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Manganês
Mineração
Exportação
05 de julho de 202615 min

Exportação de Manganês: Siderurgia e Baterias

Guia sobre exportação de manganês brasileiro: minas, classificação NCM, mercados compradores, logística portuária e oportunidades na cadeia de baterias.

O Manganês na Economia Brasileira: Um Recurso Estratégico para a Indústria Global

O manganês é um dos recursos minerais mais estratégicos do Brasil, e poucos profissionais do comércio exterior têm real dimensão do potencial que esse minério representa para a balança comercial brasileira. O Brasil detém a quinta maior reserva do mundo, com aproximadamente 140 milhões de toneladas, ficando atrás apenas de Ucrânia, África do Sul, Austrália e China. Mais relevante ainda: o país está entre os três maiores produtores globais, extraindo cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano, e é um dos principais exportadores mundiais.

Mas por que o manganês merece tanta atenção? Simples: não existe siderurgia sem manganês. Cerca de 90% de todo o manganês extraído no planeta vai para a produção de aço. Ele atua como dessulfurizante e desoxidante, além de ser essencial para ligas metálicas que aumentam a resistência e durabilidade do aço. Em média, cada tonelada de aço consome entre 6 kg e 10 kg de manganês. Como o Brasil é também um gigante siderúrgico — o nono maior produtor de aço bruto do mundo —, o consumo interno já é expressivo, mas o excedente exportado abastece mercados igualmente relevantes.

O cenário atual, contudo, está mudando. A demanda global por manganês não vem mais apenas das siderúrgicas. A transição energética está reposicionando o manganês como um mineral crítico para a fabricação de baterias, especialmente as de íon-lítio com química LFP (lítio-ferro-fosfato) e as novas baterias de manganês-rico (LMR — Lithium-rich Manganese-rich). O manganês de alta pureza está se tornando um insumo indispensável para a cadeia de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Essa dupla vocação — siderurgia e baterias — coloca o Brasil em uma posição privilegiada. O país reúne jazidas de alto teor, infraestrutura portuária consolidada, tradição exportadora e, agora, um novo mercado em franca expansão. Neste guia completo, vamos explorar todos os aspectos da exportação de manganês brasileiro: das principais minas às classificações NCM, dos mercados compradores à logística portuária, sem deixar de lado as oportunidades que se abrem com a cadeia de baterias.

Se você atua no comércio exterior brasileiro — seja como exportador, trader ou profissional de inteligência de mercado — este conteúdo foi feito para você. E, ao longo do texto, mostraremos como a plataforma TRADEXA pode ser sua aliada para navegar com segurança e informação privilegiada nesse mercado tão específico.

Principais Minas e Regiões Produtoras de Manganês no Brasil

O manganês brasileiro tem história. A primeira grande descoberta aconteceu no município de Morro do Chapéu, na Bahia, ainda na década de 1940. De lá para cá, a exploração se expandiu para outros estados, com destaque absoluto para o Pará, que responde por mais da metade da produção nacional.

O estado do Pará é hoje o maior produtor brasileiro de manganês, concentrando as operações no distrito de Serra do Navio, na região da Serra dos Carajás. A mina do Azul, operada pela Vale, é a maior do país e uma das maiores do mundo, com capacidade instalada de produção de aproximadamente 2 milhões de toneladas anuais de minério de manganês. A jazida tem teor médio de 40% de Mn, considerado alto para os padrões internacionais, o que confere ao minério brasileiro uma vantagem competitiva significativa: maior rendimento metalúrgico e menor geração de rejeitos.

No Mato Grosso do Sul, a mina de Morro do Urucum, em Corumbá, é outra referência importante. A jazida possui reservas estimadas em 60 milhões de toneladas, com teor médio de 35% a 40% de Mn. A região tem a vantagem de estar próxima à fronteira com a Bolívia e ao complexo hidroviário do Rio Paraguai, facilitando o escoamento para o Mercosul. A Vale também opera no Urucum, mas há presença de empresas juniores e cooperativas.

