Oportunidades de Exportação para Costa Rica
Costa Rica importa produtos de diversos setores. Commodidades agrícolas e equipamentos industriais têm demanda crescente.
Costa Rica em números: o mercado
A Costa Rica é uma economia de renda média-alta com cerca de 5,3 milhões de habitantes, PIB de aproximadamente US$ 95,4 bilhões em 2024 e PIB per capita perto de US$ 18,6 mil — o mais alto da América Central. O país cresce de forma consistente: o Banco Mundial registra expansão de 4,6% em 2025, com inflação baixa (2% a 3%) e investimento estrangeiro direto anual na casa de US$ 3,8 a 4 bilhões. Membro da OCDE desde 2021, o país combina estabilidade institucional rara na região com uma pauta exportadora sofisticada: mais de 50% das exportações de bens são dispositivos médicos, componentes eletrônicos e serviços empresariais. É o maior exportador per capita de dispositivos médicos das Américas.
O comércio com o Brasil é superavitário para o lado brasileiro. Em 2024, o Brasil exportou US$ 652 milhões para a Costa Rica e importou US$ 93,2 milhões, com superávit de cerca de US$ 559 milhões. Os três principais produtos brasileiros vendidos ao país foram arroz (US$ 102 milhões), milho (US$ 83,8 milhões) e semimanufaturados de ferro (US$ 54,9 milhões). No sentido inverso, o Brasil compra sobretudo instrumentos médicos (US$ 29,7 milhões), circuitos integrados (US$ 12,7 milhões) e artefatos de borracha. Dados parciais da ComexStat para 2026 apontam US$ 214,7 milhões exportados pelo Brasil no ano. No agro, as exportações agrícolas brasileiras somaram US$ 272 milhões em 2023 e 2024, com destaque para cereais, farinhas, complexo soja e produtos florestais — e em 2025 a Costa Rica aceitou o certificado fitossanitário brasileiro para o feijão comum (Phaseolus vulgaris), abrindo um item novo na pauta.
| Indicador | Costa Rica | Fonte / ano |
|---|---|---|
| População | 5,3 milhões | 2025 |
| PIB nominal | US$ 95,4 bilhões | 2024 |
| PIB per capita | US$ 18,6 mil | 2024 |
| Crescimento do PIB | 4,6% | 2025, Banco Mundial |
| Inflação | 2% a 3% | 2025 |
| Investimento estrangeiro direto | US$ 3,8 a 4 bilhões/ano | 2024 |
| Exportações de bens | US$ 19,9 bilhões | 2024 |
| Exportações Brasil → Costa Rica | US$ 652 milhões | 2024 |
| Importações Brasil ← Costa Rica | US$ 93,2 milhões | 2024 |
| Membro da OCDE | Sim, desde 2021 | — |
Ponto estratégico que o exportador brasileiro precisa internalizar: o Brasil NÃO faz parte do CAFTA-DR (o acordo de livre-comércio entre América Central, República Dominicana e Estados Unidos, em vigor na Costa Rica desde 2009) e não tem acordo comercial com a Costa Rica. Na prática, produtos americanos entram com tarifa zero em quase todas as linhas industriais e agrícolas, enquanto o produto brasileiro paga a tarifa NMF cheia. A venda brasileira precisa, portanto, competir em preço-base, diferenciação ou logística — nunca na suposição de preferência tarifária inexistente.
7 setores com demanda real e alíquotas de referência
A tabela abaixo cruza a pauta efetiva Brasil–Costa Rica (ComexStat e OEC 2024) com o tratamento tarifário costarriquenho. A Costa Rica aplica o DAI (Derecho Arancelario a la Importación) entre 1% e 15% na maioria das linhas industriais, com média NMF aplicada de 5,5% no total, 11,5% em produtos agrícolas e 4,6% em não agrícolas (OMC, perfil 2025). Grãos e matérias-primas a granel pagam 1% desde 1996. Sobre o valor CIF acrescido do DAI incide ainda o IVA de 13% na importação. Alíquotas abaixo são referências NMF — confirme sempre a linha tarifária exata no sistema TICA antes de precificar.
