Amazonas no Comércio Exterior: Zona Franca de Manaus e o Potencial...

Análise completa do comércio exterior do Amazonas: Zona Franca de Manaus, Polo Industrial, SUFRAMA, incentivos fiscais, logística fluvial, Porto de Manaus, bioeconomia e oportunidades de exportação.

Publicado em 2026-06-25 | Atualizado em 2026-06-25 | TRADEXA Blog

Introdução: Amazonas — A Zona Franca de Manaus e a Força da Região Norte no Comércio Exterior

O Amazonas é um estado de contrastes no comércio exterior brasileiro. De um lado, abriga o maior polo industrial da Região Norte — o Polo Industrial de Manaus (PIM) —, responsável pela produção de eletrônicos, motocicletas, termoplásticos, bens de informática e produtos de química fina que abastecem todo o mercado brasileiro e países vizinhos. De outro lado, possui uma das florestas tropicais mais preservadas do planeta, com um potencial imenso para a bioeconomia e a exportação de produtos da sociobiodiversidade como açaí, castanha-do-brasil, copaíba, andiroba, óleos essenciais e fitoterápicos.

Em 2025, o Amazonas exportou aproximadamente US$ 1,2 bilhão e importou cerca de US$ 18 bilhões, refletindo a característica única do estado: um gigantesco polo industrial que opera sob o regime de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), importando insumos e componentes de todo o mundo para abastecer a indústria local e o mercado consumidor brasileiro. A balança comercial amazonense é fortemente deficitária em valor — mas esse déficit é estrutural e intencional, pois reflete o modelo de desenvolvimento regional criado há mais de cinco décadas.

O objetivo deste artigo é analisar em profundidade o comércio exterior do Amazonas, explorando o modelo da Zona Franca de Manaus, os incentivos fiscais da SUFRAMA, o Polo Industrial de Manaus, os desafios logísticos do transporte fluvial pelos rios Amazonas e Negro, o Porto de Manaus, a bioeconomia e os produtos da sociobiodiversidade, as oportunidades de exportação regional e os gargalos que o estado enfrenta para ampliar sua participação no comércio global. Ao longo do texto, mostraremos como as ferramentas de inteligência de mercado da TRADEXA — como o Classificador NCM com IA, o Tarifário Global com 31 países, o Diretório de Importadores com mais de 3,8 milhões de empresas, o Smart Rank e o Mapa de Frete Marítimo — podem ajudar empresas amazonenses a navegar esse cenário complexo e identificar oportunidades reais de negócio.

Panorama Econômico do Amazonas

O Amazonas é o maior estado do Brasil em extensão territorial (1,5 milhão de km², equivalente à França, Espanha, Suécia e Grécia somadas) e o segundo menor em densidade populacional. A economia amazonense é fortemente concentrada em Manaus e seu entorno, onde se localiza o Polo Industrial de Manaus.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas foi de aproximadamente R$ 135 bilhões em 2025, com a indústria de transformação respondendo por cerca de 35% do valor adicionado — uma participação muito superior à média nacional (11%) e comparável à de estados industrializados como São Paulo e Minas Gerais. O setor de serviços responde por aproximadamente 50% do PIB e a administração pública por cerca de 12%. A agropecuária, embora com enorme potencial, representa menos de 3% do PIB estadual.

O comércio exterior amazonense é dominado pelo regime da Zona Franca de Manaus. As importações do estado são maciças: componentes eletrônicos, circuitos integrados, semicondutores, peças e partes para motocicletas, produtos químicos e matérias-primas industriais entram pelo Porto de Manaus e pelo Aeroporto Internacional Eduardo Gomes para abastecer o PIM. Já as exportações, embora menores em valor absoluto, incluem produtos industrializados de alto valor agregado (motocicletas, aparelhos de áudio e vídeo, equipamentos de ar-condicionado, concentrados para bebidas), além de produtos regionais como madeira, borracha natural, castanha-do-brasil e açaí.

