Exportação de Energia Renovável do Brasil: Fontes, Mercad...

Guia completo sobre exportação de energia renovável do Brasil: hidrelétrica, eólica, solar, hidrogênio verde e perspectivas para o mercado internacional.

Publicado em 2026-06-25 | Atualizado em 2026-06-25 | TRADEXA Blog

Exportação de Energia Renovável do Brasil: Fontes, Mercados e Perspectivas

O Brasil ocupa uma posição singular no cenário energético mundial. Com uma matriz elétrica que já conta com aproximadamente 85% de fontes renováveis — contra uma média global inferior a 30% — o país figura como um dos protagonistas indispensáveis da transição energética global. Essa vantagem comparativa, construída ao longo de décadas de investimentos em hidrelétricas e, mais recentemente, em eólica, solar e biocombustíveis, abre caminho para que o Brasil se consolide como um grande exportador de energia renovável em suas múltiplas formas: eletricidade, biocombustíveis, equipamentos e, cada vez mais, o promissor hidrogênio verde.

O mercado global de energia renovável movimentou mais de US$ 1,7 trilhão em investimentos em 2025, e a demanda por fontes limpas de energia continua acelerando. Países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, com recursos naturais limitados para geração renovável doméstica, buscam ativamente parcerias internacionais para garantir suprimento de energia limpa. O Brasil, com seu imenso potencial hídrico, eólico, solar e de biomassa, está na posição ideal para atender a essa demanda.

Este guia completo examina as principais fontes de energia renovável exportáveis pelo Brasil, os mercados internacionais mais promissores, o arcabouço regulatório que orienta o setor, os investimentos em curso e as ferramentas de inteligência comercial — como as disponíveis na plataforma TRADEXA — que podem apoiar empresas e investidores na tomada de decisões estratégicas nesse mercado bilionário.

Hidrelétricas: A Base da Matriz Elétrica Brasileira e as Oportunidades de Exportação

A energia hidrelétrica é a espinha dorsal do sistema elétrico brasileiro. Com uma capacidade instalada superior a 110 GW, o Brasil possui o terceiro maior parque hidrelétrico do mundo, atrás apenas de China e Canadá. Grandes usinas como Itaipu Binacional (14 GW), Belo Monte (11,2 GW), Tucuruí (8,5 GW), Ilha Solteira (3,4 GW) e Jirau (3,7 GW) formam a base de uma matriz que, por sua própria natureza renovável, já posiciona o Brasil como referência global em energia limpa.

Itaipu, localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, é a maior usina hidrelétrica do mundo em geração acumulada de energia. Com 20 turbinas de 700 MW cada, a usina gerou mais de 2,9 bilhões de MWh desde o início de sua operação, em 1984. A energia gerada é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai, e o excedente paraguaio é adquirido pelo Brasil por meio de um complexo acordo comercial binacional. O modelo de Itaipu ilustra o potencial da cooperação energética regional, que poderia ser expandido para outros países vizinhos.

Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, é a maior usina 100% brasileira e a quarta maior do mundo. Polêmica do ponto de vista socioambiental, a usina opera com um reservatório reduzido (área inundada de 478 km², muito menor que os 1.225 km² originalmente projetados) e utiliza o sistema de fio d'água, que depende diretamente da vazão do rio. Sua capacidade de 11,2 GW é acionada principalmente durante o período chuvoso na Amazônia, de dezembro a maio, complementando a geração das usinas do Sudeste e Centro-Oeste.

Tucuruí, também no Pará, com 8,5 GW de capacidade instalada, foi por muitos anos a maior usina exclusivamente brasileira. Construída para viabilizar a exploração mineral e industrial da região Norte, Tucuruí é um exemplo clássico de usina de grande reservatório (2.430 km²), que acumula água no período chuvoso para garantir geração durante todo o ano.

A exportação de energia elétrica de origem hidrelétrica ocorre hoje principalmente por meio das interconexões com Argentina e Uruguai. O Brasil exporta energia elétrica para a Argentina por meio de duas linhas de transmissão em corrente contínua (Garabi I e II, com capacidade total de 2,2 GW), além de linhas em corrente alternada ligando Uruguaiana e São Borja. Para o Uruguai, a conexão ocorre por meio das linhas de transmissão de Rivera (70 kV) e Santana do Livramento (500 kV). Em 2025, o Brasil exportou cerca de 6.500 GWh para a Argentina e 1.200 GWh para o Uruguai, gerando receitas superiores a US$ 400 milhões.

