Exportação de Ovos e Produtos Avícolas de Postura do Brasil

Guia completo sobre exportação de ovos brasileiros: ovos in natura, processados, incubáveis, NCM 0407/0408, MAPA/SIF, áreas livres de Newcastle e IA, logís

Publicado em 2026-06-30 | Atualizado em 2026-06-30 | TRADEXA Blog

Introdução: O Brasil no Cenário Global da Avicultura de Postura

O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de ovos, ocupando atualmente a 7ª posição no ranking global, com uma produção que ultrapassa 55 bilhões de ovos por ano. Este volume expressivo coloca o país atrás apenas de gigantes como China, Estados Unidos, Índia, Japão, México e Rússia. No entanto, diferentemente desses países, o Brasil possui uma característica singular: enquanto grande parte da produção mundial é destinada ao consumo interno, o Brasil vem gradualmente ampliando sua presença no mercado internacional de ovos e derivados, com um potencial de crescimento ainda enorme.

A avicultura de postura brasileira passou por uma verdadeira revolução nas últimas duas décadas. O que antes era uma atividade predominantemente voltada para o mercado doméstico, com produtores de pequeno e médio porte atendendo mercados regionais, transformou-se em um setor altamente tecnificado, com biosseguridade de ponta, genética avançada e capacidade de atender aos mais rigorosos padrões sanitários internacionais. Hoje, empresas como Granja Faria, Mantiqueira, Avícola Yolanda, Global Eggs, Naturovos e Kikão lideram um segmento que não apenas abastece o mercado interno brasileiro, mas também projeta o Brasil como um protagonista emergente no comércio global de ovos e produtos avícolas de postura.

Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo e aprofundado sobre a exportação de ovos e produtos avícolas de postura do Brasil. Abordaremos desde o panorama produtivo e os principais players do setor até as classificações NCM, requisitos sanitários do MAPA, mercados compradores, logística internacional, embalagens, certificações e estratégias para maximizar as oportunidades de negócio. Se você é produtor, exportador ou profissional de comércio exterior que deseja compreender este mercado em expansão, este conteúdo foi preparado para você.

Panorama da Produção Brasileira de Ovos

A produção brasileira de ovos está distribuída por todas as regiões do país, mas apresenta forte concentração no Sudeste, particularmente no estado de São Paulo, seguido por Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. O setor é composto por aproximadamente 120 mil produtores, que vão desde pequenos avicultores familiares até grandes integrações industriais com milhões de aves alojadas.

O plantel de poedeiras comerciais no Brasil gira em torno de 320 milhões de aves, com uma produtividade média de 330 ovos por ave alojada por ano, número que coloca a avicultura brasileira entre as mais eficientes do mundo. A genética utilizada é predominantemente importada de programas de melhoramento das empresas Hy-Line, Lohmann, ISA e Novogen, que fornecem linhagens especialmente desenvolvidas para diferentes sistemas de produção, do convencional ao cage-free e free-range.

A produção de ovos no Brasil divide-se basicamente em três segmentos:

Ovos in natura (de casca): representam aproximadamente 85% da produção total e são destinados tanto ao consumo direto quanto ao processamento industrial. Este segmento inclui ovos brancos e vermelhos, com os ovos de casca branca dominando o mercado nacional. Os ovos in natura são classificados por peso (extra, grande, médio, pequeno) e por qualidade da casca e da gema, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo MAPA.

Ovos industrializados (processados): correspondem a cerca de 15% da produção e incluem ovos líquidos pasteurizados (integral, clara e gema separadamente), ovos em pó (desidratados) e ovos congelados. Este segmento tem crescido rapidamente impulsionado pela demanda da indústria alimentícia, que valoriza a praticidade, a segurança microbiológica e a padronização dos produtos.

Ovos férteis e pintos de um dia: embora representem um volume menor na avicultura de postura, os ovos férteis para incubação e os pintinhos de um dia (poedeiras e frangos de corte) também são exportados, especialmente para países da América Latina e da África.

Principais Produtores e Empresas do Setor

O setor de avicultura de postura brasileiro é liderado por empresas que investem fortemente em tecnologia, bem-estar animal e biosseguridade. Conheça os principais players:

Granja Faria: Uma das maiores produtoras de ovos do Brasil, com sede em São Paulo e operações em diversos estados. A empresa é referência em ovos in natura de alta qualidade, com marcas reconhecidas em todo o território nacional. A Granja Faria possui certificações internacionais e vem ampliando sua capacidade de exportação, especialmente para o Oriente Médio.

