Introdução: O Brasil como Potência Global da Beleza
O Brasil ocupa uma posição de destaque no mercado global de cosméticos, sendo o quarto maior mercado consumidor de produtos de beleza e cuidados pessoais do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor movimenta anualmente mais de R$ 130 bilhões no mercado interno e registra crescimento consistente nas exportações, que ultrapassam US$ 1,2 bilhão por ano. Essa pujança não é fruto do acaso: o Brasil reúne condições únicas que combinam biodiversidade incomparável, tecnologia de ponta em ingredientes naturais, design criativo e uma indústria altamente capacitada para atender às exigências dos mercados mais rigorosos do planeta.
Para o exportador brasileiro que deseja ingressar ou expandir sua presença no comércio internacional de cosméticos, compreender o ecossistema regulatório, as certificações necessárias, os canais de distribuição e as particularidades de cada mercado-alvo é fundamental. Este guia completo foi elaborado para oferecer um panorama aprofundado sobre a exportação de cosméticos brasileiros, abordando desde os segmentos de maior potencial até os aspectos práticos de logística, documentação e inteligência comercial. A TRADEXA, com sua plataforma de classificação NCM e diretório global de importadores, é a parceira ideal para acompanhar cada etapa dessa jornada.
O Mercado Brasileiro de Cosméticos: Números e Protagonistas
A indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) é uma das mais relevantes do mundo. De acordo com a ABIHPEC, o Brasil responde por aproximadamente 10% do mercado global de cosméticos, com destaque para fragrâncias, produtos capilares, protetores solares e maquiagem. O setor é composto por mais de 2.800 empresas formalmente registradas na ANVISA, sendo que a maioria é de pequeno e médio porte, o que demonstra a capilaridade e a acessibilidade do segmento.
Entre os grandes protagonistas, destacam-se a Natura & Co, que se tornou uma gigante global ao adquirir a australiana Aesop, a britânica The Body Shop e a americana Avon, consolidando-se como uma das maiores empresas de beleza do mundo. O Grupo Boticário, por sua vez, construiu um império a partir de franquias e inovação em perfumaria, sendo hoje uma das maiores redes de franquias do planeta, com presença em mais de 30 países. Outras empresas de relevância incluem a Granado, com sua tradição centenária e reposicionamento premium global, a Ruby Rose no segmento de maquiagem acessível, a Skinka em cuidados infantis, e dezenas de marcas independentes que têm conquistado espaço no exterior através de plataformas digitais e feiras internacionais.
O diferencial competitivo brasileiro reside na biodiversidade. A Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica e a Caatinga oferecem um verdadeiro laboratório natural de ativos cosméticos. Ingredientes como açaí, cupuaçu, buriti, andiroba, castanha-do-pará, pitanga, jabuticaba, ora-pro-nóbis e óleo de dendê são cada vez mais valorizados no mercado internacional por suas propriedades funcionais comprovadas e pela crescente demanda do consumidor global por produtos naturais, sustentáveis e com apelo de origem.
Principais Segmentos de Exportação
A pauta exportadora de cosméticos brasileiros é diversificada, mas alguns segmentos se destacam pelo volume e potencial de crescimento. Conhecer esses nichos é essencial para direcionar estrategicamente os esforços comerciais.
Cuidados Capilares: A Força da Linha Profissional
O Brasil é referência mundial em cuidados com os cabelos, especialmente devido à diversidade étnica e aos hábitos de consumo capilar da população. Os produtos capilares representam a maior fatia das exportações brasileiras de cosméticos, com destaque para:
- Shampoos e condicionadores profissionais, incluindo linhas de reconstrução capilar com queratina, óleos vegetais e ativos hidratantes.
- Máscaras de tratamento intensivo, muito populares nos mercados latino-americano e europeu.
- Produtos para escova progressiva e alisamento, que exigem cuidados especiais com a regulamentação de formol e outros agentes químicos.
- Finalizadores, leave-ins, óleos capilares e protetores térmicos.
- Linhas específicas para cabelos crespos e cacheados, um segmento em franca expansão global.