A Bahia, berço da mineração de manganês no Brasil, ainda mantém produção relevante, embora em escala menor que o Pará. As minas de Licínio de Almeida e Caetité produzem minério com teor entre 30% e 38% de Mn, abastecendo principalmente o mercado interno e, em menor escala, exportações pontuais para a Argentina e os Estados Unidos. O estado também detém importantes reservas ainda não exploradas comercialmente, especialmente na região de Irecê e no oeste baiano.

Minas Gerais, apesar de ser tradicionalmente um estado minerador, tem produção de manganês mais modesta, concentrada nas regiões de Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto. O teor médio é menor, variando entre 25% e 32%, e a produção atende majoritariamente à indústria siderúrgica local. O estado possui, no entanto, um parque industrial de ferroligas bastante relevante, que consome manganês de outras regiões.

Para o exportador brasileiro, conhecer a fundo cada região produtora é o primeiro passo para uma estratégia vencedora. A qualidade do minério (teor de Mn, granulometria, presença de contaminantes), a distância até o porto, o custo logístico e a estabilidade da oferta são fatores críticos que variam enormemente de uma mina para outra. Na TRADEXA, é possível cruzar dados de NCM de manganês com origens estaduais e portos de embarque, obtendo uma visão granular de onde o minério sai e para onde vai. Isso permite ao exportador identificar padrões de concorrência, sazonalidade e oportunidades de precificação.

Classificação NCM e Tipos de Manganês Exportados

Dominar a classificação fiscal é um dos aspectos mais críticos — e mais negligenciados — na exportação de manganês. Um erro na NCM pode resultar em multas, retenção de carga, perda de benefícios fiscais e, nos casos mais graves, enquadramento por infração aduaneira. Além disso, a classificação correta impacta diretamente o cálculo de tributos, o tratamento administrativo e a elegibilidade para acordos comerciais internacionais.

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A exportação de manganês no Brasil utiliza quatro códigos NCM principais, que se desdobram com base no teor de manganês e no grau de processamento do minério:

NCM 2602.00.00 — Minérios de manganês e seus concentrados, incluindo minérios de manganês ferruginosos com teor de manganês superior ou igual a 20%, em peso. Esta é a classificação mais comum para o minério bruto ou beneficiado por processos físicos (lavagem, britagem, peneiramento, separação magnética). O teor mínimo de 20% de Mn é condição sine qua non para o enquadramento. Abaixo disso, o material pode ser classificado como minério de ferro manganesífero, com NCM e alíquotas distintas.

NCM 2602.00.10 — Minérios de manganês e seus concentrados, com teor de manganês superior ou igual a 35%, em peso. É a subposição que concentra a maior parte das exportações brasileiras de alto teor, especialmente as originadas do Pará (Serra do Navio) e do Mato Grosso do Sul (Urucum). O teor elevado garante prêmio de preço e é preferido pelas siderúrgicas que buscam maior eficiência energética no processo de fabricação de ligas.

NCM 2602.00.20 — Minérios de manganês e seus concentrados, com teor de manganês inferior a 35%, em peso. Apesar do teor mais baixo, esse minério ainda encontra mercado, especialmente entre siderúrgicas que utilizam processos capazes de aproveitar materiais com menor concentração. O preço é proporcionalmente menor, mas o volume de vendas pode compensar — especialmente em períodos de alta demanda global.

NCM 2820.10.00 — Dióxido de manganês (MnO₂) ativo. Esta é a classificação para o manganês de alta pureza destinado à indústria de baterias. O dióxido de manganês eletrolítico (EMD) e o dióxido de manganês químico (CMD) se enquadram aqui. É um produto de maior valor agregado, com preços que podem ser 5 a 10 vezes superiores ao minério bruto. O Brasil ainda exporta pouco MnO₂ ativo, mas o potencial de crescimento é imenso, dada a expansão global da indústria de baterias.

A classificação correta não é apenas uma questão de escolher o código certo. Ela envolve o conhecimento detalhado da composição química do lote, da granulometria, do processo de beneficiamento e da destinação final do produto. Uma análise laboratorial com laudo técnico é indispensável para embasar a classificação, especialmente nos casos-limite entre teores de 34% e 35%.