É importante entender que o modelo ZFM não foi criado para gerar superávit comercial — foi criado para gerar desenvolvimento econômico e social em uma região que, de outra forma, estaria marginalizada do processo produtivo nacional. E, nesse aspecto, o modelo é um sucesso incontestável: o Amazonas tem o sétimo maior IDH da Região Norte e uma renda per capita superior à média da região.

Zona Franca de Manaus: O Modelo de Desenvolvimento Regional

Histórico e Fundamentos

A Zona Franca de Manaus foi criada pelo Decreto-Lei nº 288/1967, durante o regime militar, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico da Amazônia Ocidental. A ideia era simples e ousada: criar uma área de livre comércio de importação e exportação com incentivos fiscais tão atraentes que empresas de todo o mundo se instalariam em Manaus, gerando emprego, renda e desenvolvimento tecnológico em uma região historicamente isolada dos centros econômicos do país.

O modelo foi inspirado nas zonas francas asiáticas (como a de Hong Kong e Cingapura) e nas zonas processadoras de exportação mexicanas (maquiladoras). A diferença fundamental é que a ZFM foi concebida não apenas para exportação, mas principalmente para suprir o mercado interno brasileiro com produtos industrializados fabricados localmente.

SUFRAMA — Superintendência da Zona Franca de Manaus

A SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus) é a autarquia federal responsável pela administração, gestão e fiscalização do modelo ZFM. Criada em 1967, a SUFRAMA tem como missão promover o desenvolvimento econômico regional por meio da atração de investimentos, da concessão de incentivos fiscais e do monitoramento dos resultados do modelo.

Além de administrar a ZFM, a SUFRAMA também supervisiona as Áreas de Livre Comércio (ALCs) de Tabatinga, Guajará-Mirim, Pacaraima, Bonfim, Macapá, Santana e outras localidades na Amazônia Ocidental. Essas ALCs são versões simplificadas da ZFM, focadas no comércio de fronteira e no desenvolvimento local.

A SUFRAMA também é responsável pela aprovação de projetos industriais para instalação no PIM. Empresas interessadas em se beneficiar dos incentivos da ZFM precisam submeter um projeto técnico-econômico à SUFRAMA, demonstrando viabilidade, geração de empregos e conteúdo regional mínimo exigido.

Incentivos Fiscais da Zona Franca de Manaus

O conjunto de incentivos fiscais da ZFM é um dos mais generosos do Brasil e um dos principais fatores de atratividade do modelo. Os principais incentivos são:

Imposto de Importação (II): Redução de até 88% do imposto devido sobre insumos, componentes, matérias-primas e bens de capital importados para uso no processo produtivo dentro da ZFM. Esse é, de longe, o incentivo mais relevante para as indústrias do PIM, especialmente para as montadoras de eletrônicos e motocicletas, que dependem de insumos importados da China, Coreia do Sul, Taiwan, Japão e Alemanha.

Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): isenção total para produtos industrializados na ZFM destinados a qualquer ponto do território nacional. Esse benefício elimina um dos principais tributos federais incidentes sobre a produção industrial e confere uma vantagem competitiva imensa aos produtos fabricados em Manaus em relação aos fabricados em outras regiões do Brasil.

Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS): O governo do Amazonas, por meio de Convênios do CONFAZ, concede créditos fiscais presumidos e reduções de base de cálculo que tornam o ICMS efetivamente pago muito inferior ao que seria devido em outros estados. Em muitos casos, o ICMS é reduzido a 1% ou 2% sobre a operação.

Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS: alíquotas reduzidas e tratamentos diferenciados para insumos e produtos industrializados na ZFM.

Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): redução de 75% para projetos aprovados pela SUFRAMA, com possibilidade de reinvestimento com isenção total em novos projetos de expansão produtiva.