O potencial de expansão das exportações de energia hidrelétrica brasileira é significativo. Estudos do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam a viabilidade de novas interconexões com o Chile, o Peru e a Guiana, que permitiriam ao Brasil exportar excedentes de geração hidrelétrica para toda a costa oeste da América do Sul. Essas interconexões, no entanto, exigem investimentos da ordem de US$ 5 a US$ 10 bilhões cada e acordos regulatórios complexos, o que torna sua implementação um processo de médio a longo prazo.

Para empresas que desejam monitorar as oportunidades no setor hidrelétrico brasileiro, ferramentas como o Trade Intelligence da TRADEXA permitem acompanhar em tempo real os dados de geração das principais usinas, os preços no mercado de curto prazo (PLD), os fluxos de exportação por interconexão e os cronogramas dos leilões de energia nova promovidos pela Aneel.

Energia Eólica: O Nordeste como Potência Global

A energia eólica é, hoje, a segunda maior fonte de geração elétrica do Brasil, com capacidade instalada superior a 30 GW, e o país ocupa a sexta posição no ranking mundial de capacidade eólica instalada. O Nordeste brasileiro concentra mais de 85% dos parques eólicos do país, com destaque para o Rio Grande do Norte (maior produtor nacional, com cerca de 8 GW instalados), a Bahia (7 GW), o Ceará (3 GW), o Piauí (2,5 GW) e o Maranhão (1,5 GW).

O Rio Grande do Norte é, por si só, um caso paradigmático de sucesso. O estado possui o maior potencial eólico onshore do Brasil, com ventos que sopram de forma constante e intensa durante todo o ano, com velocidades médias que variam de 7 a 10 m/s e fator de capacidade médio superior a 40% — um dos mais altos do mundo, comparável ao da Dinamarca e do Reino Unido. Os parques eólicos potiguares estão concentrados nos municípios de João Câmara, Macau, Guamaré, Galinhos e São Miguel do Gostoso, e a produção estadual seria suficiente para abastecer mais de 15 milhões de residências.

A Bahia é o segundo maior polo eólico brasileiro e o que mais cresce nos últimos anos. Os ventos do semiárido baiano, especialmente nas regiões de Caetité, Bom Jesus da Lapa, Guanambi, Morro do Chapéu e Brotas de Macaúbas, apresentam qualidade excepcional, com fator de capacidade frequentemente superior a 45%. A expansão eólica baiana foi impulsionada pelos leilões de energia nova da Aneel, que contrataram mais de 5 GW de capacidade eólica no estado entre 2018 e 2025, e pelos investimentos em linhas de transmissão, como o linhão que conecta o sertão baiano ao sistema interligado nacional.

O Ceará, berço da energia eólica brasileira — o primeiro parque eólico do país, no município de Prainha, entrou em operação em 1995 —, mantém posição de destaque com cerca de 3 GW instalados. O Complexo Eólico de Aracati, um dos maiores do estado, e os parques da região da Ibiapaba são exemplos da capilaridade da fonte no estado. Além disso, o Ceará se posiciona como hub de hidrogênio verde (discutido em seção específica adiante), e a eólica será a principal fonte de energia para alimentar os eletrolisadores que produzirão o H2V no Complexo do Pecém.

A energia eólica brasileira é exportada indiretamente por meio de certificados internacionais de energia renovável (I-RECs), que atestam a origem renovável da geração e são comercializados no mercado voluntário de carbono. Empresas europeias e americanas compram I-RECs de parques eólicos brasileiros para compensar suas emissões de escopo 2 (energia elétrica consumida) e cumprir metas voluntárias de sustentabilidade. O mercado de I-RECs brasileiro movimentou mais de US$ 150 milhões em 2025, e a energia eólica responde por aproximadamente 60% dos certificados emitidos no país.

O Classificador NCM da TRADEXA é uma ferramenta indispensável para empresas que importam ou exportam equipamentos eólicos — aerogeradores (NCM 8502.31.00), pás (NCM 8412.90.90), torres (NCM 7308.20.00), geradores elétricos (NCM 8501.64.00) e componentes eletrônicos de controle. Com a classificação correta, o exportador reduz riscos de retenção alfandegária, calcula com precisão os tributos incidentes e identifica regimes aduaneiros especiais que podem reduzir o custo da operação.