Mantiqueira: Com sede em Minas Gerais, a Mantiqueira é uma das gigantes do setor, produzindo ovos in natura, ovos processados e ovos enriquecidos (com ômega-3, selênio, etc.). A empresa é conhecida por suas práticas inovadoras de bem-estar animal, sendo uma das pioneiras na produção de ovos cage-free e free-range no Brasil. A Mantiqueira também possui uma linha completa de ovos pasteurizados e desidratados para a indústria.

Avícola Yolanda: Empresa com forte presença no mercado paulista e mineiro, a Yolanda é reconhecida pela qualidade de seus ovos in natura e pelo investimento em genética de ponta e nutrição avançada das aves.

Global Eggs: Especializada no mercado internacional, a Global Eggs é uma das principais exportadoras de ovos brasileiros, com presença consolidada em mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina. A empresa possui unidades de processamento e classificação modernas, além de certificações sanitárias que atendem aos requisitos dos mais exigentes compradores globais.

Naturovos: Empresa focada em produtos diferenciados, como ovos orgânicos, caipiras e enriquecidos. A Naturovos tem se destacado no mercado de nicho, atendendo consumidores que buscam produto com maior valor agregado e certificações de sustentabilidade.

Kikão: Marca tradicional no mercado brasileiro, com ampla distribuição e reconhecimento do consumidor. A empresa investe em inovação e qualidade, mantendo padrões rigorosos de produção e classificação.

Além dessas, o setor conta com inúmeras cooperativas e associações de produtores, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que desempenha um papel fundamental na representação do setor e na abertura de novos mercados internacionais.

Classificação NCM para Ovos e Produtos Avícolas de Postura

A correta classificação fiscal dos produtos é um dos pilares para o sucesso nas operações de exportação. No sistema NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), que segue o Sistema Harmonizado (SH) internacional, os ovos e produtos avícolas de postura enquadram-se nos seguintes capítulos e posições:

NCM 0407: Ovos de aves, com casca, frescos, conservados ou cozidos. Esta posição abrange:

  • 0407.11.00 – Ovos de galinha, para incubação (ovos férteis). Esta subposição exige comprovação de que os ovos são destinados a incubatórios, com documentação específica e certificação sanitária adequada.

  • 0407.19.10 – Ovos de galinha, frescos (ovos in natura para consumo humano). Esta é a subposição mais comum para exportação de ovos de casca destinados ao consumo direto. A classificação exige que os ovos sejam apresentados em casca e não tenham sofrido qualquer processo de conservação além da refrigeração.

  • 0407.19.90 – Outros ovos frescos (de outras aves como codorna, pata, etc.).

  • 0407.21.00 – Ovos de galinha, conservados. Esta subposição abrange ovos submetidos a processos de conservação como refrigeração prolongada ou atmosfera controlada.

  • 0407.29.00 – Outros ovos conservados.

  • 0407.90.00 – Ovos de aves, com casca, cozidos. Uma categoria nicho, mas com mercado crescente em produtos de conveniência.

NCM 0408: Ovos de aves, sem casca, e gemas de ovos, frescos, secos, cozidos em água ou vapor, moldados, congelados ou conservados de outro modo. Esta posição é crucial para a exportação de ovos industrializados:

  • 0408.11.00 – Gemas de ovos, secas. Produto utilizado amplamente na indústria de massas, confeitaria e alimentos processados.

  • 0408.19.00 – Gemas de ovos, frescas, cozidas, congeladas ou conservadas de outro modo.

  • 0408.91.00 – Ovos de aves, sem casca, secos (ovo em pó). Inclui ovo integral em pó, clara em pó e gema em pó. Produto de alto valor agregado e longa vida útil, ideal para exportação a longas distâncias.

  • 0408.99.00 – Ovos de aves, sem casca, frescos, cozidos, congelados ou conservados de outro modo. Inclui ovos líquidos pasteurizados (integral, clara, gema) e ovos congelados.

NCM 0105: Galos, galinhas, patos, gansos, perus, peruas e pintadas, das espécies domésticas, vivos:

  • 0105.11.00 – Pintos de um dia (poedeiras e frangos de corte). A exportação de pintinhos de um dia é uma atividade especializada que requer logística aeroportuária ágil e condições controladas de transporte.