O público internacional busca cada vez mais os chamados "cabelos brasileiros" como referência de tratamento e estilo, o que abre uma janela de oportunidade única para marcas que conseguem traduzir esse conhecimento em produtos exportáveis.
Skincare: A Biodiversidade como Diferencial Competitivo
A pele do consumidor global está cada vez mais interessada em ingredientes exóticos e funcionais. O Brasil, com sua megadiversidade, oferece um portfólio impressionante de ativos para cuidados com a pele:
- Açaí: Rico em antocianinas e ácidos graxos essenciais, é um potente antioxidante e anti-inflamatório natural, cada vez mais presente em formulações antissinais e hidratantes.
- Cupuaçu: A manteiga de cupuaçu é um dos mais potentes hidratantes naturais conhecidos, com capacidade de retenção de água superior à da lanolina. É amplamente utilizada em cremes corporais, labiais e produtos para cabelos secos.
- Buriti: Contém uma das maiores concentrações de pró-vitamina A dentre os óleos vegetais, sendo um ativo indispensável em protetores solares e produtos antienvelhecimento.
- Andiroba: Conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes, é comum em formulações para peles oleosas e acneicas.
- Óleo de pracaxi: Rico em ácido behênico, promove hidratação profunda e é usado em reparadores capilares e hidratantes intensivos.
- Óleo de babaçu: Emoliente natural, muito presente em sabonetes, cremes e produtos para peles sensíveis.
A tendência "clean beauty" e a procura por ingredientes sustentáveis, rastreáveis e de comércio justo posicionam os bioativos brasileiros em vantagem competitiva no mercado global.
Fragrâncias e Perfumaria: A Arte Brasileira de Perfumar
A perfumaria brasileira conquistou o mundo com sua combinação única de notas frescas, frutais e florais que refletem o imaginário tropical. Marcas como O Boticário e Natura construíram sólida reputação internacional com fragrâncias que utilizam ingredientes brasileiros como pitanga, maracujá, erva-doce e cumaru. O segmento de fragrâncias representa uma parcela significativa das exportações, com demanda aquecida tanto na América Latina quanto nos Estados Unidos e Oriente Médio.
Proteção Solar: Conhecimento Tropical Exportado
O Brasil é um país tropical com altos índices de radiação UV, o que fez da indústria de protetores solares uma das mais avançadas do mundo. Os filtros solares brasileiros são reconhecidos por sua eficácia, textura agradável e inovação em formulações resistentes à água e ao suor. Com o aumento da conscientização global sobre os riscos da exposição solar sem proteção, os protetores solares brasileiros encontram mercado crescente na Europa e nos Estados Unidos.
Mercados-Alvo para Cosméticos Brasileiros
A definição dos mercados prioritários é uma das decisões estratégicas mais importantes para o exportador de cosméticos. Cada região apresenta exigências regulatórias, preferências de consumo e canais de distribuição específicos.
América Latina: Mercado Natural por Proximidade
A América Latina é o principal destino das exportações brasileiras de cosméticos, respondendo por cerca de 60% do total. Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México são os maiores compradores. As vantagens incluem:
- Proximidade geográfica e cultural, o que reduz custos logísticos e simplifica a adaptação de produtos.
- Acordos comerciais do Mercosul, que reduzem ou eliminam tarifas de importação.
- Similaridade regulatória, já que muitos países da região adotam standards próximos aos da ANVISA.
- Menor exigência de certificações internacionais complexas em comparação com Europa e EUA.
No entanto, é preciso estar atento às instabilidades econômicas e cambiais de alguns países vizinhos, que podem impactar a capacidade de pagamento e a demanda.
União Europeia: O Mercado mais Exigente e Sofisticado
A União Europeia representa um mercado de alto valor para cosméticos brasileiros, especialmente para produtos com apelo natural, orgânico e sustentável. O consumidor europeu está disposto a pagar prêmios por ingredientes exóticos e certificações socioambientais. Porém, a entrada na UE exige conformidade com o Regulamento Europeu de Cosméticos (CE 1223/2009), que estabelece:
- Registro do produto no Portal CPNP (Cosmetic Products Notification Portal).
- Nomeação de uma Pessoa Responsável (Responsible Person) estabelecida na UE.
