com uma produção de aproximadamente 700.000 toneladas por ano, das quais cerca de 80% são exportadas. Os principais mercados são Estados Unidos, China, Japão, Canadá e Coreia do Sul.
Vinho Neozelandês
A indústria vinícola neozelandesa cresceu exponencialmente nas últimas décadas e hoje é uma das mais respeitadas do mundo. O país produz vinhos de classe mundial, especialmente Sauvignon Blanc (da região de Marlborough, que é a referência global para essa variedade), Pinot Noir (de Central Otago e Martinborough) e espumantes tradicionais. A Nova Zelândia exporta aproximadamente US$ 2 bilhões em vinho por ano, com destaque para os mercados dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Alemanha.
Kiwi e Outras Frutas
A Nova Zelândia é o maior exportador mundial de kiwi (actinídia), com uma produção anual de aproximadamente 600.000 toneladas, das quais mais de 90% são exportadas. A Zespri, cooperativa de produtores de kiwi neozelandeses, é a marca global mais reconhecida de kiwi e responde por cerca de 30% do mercado mundial da fruta. O país também exporta maçãs (especialmente as variedades Royal Gala, Braeburn e o crescente segmento de club varieties), peras, cerejas, abacates e outros produtos hortícolas.
Oportunidades de Exportação para a Nova Zelândia
A Nova Zelândia importa uma gama diversificada de produtos que o Brasil pode fornecer com vantagens competitivas. As principais oportunidades estão descritas a seguir.
Café Brasileiro na Nova Zelândia
A Nova Zelândia possui uma cultura de café sofisticada, especialmente nas cidades de Auckland, Wellington e Christchurch. O país importa aproximadamente US$ 100 milhões em café por ano, principalmente de Brasil, Suíça (reexportação de café torrado), Itália, Colômbia, Vietnã e Indonésia.
O café brasileiro — tanto verde quanto torrado — tem forte potencial no mercado neozelandês. Os consumidores neozelandeses valorizam cafés especiais, de origem única, com certificações de sustentabilidade (Rainforest Alliance, Fair Trade, Orgânico) e perfil de torra artesanal. Wellington, a capital da Nova Zelândia, é considerada a capital do café do país, com uma concentração impressionante de cafeterias especiais e torrefadores artesanais.
O café brasileiro de alta qualidade, especialmente os arábicas das regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana Paulista, pode atender a esse mercado exigente. O exportador brasileiro precisa investir em storytelling de origem, certificações de sustentabilidade e lotes diferenciados para conquistar o paladar neozelandês.
Cacau Brasileiro
A Nova Zelândia importa cacau para sua indústria de chocolate e confeitaria. O país não produz cacau, dependendo inteiramente de importações para abastecer suas fábricas de chocolate — algumas das quais, como a Whittaker's (fundada em 1896), são marcas icônicas e orgulho nacional.
O cacau brasileiro, especialmente o produzido no sul da Bahia (cacau cabruca) e no Pará, tem potencial no mercado neozelandês, que valoriza cada vez mais o conceito de bean-to-bar (da amêndoa à barra), com rastreabilidade completa da origem, certificações de comércio justo e sustentabilidade. O cacau fino brasileiro, reconhecido internacionalmente por sua qualidade, pode encontrar um mercado premium na Nova Zelândia.
Açúcar Brasileiro
A Nova Zelândia importa açúcar para atender à demanda das indústrias de alimentos, bebidas e processamento. O país não possui produção significativa de cana-de-açúcar, dependendo de importações para suprir seu consumo interno de aproximadamente 500.000 toneladas por ano.
Os principais fornecedores de açúcar para a Nova Zelândia são Tailândia, Brasil, Austrália e Malásia. O açúcar brasileiro — tanto bruto (demerara) quanto refinado e orgânico — tem boa aceitação no mercado neozelandês. O açúcar orgânico brasileiro, em particular, encontra um mercado premium na Nova Zelândia, onde os consumidores valorizam produtos sustentáveis e com certificação.
Frutas Tropicais Brasileiras
A Nova Zelândia importa um volume significativo de frutas tropicais e sucos, especialmente aquelas que não são produzidas localmente devido ao clima temperado do país. As principais oportunidades para o Brasil incluem:
Manga: A manga brasileira tem forte potencial no mercado neozelandês, especialmente as variedades Tommy Atkins, Palmer, Keitt e Kent. A safra brasileira de manga (de setembro a março) se complementa com a oferta de outros fornecedores, permitindo abastecimento consistente ao longo do ano.
