Exportações para El Salvador: Guia Completo
El Salvador demanda commodities e equipamentos. Certificações básicas exigidas. Relacionamentos pessoais importantes. TRADEXA conecta compradores.
Exportar para El Salvador: guia completo para empresas brasileiras (2026)
El Salvador é um mercado pequeno, dolarizado e altamente dependente do comércio com os Estados Unidos — mas é exatamente aí que mora a oportunidade para o Brasil. Com cerca de 6,3 milhões de habitantes, PIB de aproximadamente US$ 35,4 bilhões (2024) e crescimento projetado entre 3% e 3,5% para 2026 pelo Banco Central de Reserva (BCR), o país vive um ciclo de normalização da segurança, expansão do investimento privado (portfólio acima de US$ 9 bilhões em execução) e simplificação de importações de alimentos. Em 2026, as exportações brasileiras para El Salvador totalizaram US$ 141,4 milhões (ComexStat), lideradas por celulose, calçados, café solúvel e carnes — e o MAPA abriu em 2024 três novos mercados agrícolas no país (ovos, carne de aves, gelatina e colágeno).
Este guia mostra o panorama macro real, os setores com maior tração, as alíquotas que o exportador brasileiro de fato paga (tarifa NMF do Sistema Arancelario Centroamericano — o Brasil não faz parte do CAFTA-DR), um exemplo numérico de landed cost, documentos, regulação sanitária, logística via Porto de Acajutla e cultura de negócios.
El Salvador em números: a economia que o exportador precisa entender
El Salvador adotou o dólar americano como moeda oficial em 2001 — preços, contratos e crédito operam em USD, o que elimina o risco cambial local para o exportador (a liquidação é em dólar). O experimento do bitcoin como moeda de curso legal (2021) foi revertido no âmbito do acordo com o FMI de fevereiro de 2025 (Extended Fund Facility), que ancora a consolidação fiscal e destravou apoio de multilaterais (a carteira do Banco Mundial no país soma cerca de US$ 2,4 bilhões).
O pilar estrutural da demanda são as remessas da diáspora nos EUA: cerca de 26% dos lares recebem remessas, que somaram US$ 1,5 bilhão só em janeiro-fevereiro de 2026 (+8,4% ano a ano) e equivalem a aproximadamente um quarto do PIB. Isso sustenta o consumo de alimentos, vestuário, calçados e bens duráveis — justamente onde o Brasil compete.
| Indicador | Dado | Fonte/ano |
|---|---|---|
| PIB nominal | ~US$ 35,4 bilhões | Banco Mundial / 2024 |
| PIB per capita | ~US$ 5.580 | Banco Mundial / 2024 |
| População | ~6,3 milhões | Banco Mundial / 2024 |
| Moeda | Dólar americano (dolarização desde 2001) | BCR |
| Crescimento do PIB | 2,6% em 2024; projeção de 3–3,5% para 2026 | BCR |
| Dívida pública | ~87% do PIB | 2024 |
| Remessas | ~24% do PIB; US$ 1,52 bi no 1º bimestre de 2026 | BCR |
| IVA (Impuesto a la Transferencia de Bienes y Servicios) | 13% sobre bens e serviços, inclusive importados | Código Tributário |
| Tarifa externa | Teto de 15% para a maioria dos industrializados; agro acima (picos de 40%) | SAC / OMC 2025 |
Atenção a um ponto que muitos guias erram: o CAFTA-DR (tratado EUA–América Central–República Dominicana) não concede preferência ao Brasil. Ele serve como referência porque zerou quase 100% dos bens industriais americanos e, em janeiro de 2023, as cotas de arroz, milho amarelo e coxa de frango, e em janeiro de 2025 as de lácteos — mas o exportador brasileiro paga a tarifa NMF do Arancel Centroamericano (DAI). A boa notícia: desde julho de 2024, El Salvador zerou por 10 anos o DAI de mais de 120 produtos da cesta básica e insumos agropecuários (carne bovina, suína, frango, peru, leite fluido, ovos, feijão, arroz, açúcar, rações, fertilizantes, inseticidas e herbicidas), o que beneficia diretamente a pauta brasileira de proteínas e grãos.
