Exportação de Etanol: Mercado Global e Perspectivas

Guia completo para exportação de etanol brasileiro: tipos, mercados compradores, certificações e logística portuária.

Publicado em 2026-06-27 | Atualizado em 2026-06-27 | TRADEXA Blog

Cenário Global da Exportação de Etanol

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de etanol do mundo, posição conquistada graças a décadas de desenvolvimento do setor sucroenergético e à vantagem competitiva proporcionada pela cana-de-açúcar como matéria-prima. Diferentemente de outros países que produzem etanol a partir de milho ou beterraba, o etanol brasileiro de cana possui um balanço energético significativamente mais favorável, menor pegada de carbono e custo de produção mais baixo, o que o torna altamente competitivo no mercado global de biocombustíveis.

Para profissionais de comércio exterior que atuam no setor de energia renovável e agronegócio, compreender as dinâmicas do mercado internacional de etanol é fundamental. O produto brasileiro abastece desde mercados maduros como Estados Unidos e Europa até destinos emergentes na Ásia, África e Oriente Médio, cada qual com suas especificações técnicas, barreiras alfandegárias e exigências regulatórias.

A produção brasileira de etanol está concentrada no estado de São Paulo, responsável por aproximadamente 55% do volume nacional, seguido por Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná. O país produz duas categorias principais de etanol: o etanol hidratado (usado diretamente como combustível veicular) e o etanol anidro (adicionado à gasolina como mistura obrigatória na proporção atual de 27%). Ambos os tipos são exportados, mas o etanol anidro responde pela maior parcela dos embarques internacionais devido à sua versatilidade de uso em blending com combustíveis fósseis.

A safra 2025/2026 apresentou números robustos, com produção total estimada em mais de 35 bilhões de litros, dos quais aproximadamente 3 a 4 bilhões de litros foram destinados à exportação. Os preços internacionais do etanol, atrelados às cotações do petróleo e do açúcar, passaram por oscilações significativas, criando janelas de oportunidade para exportadores que souberam timingar suas operações com base em inteligência de mercado.

É nesse cenário que a TRADEXA se posiciona como ferramenta estratégica para traders, usinas, trading companies e analistas que precisam de dados confiáveis e atualizados sobre embarques, preços internacionais, status portuário e movimentação concorrencial. O exportador brasileiro de etanol que não conta com inteligência de mercado está operando no escuro em um setor onde a margem é apertada e a concorrência global é cada vez mais acirrada.

Tipos de Etanol e Especificações Técnicas para Exportação

O etanol exportado pelo Brasil se divide basicamente em duas categorias, cada uma com especificações técnicas distintas que precisam ser rigorosamente atendidas para evitar rejeição da carga no destino final. O etanol anidro (também chamado de etanol absoluto) possui teor alcoólico mínimo de 99,5% INPM (grau alcoólico em massa) e teor máximo de água de 0,5%. Já o etanol hidratado possui teor alcoólico entre 95,1% e 96% INPM, com aproximadamente 4% a 5% de água em sua composição.

Para fins de exportação, a especificação mais relevante é a do etanol anidro desnaturado, que é o etanol puro ao qual se adiciona um agente desnaturante (como gasolina, no percentual de 1% a 3% em volume) para torná-lo impróprio para consumo humano, evitando assim a incidência de tributos e controles alfandegários mais rigorosos aplicáveis ao etanol potável. O processo de desnaturação segue normas estabelecidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) no Brasil e pelas regulamentações dos países importadores.

Além do teor alcoólico, outras especificações técnicas são críticas: acidez total, teor de cloretos, teor de enxofre, teor de cobre, teor de ferro, condutividade elétrica, pH e aparência visual. Os mercados compradores, especialmente Estados Unidos e Europa, estabelecem limites rigorosos para cada um desses parâmetros. O etanol brasileiro de cana-de-açúcar geralmente atende com folga esses padrões, mas a qualidade pode variar entre safras e entre usinas, o que exige controle laboratorial rigoroso a cada lote embarcado.