- Elaboração do PIF (Product Information File), contendo descrição do produto, relatório de segurança, BPF, dados de eficácia e rótulo.
- Conformidade com o banimento de testes em animais e restrições a determinadas substâncias.
- Atendimento aos requisitos de rotulagem, incluindo lista INCI de ingredientes em inglês, prazo de validade após abertura (PAO) e lote.
Além disso, a certificação EU Organic (para produtos orgânicos) e a certificação COSMOS (para cosméticos naturais e orgânicos) são diferenciais competitivos importantes no mercado europeu.
Estados Unidos: O Maior Mercado Consumidor do Mundo
Os Estados Unidos são o maior mercado consumidor de cosméticos do mundo e um destino estratégico para exportadores brasileiros. No entanto, a regulação da FDA (Food and Drug Administration) é rigorosa e está em constante evolução. Os principais requisitos incluem:
- Registro do estabelecimento fabricante junto à FDA (Facility Registration).
- Listagem dos produtos cosméticos comercializados nos EUA (Product Listing).
- Conformidade com a MoCRA (Modernization of Cosmetics Regulation Act), aprovada em 2022 e implementada gradualmente, que estabelece novas exigências de segurança, boas práticas de fabricação, notificação de eventos adversos e rastreabilidade.
- Rotulagem em inglês, com lista de ingredientes em ordem decrescente de concentração, advertências e instruções de uso.
- Restrições a ingredientes, incluindo proibições específicas de certos compostos.
A importação para os EUA pode ser facilitada através de um importador registrado (US Agent), que atua como representante legal do fabricante brasileiro no país.
Oriente Médio: Mercado em Expansão com Exigências Específicas
O Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, representa um mercado de alto potencial para cosméticos brasileiros. O consumidor da região valoriza fragrâncias intensas, produtos premium e ingredientes naturais exóticos. No entanto, a entrada nesse mercado exige:
- Certificação HALAL, que atesta que os produtos não contêm ingredientes proibidos pela lei islâmica (como álcool etílico em certas concentrações, gelatinas de origem suína ou ingredientes não halal) e que foram fabricados em condições adequadas.
- Registro junto às autoridades sanitárias locais, como a SFDA (Saudi Food and Drug Authority) na Arábia Saudita e o Ministério da Saúde nos Emirados Árabes.
- Rotulagem em árabe e inglês.
- Atenção às sensibilidades culturais em relação a imagens e alegações de marketing.
A feira Beautyworld Middle East, realizada em Dubai, é o principal ponto de encontro do setor na região e uma vitrine importante para marcas brasileiras.
Regulamentação ANVISA para Exportação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão regulador responsável pelo registro e controle de cosméticos no Brasil. Para exportar, o fabricante brasileiro precisa estar em conformidade com as normas sanitárias brasileiras, além de atender aos requisitos do país importador. Os principais pontos são:
- Notificação ou Registro do Produto: Cosméticos de baixo risco necessitam apenas de notificação junto à ANVISA, enquanto produtos de maior risco (como protetores solares, produtos infantis e alisantes capilares) exigem registro completo.
- BPF (Boas Práticas de Fabricação): Toda empresa fabricante de cosméticos deve possuir certificação de BPF, emitida por organismo acreditado pelo INMETRO. A certificação BPF atesta que a empresa segue padrões internacionais de qualidade, higiene e segurança na produção.
- Certificado de Venda Livre (Free Sale Certificate): Emitido pela ANVISA, atesta que o produto é legalmente comercializado no Brasil e pode ser exigido pelo país importador como parte do processo de registro local.
- RDC aplicáveis: A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 752/2022 (regulamentação de BPF) e a RDC nº 752/2022 são as principais normas que regem o setor.
O exportador brasileiro deve manter um arquivo técnico completo de cada produto, incluindo fórmula qualitativa e quantitativa, especificações de matérias-primas, laudos de controle de qualidade e evidências de eficácia quando aplicável.