NCM 3502: Albuminas (incluindo os concentrados de várias proteínas de soro de leite), albuminatos e outros derivados da albumina:

  • 3502.11.00 – Ovoalbumina, seca.

  • 3502.19.00 – Ovoalbumina, outras.

Embora não seja um produto avícola de postura propriamente dito, a albumina de ovo (obtida da clara) é um derivado de alto valor que merece atenção dos exportadores.

A classificação correta na NCM é essencial não apenas para o desembaraço aduaneiro, mas também para a correta aplicação de alíquotas de impostos, aproveitamento de benefícios fiscais e acordos comerciais internacionais. A TRADEXA oferece uma plataforma de classificação NCM com inteligência artificial que auxilia exportadores a identificar a posição tarifária mais adequada para cada produto, minimizando riscos de autuações e garantindo conformidade fiscal.

Requisitos Sanitários: MAPA e Certificações

A exportação de ovos e produtos avícolas do Brasil está sujeita a rigorosos controles sanitários coordenados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) é o órgão responsável pela fiscalização e certificação sanitária dos estabelecimentos habilitados a exportar.

Registro de Estabelecimento no MAPA

Todo estabelecimento que pretenda exportar ovos ou derivados deve, primeiramente, obter o registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF). O SIF é a certificação oficial que atesta que o estabelecimento cumpre as normas sanitárias e de boas práticas de fabricação estabelecidas pela legislação brasileira. O processo de obtenção do SIF envolve:

  • Vistoria técnica das instalações por fiscais federais agropecuários;
  • Avaliação do sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC/HACCP);
  • Verificação dos procedimentos de higienização, controle de pragas e qualidade da água;
  • Análise da rastreabilidade dos produtos e da matéria-prima;
  • Comprovação de programas de monitoramento sanitário do plantel.

Além do SIF, para exportar é necessário que o país de destino realize uma auditoria nos estabelecimentos brasileiros ou reconheça a equivalência do sistema de inspeção brasileiro. Atualmente, o Brasil possui acordos sanitários bilaterais com dezenas de países, mas cada mercado pode exigir requisitos adicionais.

Certificação Sanitária Internacional

Cada embarque de ovos e derivados para exportação deve ser acompanhado de um Certificado Sanitário Internacional (CSI), emitido pelo MAPA. O CSI atesta que:

  • Os ovos provêm de aves clinicamente sadias, livres de doenças de notificação obrigatória;
  • O estabelecimento de origem está sob inspeção veterinária oficial permanente;
  • O produto foi processado e armazenado de acordo com as boas práticas de fabricação;
  • Não houve contato com substâncias contaminantes ou agentes patogênicos.

Os requisitos específicos variam conforme o país importador. Por exemplo, a União Europeia exige que os ovos provenham de aves vacinadas contra a Salmonella Enteritidis e Salmonella Typhimurium, com monitoramento regular e testes laboratoriais periódicos. Já os países do Oriente Médio frequentemente exigem certificação adicional de que as aves não foram alimentadas com farinhas de origem animal (atendendo a requisitos religiosos e sanitários).

Zonas Livres de Doença de Newcastle e Influenza Aviária

O Brasil possui um status sanitário privilegiado reconhecido internacionalmente. Grandes áreas do território nacional são certificadas como livres da Doença de Newcastle e da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O MAPA divide o país em zonas sanitárias:

  • Zona Livre de Newcastle e IAAP: abrange a maior parte do território brasileiro, incluindo os principais estados produtores de ovos.

  • Zona de Fronteira: áreas de vigilância sanitária reforçada, especialmente na Região Norte, onde há maior risco de introdução de doenças via aves migratórias.

  • Zona de Controle: regiões com monitoramento intensificado.

O reconhecimento de zonas livres é um diferencial competitivo fundamental para o Brasil. Enquanto diversos países enfrentam surtos recorrentes de influenza aviária que paralisam suas exportações, o Brasil mantém seu status livre dessas doenças, o que garante segurança sanitária aos compradores internacionais e permite fluxo contínuo de exportações.

O monitoramento da influenza aviária no Brasil é um dos mais rigorosos do mundo. O MAPA mantém um Plano de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle que inclui:

  • Coleta e análise de amostras de aves comerciais e de subsistência;
  • Monitoramento de aves migratórias em rotas e áreas de concentração;
  • Testes sorológicos e moleculares em granjas poedeiras;
  • Notificação imediata de qualquer suspeita de doença.

Este monitoramento constante é um requisito para a manutenção das zonas livres e para a credibilidade internacional da avicultura brasileira.

