Rondônia no Comércio Exterior: Café, Pecuária e a Integração com a...

Guia completo sobre o comércio exterior de Rondônia: café robusta, pecuária de corte, soja, madeira manejada, comércio fronteiriço com a Bolívia e oportunidades.

Publicado em 2026-06-25 | Atualizado em 2026-06-25 | TRADEXA Blog

Rondônia no Comércio Exterior: Café, Pecuária e a Integração com a Bolívia

Rondônia, estado localizado na região Norte do Brasil, na fronteira com a Bolívia, tem construído ao longo das últimas décadas um perfil econômico singular, fortemente ancorado no agronegócio, na pecuária e na exploração sustentável dos recursos naturais. Com uma área de aproximadamente 238 mil km² e uma população de cerca de 1,8 milhão de habitantes, o estado combina uma pujante produção agropecuária com uma posição geográfica estratégica na Amazônia Ocidental e na faixa de fronteira com o país vizinho.

Este artigo oferece uma análise abrangente e detalhada do papel de Rondônia no comércio exterior brasileiro, explorando sua produção de café robusta e conilon (terceiro maior produtor do Brasil), sua pecuária de corte de alta qualidade, a produção de grãos, a indústria de base florestal, a fruticultura, a piscicultura, a mineração, o comércio fronteiriço com a Bolívia e os desafios logísticos que o estado precisa superar para consolidar sua inserção internacional.

Café Robusta e Conilon: O Terceiro Maior Produtor do Brasil

A Revolução Cafeeira em Rondônia

Rondônia consolidou-se como o terceiro maior produtor de café do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais e Espírito Santo, e o maior produtor da região Norte. O estado produz exclusivamente café das variedades robusta e conilon (Coffea canephora), que se adaptam perfeitamente às condições climáticas da Amazônia — temperaturas elevadas, alta pluviosidade e baixa altitude.

A produção de café em Rondônia teve início na década de 1970, com a chegada dos primeiros agricultores do Centro-Sul do país, incentivados pelos programas de colonização da Amazônia. Inicialmente, o café era cultivado em sistemas de baixa tecnologia, com baixa produtividade e qualidade. No entanto, a partir dos anos 2000, o setor passou por uma verdadeira revolução tecnológica, com a introdução de cultivares clonais de alta produtividade, sistemas de irrigação, manejo integrado de pragas e doenças, e técnicas de pós-colheita que melhoraram significativamente a qualidade da bebida.

Produção e Produtividade

A área cultivada com café em Rondônia é de aproximadamente 100 mil hectares, com uma produção anual que ultrapassa 3 milhões de sacas de 60 kg. A produtividade média do café rondoniense saltou de menos de 15 sacas por hectare na década de 1990 para mais de 35 sacas por hectare atualmente, com propriedades que chegam a colher até 80 sacas por hectare em sistemas irrigados e com clones de alta performance.

Os principais polos produtores de café em Rondônia são os municípios de Cacoal, Vilhena, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Jaru, Presidente Médici, Alvorada do Oeste, Nova Brasilândia d'Oeste, Alta Floresta d'Oeste, São Miguel do Guaporé e Cerejeiras. A cafeicultura em Rondônia é caracterizada por pequenas e médias propriedades, com média de 5 a 15 hectares de café por propriedade, o que a torna uma atividade de forte impacto social e distribuição de renda.

Destinos das Exportações de Café

O café robusta e conilon de Rondônia é destinado principalmente ao mercado externo, com destaque para o Egito, que é o maior importador individual, seguido por Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, Estados Unidos, Japão e Rússia. O café robusta é utilizado principalmente pela indústria de torrefação e moagem para produção de café solúvel, blends e café expresso, graças ao seu corpo e crema característicos.

O café rondoniense tem conquistado mercados cada vez mais exigentes, graças aos investimentos em qualidade, rastreabilidade e certificação. Nos últimos anos, produtores do estado têm participado de concursos nacionais e internacionais de qualidade, conquistando prêmios e abrindo portas para nichos de mercado de maior valor agregado.

Desafios e Oportunidades

A cafeicultura rondoniense enfrenta desafios como a necessidade de aumentar a produtividade e a qualidade, a dependência de condições climáticas favoráveis, o custo elevado de insumos e fertilizantes, e as dificuldades logísticas para escoamento da produção até os portos de exportação (distantes mais de 2.000 km em alguns casos).