Certificações Internacionais Obrigatórias e Voluntárias
Dependendo do mercado de destino, diversas certificações podem ser exigidas ou representar um diferencial competitivo relevante:
EU REACH e Regulamento Europeu de Cosméticos
A conformidade com o REACH (Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals) é indispensável para a exportação de cosméticos para a União Europeia. Embora os cosméticos como produtos acabados tenham regras específicas no Regulamento Europeu de Cosméticos, as matérias-primas utilizadas precisam estar em conformidade com o REACH. Além disso, o fabricante brasileiro deve:
- Garantir que nenhum ingrediente proibido ou restrito está presente na formulação.
- Verificar se o produto atende aos limites máximos de impurezas estabelecidos.
- Manter disponível o relatório de segurança do produto (CPSR), elaborado por um avaliador de segurança qualificado.
FDA e MoCRA para os Estados Unidos
A MoCRA (Modernization of Cosmetics Regulation Act), sancionada em dezembro de 2022, trouxe as maiores mudanças regulatórias para cosméticos nos EUA em mais de 80 anos. As empresas exportadoras precisam se adequar a:
- Registro obrigatório do estabelecimento fabricante junto à FDA, renovado a cada dois anos.
- Listagem de produtos com informações detalhadas sobre ingredientes e formulação.
- Manutenção de registros de segurança que comprovem que o produto é seguro para o uso pretendido.
- Notificação de eventos adversos sérios à FDA em até 15 dias.
- Conformidade com novas BPF (GMP) específicas para cosméticos.
- Rastreabilidade e recall de produtos.
Certificação HALAL
A certificação HALAL é exigida para exportação para a maioria dos países de maioria muçulmana. No Brasil, diversas entidades são acreditadas para emitir a certificação HALAL, como a CDIAL Halal, FAMBRAS Halal e Cibal Halal. O processo envolve auditoria da fábrica, análise de ingredientes e verificação de processos produtivos.
Certificação INMETRO
O INMETRO é o órgão brasileiro de acreditação e metrologia. Embora a certificação INMETRO não seja obrigatória para todos os cosméticos, alguns produtos específicos, como protetores solares, dependem de ensaios laboratoriais acreditados pelo INMETRO para comprovação de eficácia. Além disso, a certificação INMETRO das BPF (ISO 22716) é aceita internacionalmente como evidência de boas práticas.
Certificação Orgânica
Para produtos que se posicionam como orgânicos, certificações como a USDA Organic (EUA), EU Organic (Europa), Ecocert e IBD são fundamentais. O Brasil possui o selo Orgânico Brasil, emitido pelo Ministério da Agricultura, que pode ser utilizado em produtos exportados.
Documentação para Exportação de Cosméticos
A documentação correta é a espinha dorsal de qualquer operação de exportação bem-sucedida. Para cosméticos, os principais documentos incluem:
BPF (Boas Práticas de Fabricação)
O certificado de Boas Práticas de Fabricação é emitido por organismo certificador acreditado pelo INMETRO, de acordo com a ISO 22716 (Cosmetics - Good Manufacturing Practices). Este documento é frequentemente solicitado por importadores estrangeiros e autoridades regulatórias como comprovação de que a fábrica opera dentro de padrões internacionais de qualidade.
MSC/COSMET Certificate (Certificate of Free Sale)
O Certificado de Venda Livre, conhecido internacionalmente como MSC (Market Surveillance Certificate) ou COSMET Certificate, é emitido pela ANVISA e atesta que o produto é legalmente fabricado e comercializado no Brasil. Este documento é exigido por muitos países como parte do processo de registro do produto importado.
Outros Documentos Essenciais
- Fatura Comercial e Romaneio de Embarque (Packing List).
- Certificado de Origem (para aproveitamento de preferências tarifárias em acordos comerciais).
- Licença de Importação (no país de destino), geralmente emitida pelo importador.
- Declaração de Conformidade do fabricante.
- Laudo de Análise (COA) do lote exportado.
- MSDS (Material Safety Data Sheet) para transporte marítimo e aéreo.
- Certificado fitossanitário quando aplicável (para ingredientes vegetais não processados).