Energia Solar: Expansão Acelerada e Novas Fronteiras

A energia solar fotovoltaica é a fonte que mais cresce no Brasil. Com capacidade instalada superior a 40 GW — sendo aproximadamente 25 GW de geração distribuída (telhados e pequenos sistemas) e 15 GW de geração centralizada (grandes usinas) —, o Brasil já figura entre os dez maiores mercados solares do mundo. As projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) indicam que a capacidade instalada deve ultrapassar 80 GW até 2030, consolidando a fonte solar como a segunda maior da matriz elétrica brasileira.

Minas Gerais lidera a geração solar centralizada no Brasil, com grandes usinas instaladas nas regiões Norte e Noroeste do estado. O município de Janaúba abriga o Complexo Solar Janaúba, um dos maiores da América Latina, com capacidade de 1,2 GW e mais de 3 milhões de painéis fotovoltaicos instalados. Outros complexos importantes estão em Pirapora (São Paulo), Bom Jesus da Lapa (Bahia), Coremas (Paraíba) e Juazeiro (Bahia). Essas usinas geram energia a um custo cada vez mais competitivo: nos leilões de energia nova de 2025, os projetos solares foram contratados a preços médios de R$ 85 por MWh, inferiores ao custo de qualquer fonte fóssil e competitivos com as grandes hidrelétricas.

O Piauí, por sua vez, emerge como a grande surpresa do setor solar brasileiro. Com um dos maiores índices de irradiação solar do país — a região de São Raimundo Nonato registra média anual de 6,2 kWh/m²/dia, comparável ao Deserto do Atacama no Chile —, o estado atraiu investimentos de mais de R$ 15 bilhões nos últimos cinco anos. O Complexo Solar Lagoa do Barro, no município de mesmo nome, tem capacidade instalada de 800 MW, com previsão de expansão para 1,6 GW até 2028. A geração solar piauiense se beneficia da baixa umidade relativa do ar (menos manutenção de painéis), da topografia plana (menor custo de instalação) e da disponibilidade de terras a custos competitivos.

No segmento de geração distribuída (GD), o Brasil ultrapassou a marca de 3 milhões de sistemas fotovoltaicos instalados em telhados, fachadas e pequenos terrenos, com potência instalada superior a 25 GW. Residências, comércios, indústrias e propriedades rurais adotam a geração própria de energia solar como forma de reduzir a conta de luz, aproveitando as regras de compensação de energia elétrica estabelecidas pela Resolução Normativa Aneel nº 1.059/2023.

A exportação de equipamentos solares — painéis fotovoltaicos (NCM 8541.43.00), inversores (NCM 8504.40.30), estruturas de fixação (NCM 7610.90.00) e cabos especiais (NCM 8544.49.00) — é um segmento em crescimento para a indústria brasileira. Embora o Brasil ainda importe a maior parte dos painéis da China, o parque industrial nacional vem ganhando competitividade na produção de inversores, estruturas metálicas e sistemas de monitoramento. Empresas brasileiras de componentes solares já exportam para países da América Latina — Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai —, onde a energia solar também vive um boom de expansão.

O Tarifário Global da TRADEXA permite que o exportador de equipamentos solares consulte as alíquotas de importação vigentes em 31 países, identificando quais mercados oferecem as tarifas mais favoráveis para cada tipo de produto. Combinado com o Smart Rank, que classifica os mercados-alvo por potencial de exportação com base em dados objetivos, o exportador pode priorizar países com tarifas reduzidas, barreiras não tarifárias baixas e demanda crescente por energia solar.

Hidrogênio Verde: A Nova Fronteira Energética do Brasil

O hidrogênio verde (H2V), produzido a partir da eletrólise da água utilizando energia renovável, é considerado o combustível do futuro e o grande trunfo do Brasil na nova economia global de baixo carbono. Estima-se que o mercado global de hidrogênio verde possa movimentar mais de US$ 300 bilhões anuais até 2035, e o Brasil, com sua matriz energética limpa e abundante, reúne condições excepcionais para se tornar um dos maiores produtores e exportadores mundiais de H2V.

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, é o epicentro da corrida brasileira pelo hidrogênio verde. O Governo do Ceará firmou mais de 30 memorandos de entendimento com empresas internacionais interessadas em instalar plantas de produção de H2V no Pecém, incluindo a alemã Siemens Energy, a australiana Fortescue Future Industries, a britânica BP e a francesa Qair. O projeto prevê a instalação de eletrolisadores com capacidade total de 10 GW até 2035, utilizando energia eólica e solar gerada no sertão cearense e transmitida por linhas dedicadas até o complexo portuário. O H2V produzido será convertido em amônia verde (NH3) para facilitar o transporte marítimo e exportado para Alemanha, Países Baixos, Japão e Coreia do Sul.