| # | Setor / produto | NCM (referência BR) | DAI NMF de referência | IVA | Observação competitiva |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Arroz (paddy e semibranqueado) | 1006.10 / 1006.30 | Até 35% com contingentes; reduções periódicas por demanda interna | 13% (isenções para básicos conforme lista) | Principal item da pauta (US$ 102 mi em 2024). Mercado protegido e sensível; acompanhe as janelas de redução tarifária |
| 2 | Milho em grão | 1005.90 | 1% (grão a granel) | 13% | Segundo item (US$ 83,8 mi). Tarifa baixa favorece o Brasil; exige certificado fitossanitário |
| 3 | Estruturas e obras de ferro/aço (chapas, barras, perfis, tubos para construção) | 7308 | 10% a 15% | 13% | Terceiro pilar da pauta (semimanufaturados US$ 54,9 mi). Construção civil e zona franca demandam aço |
| 4 | Automóveis de passeio 1.500–3.000 cm³ | 8703.23 | DAI cerca de 30% + imposto seletivo de consumo de 30% a 50% conforme modelo | 13% | Carga tributária alta; elétricos têm isenção parcial de 5 anos. Exige rede de pós-venda |
| 5 | Condutores elétricos (tensão superior a 1.000 V) e autopeças elétricas | 8544 | 0% a 5% | 13% | Item relevante da pauta 2026 (US$ 7 mi). Tarifa baixa; concorre com produto americano com tarifa zero via CAFTA-DR |
| 6 | Máquinas de terraplenagem (pás, escavadeiras, carregadeiras) | 8429 | 0% a 1% (bens de capital) | 13% | US$ 5,8 mi em 2026. Bens de capital entram quase sem DAI; o custo é frete + IVA |
| 7 | Vacinas e imunobiológicos + cerâmica de revestimento | 3002.41 / 6907 | 0% (vacinas) / 10% a 15% (cerâmica) | 13% | Vacinas exigem registro sanitário prévio; cerâmica atende ao boom de construção e hotelaria |
Dois alertas práticos. Primeiro, feijão comum: com a aceitação do certificado brasileiro em 2025, o NCM 0713.33 ganha um canal novo — leia o estudo setorial do SECOM São José antes de embarcar. Segundo, dispositivos médicos e farmoquímicos no sentido inverso: a Costa Rica exporta instrumentos médicos ao Brasil (US$ 29,7 mi), o que abre porta para parcerias de distribuição reversa e fornecimento a zonas francas costarriquenhas.
Exemplo numérico: quanto custa desembarcar na Costa Rica
Simulação de um contêiner de 40 pés com ladrilhos cerâmicos (NCM 6907) saindo de Santos para Moín, com DAI de 10% e IVA de 13%:
- Valor FOB Santos: US$ 45.000
- Frete marítimo Santos–Moín (via transbordo): US$ 3.800
- Seguro internacional (0,6% do FOB): US$ 300
- Valor CIF Moín: US$ 49.100
- DAI (10% sobre o CIF): US$ 4.910
- Base do IVA (CIF + DAI): US$ 54.010
- IVA (13% sobre a base): US$ 7.021
- Custo landed antes de despacho e margem: US$ 61.031
- Despacho aduaneiro, armazenagem e THC estimados: US$ 800 a US$ 1.200
- Custo total estimado na porta do distribuidor: US$ 61.800 a US$ 62.200
Ou seja, a carga tributária e logística adiciona cerca de 37% sobre o FOB neste exemplo. Para bens de capital (DAI 0% a 1%) o acréscimo cai para algo entre 18% e 22%; para automóveis, com o seletivo de 30% a 50%, pode passar de 80%. Monte a mesma conta para o seu NCM antes de enviar a cotação — o distribuidor costarriquenho compra comparando o landed americano (com tarifa zero) com o seu.
Documentos do embarque
- Fatura comercial em espanhol ou inglês, com descrição, NCM/SAC, valores FOB e Incoterm, peso líquido e bruto.
- Packing list por volume, com marcação de caixas.
- Conhecimento de embarque marítimo (BL) — order ou nominativo conforme o pagamento.
- Certificado de origem não preferencial: sem acordo Brasil–Costa Rica, não há redução tarifária, mas o documento segue exigível para identificação da mercadoria.