A TRADEXA oferece um módulo de classificação NCM com inteligência artificial que auxilia o exportador a encontrar o código correto a partir da descrição do produto, composição química e processo produtivo. A ferramenta cruza automaticamente com as alíquotas aplicáveis, os tratamentos administrativos vigentes (como licenciamento ambiental e registro no DNPM/ANM) e as restrições comerciais para cada mercado de destino. Isso reduz drasticamente o risco de erro e acelera o processo de desembaraço aduaneiro.

Além da classificação, é fundamental compreender as exigências documentais. A exportação de manganês exige, no mínimo: Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Conhecimento de Embarque (Bill of Lading), Fatura Comercial, Packing List, Certificado de Origem (quando aplicável para acordos bilaterais), Registro de Exportação (RE) no Siscomex, e Licença de Exportação (LI) emitida pelo DNPM/ANM, hoje vinculada ao cadastro no SEI do Ministério de Minas e Energia.

Para embarques destinados a países que adotam controles ambientais mais rígidos, como Japão e países da União Europeia, pode ser exigido o certificado de análise química emitido por laboratório acreditado pelo Inmetro ou organismo internacional equivalente. A TRADEXA mantém uma base de dados atualizada com todos os requisitos documentais por país de destino, permitindo ao exportador preparar a documentação correta antes mesmo de fechar o contrato de câmbio.

Mercados Compradores de Manganês Brasileiro

A geografia das exportações brasileiras de manganês revela um padrão interessante: embora o Brasil tenha clientes em todos os continentes, três mercados concentram mais de 70% do volume embarcado. Compreender o perfil de cada um deles é essencial para precificar corretamente, negociar prazos e estruturar a logística.

A China é, de longe, o maior comprador de manganês brasileiro. O país asiático responde por cerca de 45% a 50% do volume total exportado pelo Brasil. As siderúrgicas chinesas são vorazes consumidoras do minério para produção de aço, e a indústria chinesa de ferroligas processa volumes igualmente expressivos. Além disso, a China está investindo pesadamente na produção de baterias LFP e LMFP (lítio-manganês-ferro-fosfato), que utilizam manganês de alta pureza. A tendência é que a demanda chinesa aumente ainda mais. As principais portas de entrada são os portos de Tianjin, Qingdao, Rizhao e Zhanjiang.

A Noruega, embora surpreenda à primeira vista, é o segundo maior destino do manganês brasileiro. O país escandinavo abriga a maior planta de produção de ferroligas de manganês da Europa, operada pela Eramet, em Sauda e Porsgrunn. O minério brasileiro chega aos portos de Bergen e Stavanger, onde é processado e posteriormente distribuído para siderúrgicas europeias. O diferencial norueguês é a matriz energética limpa (hidrelétrica), que confere ao ferroliga produzido ali um selo de baixo carbono, cada vez mais valorizado no mercado europeu.

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Os Estados Unidos vêm em terceiro lugar, com participação variando entre 8% e 12%. As siderúrgicas americanas, especialmente as plantas de aço carbono no Meio-Oeste e no Sul, consomem manganês para produção de aço para a indústria automotiva, construção civil e oleodutos/gasodutos. Os principais portos de entrada são Nova Orleans, Houston e Baltimore. O mercado americano é particularmente sensível a prazos e especificações técnicas — o comprador americano raramente aceita variações fora do especificado no contrato.

Outros mercados relevantes incluem a Coreia do Sul (siderúrgicas POSCO e Hyundai Steel), o Japão (Nippon Steel, JFE), a Rússia (especialmente após a redução de oferta da Ucrânia), o Vietnã (crescente produção siderúrgica) e a Malásia (hub de processamento de ferroligas). A Argentina também figura como destino regional, em volumes menores, mas com fretes mais competitivos devido à proximidade.

Para o exportador brasileiro, entender o ciclo de demanda de cada mercado é um diferencial competitivo. As siderúrgicas chinesas, por exemplo, costumam estocar manganês no primeiro trimestre, antes do feriado do Ano Novo Chinês, elevando os preços spot. Já as compras europeias tendem a se concentrar no segundo semestre, após o verão europeu. Nos Estados Unidos, o ciclo acompanha a indústria da construção civil, com picos na primavera e no outono.