No entanto, as oportunidades são enormes. O mercado global de café robusta está em expansão, impulsionado pelo crescimento do consumo de café solúvel e cápsulas em mercados emergentes como China, Índia e Sudeste Asiático. Além disso, o café conilon de qualidade superior, produzido com técnicas avançadas de pós-colheita, pode alcançar preços premium no mercado internacional, competindo com cafés arábica de entrada.

Pecuária de Corte: Carne Bovina de Qualidade

O Rebanho Rondoniense

Rondônia possui um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil, com aproximadamente 14 milhões de cabeças, o que coloca o estado entre os dez maiores produtores de carne bovina do país. A pecuária de corte é uma das atividades econômicas mais tradicionais e importantes do estado, responsável por uma parcela significativa do PIB e das exportações.

O rebanho rondoniense é composto predominantemente por raças zebuínas (Nelore, Brahman, Guzerá), adaptadas às condições tropicais, com alta resistência ao calor e a parasitas. Nos últimos anos, tem crescido a participação de raças sintéticas e compostas (Canchim, Brangus, Senepol) e de cruzamentos industriais, que combinam a rusticidade do zebu com a precocidade e a qualidade de carcaça de raças europeias (Angus, Hereford).

Produção e Abate

Rondônia abate anualmente cerca de 2 milhões de cabeças de bovinos, distribuídos entre frigoríficos habilitados para exportação e plantas destinadas ao mercado interno. O estado possui dezenas de frigoríficos com selo SIF (Serviço de Inspeção Federal), muitos dos quais habilitados para exportar para os principais mercados consumidores do mundo.

A carne bovina rondoniense é exportada para mais de 30 países, com destaque para China, Hong Kong, Rússia, Egito, Chile, Peru, Venezuela, Angola, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e União Europeia. A China é, de longe, o principal destino, absorvendo mais de 50% de todo o volume exportado, seguida por Hong Kong e Rússia.

Rastreabilidade e Qualidade

A pecuária rondoniense tem investido fortemente em rastreabilidade e certificação, com a implantação de sistemas de identificação individual dos animais (brincos, chips), controle de vacinação contra febre aftosa e brucelose, e certificação de propriedades livres de desmatamento ilegal e trabalho análogo à escravidão.

A certificação de cadeias produtivas livres de desmatamento é um dos maiores desafios e também uma das maiores oportunidades para a pecuária rondoniense. O mercado europeu, em particular, tem exigido garantias rigorosas de que a carne importada não está associada ao desmatamento da Amazônia. Rondônia tem avançado na implantação de sistemas de monitoramento por satélite e rastreabilidade da cadeia produtiva, o que pode abrir portas para mercados premium.

Soja e Milho: A Expansão da Agricultura de Grãos

Rondônia tem experimentado um crescimento acelerado da produção de grãos, especialmente soja e milho, impulsionado pela expansão da fronteira agrícola na região sul do estado, nos municípios de Vilhena, Cerejeiras, Colorado do Oeste, Cabixi, Corumbiara, Pimenteiras do Oeste, Chupinguaia e Parecis.

Soja

A produção de soja em Rondônia ultrapassou 1,5 milhão de toneladas na safra 2024/2025, cultivada em uma área de aproximadamente 450 mil hectares. A produtividade média da soja rondoniense é de cerca de 3.300 kg por hectare, competitiva com as médias nacionais.

A soja produzida em Rondônia é exportada principalmente para a China, que responde por mais de 70% do total, seguida pela Espanha, Tailândia, Vietnã e Países Baixos. O escoamento da produção é feito pela BR-364 até os portos de Porto Velho (Rio Madeira) e Santarém (PA), ou pelo Arco Norte (portos de Itaqui, Santarém, Miritituba, Barcarena e Vila do Conde).

A expansão da soja em Rondônia tem gerado debates sobre os impactos ambientais, especialmente em relação ao desmatamento da Amazônia. No entanto, a maior parte da expansão recente tem ocorrido em áreas de pastagens degradadas (integração lavoura-pecuária), o que reduz a pressão sobre as florestas nativas e melhora os indicadores de sustentabilidade.