Maracujá: O maracujá brasileiro, tanto in natura quanto na forma de polpa congelada e suco concentrado, é muito apreciado na Nova Zelândia, onde é utilizado em sobremesas, bebidas e blended juices.
Açaí: O açaí brasileiro ganhou popularidade global como superalimento e tem mercado crescente na Nova Zelândia, especialmente nos segmentos de saúde e bem-estar. A polpa de açaí congelada, os blends energéticos e os bowl mixes são formatos de produto com alta demanda.
Coco e água de coco: A água de coco brasileira, o leite de coco e a polpa de coco têm mercado na Nova Zelândia, impulsionados pela tendência de consumo de produtos naturais e funcionais.
Polpas congeladas e sucos concentrados: A indústria brasileira de polpas de frutas congeladas e sucos concentrados pode atender à demanda da indústria de alimentos e bebidas neozelandesa por ingredientes tropicais de qualidade.
Máquinas e Equipamentos Brasileiros
A Nova Zelândia importa mais de US$ 8 bilhões em máquinas e equipamentos mecânicos por ano, abrangendo desde máquinas agrícolas e pecuárias até equipamentos industriais, de construção civil, de processamento de alimentos e bens de capital em geral.
O Brasil possui uma indústria de máquinas e equipamentos diversificada e competitiva, com destaque para:
Máquinas agrícolas: Tratores, colheitadeiras, plantadeiras, semeadeiras, pulverizadores, equipamentos de irrigação e colhedoras de forragem têm potencial no mercado neozelandês, especialmente por atender às necessidades dos setores de laticínios, pecuária e horticultura.
Equipamentos para processamento de alimentos: A Nova Zelândia possui uma indústria de processamento de alimentos altamente desenvolvida, que demanda equipamentos como pasteurizadores, homogeneizadores, tanques de fermentação, evaporadores, secadores por spray, sistemas de ultrafiltração, embaladoras e equipamentos de refrigeração.
Máquinas para laticínios: O setor de laticínios neozelandês, liderado pela Fonterra, tem demanda constante por equipamentos de processamento e beneficiamento de leite. O Brasil possui fabricantes competitivos de equipamentos para laticínios, incluindo tanques de expansão, pasteurizadores (HTST e UHT), centrífugas, homogeneizadores, secadores por spray e sistemas CIP (Clean-In-Place).
Equipamentos para mineração: Embora a mineração não seja tão dominante na Nova Zelândia quanto na Austrália, o país possui operações relevantes de carvão, ouro, prata e agregados para construção civil, que demandam equipamentos como britadores, moinhos, peneiras, correias transportadoras e equipamentos de movimentação de cargas.
Empilhadeiras, guindastes e equipamentos de movimentação: O setor de logística e movimentação de cargas neozelandês demanda equipamentos como empilhadeiras, paleteiras elétricas, guindastes, pontes rolantes e sistemas de armazenagem automatizada.
Empresas brasileiras como WEG (motores e equipamentos elétricos), Jacto e Stara (máquinas agrícolas), e fabricantes de equipamentos para laticínios e processamento de alimentos têm potencial de exportação para a Nova Zelândia.
Certificações e Requisitos Regulatórios
A Nova Zelândia possui um dos regimes regulatórios mais rigorosos do mundo para importação de alimentos, refletindo sua dependência da reputação de "clean green" (limpo e verde) que sustenta o valor agregado de suas exportações agropecuárias. O órgão responsável pela regulação de alimentos, produtos de origem animal e vegetal, e biosegurança é o MPI (Ministry for Primary Industries).
MPI — Ministry for Primary Industries
O MPI é o equivalente neozelandês do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) brasileiro, combinado com funções de vigilância sanitária e fitossanitária. O MPI estabelece os requisitos de importação para todos os produtos de origem animal e vegetal, além de regular a segurança alimentar, a rotulagem e a composição dos alimentos.
Registro de estabelecimentos: Estabelecimentos processadores de alimentos de origem animal que desejam exportar para a Nova Zelândia devem ser registrados e aprovados pelo MPI. O processo inclui auditoria remota ou presencial, avaliação de sistemas de gestão de segurança alimentar (HACCP, ISO 22000 ou FSSC 22000) e verificação de conformidade com os padrões neozelandeses.