Para os Estados Unidos, a especificação de referência é a ASTM D4806, que estabelece os requisitos para o etanol combustível anidro desnaturado para blending com gasolina. Para a Europa, a norma EN 15376 define as especificações do etanol para uso como combustível. Para outros destinos como Coreia do Sul, Japão, Índia e países do Sudeste Asiático, as referências técnicas podem variar, mas geralmente seguem os padrões ASTM ou europeus com pequenas adaptações.

O exportador brasileiro precisa ter em mãos o certificado de análise de cada lote antes do embarque, emitido por laboratório acreditado pela ANP ou por entidade reconhecida internacionalmente. Esse certificado acompanha o conhecimento de embarque e é verificado pelo comprador no destino. Qualquer não conformidade pode resultar em recusa da carga, multas contratuais e danos à reputação do exportador.

A TRADEXA oferece aos seus usuários acesso a um banco de dados com especificações técnicas por país de destino, facilitando a verificação prévia dos requisitos e reduzindo o risco de não conformidade documental.

Principais Mercados Compradores e Rotas Comerciais

Os Estados Unidos são historicamente o maior mercado comprador do etanol brasileiro, embora essa relação comercial seja complexa e sujeita a políticas protecionistas. O país é simultaneamente o maior produtor mundial de etanol (a partir de milho) e um grande importador quando o preço interno supera o custo do produto importado. O etanol brasileiro de cana entra nos EUA através dos portos da Costa do Golfo, como Houston, Corpus Christi e Nova Orleans, além de portos da Costa Oeste como Los Angeles e São Francisco.

A exportação para os Estados Unidos envolve tarifas de importação específicas. O etanol brasileiro está sujeito a uma tarifa ad valorem de 2,5% mais uma tarifa específica de US$ 0,54 por galão (aproximadamente US$ 0,14 por litro), além da tarifa de US$ 0,025 por galão para o Renewable Identification Number (RIN) associado ao Renewable Fuel Standard (RFS). No entanto, o etanol classificado como renovável avançado (D5) ou celulósico (D3) pode se beneficiar de tarifas reduzidas ou créditos fiscais que aumentam sua competitividade.

A União Europeia é o segundo maior destino do etanol brasileiro. A Europa tem metas ambiciosas de descarbonização no âmbito do pacote Fit for 55, que prevê a redução de 55% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. O etanol de cana brasileiro é classificado como biocombustível avançado na directiva RED II (Renewable Energy Directive), desde que atenda aos critérios de sustentabilidade e redução de emissões. Os principais portos de entrada são Roterdã, Antuérpia e Amsterdã.

A Coreia do Sul emerge como um mercado de rápido crescimento para o etanol brasileiro. O país asiático possui mandato de mistura de etanol na gasolina e depende fortemente de importações para atender à sua demanda. O etanol brasileiro é competitivo no mercado sul-coreano devido à sua qualidade e à vantagem logística proporcionada pelo Porto de Santos. Além da Coreia, Japão e Índia também apresentam potencial de crescimento significativo.

Outros mercados relevantes incluem países da América Latina (Colômbia, Peru, Chile, Argentina), onde o etanol brasileiro encontra demanda para mistura obrigatória com gasolina, e países africanos como Nigéria e África do Sul, que buscam diversificar suas fontes de combustíveis renováveis. O Oriente Médio, embora seja uma região produtora de petróleo, também começa a demonstrar interesse em biocombustíveis para diversificação energética.

Para cada mercado, a estratégia comercial é diferente. Enquanto para os Estados Unidos o fator preço é determinante, para a Europa os critérios de sustentabilidade e certificação são igualmente importantes. Para a Ásia, a confiabilidade logística e a qualidade consistente são diferenciais competitivos. A TRADEXA oferece painéis de inteligência que permitem ao exportador mapear esses mercados, identificar compradores ativos e analisar o histórico de embarques para cada destino.

Certificações e Sustentabilidade no Comércio Internacional de Etanol

A sustentabilidade é o principal pilar regulatório que diferencia o etanol brasileiro no mercado global e, ao mesmo tempo, impõe requisitos complexos de certificação. A Diretiva Europeia de Energias Renováveis (RED II) estabelece critérios rigorosos de sustentabilidade que todo biocombustível importado pela União Europeia precisa atender. O etanol de cana brasileiro, quando produzido em conformidade com as melhores práticas ambientais e sociais, pode se qualificar como biocombustível avançado e gerar créditos de carbono no mercado europeu.