Milho

A produção de milho em Rondônia ultrapassa 1 milhão de toneladas anuais, cultivado predominantemente como safrinha, após a colheita da soja. O milho é destinado principalmente à alimentação animal (aves, suínos, bovinos) no mercado interno, mas há excedentes que são exportados para o Irã, Coreia do Sul e Japão.

Madeira Tropical Manejada: Sustentabilidade na Amazônia

Rondônia possui uma das maiores áreas de floresta amazônica do Brasil, com aproximadamente 50% de seu território coberto por vegetação nativa. A exploração de madeira tropical manejada é uma atividade econômica tradicional no estado, que tem evoluído de um modelo predatório para um modelo de manejo florestal sustentável.

Produção de Madeira

A produção de madeira em tora e processada em Rondônia é estimada em mais de 1,5 milhão de metros cúbicos por ano, originados tanto de planos de manejo florestal sustentável (PMFS) em florestas nativas quanto de plantios florestais (teca, eucalipto, paricá, acácia).

As principais espécies madeireiras exploradas em Rondônia incluem cedro, ipê, angelim, cumaru, cerejeira, garapeira, maçaranduba, tauari, jatobá, mogno (sob controle rigoroso), entre outras. A madeira rondoniense é utilizada na construção civil, indústria moveleira, pisos, decks, painéis, portas e esquadrias, entre outras aplicações.

Certificação e Mercado Internacional

A certificação florestal (FSC - Forest Stewardship Council, CERFLOR) tem se tornado cada vez mais importante para a comercialização de madeira tropical no mercado internacional. Rondônia possui diversas empresas certificadas, que exportam madeira manejada e processada para os Estados Unidos, União Europeia (Alemanha, Países Baixos, França, Reino Unido, Itália), China, Japão e Oriente Médio.

O principal desafio do setor madeireiro em Rondônia é combater a exploração ilegal, que ainda persiste em áreas de fronteira agrícola e gera passivos ambientais, danos à reputação do setor e perda de acesso a mercados. O governo do estado, em parceria com órgãos de fiscalização (IBAMA, Polícia Federal, Força Nacional) e entidades setoriais, tem intensificado as ações de monitoramento, controle e repressão ao desmatamento ilegal e à exploração predatória.

Leite e Derivados

A pecuária leiteira é uma atividade tradicional em Rondônia, com um rebanho leiteiro estimado em 2,5 milhões de cabeças e uma produção anual de aproximadamente 1,5 bilhão de litros de leite. O estado é um dos maiores produtores de leite da região Norte e tem potencial para se tornar um polo de produção e exportação de derivados lácteos.

A produção de leite em Rondônia é caracterizada por pequenas e médias propriedades, com produção média de 50 a 200 litros por dia por propriedade. A atividade leiteira gera emprego e renda para milhares de famílias no campo, especialmente nos municípios de Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Jaru, Presidente Médici, Rolim de Moura, Cacoal, Ariquemes e Machadinho d'Oeste.

O leite produzido em Rondônia é processado em laticínios instalados no estado, que produzem leite pasteurizado (longa vida/UHT), leite em pó, queijos (mussarela, prato, parmesão, minas), manteiga, iogurtes, bebidas lácteas e doce de leite. Uma parte desses produtos é destinada ao mercado local e regional, mas há potencial para exportação para países da América do Sul, África e Oriente Médio.

Cacau: O Ouro Marrom da Amazônia

A produção de cacau em Rondônia tem crescido de forma expressiva nos últimos anos, posicionando o estado como um dos maiores produtores da região Norte. O cacau rondoniense é cultivado predominantemente em sistemas agroflorestais (SAFs), consorciado com outras espécies nativas (castanha-do-Brasil, açaí, banana, pupunha), o que garante sustentabilidade ambiental e diversificação de renda para os produtores.

A produção de cacau em Rondônia está concentrada nos municípios de Nova Califórnia, Ariquemes, Machadinho d'Oeste, Cacoal, Alta Floresta d'Oeste e São Francisco do Guaporé. O cacau produzido no estado é de alta qualidade, com grãos bem fermentados e secos, que alcançam prêmios em concursos nacionais.