A ferramenta de inteligência de mercado da TRADEXA permite acompanhar em tempo real os fluxos de exportação de manganês por país de destino, com dados atualizados da SECEX e da Comex Stat. É possível gerar alertas automáticos quando um novo comprador aparece no radar, quando há variação atípica nos preços ou quando um mercado tradicional reduz o volume de compras. Para quem vive de comércio exterior, informação em tempo real é a diferença entre o lucro e o prejuízo.

Logística Portuária e Transporte do Manganês

A logística de exportação de manganês apresenta desafios específicos que a diferenciam de outros granéis sólidos minerais. O manganês é um minério relativamente denso, com peso específico que varia de 3,3 a 4,8 g/cm³ (dependendo do teor e da umidade), o que significa que, para um mesmo volume, o peso é maior do que o de minério de ferro ou bauxita. Isso impacta diretamente o carregamento, a estivagem e a capacidade dos navios.

Os principais portos de exportação de manganês no Brasil são:

Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (São Luís/MA) — Itaqui — Este é o principal ponto de escoamento do manganês do Pará. O minério chega por ferrovia (Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale) até o Terminal de Ponta da Madeira, que possui um píer privativo com capacidade para receber navios Capesize de até 400.000 DWT. A profundidade do canal de acesso é de 23 metros, permitindo a atracação de embarcações de grande porte. O terminal tem capacidade estática de armazenagem de 800.000 toneladas e taxa de carregamento de até 16.000 toneladas por hora.

Porto de Santos (SP) — Embora não seja um porto primário para granéis minerais, Santos recebe volumes menores de manganês de Minas Gerais e Goiás, que chegam por caminhão ou ferrovia. O produto é armazenado em armazéns de granéis sólidos nos terminais da Margem Direita (Santos) e Margem Esquerda (Guarujá). O calado de 15 metros permite navios Panamax e Supramax.

Porto de Vitória (ES) — O porto capixaba é uma alternativa para o manganês de Minas Gerais, escoado pela Estrada de Ferro Vitória-Minas. O Terminal de Tubos e Granéis Sólidos (TTGS) opera com navios de até 65.000 DWT. O calado de 13,5 metros limita o porte, mas a proximidade com a região produtora compensa o custo unitário.

Porto de Corumbá (MS) — Hidrovia do Paraguai — O manganês do Urucum utiliza um modal pouco comum na exportação mineral brasileira: a hidrovia. O minério é transportado por barcaças pelo Rio Paraguai até o Porto de Nueva Palmira, no Uruguai, onde é transbordado para navios oceânicos. O frete hidroviário é mais barato que o ferroviário para longas distâncias, mas o tempo de trânsito é maior (cerca de 15 dias de Corumbá até Nueva Palmira) e há restrições de calado na época da seca.

Cada rota tem custos, prazos e riscos específicos. O frete rodoviário até o porto, por exemplo, pode representar de 15% a 30% do custo total, dependendo da distância e da infraestrutura viária. Já o custo portuário (THC, capatazia, armazenagem) varia de acordo com o terminal e o volume embarcado. E o frete marítimo é altamente volátil, influenciado pelo preço do bunker, pela oferta de navios e pela demanda global de granéis sólidos.

Na TRADEXA, o módulo de frete marítimo integra mapas com as principais rotas de granéis sólidos, permitindo ao exportador simular custos de transporte porta a porta. A plataforma cruza dados históricos de frete com os portos de origem e destino, gerando projeções de custo logístico que podem ser usadas na negociação com o comprador — seja num contrato FOB (Free on Board), CIF (Cost, Insurance & Freight) ou CFR (Cost & Freight).

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Oportunidades na Cadeia de Baterias e Valor Agregado

Se a siderurgia sempre foi o motor da demanda por manganês, a indústria de baterias está se tornando o novo acelerador. Para o Brasil, as oportunidades vão muito além da simples exportação de minério bruto.