A combinação desses incentivos faz com que o custo tributário de uma empresa instalada em Manaus seja tipicamente 30% a 50% menor do que o de uma empresa similar localizada em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Essa diferença é suficiente para compensar os custos logísticos adicionais de operar a milhares de quilômetros dos principais centros consumidores e fornecedores do país.

Polo Industrial de Manaus: Coração Industrial da Região Norte

O Polo Industrial de Manaus (PIM) é um dos maiores e mais diversificados polos industriais da América Latina. Reúne aproximadamente 600 empresas de grande e médio porte, gerando mais de 120 mil empregos diretos e 500 mil indiretos.

Eletrônicos e Bens de Informática

O segmento de eletrônicos é o coração do PIM. Grandes marcas mundiais mantêm plantas de montagem e fabricação em Manaus: LG, Samsung, Sony, Panasonic, Philips, Positivo, Dell, Lenovo, HP, Acer e muitas outras produzem no PIM desde televisores e monitores até notebooks, tablets, smartphones, impressoras, roteadores e equipamentos de áudio.

Essas empresas operam essencialmente como montadoras (assembly): importam componentes (circuitos integrados, telas LCD/LED/OLED, baterias, carcaças plásticas, cabos, conectores, fontes de alimentação) da Ásia e realizam a montagem final em Manaus, aproveitando os incentivos fiscais da ZFM para reduzir o custo final dos produtos destinados ao mercado brasileiro.

A produção anual do PIM no segmento de eletrônicos inclui mais de 15 milhões de televisores, 8 milhões de aparelhos de ar-condicionado, 5 milhões de notebooks, 12 milhões de smartphones e volumes expressivos de outros equipamentos eletroeletrônicos.

Duas Rodas (Motocicletas, Bicicletas e Ciclomotores)

O Amazonas é, de longe, o maior polo produtor de motocicletas do Brasil. As três grandes montadoras — Honda, Yamaha e BMW — mantêm plantas em Manaus. A Honda, líder absoluta do mercado brasileiro de motocicletas, produz em Manaus modelos como a CG 160, a Biz, a Pop, a NXR Bros, a XRE 300 e a CB 500. A Yamaha produz a Fazer, a Factor, a Lander e a R15. A BMW produz modelos de alta cilindrada para o mercado premium.

A produção anual de motocicletas no PIM ultrapassa 1,2 milhão de unidades, gerando faturamento superior a R$ 20 bilhões e emprego direto para mais de 15 mil trabalhadores. O Amazonas também produz bicicletas (Caloi, Houston, Sense) e ciclomotores elétricos.

Termoplásticos e Química

O segmento de termoplásticos e química é outro pilar do PIM. Grandes empresas do setor plástico e químico mantêm unidades em Manaus para produzir embalagens, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos e produtos químicos diversos.

A produção de termoplásticos no PIM inclui artigos de polietileno, polipropileno, PVC, poliestireno e ABS. Grandes marcas como Braskem, Dow, BASF e Oxiteno têm presença no PIM ou fornecem insumos para as transformadoras locais.

Concentrados para Bebidas

Um segmento surpreendente do PIM é o de concentrados para bebidas. A Coca-Cola (por meio da Femsa e da Recofarma) mantém em Manaus uma das maiores plantas de produção de concentrados para refrigerantes do mundo. De Manaus saem os concentrados que abastecem todas as fábricas engarrafadoras da Coca-Cola no Brasil. A Ambev, a PepsiCo e outras empresas de bebidas também operam plantas de concentrados no PIM.

Outros Segmentos Industriais

Além dos setores mencionados, o PIM abriga indústrias de:

  • Produtos de limpeza e higiene pessoal: sabonetes, detergentes, shampoos, condicionadores.
  • Brinquedos e jogos: Lego, Estrela, Grow e outras marcas produzem no PIM.
  • Instrumentos musicais: produção de guitarras, violões, teclados e equipamentos de som.
  • Materiais elétricos e de construção: fios, cabos, disjuntores, quadros elétricos, tubos e conexões.
  • Produtos farmacêuticos e fitoterápicos: empresas como a EMS e a Hypera Pharma mantêm plantas no PIM.