O cacau rondoniense é destinado principalmente ao mercado interno, para a indústria de chocolate e derivados, mas há potencial de exportação para a Europa e os Estados Unidos, onde a demanda por cacau fino e sustentável é crescente.

Piscicultura: Tambaqui e Peixes Nativos

Rondônia possui um enorme potencial para a piscicultura, graças à abundância de recursos hídricos, ao clima favorável e à biodiversidade de peixes nativos da Bacia Amazônica. A piscicultura rondoniense tem se consolidado como uma das mais promissoras do Brasil, com produção anual que ultrapassa 50 mil toneladas, concentrada principalmente na criação de tambaqui (Colossoma macropomum), um peixe nativo da Amazônia, de carne saborosa, alto rendimento de filé e boa aceitação no mercado.

Além do tambaqui, Rondônia produz outras espécies nativas como pirarucu, tambatinga (híbrido de tambaqui e pirapitinga), pacu, matrinxã e surubim, além de espécies exóticas como tilápia (especialmente na região sul do estado, no município de Vilhena).

A produção de tambaqui em Rondônia é destinada principalmente ao mercado interno, especialmente para os estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso e São Paulo. No entanto, há potencial crescente de exportação, especialmente para os Estados Unidos, onde a demanda por peixes nativos brasileiros tem crescido em restaurantes e supermercados especializados, e para a União Europeia, que valoriza produtos sustentáveis e certificados.

Mineração: Cassiterita e Estanho

Rondônia possui um subsolo rico em minerais, com destaque para a cassiterita (minério de estanho), que é o principal produto mineral do estado. A produção de cassiterita em Rondônia está concentrada no município de Ariquemes, no distrito mineiro de Bom Futuro, e em áreas dos municípios de Nova Mamoré, Alvorada do Oeste e Porto Velho.

A produção de cassiterita em Rondônia responde por cerca de 20% da produção nacional de estanho, com uma produção anual que varia de 2.000 a 3.000 toneladas de concentrado de cassiterita, dependendo das condições de mercado e dos preços internacionais do estanho.

O estanho produzido a partir da cassiterita rondoniense é utilizado na fabricação de soldas, ligas metálicas, componentes eletrônicos, embalagens (folha-de-flandres), produtos químicos e vidros. O principal mercado para o estanho brasileiro é a Ásia (China, Japão, Coreia do Sul, Singapura), seguida pela Europa e pelos Estados Unidos.

Além da cassiterita, Rondônia possui depósitos de ouro, diamante, nióbio, tantalita, tungstênio, manganês, calcário e areia industrial, muitos dos quais ainda não foram adequadamente prospectados e avaliados. O setor mineral tem potencial para se tornar uma das principais alavancas do desenvolvimento econômico do estado, gerando emprego, renda e divisas para o comércio exterior.

Comércio Fronteiriço com a Bolívia

A Fronteira Rondônia-Bolívia

Rondônia compartilha aproximadamente 1.200 km de fronteira com a Bolívia, desde o município de Cabixi (sul) até Guajará-Mirim (noroeste), passando por Pimenteiras do Oeste, Costa Marques, São Francisco do Guaporé e Nova Mamoré. Essa extensa faixa de fronteira é palco de intenso comércio bilateral, fluxo de pessoas e integração cultural.

O principal ponto de integração entre Rondônia e a Bolívia é a cidade de Guajará-Mirim, que faz fronteira com a cidade boliviana de Guayaramerín, no departamento de Beni. As duas cidades estão ligadas pela Ponte da Amizade, sobre o Rio Mamoré, e mantêm um intenso fluxo comercial, turístico e cultural.

Outro ponto importante de integração é a BR-364, que liga Porto Velho a Rio Branco (AC) e, a partir de Assis Brasil (AC), conecta-se com a rede viária peruana e boliviana. A BR-364 é a principal via de escoamento da produção de Rondônia e da região Norte como um todo.

Comércio Bilateral

O comércio entre Rondônia e a Bolívia envolve uma ampla gama de produtos, tanto de origem industrial (máquinas, equipamentos, veículos, peças, eletrônicos, produtos químicos, medicamentos) quanto de origem agropecuária (carne bovina, leite, queijo, café, soja, milho, feijão, arroz, açúcar, óleo de soja).