O Porto do Açu, no Norte Fluminense, é o segundo grande polo de hidrogênio verde do Brasil. Com uma área total de 130 km², o complexo portuário privado abriga projetos da Shell, da Gerdau e da Petrobras para produção de H2V e derivados. O Porto do Açu se beneficia da proximidade dos campos de petróleo e gás da Bacia de Campos (com potencial para captura e armazenamento de carbono), da infraestrutura logística existente e da disponibilidade de água do mar para o processo de eletrólise. A expectativa é que o complexo produza até 5 GW de H2V até 2035, parte destinada à exportação e parte ao consumo doméstico.

O Marco Legal do Hidrogênio, sancionado pela Lei nº 14.948/2024, estabeleceu as bases regulatórias para o desenvolvimento da indústria de hidrogênio no Brasil. A lei define os critérios para classificação do hidrogênio como renovável (H2V), cria o Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio e prevê incentivos fiscais para projetos de produção e comercialização. O marco regulatório é considerado moderno e atraente para investidores, combinando segurança jurídica com flexibilidade para inovação tecnológica. A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foi designada como órgão regulador do setor.

Para que o Brasil aproveite plenamente o potencial do hidrogênio verde, no entanto, é preciso superar desafios significativos. O custo de produção do H2V brasileiro — estimado entre US$ 3,50 e US$ 4,50 por kg, contra US$ 1,50 a US$ 2,00 por kg do hidrogênio cinza (produzido a partir de gás natural) — ainda é elevado, embora deva cair para US$ 2,00 a US$ 2,50 por kg até 2030 com o barateamento dos eletrolisadores e a queda do custo das energias renováveis. A infraestrutura de transporte e armazenamento de H2V é praticamente inexistente no país. E a competição global é feroz: Chile, Austrália, Arábia Saudita, Marrocos e Namíbia também estão correndo para se posicionar como players globais de H2V.

O Trade Intelligence da TRADEXA permite que investidores e empresas acompanhem em tempo real os anúncios de novos projetos de H2V no Brasil e no mundo, os preços dos eletrolisadores, os acordos de compra e venda (offtake agreements) firmados entre produtores e compradores, e as políticas de incentivo ao hidrogênio verde nos principais mercados consumidores. A plataforma oferece ainda o Diretório de Importadores, que reúne mais de 3,8 milhões de empresas importadoras em todo o mundo, permitindo que produtores brasileiros de H2V identifiquem e qualifiquem potenciais compradores em mercados estratégicos como Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

Biocombustíveis: Etanol, Biodiesel e Biometano em Expansão

Os biocombustíveis são a mais tradicional forma de exportação de energia renovável do Brasil. O país é o segundo maior produtor mundial de etanol e o maior exportador global do biocombustível, com embarques que superaram 3,5 bilhões de litros em 2025. O biodiesel brasileiro, produzido a partir de soja (70%), gordura animal (15%), óleo de palma (5%) e outras oleaginosas (10%), também figura entre os maiores do mundo, com produção de 7,5 bilhões de litros em 2025 e exportações de aproximadamente 1 bilhão de litros.

O etanol brasileiro se divide em duas rotas tecnológicas principais: o etanol de cana-de-açúcar, produzido principalmente em São Paulo (52% da produção nacional), Goiás (12%) e Minas Gerais (10%); e o etanol de milho, que cresce rapidamente no Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso (maior produtor de etanol de milho do país), Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. O etanol de cana tem balanço energético superior ao de milho — 9 unidades de energia renovável por unidade de energia fóssil consumida, contra 1,3 a 1,6 do milho — e emite 80% menos gases de efeito estufa que a gasolina quando considerado o ciclo de vida completo (well-to-wheel). O etanol de milho, por sua vez, permite produção contínua ao longo do ano (já que a safra de milho no Centro-Oeste ocorre entre janeiro e julho, complementando a entressafra da cana), ampliando a capacidade de exportação do país.