O que o Brasil já vende para El Salvador
Pauta Brasil–El Salvador em 2026 (ComexStat), os 8 destaques:
| Produto | Valor (2026) | Participação |
|---|---|---|
| Pastas químicas de madeira de não coníferas (celulose) | US$ 27,7 mi | 19,6% |
| Calçados com sola e cabedal de borracha/plástico | US$ 11,8 mi | 8,4% |
| Café solúvel, mesmo descafeinado | US$ 10,6 mi | 7,5% |
| Carnes desossadas de bovino, congeladas | US$ 5,4 mi | 3,8% |
| Arroz com casca (paddy), não parboilizado | US$ 5,0 mi | 3,6% |
| Pás mecânicas, escavadores e carregadoras | US$ 4,9 mi | 3,4% |
| Peitos de frango desossados, congelados | US$ 4,2 mi | 2,9% |
| Milho em grão, exceto para semeadura | US$ 4,0 mi | 2,8% |
Em 2023, o agro brasileiro exportou cerca de US$ 137 milhões ao país, e as habilitações sanitárias de 2024 (aves, ovos, gelatina/colágeno de bovinos, suínos e outros ruminantes) abriram espaço para crescer em proteínas.
7 setores com tração real: NCM, alíquota e requisito
Alíquotas abaixo = DAI NMF de referência do Sistema Arancelario Centroamericano (fração a 8–10 dígitos) + IVA de 13%. Confirme sempre a fração exata na Consulta Arancelaria da Dirección General de Aduanas (DGA) antes de precificar.
1. Celulose de não coníferas — NCM 4703.29.00
O carro-chefe da pauta (quase 20%). El Salvador não produz celulose branqueada de eucalipto e a indústria regional de papel e embalagens a absorve de forma contínua. DAI NMF de referência: 5%; IVA 13%. Exigência: certificado fitossanitário quando a aduana enquadrar a carga como produto florestal e tratamento NIMF 15 das embalagens de madeira. Venda típica: contrato anual com entregas trimestrais via Acajutla.
2. Calçados de borracha/plástico — NCM 6402.99.90
Segundo item da pauta (US$ 11,8 mi). O calçado brasileiro compete na faixa intermediária contra produto chinês, com argumento de durabilidade e design. DAI NMF de referência: 15% (teto do AEC para calçados); IVA 13%. Exigência: rotulagem em espanhol (composição, origem, importador) e atenção ao RTCA de etiquetagem aplicável. Canal: distribuidores de San Salvador e cadeias de varejo que atendem a demanda sustentada por remessas.
3. Café solúvel — NCM 2101.11.10
US$ 10,6 mi em 2026. El Salvador é produtor de café verde, mas importa solúvel industrializado — nicho onde o Brasil é líder global. DAI NMF de referência: 10% (grupo café/chá tem média aplicada de ~8,6%, OMC 2025); IVA 13%. Exigência: registro sanitário na SRS (válido 5 anos, via sistema SISAM), Certificado de Livre Venda apostilado, lista de ingredientes e etiqueta conforme RTCA 67.01.07. O reconhecimento de registro centro-americano (Res. COMIECO 388-2017) pode acelerar se o produto já for registrado em outro país do SICA.
4. Carne bovina desossada congelada — NCM 0202.30.00
US$ 5,4 mi e com a maior vantagem tarifária do momento: DAI NMF padrão de até 30%, mas 0% pela isenção de 10 anos (julho/2024) para a cesta básica; IVA 13%. Exigência: habilitação do estabelecimento no MAPA/DIPOA, certificado sanitário internacional, licença de importação do Ministerio de Agricultura (MAG) e registro do importador na SRS. O exemplo numérico abaixo usa exatamente este produto.
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5. Arroz com casca e milho em grão — NCM 1006.10.90 / 1005.90.20
Somados, US$ 9 mi em 2026. Ambos estão na lista da isenção de 10 anos: DAI 0% temporário (NMF padrão de 15–40% conforme fração); IVA 13%. Exigência: certificado fitossanitário do MAPA, licença do MAG e, para grãos a granel, coordenação com os silos privados de Acajutla (ALCASA/ALMAPAC). Venda típica: granel em porão ou big bags com descarga por correia transportadora.
6. Máquinas de terraplenagem — NCM 8429.52.00
US$ 4,9 mi em 2026, puxadas pelo boom de construção civil e obra pública. DAI NMF de referência: 0–5% (grupo de maquinaria mecânica tem média aplicada de ~0,7%, OMC 2025); IVA 13%. Exigência: fatura técnica detalhada (modelo, série, ano), manual em espanhol e agente local para pós-venda — item decisivo em licitação e venda a construtoras. Drawback cambial: como o país é dolarizado, o financiamento em USD elimina o descasamento.
7. Carne de frango (peito desossado) — NCM 0207.14.00
US$ 4,2 mi, com habilitação sanitária obtida em 2024. DAI 0% temporário pela isenção da cesta básica (NMF padrão de 15–40% por TRQ); IVA 13%. Exigência: mesmo pacote sanitário da carne bovina + cadeia do frio comprovada do frigorífico ao contêiner reefer. Concorrência: produto americano entra pelo CAFTA-DR com tarifa zero permanente — o Brasil compensa com preço e cortes específicos (peito desossado, miúdos).