Certificado sanitário: Produtos de origem animal (carnes, laticínios, ovos, mel) devem vir acompanhados de certificado sanitário oficial emitido pelo MAPA brasileiro, atestando que o produto é seguro para consumo humano e que o estabelecimento de origem atende aos requisitos sanitários neozelandeses.
Certificado fitossanitário: Produtos de origem vegetal (frutas, verduras, grãos, sementes) devem vir acompanhados de certificado fitossanitário emitido pelo MAPA, atestando que o produto está livre de pragas quarentenárias de interesse para a Nova Zelândia.
Análise de risco de biosegurança: O MPI realiza uma avaliação de risco de biosegurança para cada produto e país de origem antes de permitir a importação. Essa avaliação considera o histórico de pragas e doenças do país exportador, as medidas de mitigação adotadas e o risco de introdução de organismos quarentenários.
Rotulagem e composição: Todos os alimentos importados devem atender aos requisitos de rotulagem do Australia New Zealand Food Standards Code (FSC), que exige informações como lista de ingredientes em ordem decrescente de peso, tabela nutricional completa, declaração de alérgenos, país de origem, data de validade e instruções de armazenamento.
Certificações Orgânicas
A Nova Zelândia possui um mercado relevante de produtos orgânicos. Para que um produto seja comercializado como orgânico no país, ele deve ser certificado por um organismo de certificação acreditado pelo MPI ou equivalente. As principais certificações orgânicas aceitas na Nova Zelândia incluem:
BioGro: A principal certificadora orgânica da Nova Zelândia, reconhecida pelo MPI para certificação de produtores orgânicos locais e importados.
AsureQuality: Organismo de certificação que oferece serviços de certificação orgânica reconhecidos internacionalmente.
Certificações internacionais equivalentes: Produtos certificados por organismos reconhecidos como equivalentes (como o selo USDA Organic dos EUA, o EU Organic da União Europeia ou o JAS do Japão) são aceitos na Nova Zelândia.
O exportador brasileiro de produtos orgânicos precisa obter a certificação orgânica brasileira (SisOrg — Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica) e verificar se o organismo certificador brasileiro tem acordo de reconhecimento com as certificadoras neozelandesas.
Certificações de Sustentabilidade
A Nova Zelândia valoriza produtos com certificações de sustentabilidade, especialmente nos segmentos de café, cacau, frutas e ingredientes alimentícios. As certificações mais relevantes para o mercado neozelandês são:
Rainforest Alliance: Certificação de sustentabilidade agrícola que abrange aspectos ambientais, sociais e econômicos.
Fair Trade (Comércio Justo): Certificação que garante preços mínimos e prêmios sociais para produtores de países em desenvolvimento.
UTZ Certified: Certificação de sustentabilidade para café, cacau e chá (atualmente integrada ao programa Rainforest Alliance).
Orgânico USDA/EU: Certificações orgânicas reconhecidas internacionalmente, com forte apelo no mercado neozelandês.
Logística Portuária na Nova Zelândia
A Nova Zelândia é um arquipélago com um litoral extenso e diversos portos que atendem às diferentes regiões do país. A escolha do porto de destino depende do produto, do mercado consumidor final e da localização do comprador.
Porto de Auckland
O Porto de Auckland é o maior e mais movimentado porto da Nova Zelândia, responsável por aproximadamente 30% do comércio internacional do país. Localizado no centro da cidade de Auckland, a maior área metropolitana da Nova Zelândia (população de 1,7 milhão), o porto opera terminais de contêineres, carga geral, granéis líquidos e cruzeiros marítimos.
O Porto de Auckland recebe navios porta-contêineres de até 10.000 TEUs e oferece conexões diretas com as principais rotas marítimas da Ásia, América do Norte, Europa e Austrália. O tempo médio de trânsito marítimo do Brasil (Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá) para Auckland é de aproximadamente 25 a 30 dias, dependendo da rota (geralmente com transbordo em portos da Ásia, como Cingapura, Hong Kong ou Sydney).
Para o exportador brasileiro, o Porto de Auckland é o principal ponto de entrada para o mercado neozelandês, especialmente para produtos destinados à região de Auckland e ao norte da Ilha Norte.