Logística Fluvial: Rios Amazonas e Negro como Rodovias Líquidas

A logística do Amazonas é dominada pela hidrovia. O estado possui a maior bacia hidrográfica do mundo — a Bacia Amazônica —, com rios navegáveis que formam uma verdadeira malha rodoviária líquida. O Rio Amazonas, o Rio Negro, o Rio Solimões, o Rio Madeira e seus afluentes são as principais vias de transporte do estado.

Porto de Manaus

O Porto de Manaus é o principal hub logístico da Região Norte e um dos mais importantes portos fluviais do mundo. Localizado na confluência dos rios Negro e Amazonas, o porto está a aproximadamente 1.500 km do Oceano Atlântico, mas é acessível a navios de grande porte (graneleiros, porta-contêineres, navios roll-on/roll-off).

O Porto de Manaus movimenta anualmente mais de 15 milhões de toneladas de carga, incluindo contêineres, granéis sólidos, granéis líquidos e cargas gerais. O porto é o principal ponto de entrada de insumos importados para o PIM e o principal ponto de saída de produtos industrializados fabricados em Manaus para o mercado brasileiro e para exportação.

A navegação fluvial no Rio Amazonas é influenciada pela sazonalidade: na cheia (janeiro a junho), os níveis dos rios sobem entre 10 e 15 metros, permitindo a navegação de navios de grande calado. Na seca (julho a dezembro), os níveis caem significativamente, restringindo o calado máximo e exigindo planejamento cuidadoso das cargas.

Desafios de Transporte para o Sudeste

O principal gargalo logístico do Amazonas é o transporte de produtos industrializados para os centros consumidores do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais) e para os portos do Sul e Sudeste que conectam o Brasil aos mercados globais.

Existem duas rotas principais:

Rota Fluvial-Rodoviária (via Porto de Manaus → Belém → estrada): A carga sai de Manaus em balsas ou navios, desce o Rio Amazonas até Belém (aproximadamente 5 a 7 dias de navegação), e de Belém segue por rodovia (BR-316, BR-381) até o Sudeste (mais 3 a 5 dias de caminhão). O custo total é elevado e o prazo total chega a 12 a 15 dias até a entrega final.

Rota Fluvial-Rodoviária (via Porto de Manaus → Santarém → estrada): alternativa mais rápida, mas com infraestrutura rodoviária limitada (BR-163, BR-230 — Transamazônica). A carga desce o Rio Amazonas até Santarém (3 a 4 dias) e segue por caminhão até o Sudeste (mais 5 a 7 dias em estradas parcialmente pavimentadas).

Rota Exclusivamente Rodoviária (BR-319, BR-230, BR-364): ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho, e de Porto Velho para o restante do país. A BR-319 (Manaus-Porto Velho) está em condições precárias e grande parte não é pavimentada, tornando essa rota inviável para a maior parte dos produtos.

Esses gargalos logísticos elevam o custo do frete para o exportador amazonense em 20% a 35% em comparação com um exportador paulista ou paranaense. Empresas que utilizam o Mapa de Frete Marítimo da TRADEXA podem simular rotas alternativas, comparar custos e prazos entre diferentes combinações modais e identificar a solução logística mais eficiente para cada tipo de produto.

Bioeconomia e Produtos da Sociobiodiversidade

O Amazonas possui a maior floresta tropical preservada do planeta, com uma biodiversidade inestimável. Esse patrimônio natural gera oportunidades imensas para a bioeconomia — a produção de bens e serviços baseada em recursos biológicos renováveis, com valor agregado, inovação e sustentabilidade.