O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Bolívia, e Rondônia desempenha um papel central nessa relação, devido à sua posição geográfica estratégica e à similaridade de suas economias com as regiões bolivianas vizinhas. Os produtos brasileiros exportados para a Bolívia incluem principalmente manufaturados (veículos, máquinas, eletrônicos, medicamentos) e produtos agropecuários processados (carne, leite, queijo, café solúvel). Já as importações da Bolívia incluem principalmente gás natural (pelo gasoduto Brasil-Bolívia, que passa pelo Acre e Rondônia), minérios, castanha-do-Brasil, madeira e produtos agrícolas tropicais.

Desafios da Fronteira

O comércio fronteiriço entre Rondônia e a Bolívia enfrenta desafios como a burocracia aduaneira, a infraestrutura deficiente (estradas, pontes, postos de fronteira), as diferenças cambiais e tributárias que geram distorções de preços, e o comércio informal. A Ponte da Amizade em Guajará-Mirim, por exemplo, já está em condições precárias e precisa de reformas para garantir a fluidez do tráfego de veículos e cargas.

No entanto, as oportunidades são imensas. A integração econômica entre Rondônia e a Bolívia pode se beneficiar dos acordos comerciais do Mercosul (do qual a Bolívia é membro associado e, em processo de adesão plena), da implantação de projetos de infraestrutura como a Ferrovia Norte-Sul e a pavimentação de rodovias na faixa de fronteira, e da criação de zonas de processamento e livre comércio nas cidades gêmeas da fronteira.

Desafios Logísticos

A Distância dos Portos

O principal gargalo do comércio exterior de Rondônia é a logística de transporte. O estado está localizado no coração da Amazônia, a centenas e, em alguns casos, milhares de quilômetros dos principais portos de exportação do Brasil. As distâncias são impressionantes: de Vilhena (sul de Rondônia) até o Porto de Santarém (PA) são aproximadamente 1.500 km; de Cacoal até o Porto de Itaqui (MA) são cerca de 2.000 km; de Porto Velho até o Porto de Belém (PA) são 1.800 km; e de Porto Velho até o Porto de Santos (SP) são mais de 3.000 km.

A BR-364 e o Transporte Rodoviário

A BR-364 é a principal rodovia de Rondônia e a espinha dorsal do sistema de transportes do estado. Ela liga Porto Velho a Vilhena (divisa com Mato Grosso) e, a partir dali, conecta-se com a BR-163 (direção a Santarém), a BR-070 (direção a Brasília) e a BR-364 em direção ao Acre e à Bolívia.

Apesar de federal e pavimentada em quase toda sua extensão, a BR-364 apresenta trechos em condições regulares ou ruins, com buracos, asfalto deteriorado, sinalização deficiente e falta de acostamento. O tráfego intenso de caminhões transportando grãos, madeira, combustíveis e mercadorias para o comércio exterior sobrecarrega a rodovia e reduz sua vida útil.

O Arco Norte: Alternativa Logística

O Arco Norte é um conjunto de portos e terminais hidroviários localizados no Norte do Brasil, que oferecem uma alternativa logística para o escoamento da produção agropecuária da região. Os principais portos do Arco Norte são Santarém (PA), Miritituba (PA), Barcarena (PA), Vila do Conde (PA), Itaqui (MA) e Porto Velho (RO).

O Porto de Porto Velho, localizado no Rio Madeira, é o principal porto de Rondônia e um dos mais importantes do Arco Norte. O porto movimenta principalmente soja, milho, farelo de soja, madeira, café e contêineres, e tem passado por expansões para aumentar sua capacidade e eficiência.

A navegação pelo Rio Madeira permite o transporte de cargas de Porto Velho até os portos de Itacoatiara (AM) e Manaus (AM), de onde as cargas seguem pelo Rio Amazonas até o Oceano Atlântico. Esse sistema hidroviário é uma alternativa mais barata e com menor impacto ambiental que o transporte rodoviário, mas enfrenta desafios como a sazonalidade do nível do rio (períodos de seca e cheia), a necessidade de dragagem constante e a falta de infraestrutura portuária em alguns trechos.