Canais de Distribuição e Estratégias de Entrada
O acesso ao mercado internacional pode ser feito por diferentes canais, cada um com vantagens e desafios específicos:
Participação em Feiras Internacionais
As feiras do setor são o principal ponto de encontro entre fabricantes, distribuidores e compradores globais. As principais feiras para cosméticos incluem:
- Cosmoprof Worldwide Bologna (Itália): A maior feira de cosméticos do mundo, realizada anualmente em Bolonha. Reúne milhares de expositores e compradores de todos os continentes. A participação brasileira tem crescido significativamente, com pavilhões organizados pela ABIHPEC e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil).
- in-cosmetics Global (diversos locais): Focada em ingredientes e inovação para a indústria cosmética, é uma feira técnica que conecta fornecedores de matérias-primas com formuladores.
- Cosmoprof North America (Las Vegas, EUA): A versão americana da CosmoProf, ideal para quem busca o mercado norte-americano.
- Beautyworld Middle East (Dubai): A principal feira do Oriente Médio, excelente para empresas que miram os mercados árabe e africano.
- InterCHARM (Moscou, Rússia): Apesar das restrições geopolíticas atuais, ainda é um ponto de encontro relevante para o mercado do Leste Europeu.
- Cosmetic 360 (Paris, França): Feira de inovação e tendências do setor.
Distribuidores e Importadores Locais
A contratação de distribuidores locais é a estratégia mais comum e eficiente para entrada em novos mercados. O distribuidor conhece a regulamentação local, os canais de venda (farmácias, perfumarias, e-commerce, grandes varejistas) e as preferências do consumidor. A TRADEXA oferece um diretório global de importadores que pode ser utilizado para identificar potenciais parceiros comerciais em diferentes países.
E-commerce Transfronteiriço
Plataformas como Amazon Global, Mercado Libre, Shopee e AliExpress permitem que marcas brasileiras vendam diretamente ao consumidor final no exterior sem necessidade de presença física imediata. Essa estratégia é especialmente adequada para marcas menores que desejam testar a aceitação de seus produtos antes de investir em operações logísticas mais complexas.
Private Label e Contract Manufacturing
Muitas marcas internacionais buscam fabricantes brasileiros para produzir cosméticos sob sua própria marca (private label). Este modelo é vantajoso para empresas que possuem capacidade produtiva ociosa e desejam se posicionar como fornecedores B2B no mercado global.
Classificação NCM para Cosméticos
A correta classificação fiscal dos produtos é fundamental para determinar alíquotas de impostos, regimes tributários, acordos comerciais e estatísticas de comércio exterior. Os cosméticos brasileiros se enquadram principalmente nos seguintes capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM):
- Capítulo 33: Produtos de perfumaria, cosméticos e toucador. Este é o capítulo principal, abrangendo:
- NCM 3303.00: Perfumes e águas-de-colônia.
- NCM 3304: Produtos de beleza, maquiagem e cuidados com a pele (incluindo protetores solares).
- NCM 3305: Preparações capilares (shampoos, condicionadores, tinturas, fixadores).
- NCM 3306: Produtos para higiene bucal e dentária.
- NCM 3307: Preparações para barbear, desodorantes, sais de banho e outros.
A TRADEXA disponibiliza em sua plataforma um classificador NCM inteligente, que auxilia o exportador a identificar a classificação correta de cada produto, evitando erros que podem gerar multas, atrasos na liberação aduaneira e perda de benefícios fiscais.
Aspectos Logísticos na Exportação de Cosméticos
A logística internacional de cosméticos requer cuidados específicos relacionados ao armazenamento, manuseio, transporte e documentação:
Embalagem e Rotulagem
A embalagem dos cosméticos exportados deve atender não apenas aos requisitos estéticos e de marketing, mas também às exigências regulatórias dos países de destino. É fundamental incluir:
- Lista completa de ingredientes segundo a nomenclatura INCI, no idioma exigido pelo país importador.
- Prazo de validade e/ou PAO (Period After Opening).
- Número de lote e data de fabricação.
- Instruções de uso e advertências.
- Informações sobre o fabricante e importador.
- Conteúdo líquido em unidades do sistema métrico ou imperial, conforme o país.
Transporte e Armazenagem
Muitos cosméticos são sensíveis a temperaturas extremas, umidade e vibração. É essencial:
- Utilizar embalagens primárias e secundárias que protejam contra impactos e variações climáticas.