Mercados Compradores e Oportunidades

A pauta de exportação de ovos brasileiros tem se diversificado significativamente nos últimos anos. Conheça os principais mercados e suas características:

Oriente Médio

O Oriente Médio, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Omã e Kuwait, é um dos principais destinos dos ovos brasileiros. Estes países importam grandes volumes de ovos in natura e ovos processados para atender uma população crescente e com alto poder aquisitivo.

Os Emirados Árabes Unidos são particularmente importantes como hub logístico e de redistribuição para toda a região do Golfo. O país não possui produção interna suficiente para atender à demanda e depende fortemente de importações. A certificação halal é um requisito obrigatório para este mercado, e a proximidade cultural e comercial do Brasil com os países árabes facilita as negociações.

Japão

O Japão é um mercado de alto valor para ovos brasileiros, especialmente para ovos processados (líquidos e em pó). A indústria alimentícia japonesa é uma das mais exigentes do mundo em termos de qualidade e segurança, e os exportadores brasileiros que conseguem atender a esses padrões obtêm prêmios significativos nos preços.

O mercado japonês também demanda ovos com características específicas de cor de gema (mais alaranjada, obtida com alimentação enriquecida com carotenoides), tamanho padronizado e ausência de odores estranhos. A rastreabilidade é um requisito fundamental, com exigência de informação detalhada sobre a origem das aves, alimentação, medicamentos utilizados e condições de armazenamento.

África

Os países africanos, especialmente África do Sul, Angola, Moçambique, Nigéria e Gana, representam mercados em franca expansão para os ovos brasileiros. A produção local em muitos desses países é insuficiente para atender à demanda, e o Brasil tem vantagens logísticas em relação a concorrentes europeus e norte-americanos.

Angola e Moçambique, por serem países de língua portuguesa, têm forte relação comercial com o Brasil, o que facilita as negociações e a adaptação de produtos. Nestes mercados, os ovos in natura e os ovos férteis para incubação têm boa aceitação.

América Latina

Os países vizinhos do Brasil, como Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia, são mercados naturais para a exportação de ovos brasileiros. A proximidade geográfica reduz custos logísticos e prazos de entrega, além de facilitar o cumprimento de requisitos sanitários harmonizados no âmbito do Mercosul.

A Colômbia e o Peru têm se destacado como importadores crescentes de ovos brasileiros, impulsionados pelo crescimento econômico e pela demanda da indústria alimentícia local.

Europa

Embora a União Europeia imponha barreiras sanitárias rigorosas para ovos in natura, há oportunidades para ovos processados (líquidos pasteurizados e ovos em pó) e para ovos com certificação orgânica e free-range. Países como Países Baixos, Alemanha, França e Itália possuem indústrias alimentícias que consomem grandes volumes de ovos processados.

O mercado europeu também é promissor para produtos de nicho, como ovos enriquecidos com ômega-3, selênio ou vitamina E, que atendem consumidores preocupados com saúde e bem-estar.

Logística Internacional para Exportação de Ovos

A logística é um dos fatores críticos para o sucesso da exportação de ovos, devido à perecibilidade do produto e às exigências de manutenção da cadeia de frio.

Transporte Refrigerado

Os ovos in natura (de casca) são produtos perecíveis que exigem refrigeração constante durante todo o trajeto, da granja ao destino final. O transporte internacional é realizado predominantemente em contêineres refrigerados (reefers), com temperatura controlada entre 10°C e 15°C, dependendo das especificações do comprador e da duração da viagem.

A vida útil dos ovos in natura refrigerados é de aproximadamente 30 a 45 dias a partir da data de postura, prazo que inclui o tempo de processamento, armazenamento, transporte e distribuição no destino. Este prazo relativamente curto exige planejamento logístico preciso, com sincronização entre produção, embarque e recebimento.

Para ovos processados (líquidos pasteurizados e congelados), a logística é mais flexível. Os ovos líquidos pasteurizados têm vida útil de 7 a 14 dias sob refrigeração, enquanto os ovos congelados podem ser armazenados por até 12 meses a -18°C. Os ovos em pó (desidratados) não requerem refrigeração e têm vida útil de 12 a 24 meses quando armazenados em local seco e fresco, o que os torna ideais para exportação a longas distâncias.