- Certificado fitossanitário do MAPA para arroz, milho, feijão, soja e produtos florestais, conforme exigência do SFE (Servicio Fitosanitario del Estado).
- Certificado sanitário para alimentos de origem animal e pescados.
- Registro sanitário do Ministerio de Salud para alimentos processados, medicamentos, vacinas, cosméticos e dispositivos médicos — deve estar válido antes do embarque.
- Rotulagem em espanhol conforme os RTCA (Reglamentos Técnicos Centroamericanos) da categoria.
- DUA (Documento Único Aduanero) processado no sistema TICA por agente aduaneiro (agente de aduana) habilitado — figura obrigatória no despacho costarriquenho.
- Apólice de seguro e documentos de pagamento (carta de crédito, cobrança documentária ou transferência, conforme o risco do cliente).
Regulação: o que trava embarque despreparado
A importação é processada no TICA (Tecnología de Información para el Control Aduanero), o sistema da aduana costarriquenha, por meio do DUA apresentado por agente aduaneiro. O importador precisa estar registrado como contribuinte e, para operar com regularidade, em dia com a CCSS (seguridade social). A PROCOMER é a promotora de comércio exterior — útil para prospecção e feiras, mas não é órgão licenciador.
Três frentes regulatórias decidem o sucesso. Na saúde, o Ministerio de Salud exige registro sanitário prévio de alimentos, bebidas, medicamentos, cosméticos e equipamentos médicos; sem registro válido, a carga fica retida. No agro, o SFE e o SENASA exigem certificados fitossanitários e zoossanitários e podem determinar inspeção no ponto de ingresso. Na rotulagem e normas técnicas, valem os RTCA centro-americanos (rotulagem de alimentos, medicamentos, calçados, têxteis) mais normas INTECO específicas — rótulo em espanhol com origem, conteúdo, lote, validade e dados do importador é o mínimo.
Para arroz e feijão, atenção dupla: além do fitossanitário, o país aplica contingentes tarifários e reduções temporárias de DAI conforme a oferta interna — embarcar fora da janela certa significa pagar a alíquota cheia de até 35%. Consulte o SECOM da Embaixada do Brasil em São José e confirme a janela vigente com o agente aduaneiro antes de fechar o contrato.
Logística: rota Santos–Moín e os portos
Quase toda a carga brasileira chega por mar ao Caribe costarriquenho. O Terminal de Contêineres de Moín (TCM), operado pela APM Terminals em concessão de 33 anos, é o porto moderno do país: opera 24 horas por dia, recebe cerca de 10 navios por semana e concentra aproximadamente 80% da carga conteinerizada da Costa Rica. O complexo Limón–Moín (JAPDEVA + TCM) é, portanto, o destino natural do seu embarque. No Pacífico, o porto de Caldera atende granel e carga regional — alternativa útil para fertilizantes e granéis, mas fora da rota típica Brasil–Costa Rica.
Não há serviço direto Santos–Moín na maioria das semanas: a rota padrão usa transbordo em Cartagena, Kingston, Caucedo ou via Canal do Panamá, com trânsito total de 15 a 25 dias porta a porto. Para vacinas, amostras e peças urgentes, o Aeroporto Internacional Juan Santamaría (SJO), em San José, recebe carga aérea com conexões via Panamá, Bogotá ou Miami. Negocie em FOB Santos ou CIF Moín — o distribuidor local está habituado a ambos — e cote o THC e a devolução de vazio (depots RADA em Moín e Caldera), que pesam no custo final. A TRADEXA estima frete e lead time por rota para o seu NCM.
Quer testar na prática? Crie sua conta grátis na TRADEXA.
Cultura de negócios: o jeito tico de fechar
O costarriquenho — o "tico" — cultiva o lema "pura vida": cordialidade, aversão a confronto e ritmo de decisão mais consensual que o brasileiro. Os pontos práticos:
- Idioma: negocie em espanhol. O inglês funciona em multinacionais de zona franca, mas o distribuidor médio espera proposta, rótulo e manual em espanhol — portunhol improvisa e cobra caro na confiança.
- Primeiro contato: e-mail objetivo com ficha técnica e preço FOB/CIF, seguido de videochamada. Visita presencial ou encontro em feira regional (a EXPOCOMER, no Panamá, é o ponto de encontro do istmo) acelera a confiança.