Para atender aos requisitos da RED II, o exportador brasileiro precisa comprovar que o etanol foi produzido a partir de matéria-prima que não provenha de áreas de desmatamento após 2008, que respeite critérios de uso da terra e que proporcione redução mínima de 65% nas emissões de gases de efeito estufa em relação ao combustível fóssil de referência. Essa comprovação é feita por meio de certificações voluntárias reconhecidas pela Comissão Europeia, como ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), Bonsucro, RSB (Roundtable on Sustainable Biomaterials) e 2BSvs.

O certificado ISCC EU é o mais difundido entre os exportadores brasileiros de etanol para a Europa. Ele exige auditoria anual de toda a cadeia produtiva, desde o cultivo da cana até o ponto de embarque, incluindo o cálculo detalhado das emissões de gases de efeito estufa em cada etapa. O processo de certificação envolve a verificação de práticas agrícolas, uso de fertilizantes, consumo de água, gestão de resíduos, condições trabalhistas e relacionamento com comunidades locais.

Para os Estados Unidos, o Renewable Fuel Standard (RFS) exige que o etanol importado seja registrado na EPA (Environmental Protection Agency) e que cada lote seja acompanhado de um número de RIN (Renewable Identification Number) gerado pelo produtor ou importador. O etanol brasileiro de cana pode gerar RINs D5 (advanced biofuel) ou D6 (renewable fuel convencional), dependendo de sua classificação. A geração de RINs D5 requer certificação de que o etanol proporciona redução de 50% nas emissões em relação à gasolina.

A certificação Bonsucro, específica para cana-de-açúcar, é cada vez mais exigida por compradores globais como garantia de produção sustentável. A Bonsucro avalia critérios econômicos, ambientais e sociais, incluindo produtividade, balanço hídrico, conservação da biodiversidade, direitos trabalhistas e relacionamento com fornecedores de cana. Usinas certificadas Bonsucro têm acesso preferencial a mercados premium e conseguem negociar preços melhores.

Além das certificações obrigatórias para acesso a mercados regulados, existem certificações voluntárias que agregam valor, como a certificação orgânica (para etanol de cana orgânica), a certificação Fair Trade (para etanol produzido em usinas com práticas de comércio justo) e a certificação Carbon Trust (que quantifica e valida a pegada de carbono do produto). Exportadores brasileiros que investem nesse portfólio de certificações conseguem se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo.

A TRADEXA oferece informações atualizadas sobre requisitos de certificação por país de destino, incluindo links para as normas vigentes, prazos de validade dos certificados e órgãos certificadores acreditados. Esse tipo de inteligência é essencial para evitar surpresas regulatórias que possam atrasar ou inviabilizar embarques.

Precificação Internacional e Fatores que Influenciam o Mercado

A precificação do etanol no mercado internacional é influenciada por uma complexa combinação de fatores que incluem os preços do petróleo, do açúcar, do milho americano, as políticas de mandato de mistura nos países importadores, as taxas de câmbio e o nível de estoques globais. Diferentemente do suco de laranja, que possui um contrato futuro de referência na ICE, o etanol não possui um mercado futuro de mesma liquidez, o que torna sua precificação mais opaca e dependente de negociações bilaterais.

O principal benchmark de preço para o etanol brasileiro é o valor do etanol hidratado no mercado doméstico paulista, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQ) e divulgado em reais por metro cúbico. Esse preço serve como referência tanto para o mercado interno quanto para as exportações, com ajustes para refletir os custos logísticos, tributários e cambiais.

Para negociações internacionais, os traders utilizam referências como o preço do etanol anidro desnaturado no mercado americano (US Gulf Coast FOB), o preço do etanol no mercado europeu (ARA FOB ou CIF) e o preço do etanol brasileiro FOB Santos. Diferenciais de qualidade, certificação e volume também são considerados. O etanol brasileiro de cana geralmente negocia com prêmio sobre o etanol de milho americano devido à sua pegada de carbono mais favorável e à percepção de qualidade superior.