Embalagens para Exportação

As embalagens para exportação de ovos devem atender a requisitos rigorosos de proteção mecânica (para evitar quebras) e de apresentação do produto. Os principais tipos de embalagem são:

  • Bandejas de polpa de papel (moldada) : utilizadas para acondicionar os ovos in natura, as bandejas de polpa de papel oferecem amortecimento e proteção contra impactos. Geralmente são empilhadas em caixas de papelão ondulado, com capacidade de 12, 24, 30 ou 36 ovos.

  • Bandejas de plástico PET reciclado: mais duráveis e higiênicas que as de papel, são reutilizáveis e oferecem melhor proteção contra umidade. São mais comuns em mercados exigentes como Japão e Europa.

  • Caixas de papelão microondulado: utilizadas como embalagem secundária para agrupar as bandejas e facilitar o manuseio e o paletização. Devem ter resistência adequada para empilhamento em altura nos contêineres.

  • Embalagens a vácuo e atmosfera modificada: para ovos processados líquidos, são utilizadas bolsas plásticas multicamadas (bag-in-box) que garantem a integridade microbiológica do produto.

  • Tambores e isotanques: para grandes volumes de ovos líquidos pasteurizados, são utilizados tambores plásticos de 200 litros ou isotanques (contêineres-tanque) para até 25 toneladas.

Todas as embalagens destinadas à exportação devem exibir o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o número de registro do estabelecimento, a data de classificação e validade, as informações nutricionais e os dados do importador no país de destino. A rastreabilidade é um requisito cada vez mais importante, com exigência de códigos de barras ou QR codes que permitam o rastreamento do produto até o lote de produção e a granja de origem.

Documentação de Exportação

Além do Certificado Sanitário Internacional, a exportação de ovos requer a seguinte documentação:

  • Nota Fiscal de Exportação;
  • Conhecimento de Embarque Marítimo ou Aéreo (Bill of Lading ou Air Waybill);
  • Fatura Comercial (Commercial Invoice);
  • Packing List (Romaneio de Carga);
  • Declaração Única de Exportação (DU-E);
  • Certificado de Origem (quando aplicável para acordos comerciais);
  • Registro de Exportador (RE) no Siscomex;
  • Licença de Importação do país de destino (quando exigida).

A plataforma TRADEXA auxilia exportadores na gestão de toda a documentação e no acompanhamento das regulamentações dos países de destino, garantindo que cada embarque atenda aos requisitos legais e evite problemas no desembaraço aduaneiro.

Tendências e Oportunidades de Mercado

O mercado global de ovos está em transformação, e o Brasil precisa estar atento às tendências para aproveitar as oportunidades emergentes.

Ovos Cage-Free e Free-Range

A demanda por ovos de galinhas criadas livres de gaiolas (cage-free) e ao ar livre (free-range) tem crescido exponencialmente nos mercados desenvolvidos, especialmente na União Europeia, Estados Unidos e Japão. Grandes redes de supermercados e indústrias alimentícias estão se comprometendo a adquirir apenas ovos de sistemas livres até prazos determinados.

O Brasil tem potencial para atender a essa demanda, com empresas como Mantiqueira e Naturovos já produzindo ovos certificados cage-free. No entanto, a certificação internacional por entidades reconhecidas (como a Certified Humane ou a Global Animal Partnership) é um requisito que agrega valor e abre mercados.

Ovos Enriquecidos e Funcionais

Ovos com teor modificado de nutrientes (ômega-3, selênio, vitamina E, vitamina D, iodo) representam um segmento premium com margens mais atrativas. A produção desses ovos exige suplementação específica na alimentação das aves e certificação laboratorial dos teores nutricionais.

O mercado japonês é particularmente receptivo a ovos funcionais, com produtos como ovos enriquecidos com DHA (ácido graxo essencial) e ovos com baixo teor de colesterol. Exportadores brasileiros que investirem neste segmento podem conquistar nichos de alto valor.

Ovos Orgânicos

A produção orgânica de ovos, embora ainda incipiente no Brasil, tem mercado consumidor cativo em países como Alemanha, França, Suíça e Estados Unidos. Os ovos orgânicos exigem certificação por entidades acreditadas (como o IBD no Brasil), alimentação 100% orgânica das aves e sistema de criação com acesso a pastagem.

Sustentabilidade e Bem-Estar Animal

Além das certificações específicas, a sustentabilidade ambiental e as práticas de bem-estar animal estão se tornando requisitos básicos para acesso a mercados sofisticados. Empresas que demonstram redução da pegada de carbono, gestão responsável de resíduos (como a compostagem da cama das aves e o tratamento de efluentes) e programas de bem-estar animal auditados têm vantagens competitivas na conquista de importadores.