- Decisão: hierárquica mas consultiva; o dono decide depois de ouvir o técnico e o financeiro. Preveja duas a três rodadas e não pressione por resposta imediata.
- Pagamento: na primeira operação, carta de crédito ou cobrança documentária; após histórico, transferência com sinal de 30%. O dólar americano é amplamente aceito e cotado no dia a dia.
- Pós-venda: para máquinas, autopeças e equipamentos, o distribuidor compra a garantia de peças e assistência — inclua o plano de pós-venda na proposta, não como anexo.
Roteiro de entrada em 5 passos
- Valide o NCM e o DAI vigente na linha tarifária do TICA com seu agente aduaneiro, incluindo a janela de contingente para arroz e feijão.
- Obtenha (ou confirme via importador) o registro sanitário do Ministerio de Salud se o produto for alimento, medicamento, cosmético ou dispositivo médico.
- Prepare fatura, packing list e certificados (fitossanitário do MAPA quando aplicável) com antecedência de 2 semanas do embarque.
- Cote FOB Santos e CIF Moín com 2 a 3 armadores, considerando a semana de transbordo e o THC de devolução em Moín.
- Liste 10 a 15 importadores ativos no NCM, priorize os que já compram do Brasil e abra com proposta em espanhol + ficha técnica + landed estimado.
Perguntas frequentes
O Brasil tem acordo comercial com a Costa Rica? Não. Não há acordo bilateral nem participação brasileira no CAFTA-DR. O exportador brasileiro paga a tarifa NMF cheia, enquanto concorrentes americanos entram com tarifa zero na maioria das linhas. Precifique com essa desvantagem na conta.
Quanto de imposto pago ao exportar para a Costa Rica? A regra geral é DAI de 1% a 15% conforme o produto (média aplicada de 5,5%), mais IVA de 13% sobre a base CIF + DAI. Grãos a granel pagam 1%; bens de capital, 0% a 1%; veículos somam ainda o seletivo de 30% a 50%.
Quanto tempo leva o frete Santos–Moín? De 15 a 25 dias com transbordo no Caribe, conforme a conexão da semana. Some 3 a 5 dias de despacho em Moín. Carga aérea via SJO leva de 2 a 4 dias porta a porta.
Preciso de registro sanitário para alimentos e vacinas? Sim. O Ministerio de Salud exige registro sanitário prévio válido para alimentos processados, medicamentos, vacinas, cosméticos e dispositivos médicos. Sem ele, a carga não desembaraça.
Posso exportar feijão para a Costa Rica? Sim, desde 2025, com o aceite do certificado fitossanitário brasileiro para Phaseolus vulgaris. Exija do importador a confirmação da janela de contingente vigente antes de embarcar.
Como encontro distribuidores confiáveis? Combine o SECOM da Embaixada em São José, a base de associados da PROCOMER e feiras regionais com a validação de histórico de importação — volume, frequência e fornecedores atuais. É exatamente esse cruzamento que a TRADEXA entrega.
Qual Incoterm usar? FOB Santos para compradores experientes com agente próprio; CIF Moín para distribuidores que preferem custo fechado. Evite DDP na primeira operação: a tributação interna e o despacho via agente local recomendam manter o desembaraço com o importador.
Relacionados
- Panorama comercial Brasil–Costa Rica
- Logística Costa Rica: portos e rotas
- Exportar para o Panamá: centro logístico
- Exportar para a América Central: mercados
- Diretório de empresas brasileiras exportadoras
Como a TRADEXA acelera sua entrada na Costa Rica
A TRADEXA identifica importadores costarriquenhos ativos no seu NCM — com volume, frequência e fornecedores atuais — estima o landed cost com DAI e IVA e acompanha a operação até o desembaraço em Moín. Veja o painel da Costa Rica com o cenário completo do país, pesquise parceiros no diretório de empresas brasileiras e fale com nosso time para montar sua primeira cotação CIF Moín com margem protegida.
Coloque em prática com a TRADEXA
Use nossas ferramentas para classificar NCM, consultar tarifas em 31+ países e analisar dados reais de comércio exterior.
Criar Conta Grátis