- Contratar seguros de carga que cubram danos, extravios e avarias.
- Optar por transporte marítimo para grandes volumes (reduz custos unitários) ou aéreo para embarques urgentes e de alto valor agregado.
- Verificar as restrições de transporte para líquidos inflamáveis (perfumes, aerossóis) e produtos que contenham álcool.
Apoio e Financiamento à Exportação
O exportador brasileiro de cosméticos pode contar com diversas linhas de apoio e financiamento:
APEX-Brasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos oferece programas setoriais, projetos de imagem, rodadas de negócios, missões comerciais e participação em feiras. O programa Beauty Brazil, por exemplo, promove a indústria brasileira de cosméticos no exterior, organizando participações coletivas em feiras como Cosmoprof e in-cosmetics.
BNDES e PROEX
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Programa de Financiamento às Exportações (PROEX) oferecem linhas de crédito para financiar a produção e a comercialização de bens e serviços destinados à exportação.
Entidades Setoriais
A ABIHPEC, o SEBRAE, a CNI e as federações de indústria dos estados oferecem capacitação, consultoria, estudos de mercado e apoio jurídico para exportadores.
A Importância da Inteligência Comercial
Exportar sem inteligência comercial é como navegar sem mapa. Antes de iniciar a exportação, é fundamental realizar uma análise aprofundada do mercado-alvo. A TRADEXA oferece ferramentas de trade intelligence que permitem ao exportador:
- Identificar países importadores de cada NCM do capítulo 33.
- Analisar volumes e valores de importação por país, com séries históricas.
- Descobrir os principais concorrentes brasileiros e de outros países em cada mercado.
- Mapear potenciais importadores, distribuidores e compradores.
- Acompanhar tarifas de importação, acordos comerciais e barreiras não tarifárias.
- Monitorar tendências de preço e demanda.
O uso estratégico da inteligência comercial reduz os riscos, aumenta a assertividade das negociações e maximiza as chances de sucesso no mercado internacional.
Tendências Futuras e Oportunidades
O mercado global de cosméticos está em constante evolução, e algumas tendências merecem atenção especial do exportador brasileiro:
Sustentabilidade e Economia Circular
A pressão do consumidor global por produtos sustentáveis, embalagens recicláveis, refil e ingredientes de origem responsável é crescente. O Brasil, com sua rica biodiversidade e comunidades tradicionais, tem potencial único para oferecer ingredientes com rastreabilidade, certificação socioambiental e impacto positivo.
Personalização e Clean Beauty
Cosméticos personalizados, veganos, cruelty-free e com ingredientes naturais estão em alta. Marcas brasileiras que conseguem comunicar transparência e eficácia têm vantagem competitiva.
Digitalização do Trade
A venda de cosméticos online segue crescendo, e o B2B também está se digitalizando. Marketplaces B2B, plataformas de matchmaking e ferramentas de inteligência comercial são cada vez mais utilizadas.
Conclusão
A exportação de cosméticos brasileiros é uma jornada desafiadora, mas extremamente recompensadora. O Brasil reúne ingredientes únicos, talento criativo e capacidade industrial para competir nos mercados mais sofisticados do mundo. O sucesso depende de planejamento estratégico, conformidade regulatória, qualidade consistente e o uso inteligente de ferramentas de comércio exterior.
Com a TRADEXA como parceira, o exportador brasileiro tem acesso a classificação NCM precisa, diretório de importadores globais, análises de mercado e inteligência comercial que transformam dados em decisões acertadas. Seja nos cabelos que brilham nos salões de Nova York, na pele hidratada pelo cupuaçu em Paris, ou nas fragrâncias tropicais que perfumam os shoppings de Dubai, os cosméticos brasileiros têm um lugar reservado e crescente no mercado global de beleza.
O momento de exportar é agora. O mundo está cada vez mais aberto à beleza brasileira, e as ferramentas para conquistá-lo nunca estiveram tão acessíveis. Com informação de qualidade, parcerias certas e execução consistente, o próximo grande sucesso global pode muito bem sair de uma fábrica brasileira de cosméticos.