Exemplo numérico: quanto custa desembarcar carne bovina em San Salvador
Operação-modelo: 1 contêiner reefer de 40 pés com 25 t de carne bovina desossada congelada (NCM 0202.30.00), FOB Santos US$ 130.000.
| Etapa | Base de cálculo | Valor |
|---|---|---|
| FOB Santos | — | US$ 130.000 |
| Frete marítimo + seguro (Santos–Acajutla via Canal do Panamá) | cotação de referência | US$ 6.500 |
| CIF Acajutla | FOB + frete + seguro | US$ 136.500 |
| DAI (0% pela isenção de 10 anos da cesta básica) | 0% × CIF | US$ 0 |
| IVA 13% | 13% × CIF | US$ 17.745 |
| Despacho, armazenagem inicial e taxas CEPA/DGA (estimativa ~1,5% do CIF) | — | ~US$ 2.050 |
| Landed cost estimado em Acajutla | CIF + IVA + taxas | ~US$ 156.300 |
| Custo por tonelada desembarcada | ÷ 25 t | ~US$ 6.250/t |
Se a isenção temporária não se aplicasse (DAI NMF de 30%), o DAI somaria US$ 40.950 e o IVA incidiria sobre CIF + DAI (US$ 23.069), elevando o landed para ~US$ 202 mil — diferença de quase 30%. Moral: confirme o enquadramento na isenção de julho/2024 na DGA antes de fechar preço, porque ela é o maior diferencial de margem da pauta de proteínas. (Frete de referência para 2026; o valor real varia com bunker, sazonalidade e transbordo.)
Documentos para exportar: tabela prática
| Documento | Quem emite | Para que serve em El Salvador |
|---|---|---|
| Fatura comercial (em espanhol ou inglês, valores em USD) | Exportador | Base do despacho; a DGA exige descrição, Incoterm e origem |
| Conhecimento de embarque (BL marítimo) / AWB | Transportador | Prova de embarque; sem endosso não há retirada em Acajutla |
| Packing list | Exportador | Conferência física e parametrização do canal aduaneiro |
| DUCA-F (Declaração Única Centro-Americana) | Despachante/importador no sistema aduaneiro | Declaração de importação; registra classificação, valor e tributos |
| Certificado de origem (não preferencial) | Entidade emissora no Brasil | Comprova origem brasileira; exigido quando a DGA ou o órgão anuente o solicita (o Brasil não usa certificado CAFTA-DR) |
| Certificado fitossanitário / zoossanitário | MAPA (Vigiagro/DIPOA) | Obrigatório para grãos, carnes, lácteos e produtos florestais; base da licença do MAG |
| Certificado de Livre Venda (apostilado + tradução se fora do espanhol) | Autoridade sanitária brasileira | Base do registro sanitário de alimentos, bebidas e cosméticos na SRS |
| Registro sanitário SRS (via SISAM, válido 5 anos) | Importador junto à SRS | Sem ele, alimento, bebida, fármaco, cosmético e suplemento não desembaraçam |
| Licença de importação do MAG | Importador junto ao MAG | Exigida para grãos básicos, lácteos e animais vivos |
| Autorização prévia CIEX/BCR (quando aplicável) | Importador no CIEX | Trâmite de autorizações de importação/exportação centralizado no Banco Central de Reserva |
| Apólice de seguro internacional | Seguradora | Respalda o CIF e o despacho; recomendada em reefer e granel |
Regulação: SRS, MAG e rotulagem sem surpresa
Desde agosto de 2024, a Superintendencia de Regulación Sanitaria (SRS) concentra o que antes era do MINSAL e da Dirección Nacional de Medicamentos: registro de alimentos e bebidas, fármacos, suplementos, cosméticos, higiene pessoal, dispositivos médicos e químicos. O registro é feito no sistema SISAM (só por ele), vale 5 anos e exige importador local constituído com bodega autorizada. Desde 2025, o processo acelerou: produtos de baixo risco (categorias B e C) aceitam o certificado sanitário do país de origem sem nova análise laboratorial local, e laboratórios terceiros acreditados podem fazer as análises da categoria A.
O Ministerio de Agricultura (MAG) licencia grãos básicos, lácteos e animais vivos e fiscaliza a sanidade agropecuária na fronteira junto com a SRS. Todo alimento fresco, commodity agrícola e animal vivo precisa do certificado sanitário do país de origem.
Rotulagem segue os RTCA centro-americanos (ex.: RTCA 67.01.07 de etiquetagem de alimentos preenvasados): espanhol obrigatório, lista de ingredientes em ordem decrescente, conteúdo líquido, lote, validade, importador e registro sanitário. Se o produto já tem registro sanitário em Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica ou Panamá, peça o reconhecimento de registro (COMIECO 388-2017) em vez de um registro novo — corta meses do cronograma.