Porto de Tauranga
O Porto de Tauranga é o segundo maior porto da Nova Zelândia e o maior porto de exportação do país, especialmente para produtos agropecuários (laticínios, carne, kiwi, madeira, celulose). Localizado na região de Bay of Plenty (Baía da Abundância), na Ilha Norte, o porto é o principal hub de exportação da Fonterra e da Zespri.
Para o exportador brasileiro, o Porto de Tauranga é relevante tanto para importação (produtos destinados ao centro e sul da Ilha Norte) quanto para eventual reexportação ou consolidação de cargas. O porto oferece terminais de contêineres modernos, com capacidade para receber navios de até 8.000 TEUs, e conexões diretas com as principais rotas marítimas da região Ásia-Pacífico.
Porto de Christchurch (Lyttelton)
O Porto de Lyttelton, localizado próximo a Christchurch, na Ilha Sul, é o principal porto da região de Canterbury e um dos mais importantes portos de exportação de produtos agropecuários da Ilha Sul. O porto movimenta laticínios, carne, madeira, celulose, frutas e vinhos, além de importar máquinas, veículos, fertilizantes e produtos de consumo.
Para o exportador brasileiro, o Porto de Lyttelton é o ponto de entrada mais indicado para produtos destinados ao mercado da Ilha Sul, que inclui as cidades de Christchurch, Dunedin, Queenstown e Invercargill.
Outros Portos Relevantes
Porto de Wellington: Porto da capital neozelandesa, localizado no extremo sul da Ilha Norte, com movimentação de carga geral, contêineres e passageiros (ferry para a Ilha Sul).
Porto de Napier: Localizado na região de Hawke's Bay, é um importante porto de exportação de frutas (kiwi, maçã, pera), vinhos e madeira.
Porto de Dunedin (Port Chalmers): Porto da região de Otago, na Ilha Sul, com movimentação de laticínios, carne, madeira e cargas refrigeradas.
Documentação e Procedimentos de Desembaraço
O processo de desembaraço aduaneiro na Nova Zelândia é realizado através do sistema eletrônico Trade Single Window (TSW) da Alfândega Neozelandesa. O importador ou seu agente de carga submete a declaração de importação contendo as informações do produto, classificação tarifária (baseada no Harmonized System da OMC), valor aduaneiro, país de origem e documentos de suporte.
Os documentos típicos exigidos para importação na Nova Zelândia incluem: fatura comercial, packing list, conhecimento de embarque (Bill of Lading) ou conhecimento aéreo (Air Waybill), certificado de origem, certificado fitossanitário (para produtos vegetais), certificado sanitário (para produtos de origem animal) e licenças específicas (para produtos regulados pelo MPI).
O exportador brasileiro deve trabalhar em estreita colaboração com o importador neozelandês e com um agente de carga ou despachante aduaneiro local para garantir que toda a documentação esteja correta e completa antes do embarque.
Relações Comerciais e Acordos de Comércio
O Brasil e a Nova Zelândia mantêm relações diplomáticas desde 1945 e relações comerciais crescentes, embora ainda modestas em termos absolutos. A corrente de comércio bilateral gira em torno de US$ 400 milhões anuais, com o Brasil mantendo déficit comercial na maior parte dos anos. O Brasil exporta principalmente café, açúcar, farelo de soja, carne de frango processada, máquinas e equipamentos, produtos químicos, autopeças e aeronaves, enquanto importa laticínios (especialmente leite em pó e manteiga), carne ovina, kiwi, vinho, madeira e celulose.
A Nova Zelândia possui acordos de livre comércio com China, Austrália (Closer Economic Relations — CER), ASEAN, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, União Europeia e países do CPTPP (Comprehensive and Progressive Agreement for Trans-Pacific Partnership), do qual o Brasil não faz parte. Assim como no caso australiano, o Brasil não possui um acordo de livre comércio bilateral com a Nova Zelândia, e as exportações brasileiras são regidas pelo regime MFN da OMC.
As tarifas de importação neozelandesas são, em média, baixas — a tarifa média aplicada é de aproximadamente 2% para produtos não agrícolas e de 5% para produtos agrícolas. Para a maioria dos produtos de interesse brasileiro, as tarifas são baixas ou nulas:
Café: tarifa de 0% para café verde e torrado.
Cacau: tarifa de 0% para amêndoas de cacau e manteiga de cacau.
Açúcar: tarifa de 0% para açúcar bruto e refinado.
Frutas tropicais: tarifas variam de 0% a 5%, dependendo da fruta e da época do ano.