Os principais mercados de destino do etanol brasileiro são: Estados Unidos (30% do volume exportado, utilizado principalmente como matéria-prima para produção de SAF — bioquerosene de aviação), Coreia do Sul (15%), Japão (12%), União Europeia (10%, especialmente Países Baixos, Alemanha e Suécia), Índia (6%), Colômbia (5%) e México (4%). A demanda asiática está crescendo rapidamente, impulsionada pelos mandatos de mistura de etanol à gasolina adotados por países como Japão (que passou a permitir misturas de até 20% de etanol em 2025), Coreia do Sul (mandato de 5%) e Índia (que planeja atingir 20% de etanol na gasolina até 2030).

O biodiesel brasileiro tem como principal mercado a União Europeia, que importa aproximadamente 60% do biodiesel exportado pelo Brasil para cumprir as metas da Renewable Energy Directive (RED III). Os Países Baixos são o maior importador individual (25% das exportações brasileiras de biodiesel), seguidos por Espanha (15%), Bélgica (10%), Alemanha (5%) e França (3%). O biodiesel brasileiro de soja, no entanto, enfrenta restrições crescentes no mercado europeu devido às preocupações com o desmatamento associado à expansão da soja na Amazônia e no Cerrado. Para manter e ampliar o acesso ao mercado europeu, os produtores brasileiros precisam comprovar a sustentabilidade de sua produção por meio de certificações como a ISCC (International Sustainability and Carbon Certification) e a RenovaBio.

O biometano é a grande novidade no portfólio brasileiro de biocombustíveis. Produzido a partir da purificação do biogás gerado em aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto, usinas de cana-de-açúcar (a partir da vinhaça) e granjas de suínos e aves, o biometano é quimicamente idêntico ao gás natural e pode substituí-lo em todas as aplicações — geração de energia elétrica, aquecimento industrial, produção de calor e combustível veicular (GNV). O Brasil possui o maior potencial de produção de biometano do mundo, estimado em 120 milhões de Nm³/dia pela Associação Brasileira de Biogás (ABiogás), mas produz atualmente menos de 5% desse potencial. Empresas como Raízen, Geo Energética, Gás Verde (do Grupo Urca) e Cocal estão liderando a expansão do setor, com investimentos superiores a R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos.

O Classificador NCM da TRADEXA é essencial para a classificação precisa de biocombustíveis na exportação: etanol anidro (NCM 2207.10.00), etanol hidratado (NCM 2207.20.00), biodiesel (NCM 3826.00.00), biometano (NCM 2711.29.00) e bioquerosene (NCM 2710.19.19). A classificação correta evita retenções alfandegárias, reduz o risco de multas e garante que o exportador usufrua dos benefícios fiscais e regimes especiais aplicáveis.

Leilões Aneel e o Papel do Marco Legal do Hidrogênio

Os leilões de energia elétrica promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são o principal mecanismo de contratação de nova capacidade de geração renovável no Brasil. Realizados anualmente em diferentes modalidades — leilões de energia nova (LEN), leilões de energia existente (LEE), leilões de energia de reserva (LER) e leilões de fontes alternativas (LFA) —, esses certames contrataram mais de 100 GW de capacidade de geração renovável desde a promulgação do Novo Modelo do Setor Elétrico, em 2004.

O Leilão de Energia Nova (LEN) A-4 e A-6 são os mais relevantes para o setor. No A-4, os projetos contratados devem entrar em operação em até 4 anos; no A-6, em até 6 anos. Os leilões de 2025 contrataram 8,5 GW de nova capacidade — sendo 4 GW de eólica, 3 GW de solar, 1 GW de hidrelétrica (PCHs e CGHs) e 0,5 GW de biomassa — a um preço médio de R$ 95 por MWh. Os projetos vencedores são aqueles que oferecem o menor preço de venda da energia, dentro de critérios técnicos e de garantia física estabelecidos pela Aneel.

Para participar dos leilões, os empreendedores precisam apresentar garantias de participação de até R$ 250.000 por MW de capacidade ofertada, comprovar a viabilidade técnica dos projetos (por meio de estudos de vento/sol/hidrologia, licenciamento ambiental e conexão ao sistema interligado) e demonstrar capacidade financeira para implantação. Os contratos de compra de energia (PPAs — Power Purchase Agreements) firmados nos leilões têm prazo de 15 a 30 anos, corrigidos pelo IPCA, e oferecem segurança de receita que viabiliza o financiamento dos projetos junto ao BNDES, bancos privados e instituições multilaterais.