Logística: Acajutla é a porta; o Canal do Panamá é o caminho
Cerca de 80% da carga marítima salvadorenha passa pelo Porto de Acajutla (Sonsonate, no Pacífico), operado sob concessão de 50 anos pela Yilport. Números que importam: cais de 898 m, 4 berços, capacidade atual de ~600 mil TEU/ano e 5 milhões de t de carga geral, com expansão em duas fases (Fase 0 de ~US$ 50 mi em eficiência; Fase 1 com novo cais de 510 m e calado de 16,5 m, elevando a capacidade para ~875 mil TEU/ano). O porto tem pré-porto (pre-port) com escaneamento de 100% dos contêineres de exportação, correias para granel (berço limitado a navios de até ~10 m de calado para esse sistema) e silos privados conectados (ALCASA ~143 mil t; ALMAPAC ~136 mil t). O Porto de La Unión (Golfo de Fonseca) segue subutilizado e não é alternativa regular para carga conteinerizada brasileira.
Rota padrão desde o Brasil: Santos (ou Paranaguá/Itajaí) → transbordo em Cartagena ou Colón → Canal do Panamá → Acajutla, com trânsito de 18 a 28 dias conforme a conexão. Para carga urgente ou amostras, o Aeroporto Internacional Monseñor Óscar Arnulfo Romero (SAL) recebe via hubs (Panamá, Miami, Bogotá). Do porto a San Salvador são ~80 km por rodovia — inclua o frete rodoviário e a janela de agendamento do pré-porto no lead time. Para reefer (carnes), confirme tomada elétrica e prioridade de atracação com o agente antes do embarque; para granel, reserve janela na correia e no silo.
Cultura de negócios: confiança antes do contrato
O empresário salvadorenho negocia em espanhol, valoriza relacionamento presencial e decisão concentrada no dono ou diretor-geral. Primeiro contato por e-mail ou LinkedIn raramente fecha negócio: preveja visita técnica, prova de produto e referência de outro cliente na região. Distribuidores de San Salvador atendem todo o país (pequeno e denso) e costumam cobrir também Honduras e Guatemala — escolha parceiros com essa capilaridade. Pagamentos: como a economia é dolarizada, transferência em USD e carta de crédito são padrão; PMEs locais pedem prazo (30–60 dias) com seguro de crédito. Feiras americanas com presença centro-americana e missões ApexBrasil no SICA são os atalhos mais rápidos para validar parceiros. Pontualidade, resposta em 24–48 h e material em espanhol (ficha técnica, registro sanitário, tabela em USD) diferenciam o brasileiro.
Perguntas frequentes
O Brasil tem acordo de livre comércio com El Salvador? Não. O CAFTA-DR beneficia apenas EUA, América Central e República Dominicana. O Brasil exporta sob a tarifa NMF do Arancel Centroamericano, com a exceção relevante da isenção de 10 anos (desde julho/2024) para mais de 120 itens da cesta básica e insumos agropecuários.
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Qual imposto incide sobre a importação? O DAI (direito arancelário, 0–15% para a maioria dos industrializados, até 40% em agro sensível, 25–30% em veículos) mais o IVA de 13% sobre o CIF (ou CIF + DAI, conforme o caso). Bebidas alcoólicas somam ainda imposto específico por teor alcoólico e 8% ad valorem.
Preciso de registro sanitário para alimentos? Sim, para alimentos, bebidas, fármacos, cosméticos e suplementos. É emitido pela SRS via SISAM, vale 5 anos e exige importador local. Produtos de baixo risco hoje aceitam o certificado sanitário do país de origem.
Quanto tempo leva o frete Brasil–El Salvador? De 18 a 28 dias no marítimo (Santos–Acajutla via Canal do Panamá com transbordo), mais 3–7 dias de despacho e rodoviário até San Salvador. Amostras vão por via aérea via hubs em 3–6 dias.
Posso usar certificado de origem do Mercosul? Não há preferência Mercosul–SICA aplicável; use certificado de origem não preferencial quando solicitado e não prometa ao importador benefício CAFTA-DR — ele não se aplica a mercadoria brasileira.
Dólar ou bitcoin: em que moeda negocio? Em dólar americano. A dolarização de 2001 segue integralmente vigente; o curso legal do bitcoin foi revertido no acordo com o FMI de 2025. Cotação, fatura e pagamento em USD.
Por onde começo a prospectar importadores? Pelo diretório de empresas brasileiras e pelos dados de comércio do país — veja os Artigos Relacionados abaixo e o painel do país para mapear compradores, depois valide com visita ou missão comercial.
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