O preço do petróleo é um dos principais drivers do etanol, já que os dois produtos competem no mercado de combustíveis. Quando o petróleo sobe, o etanol se torna mais competitivo como substituto da gasolina, elevando seu preço. No entanto, essa correlação não é perfeita, pois fatores específicos do setor sucroenergético — como o preço do açúcar, o volume da safra e o mix de produção das usinas — também exercem forte influência.

A relação entre etanol e açúcar é particularmente importante. As usinas brasileiras podem ajustar seu mix de produção entre açúcar e etanol conforme os preços relativos de cada produto. Quando o açúcar está caro, as usinas produzem mais açúcar e menos etanol, reduzindo a oferta de etanol e pressionando seus preços para cima. Esse trade-off é conhecido como "câmbio técnico" do setor sucroenergético e é monitorado constantemente por traders e analistas.

A taxa de câmbio BRL/USD é outro fator crítico para o exportador brasileiro. Como os custos de produção são em reais e a receita de exportação é em dólares, uma desvalorização cambial pode tornar o etanol brasileiro mais competitivo no mercado internacional, enquanto uma valorização do real pode comprimir as margens e reduzir a atratividade das exportações.

A TRADEXA oferece ferramentas de monitoramento de preços que consolidam cotações dos principais benchmarks globais do etanol, permitindo que o exportador compare preços em diferentes mercados e identifique a melhor janela de comercialização. Além disso, a plataforma integra dados de câmbio, frete marítimo e indicadores de oferta e demanda que subsidiam decisões de precificação mais assertivas.

Logística Portuária e Cadeia de Suprimentos

A logística de exportação de etanol apresenta desafios específicos que diferem significativamente de outros produtos agrícolas. O etanol é um líquido inflamável, classificado como produto perigoso (Classe 3 — Líquidos Inflamáveis) pela regulamentação internacional IMDG (International Maritime Dangerous Goods Code), o que impõe restrições rigorosas de transporte, armazenagem e manuseio.

O Porto de Santos é o principal hub de exportação de etanol do Brasil, responsável por cerca de 70% dos embarques. Outros portos relevantes incluem Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Aratu (BA). A escolha do porto depende da localização da usina, da disponibilidade de terminais especializados e dos custos logísticos totais.

O transporte do etanol das usinas até o porto é feito predominantemente por rodovias, utilizando caminhões-tanque com capacidade de 30 a 60 mil litros. Em rotas de maior volume, o transporte ferroviário vem ganhando espaço, especialmente para usinas localizadas no interior paulista com acesso à malha ferroviária. O modal dutoviário, embora exista em algumas regiões, ainda é incipiente para etanol.

Nos terminais portuários, o etanol é armazenado em tanques de aço carbono com sistemas de supressão de vapor, detecção de vazamentos e proteção contra incêndio. A capacidade de armazenagem nos terminais brasileiros é limitada e frequentemente opera no limite durante o pico da safra, entre maio e outubro. A gestão eficiente do fluxo de caminhões na fila de descarga é essencial para evitar gargalos logísticos e custos adicionais.

O embarque do etanol em navios é feito por meio de mangotes especiais conectados aos tanques do navio. Os navios utilizados são do tipo chemical tanker ou parcel tanker, com tanques revestidos e sistema de inertização para evitar acúmulo de vapores inflamáveis. A capacidade típica de um navio de etanol varia de 15 a 45 mil toneladas métricas, equivalente a 20 a 60 milhões de litros.

O frete marítimo para etanol segue rotas estabelecidas. Para os Estados Unidos, o tempo de viagem de Santos a Houston é de aproximadamente 10 a 14 dias. Para a Europa (Roterdã), a viagem dura cerca de 15 a 20 dias. Para a Ásia (Coreia do Sul e Japão), a rota passa pelo Canal do Panamá e leva de 25 a 35 dias, dependendo das condições de navegação.

A volatilidade dos fretes marítimos, intensificada pelos eventos geopolíticos e pela reorganização das rotas globais, exige que os exportadores monitorem constantemente as taxas de frete e negociem contratos de longo prazo com armadores para garantir preços competitivos. A TRADEXA oferece dados de frete marítimo, indicadores de congestionamento portuário e análise de rotas que auxiliam os exportadores na tomada de decisões logísticas.