A tecnologia LFP (lítio-ferro-fosfato) domina atualmente o mercado de baterias para veículos elétricos de entrada e sistemas de armazenamento estacionários. Diferentemente das baterias NMC (níquel-manganês-cobalto), as LFP não utilizam cobalto, reduzindo custo e eliminando riscos éticos e geopolíticos da cadeia. Porém, a adição de manganês na formulação — criando a variante LMFP (lítio-manganês-ferro-fosfato) — aumenta a densidade energética em até 20%, tornando as baterias mais competitivas em autonomia.

O manganês de alta pureza (MnO₂ ativo com pureza acima de 91%) é o insumo crítico para essas baterias. O Brasil tem potencial para produzir esse material, mas ainda não desenvolveu a cadeia de processamento em escala industrial. Atualmente, a maior parte do EMD mundial é produzida na China (mais de 70% do mercado), com capacidade instalada estimada em 400.000 toneladas anuais. Os únicos players ocidentais relevantes são a Tosoh (Japão/USA), a Delta EMD (África do Sul) e a Cegasa (Espanha).

Esse gargalo de oferta é a maior oportunidade. Construir uma planta de produção de EMD no Brasil demandaria investimento estimado entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões, dependendo da escala e da localização. Os fatores favoráveis são abundantes: energia elétrica de fonte limpa e relativamente barata (fundamental para o processo eletrolítico), minério de alto teor disponível, infraestrutura portuária e um parque industrial químico em desenvolvimento.

O governo brasileiro também tem sinalizado interesse em fomentar a cadeia de minerais críticos. O Programa Mineração e Transição Energética, lançado pelo MME em 2024, prevê linhas de financiamento específicas para projetos de beneficiamento e processamento de minerais estratégicos, incluindo o manganês. Estados como o Pará e a Bahia oferecem incentivos fiscais via ICMS para empreendimentos de transformação mineral.

Para o exportador brasileiro que não quer (ou não pode) verticalizar a operação até o EMD, ainda há espaço para estratégias intermediárias de agregação de valor. A simples padronização granulométrica, a secagem controlada (redução de umidade para abaixo de 2%) e a blendagem de minérios de diferentes teores podem elevar o preço de venda em 10% a 25% sem grandes investimentos. A sinterização ou pelotização do manganês fino também agrega valor, pois o produto sinterizado tem maior resistência mecânica e melhor rendimento no alto-forno.

A TRADEXA pode auxiliar o exportador a mapear exatamente onde estão os gaps de oferta em cada mercado e quais especificações técnicas são demandadas. Por meio do módulo de inteligência de importadores, é possível identificar empresas que compram EMD nos Estados Unidos, Europa e Japão, analisar o histórico de compras, os volumes e os preços praticados. Com esses dados em mãos, o exportador brasileiro pode construir uma proposta de valor mais precisa e competitiva.

Tributação, Acordos Comerciais e Barreiras Tarifárias

A exportação de manganês é beneficiada por uma estrutura tributária relativamente favorável no Brasil. A alíquota do IPI para minérios de manganês (NCM 2602) é zero, e o PIS/Cofins no regime não cumulativo também é zero para produtos primários destinados à exportação. O ICMS, quando aplicável, pode ser suspenso ou diferido, dependendo da legislação do estado de origem.

No lado do importador, a tributação varia enormemente. A China aplica tarifa de 0% para minérios de manganês (NCM 2602) e 5,5% para dióxido de manganês (NCM 2820). A Noruega, como membro do EEE (Espaço Econômico Europeu), aplica tarifa zero para ambos. Os Estados Unidos aplicam 0% para minérios de manganês (MFN) e 4,4% para o dióxido.

Mas as barreiras não são apenas tarifárias. O Japão e a Coreia do Sul têm especificações técnicas rigorosas quanto ao teor de fósforo, sílica e alumínio no manganês. O comprador japonês, por exemplo, costuma exigir que o teor de fósforo não ultrapasse 0,12%. Já a Europa, sob o regime REACH, exige o registro químico do dióxido de manganês quando vendido como substância química isolada — o que não se aplica ao minério bruto, mas se aplica ao EMD.