Produtos Florestais Não Madeireiros

Os principais produtos da sociobiodiversidade amazonense com potencial exportador incluem:

Açaí: a produção de açaí no Amazonas tem crescido rapidamente, impulsionada pela demanda global pelo superalimento. O município de Codajás, no Médio Solimões, é o maior produtor de açaí do estado. A fruta é processada na forma de polpa congelada, liofilizada ou em pó, e exportada para os Estados Unidos, Europa e Japão. A Associação dos Produtores de Açaí do Amazonas estima que a produção estadual ultrapasse 50 mil toneladas por ano.

Castanha-do-Brasil (castanha-do-pará): o Amazonas é o segundo maior produtor nacional de castanha-do-brasil, atrás apenas do Pará. A produção está concentrada nos municípios de Manicoré, Novo Aripuanã, Apuí e Lábrea. A castanha é exportada in natura (com casca), descascada e beneficiada para mercados como Estados Unidos, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.

Óleos Essenciais e Fitoterápicos: a Floresta Amazônica é uma farmácia natural. Óleos essenciais de copaíba, andiroba, pau-rosa, cumaru, breu-branco e priprioca são extraídos e processados por cooperativas e empresas locais. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Ocidental e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) desenvolvem pesquisas para agregar valor a esses produtos. Exportações de óleos essenciais amazonenses para os mercados de cosméticos naturais e farmacêuticos da Europa, Japão e Estados Unidos crescem a taxas de dois dígitos ao ano.

Borracha Natural: a borracha natural (látex) da Amazônia foi o motor econômico da região no final do século XIX e início do século XX. Embora a produção atual seja modesta em comparação com o boom da borracha, cresce o interesse por borracha nativa certificada e sustentável, especialmente para fabricação de pneus e artefatos de borracha de alta qualidade. O projeto Borracha Sustentável do Amazonas, coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), certifica produtores e agrega valor ao produto.

Piscicultura

A piscicultura é um setor em franca expansão no Amazonas. O tambaqui, o pirarucu e o matrinxã são as principais espécies criadas em cativeiro. A produção de pescado do Amazonas ultrapassou 20 mil toneladas em 2025, com potencial de crescimento de 15% ao ano. A exportação de pescado amazonense ainda é incipiente, mas há oportunidades nos mercados americano e europeu, especialmente para o pirarucu, conhecido como o "bacalhau da Amazônia".

Madeira e Móveis

O Amazonas possui uma indústria madeireira tradicional, mas que vem passando por transformações rumo à sustentabilidade. A produção de madeira certificada (FSC, CERFLOR) e de móveis de alta qualidade com design regional é uma aposta do estado. Empresas como a Tramontina e a Móveis Cimo têm plantas no Amazonas ou parcerias com produtores locais. A exportação de madeira serrada e móveis de madeira do Amazonas tem como principais destinos os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a Alemanha.

Desafios do Comércio Exterior Amazonense

Apesar do sucesso do modelo ZFM, o comércio exterior amazonense enfrenta desafios estruturais significativos.

Dependência de Insumos Importados

A indústria amazonense é fortemente dependente de insumos importados, especialmente da Ásia. Aproximadamente 70% dos componentes utilizados no PIM são importados, principalmente da China, Coreia do Sul, Taiwan e Japão. Essa dependência expõe o estado a riscos cambiais, geopolíticos e logísticos — como ficou evidente durante a pandemia de COVID-19, quando a ruptura das cadeias globais de suprimentos paralisou parcialmente a produção do PIM.

Conectividade e Custo Logístico

Como vimos, a logística do Amazonas é dominada pela hidrovia, mas a integração multimodal é limitada. Não há ferrovia ligando Manaus ao restante do país. As rodovias são precárias e parcialmente não pavimentadas. O custo do frete de Manaus para São Paulo é tipicamente 50% a 80% maior do que o frete de São Paulo para Manaus (devido ao desbalanceamento de cargas). Esse custo logístico elevado reduz a competitividade dos produtos amazonenses nos mercados nacional e internacional.