A TRADEXA oferece ferramentas de inteligência de mercado que permitem aos exportadores identificar compradores alinhados com seus perfis de produção, seja para produtos convencionais, cage-free, orgânicos ou funcionais. Com o diretório de 3,8 milhões de importadores em mais de 31 países, a plataforma conecta produtores brasileiros aos melhores compradores globais.

Como Iniciar na Exportação de Ovos

Para produtores interessados em ingressar no mercado de exportação de ovos e produtos avícolas de postura, apresentamos um passo a passo básico:

1. Diagnóstico do Estabelecimento: Avalie se sua granja ou indústria atende aos requisitos do SIF/MAPA. Verifique as condições sanitárias, estrutura física, procedimentos operacionais e sistemas de rastreabilidade.

2. Registro no SIF: Solicite a inspeção do MAPA para obtenção do registro no Serviço de Inspeção Federal. Este é o primeiro passo oficial para qualquer estabelecimento que pretenda exportar.

3. Seleção de Mercados: Estude os mercados potenciais considerando demanda, requisitos sanitários, barreiras tarifárias, logística e preços praticados. A TRADEXA pode auxiliar nesta etapa com dados de comércio exterior, tarifas e análise de concorrentes.

4. Adequação aos Requisitos do Mercado-Alvo: Cada país importador tem exigências específicas. Identifique as certificações necessárias (halal, orgânica, bem-estar animal), os testes laboratoriais exigidos e as adequações de embalagem e rotulagem.

5. Cadastro no Siscomex: Registre-se como exportador no Sistema Integrado de Comércio Exterior e obtenha o Registro de Exportador (RE).

6. Prospecção de Compradores: Utilize plataformas como a TRADEXA para identificar importadores qualificados nos mercados de interesse. Participe de feiras internacionais como a Gulfood (Dubai), SIAL (Paris) e Anuga (Colônia), e de missões comerciais organizadas pela Apex-Brasil.

7. Negociação e Contrato: Estabeleça os termos comerciais (INCOTERMS), condições de pagamento (carta de crédito, pré-pagamento, cobrança documentária), prazos de entrega e especificações do produto.

8. Logística e Embarque: Contrate operador logístico especializado em produtos perecíveis, providencie o contêiner refrigerado e a documentação de exportação.

9. Pós-Venda: Acompanhe o recebimento da mercadoria, a satisfação do importador e as oportunidades de novos negócios. A fidelização do comprador é fundamental em um mercado competitivo.

Conclusão

A exportação de ovos e produtos avícolas de postura representa uma oportunidade real e crescente para o agronegócio brasileiro. Com um dos maiores plantéis de poedeiras do mundo, status sanitário privilegiado, tecnologia de produção de ponta e um setor produtivo organizado e competitivo, o Brasil tem todos os ingredientes para se consolidar como um dos grandes exportadores globais do setor.

Os desafios existem – logística de produtos perecíveis, exigências sanitárias rigorosas, concorrência internacional e volatilidade de preços – mas as oportunidades são ainda maiores. Mercados como Oriente Médio, Japão, África e América Latina demandam volumes crescentes de ovos e derivados, e o Brasil está geográfica e comercialmente bem posicionado para atender a essa demanda.

Para produtores e exportadores que desejam ingressar ou expandir sua atuação neste mercado, o conhecimento aprofundado das classificações NCM, dos requisitos sanitários, dos mercados compradores e da logística internacional é o ponto de partida. E contar com ferramentas de inteligência de comércio exterior, como as oferecidas pela TRADEXA, pode fazer a diferença entre uma operação ocasional e uma estratégia consistente de exportação.

A TRADEXA – tradexa.com.br – é a plataforma brasileira de inteligência em comércio exterior que oferece classificação NCM com inteligência artificial, dados tarifários de 31 países, diretório com mais de 3,8 milhões de importadores e dashboards de inteligência comercial. Se você é produtor de ovos ou derivados avícolas e quer transformar sua produção em exportação, a TRADEXA é a ferramenta certa para identificar mercados, encontrar compradores e tomar decisões baseadas em dados reais de comércio exterior.

O mercado global de ovos está de portas abertas para o Brasil. Com planejamento, qualidade e as ferramentas certas, seu produto pode chegar à mesa de consumidores nos quatro cantos do mundo.