Perspectivas Futuras e Oportunidades para o Etanol Brasileiro

O futuro do etanol brasileiro no mercado global é promissor, impulsionado por três grandes tendências: a descarbonização da matriz energética mundial, a crescente demanda por biocombustíveis avançados e a busca por segurança energética por parte dos países importadores. Cada uma dessas tendências abre frentes de oportunidade que o exportador brasileiro precisa conhecer e explorar.

A descarbonização do transporte rodoviário é o motor mais forte da demanda futura por etanol. Dezenas de países ao redor do mundo estão implementando mandatos de mistura de biocombustíveis na gasolina, com percentuais que variam de 5% a 27% (como é o caso do Brasil). A tendência é de que esses percentuais aumentem progressivamente, puxados pelas metas do Acordo de Paris e pelos compromissos nacionais de redução de emissões.

A Europa, com o pacote Fit for 55 e a revisão da RED III, caminha para elevar a participação de energias renováveis no transporte para pelo menos 29% até 2030. O etanol de cana brasileiro, por ser classificado como biocombustível avançado com baixa pegada de carbono, está posicionado para se beneficiar diretamente desse aumento de demanda.

A Índia, que recentemente antecipou sua meta de mistura de 20% de etanol na gasolina para 2025 (originalmente prevista para 2030), representa um mercado de proporções gigantescas para o etanol brasileiro. O país asiático é o terceiro maior consumidor de gasolina do mundo, mas sua produção interna de etanol (principalmente de cana e arroz) ainda é insuficiente para atender à demanda crescente. O Brasil, como maior exportador global, está em posição privilegiada para suprir essa lacuna.

O mercado de combustíveis de aviação sustentável (SAF — Sustainable Aviation Fuel) é outra fronteira promissora. O etanol pode ser convertido em SAF por meio do processo Alcohol-to-Jet (ATJ), e diversas usinas brasileiras já estão investindo em projetos de produção de SAF a partir de etanol de cana. O mercado global de SAF deve crescer exponencialmente nos próximos anos, impulsionado por mandatos na Europa, Reino Unido e Estados Unidos. Exportadores brasileiros que se posicionarem cedo nessa cadeia terão vantagem competitiva.

A produção de etanol de milho no Brasil, que cresceu rapidamente no Centro-Oeste (especialmente Mato Grosso), também abre novas oportunidades de exportação. As usinas flex que produzem etanol tanto de cana quanto de milho podem operar durante todo o ano, aumentando a disponibilidade do produto para exportação e reduzindo a sazonalidade da oferta. Esse etanol de milho, embora tenha pegada de carbono um pouco maior que o de cana, ainda é significativamente inferior à da gasolina e competitivo no mercado internacional.

No campo tecnológico, o desenvolvimento do etanol cellulosico (etanol de segunda geração, produzido a partir de resíduos como bagaço e palha de cana) promete aumentar ainda mais a oferta e a sustentabilidade do etanol brasileiro. Embora a produção comercial ainda seja limitada, diversas usinas brasileiras já operam plantas de etanol 2G, e a tendência é de escala crescente nos próximos anos.

A TRADEXA, com sua plataforma de inteligência em comércio exterior, permite que exportadores brasileiros acompanhem essas tendências e identifiquem oportunidades de mercado antes da concorrência. Em um setor dinâmico e em rápida evolução como o de biocombustíveis, a informação é o ativo mais valioso para a tomada de decisões estratégicas.

Desafios Regulatórios e Barreiras Comerciais

Apesar das oportunidades promissoras, a exportação de etanol brasileiro enfrenta desafios regulatórios e barreiras comerciais que precisam ser gerenciados com atenção. O protecionismo agrícola e energético de países desenvolvidos é uma realidade que impacta diretamente a competitividade do etanol brasileiro.

Os Estados Unidos, apesar de serem o maior mercado consumidor de etanol do mundo, mantêm barreiras tarifárias significativas contra o etanol importado, especialmente o brasileiro. A tarifa específica de US$ 0,54 por galão torna o etanol brasileiro menos competitivo em relação ao etanol doméstico de milho, mesmo quando o preço internacional está baixo. Além disso, o país impõe barreiras regulatórias como o Renewable Fuel Standard (RFS), que estabelece cotas de mistura que favorecem a produção doméstica.