A Índia, outro mercado emergente para o manganês brasileiro, mantém tarifa de 2,5% para o minério e barreiras não tarifárias relacionadas a licenciamento de importação. O país asiático tem interesse em diversificar fontes de suprimento, reduzindo a dependência da África do Sul e da Austrália.

Para navegar com segurança nesse emaranhado regulatório, o exportador precisa de uma ferramenta que consolide todas as informações em um só lugar. A TRADEXA disponibiliza dados tarifários atualizados para 160 países, com simulação de custo total de importação (SOMA — Sistema de Otimização de Margem de Análise). Basta inserir o NCM, o valor da mercadoria e o país de destino, e a plataforma calcula todas as taxas aplicáveis: tarifa MFN, preferências tarifárias de acordos comerciais (se houver), VAT/GST, taxas portuárias e impostos internos. Isso permite ao exportador brasileiro precificar seus produtos com precisão, sem o risco de surpresas na alfândega do comprador.

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Tendências Globais, Preços e Perspectivas para o Manganês

O mercado global de manganês está passando por transformações estruturais que vão redefinir a dinâmica de oferta e demanda nos próximos anos. Para o exportador brasileiro, entender essas tendências é condição essencial para tomar decisões estratégicas acertadas.

O preço do minério de manganês (teor 44%, CIF Tianjin) oscilou entre US$ 4,50/dmtu e US$ 6,50/dmtu nos últimos três anos, com picos sazonais associados a interrupções de oferta na África do Sul (problemas logísticos na Transnet) e na Austrália (ciclones tropicais). A volatilidade é alta, mas a tendência de longo prazo é de alta moderada, impulsionada por dois fatores: o crescimento da demanda chinesa por LFP/LMFP e o envelhecimento das minas sul-africanas, que aumentam o custo marginal da oferta global.

A África do Sul, maior produtor mundial, enfrenta desafios estruturais na logística ferroviária e portuária. A Transnet, estatal que opera as ferrovias e os portos sul-africanos, tem investido abaixo do necessário, resultando em gargalos crônicos. Isso abre espaço para o Brasil aumentar sua participação no mercado asiático, especialmente se conseguir ofertar produto com regularidade e qualidade consistentes.

O Gana é outro player africano que vem crescendo na produção de manganês, mas o minério ganês tem teor médio mais baixo (em torno de 30% a 32%) e maior teor de sílica, o que limita sua atratividade para siderúrgicas de alta performance. O manganês brasileiro, com teor médio de 38% a 44%, ocupa um nicho premium que tende a se valorizar.

No front das baterias, espera-se que a demanda global por manganês para a indústria de baterias cresça de 70.000 toneladas (2023) para mais de 500.000 toneladas até 2035, segundo projeções da Benchmark Mineral Intelligence. Isso representa um aumento de mais de 600%, que exigirá investimentos da ordem de US$ 5 bilhões em novas plantas de EMD e processamento químico nos próximos dez anos.

Para o Brasil, a janela de oportunidade está aberta, mas não será eterna. Os países compradores estão buscando segurança de suprimento — o conceito de friend-shoring está mais forte do que nunca, especialmente após a pandemia e os choques geopolíticos recentes. O Brasil, como aliado histórico do Ocidente e detentor de enormes reservas de minerais críticos, reúne condições políticas e logísticas para se firmar como fornecedor confiável.

As projeções de preço para os próximos cinco anos indicam que o minério de manganês de alto teor (44%+) deve se valorizar entre 15% e 30% em termos reais, enquanto o dióxido de manganês eletrolítico (EMD) deve experimentar alta ainda mais expressiva, podendo dobrar de preço à medida que a demanda por baterias LFP/LMFP acelerar.

O profissional de comércio exterior que domina essas informações e age com base em dados confiáveis sai na frente. É por isso que a TRADEXA investe continuamente em inteligência de mercado aplicada ao comércio exterior brasileiro. Seja no monitoramento de preços, na análise de concorrência ou na identificação de novos compradores, a plataforma oferece o suporte que o exportador brasileiro precisa para transformar informação em negócio. O manganês é estratégico — e quem se preparar agora colherá os frutos na próxima década.

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