O Marco Legal do Hidrogênio (Lei nº 14.948/2024) complementa o arcabouço regulatório do setor energético brasileiro, estabelecendo regras claras para a produção, armazenamento, transporte e comercialização de hidrogênio. A lei define três categorias de hidrogênio: (1) hidrogênio renovável ou H2V, produzido a partir de fontes renováveis com emissões inferiores a 4 kg de CO2 por kg de H2; (2) hidrogênio com baixa emissão de carbono, produzido a partir de gás natural com captura e armazenamento de carbono (CCS), com emissões inferiores a 6 kg de CO2 por kg de H2; e (3) hidrogênio de baixo carbono, que inclui outras rotas tecnológicas com emissões reduzidas.

A lei também cria o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio (Pró-H2), que prevê incentivos fiscais para projetos de H2V, incluindo redução de IPI, PIS, COFINS e Imposto de Importação para equipamentos e insumos, além de linhas de financiamento especiais no BNDES. O programa estabelece metas progressivas de produção: 4 GW de capacidade de eletrólise até 2029, 10 GW até 2032 e 20 GW até 2035.

A certificação do hidrogênio renovável será obrigatória para a comercialização no mercado regulado, e o Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH) será responsável por emitir certificados de origem e garantias de origem renovável. Esse sistema permitirá que o H2V brasileiro seja rastreado desde a produção até o consumo final, assegurando sua conformidade com os critérios de sustentabilidade exigidos pelos compradores internacionais, especialmente na União Europeia.

O Smart Rank da TRADEXA é uma ferramenta valiosa para empreendedores que participam de leilões de energia ou investem em projetos de H2V. A plataforma classifica os mercados-alvo por potencial de exportação, considerando variáveis como tamanho do mercado, crescimento da demanda, tarifas de importação, barreiras não tarifárias, acordos comerciais e riscos regulatórios. Com base nessa classificação, o investidor pode priorizar projetos e mercados com maior potencial de retorno e menor risco.

Investimentos e Perspectivas para o Futuro

O mercado de energia renovável no Brasil está em uma trajetória de investimentos acelerados. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o Brasil deverá receber mais de US$ 200 bilhões em investimentos em energia limpa entre 2025 e 2035, consolidando-se como o segundo maior destino de investimentos em renováveis das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Os principais vetores desses investimentos são: (1) a expansão da geração eólica onshore no Nordeste, com novos projetos contratados nos leilões Aneel e no mercado livre; (2) o crescimento acelerado da geração solar centralizada e distribuída, que deve ultrapassar 80 GW de capacidade instalada até 2030; (3) o desenvolvimento da indústria de hidrogênio verde, que deverá atrair investimentos de mais de US$ 50 bilhões até 2035; (4) a expansão da produção de etanol de milho e biometano, com novas usinas em implantação no Centro-Oeste e Norte do país; e (5) as interconexões elétricas com países vizinhos, que abrirão novos mercados para a exportação de energia elétrica renovável.

O Plano de Aceleração da Transição Energética (PATE), lançado pelo governo federal em 2024, prevê investimentos de R$ 200 bilhões em projetos de energia renovável, com foco em hidrogênio verde, eólica offshore, solar, biocombustíveis e eficiência energética. O plano inclui a criação de linhas de financiamento específicas no BNDES e no Banco do Nordeste, a desoneração tributária de equipamentos e insumos para energia renovável, e a simplificação do licenciamento ambiental de projetos de geração renovável.

A perspectiva para as exportações brasileiras de energia renovável é excepcionalmente positiva. Estima-se que o Brasil possa exportar o equivalente a 50 GW de capacidade de geração renovável até 2035 — na forma de eletricidade (via interconexões), biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano e bioquerosene), hidrogênio verde (na forma de amônia verde ou diretamente) e equipamentos (painéis solares, aerogeradores e componentes). Essas exportações poderiam gerar receitas anuais superiores a US$ 30 bilhões, posicionando a energia renovável como um dos principais itens da pauta exportadora brasileira.

Para os exportadores e investidores que desejam aproveitar esse cenário promissor, a TRADEXA oferece o conjunto mais completo de ferramentas de inteligência comercial do Brasil. O Classificador NCM com IA permite classificar produtos com precisão em segundos, evitando erros que podem custar caro. O Tarifário Global oferece consulta às alíquotas de importação em 31 países. O Diretório de Importadores reúne mais de 3,8 milhões de empresas importadoras no mundo inteiro. O Trade Intelligence fornece análises de mercado em tempo real. E o Smart Rank prioriza os mercados mais promissores para cada produto.

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