A Europa, embora tenha metas ambiciosas de descarbonização, também impõe barreiras comerciais indiretas. Os critérios de sustentabilidade da RED II, embora baseados em objetivos ambientais legítimos, acabam funcionando como barreiras não tarifárias que exigem investimentos significativos em certificação e conformidade documental. Mudanças na classificação de biocombustíveis dentro da RED II podem, a qualquer momento, alterar o acesso do etanol brasileiro ao mercado europeu.

O mercado chinês, embora promissor, apresenta desafios regulatórios complexos. A China exige registro de estabelecimento exportador junto ao GACC, além de certificações específicas para biocombustíveis. A alíquota de importação de etanol na China é variável e sujeita a alterações unilaterais, o que adiciona um elemento de incerteza nas negociações de longo prazo.

As barreiras técnicas, como limites de resíduos, especificações de qualidade e testes laboratoriais, também variam entre países e podem ser usadas como instrumento de proteção comercial. O exportador brasileiro precisa estar preparado para atender a diferentes padrões simultaneamente e para reagir rapidamente a mudanças regulatórias.

Além das barreiras externas, o Brasil enfrenta desafios internos que afetam a competitividade do etanol exportado. A carga tributária sobre o etanol é complexa e varia entre estados (ICMS), o que pode distorcer a formação de preço e reduzir a margem do exportador. A infraestrutura logística, embora tenha melhorado nos últimos anos, ainda apresenta gargalos, especialmente no transporte ferroviário e na capacidade portuária.

Políticas de precificação de combustíveis, como a paridade internacional de preços (PPI) da Petrobras e as variações na alíquota de tributos federais (PIS/Cofins), também impactam o mercado de etanol e, por consequência, as exportações. O exportador precisa monitorar constantemente essas variáveis para precificar corretamente seus contratos internacionais.

A TRADEXA mantém um monitoramento contínuo das mudanças regulatórias no Brasil e nos principais países importadores, fornecendo alertas e análises que ajudam os exportadores a se anteciparem a riscos e a ajustarem suas estratégias comerciais em tempo real.

Como a Inteligência de Mercado Transforma a Exportação de Etanol

Em um mercado global de biocombustíveis cada vez mais competitivo e regulado, a inteligência de mercado deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade operacional. O exportador brasileiro de etanol que deseja crescer de forma sustentável precisa de ferramentas que transformem dados brutos em insights acionáveis.

A TRADEXA nasceu da constatação de que os exportadores brasileiros enfrentam uma assimetria de informação que os coloca em desvantagem competitiva frente a traders internacionais com acesso a plataformas globais de dados. A plataforma foi desenvolvida para nivelar esse campo de jogo, oferecendo inteligência de comércio exterior acessível, atualizada e adaptada à realidade brasileira.

Para o exportador de etanol, a TRADEXA oferece dashboards que consolidam informações de preços internacionais, dados de embarque em tempo real, análise de concorrência, indicadores logísticos e monitoramento regulatório. Com essas ferramentas, o profissional de comércio exterior pode identificar rapidamente qual mercado está comprador, qual preço está sendo praticado, qual rota logística é mais eficiente e quais certificações são necessárias para cada destino.

Além disso, a plataforma permite simular cenários de precificação considerando variáveis como câmbio, frete, tributos e custos portuários, ajudando o exportador a encontrar a melhor combinação de preço, prazo e condições de pagamento para cada negociação. Em um mercado onde as margens são apertadas, essa capacidade de simulação pode fazer a diferença entre uma operação lucrativa e uma operação no vermelho.

O setor de biocombustíveis está em plena transformação, impulsionado por megatendências globais de descarbonização, inovação tecnológica e mudança nos padrões de consumo de energia. O Brasil, com sua vantagem competitiva na produção de etanol de cana, está posicionado para liderar esse movimento. Mas a liderança não se constrói apenas com produção eficiente — ela exige inteligência, estratégia e acesso a informação de qualidade.

A TRADEXA é a parceira de inteligência que o exportador brasileiro precisa para transformar o potencial do etanol brasileiro em negócios concretos, seguros e lucrativos. Em um mercado global que não espera, a informação certa no momento certo é o ativo mais valioso que uma empresa de comércio exterior pode ter.