Máquinas e equipamentos: tarifas de 0% a 5% para a maioria dos equipamentos industriais e agrícolas.
Autopeças: tarifas de 0% a 10%, dependendo da peça específica.
Apesar das tarifas baixas, o exportador brasileiro enfrenta concorrência de países que têm acordos preferenciais com a Nova Zelândia, como China, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Malásia e Chile, que em alguns casos gozam de tarifas ainda mais reduzidas ou nulas em produtos específicos.
A TRADEXA monitora continuamente as condições de acesso ao mercado neozelandês e oferece ferramentas de análise tarifária comparativa que permitem ao exportador brasileiro entender sua posição competitiva em relação aos concorrentes.
Estratégias de Entrada no Mercado Neozelandês
A Nova Zelândia é um mercado exigente, mas relativamente acessível para empresas que se preparam adequadamente. Algumas recomendações práticas:
Conheça a cultura de negócios neozelandesa: Os neozelandeses (conhecidos como Kiwis) são diretos, práticos e informais nos negócios. A pontualidade é valorizada, as reuniões são objetivas e as decisões são tomadas de forma colaborativa. Construir relacionamentos de confiança é fundamental.
Participe de feiras e eventos: A Nova Zelândia realiza feiras importantes como a NZIFST Conference (indústria de alimentos), a National Fieldays (maior feira agropecuária da Oceania, realizada em Hamilton), a Fine Food NZ (alimentos e bebidas) e a NZ Manufacturing Expo (manufatura e indústria).
Utilize a rede de promoção comercial: A Nova Zelândia possui uma rede de agências de promoção comercial (NZTE — New Zealand Trade and Enterprise, e as Câmaras de Comércio regionais) que podem auxiliar na conexão com importadores e distribuidores locais.
Prepare-se para a biosegurança: A Nova Zelândia é extremamente rigorosa em biosegurança. Invista em boas práticas de produção, rastreabilidade e documentação desde o início para evitar problemas na alfândega.
Invista em certificações: As certificações de qualidade, sustentabilidade e orgânicas são diferenciais competitivos importantes no mercado neozelandês.
Conte com a TRADEXA: A plataforma TRADEXA oferece dados de importação neozelandeses, diretório de importadores, análise de concorrência, monitoramento tarifário e painéis de inteligência que permitem ao exportador brasileiro tomar decisões informadas.
Como a TRADEXA Pode Acelerar Suas Exportações para a Nova Zelândia
A TRADEXA é a plataforma de inteligência para comércio exterior Brasil que oferece as ferramentas e os dados necessários para que o exportador brasileiro identifique oportunidades, qualifique compradores e tome decisões estratégicas com segurança no mercado neozelandês.
Diretório de Importadores: Com mais de 3,8 milhões de empresas cadastradas globalmente, o diretório da TRADEXA permite filtrar compradores neozelandeses por código NCM, setor de atuação, volume de importação, país de origem e frequência de compra.
Smart Rank: A ferramenta de inteligência de mercado da TRADEXA classifica países e setores de acordo com seu potencial para exportadores brasileiros. Para o mercado neozelandês, o Smart Rank pode identificar quais setores — de café a máquinas agrícolas, de cacau a frutas tropicais — têm maior potencial de crescimento.
Mapa de Frete Marítimo: A TRADEXA oferece um mapa interativo das principais rotas marítimas do Brasil para a Nova Zelândia, com informações sobre tempo de trânsito, fretes estimados, frequência de navios e os principais armadores que operam em cada rota.
Painéis de Trade Intelligence: Os painéis da TRADEXA oferecem análises aprofundadas sobre o comércio bilateral Brasil-Nova Zelândia, incluindo a evolução das exportações brasileiras para o país por produto, a participação de mercado dos concorrentes, as tendências de preço e as oportunidades de crescimento em cada setor.
Exportar para a Nova Zelândia é uma decisão estratégica que pode abrir portas não apenas para o mercado neozelandês, mas para toda a região da Oceania e para o mercado do CPTPP. Com uma economia agropecuária forte, uma demanda consistente por café, cacau, açúcar, frutas tropicais, máquinas e equipamentos agrícolas, e um mercado consumidor premium que valoriza qualidade e sustentabilidade, a Nova Zelândia oferece oportunidades únicas para o exportador brasileiro que se prepara adequadamente.
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