Ferrovia Norte-Sul: A Promessa Futura

A Ferrovia Norte-Sul, um dos maiores projetos de infraestrutura logística do Brasil, tem potencial para transformar radicalmente o perlogística de Rondônia e de toda a região Norte. A ferrovia, que ligará Açailândia (MA) a Estrela d'Oeste (SP), com extensão de aproximadamente 4.000 km, passará por Rondônia, conectando os municípios de Porto Velho, Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena aos portos de Itaqui (MA) e Santos (SP).

Quando concluída, a Ferrovia Norte-Sul reduzirá drasticamente o custo logístico de transporte da produção rondoniense, hoje altamente dependente do modal rodoviário. A ferrovia permitirá o transporte de grandes volumes de cargas a custos mais baixos, com maior previsibilidade e menor impacto ambiental.

Atualmente, a Ferrovia Norte-Sul está em operação em diversos trechos, mas a conexão com Rondônia ainda não foi concluída. O governo federal e a iniciativa privada estão em negociações para viabilizar a extensão da ferrovia até Porto Velho, um projeto ambicioso que exigirá investimentos bilionários, mas que pode gerar benefícios econômicos e sociais imensos para Rondônia e para toda a região Norte.

Perspectivas e Oportunidades

Rondônia possui um potencial imenso para o comércio exterior, baseado em sua produção agropecuária de alta qualidade, em seus recursos naturais abundantes e em sua posição estratégica na fronteira com a Bolívia. No entanto, para realizar esse potencial, o estado precisa superar desafios significativos.

A melhoria da infraestrutura logística é a prioridade número um. A conclusão da Ferrovia Norte-Sul, a pavimentação e duplicação da BR-364, a modernização do Porto de Porto Velho e a manutenção das hidrovias do Rio Madeira são projetos essenciais para reduzir os custos de transporte e aumentar a competitividade das exportações rondonienses.

A diversificação da pauta exportadora é outro desafio importante. Rondônia ainda depende excessivamente de produtos primários (café, carne bovina, soja, madeira), que são vulneráveis a oscilações de preços internacionais e a barreiras comerciais. O investimento em industrialização e agregação de valor (processamento de café, carne, soja, madeira, leite, peixe) pode gerar empregos, renda e estabilidade para a economia do estado.

A sustentabilidade ambiental e social é um tema cada vez mais relevante para o comércio exterior. Rondônia precisa demonstrar que é possível produzir alimentos, fibras, madeira e minérios de forma sustentável, sem desmatamento ilegal, sem trabalho escravo, sem grilagem de terras e sem violação de direitos indígenas e quilombolas. A certificação de cadeias produtivas (FSC, ABR, Rainforest Alliance, orgânicos) é um caminho inevitável para acessar mercados premium e construir uma reputação positiva no cenário internacional.

Conclusão

Rondônia é um dos estados mais promissores do Brasil no comércio exterior. Sua produção de café robusta e conilon (terceiro maior do país), a pecuária de corte de alta qualidade, a expansão da soja e do milho, a madeira tropical manejada, a piscicultura, o cacau e a mineração formam uma base sólida e diversificada para o crescimento das exportações.

O comércio fronteiriço com a Bolívia abre oportunidades únicas para a integração regional e a criação de cadeias produtivas binacionais. A Ferrovia Norte-Sul, a BR-364 e o Arco Norte são os pilares de uma logística em transformação, que pode reduzir custos e ampliar o alcance das exportações rondonienses.

No entanto, o estado precisa superar desafios logísticos, ambientais e de agregação de valor para consolidar sua inserção internacional. Investimentos em infraestrutura, tecnologia, educação e certificação são fundamentais para transformar o potencial de Rondônia em realidade.

A TRADEXA, com sua expertise em inteligência de mercado, assessoria aduaneira, negociação internacional e soluções logísticas, está preparada para apoiar empresas e produtores rondonienses na jornada de internacionalização, ajudando a transformar o enorme potencial do estado em negócios concretos, sustentáveis e competitivos globalmente.

O futuro do comércio exterior de Rondônia é brilhante. Com determinação, visão estratégica e parcerias sólidas, o estado pode se consolidar como um polo de excelência em café, carne, grãos, madeira sustentável e mineração na Amazônia, gerando desenvolvimento, emprego e renda para sua população e contribuindo para o crescimento do Brasil como um todo.