Infraestrutura Portuária

O Porto de Manaus opera no limite de sua capacidade. A modernização portuária é uma necessidade urgente, mas enfrenta restrições ambientais e fundiárias. O novo Porto da Amazonas (projeto da Autoridade Portuária da Amazônia) está em fase de licenciamento, mas sua conclusão ainda levará anos. Enquanto isso, o porto existente opera com gargalos de capacidade, atrasos e custos adicionais.

Custo Brasil e Burocracia

Como todo estado brasileiro, o Amazonas sofre com o "Custo Brasil": complexidade tributária, burocracia aduaneira, custo de capital elevado e infraestrutura deficiente. Empresas que utilizam o Diretório de Importadores com 3,8 milhões de empresas da TRADEXA conseguem identificar compradores internacionais qualificados e reduzir o ciclo de prospecção comercial. Já o Tarifário Global com 31 países permite que exportadores amazonenses calculem com precisão as tarifas de importação nos mercados-alvo, evitando surpresas tributárias e precificando corretamente seus produtos.

Desafios Ambientais e Regulatórios

A atuação na Amazônia exige conformidade com normas ambientais rigorosas. O desmatamento ilegal, a exploração predatória de recursos naturais e a falta de rastreabilidade são riscos que afetam a reputação dos produtos amazonenses no mercado internacional. A certificação de origem sustentável é cada vez mais um requisito, não um diferencial, para exportar para a União Europeia e para os Estados Unidos.

Oportunidades e Perspectivas

Bioeconomia como Diferencial Competitivo

A bioeconomia é, sem dúvida, a maior oportunidade de desenvolvimento sustentável do Amazonas. O estado pode se posicionar como fornecedor global de ingredientes, insumos e produtos acabados da sociobiodiversidade, atendendo à crescente demanda dos consumidores internacionais por produtos naturais, sustentáveis e com história.

Empresas que utilizam o Classificador NCM com IA da TRADEXA podem identificar com precisão a classificação fiscal correta para produtos da sociobiodiversidade — muitos dos quais têm classificação NCM complexa ou sujeita a interpretações divergentes entre o exportador e a Receita Federal. Um NCM incorreto pode resultar em multas, retenção de carga e perda de clientes.

Diversificação de Mercados

Tradicionalmente, as exportações amazonenses são concentradas em poucos mercados: Argentina, Colômbia, Venezuela e Estados Unidos, no caso de produtos industrializados; e União Europeia e Estados Unidos, no caso de produtos da sociobiodiversidade. Há oportunidades imensas em mercados como Oriente Médio, Sudeste Asiático e África, que demandam produtos tropicais, alimentos saudáveis e industrializados de qualidade.

A ferramenta Smart Rank da TRADEXA permite que o exportador amazonense classifique mercados-alvo por potencial de demanda, barreiras tarifárias, risco cambial, logística e concorrência, identificando os países com maior probabilidade de sucesso para cada produto.

Digitalização e Inteligência de Mercado

O comércio exterior moderno é movido a dados. Empresas que baseiam suas decisões em informações precisas — preços internacionais, volumes de importação, tarifas, logística, concorrência — têm muito mais chances de sucesso do que aquelas que atuam por intuição ou experiência passada.

A Trade Intelligence da TRADEXA fornece dashboards interativos com dados atualizados de comércio exterior, permitindo que exportadores e importadores amazonenses monitorem tendências, identifiquem oportunidades e tomem decisões estratégicas baseadas em fatos, não em achismos.

Conclusão

O Amazonas é um estado único no cenário do comércio exterior brasileiro. Seu modelo de desenvolvimento — a Zona Franca de Manaus — é ao mesmo tempo um caso de sucesso de política pública de desenvolvimento regional e um laboratório de inovação em incentivos fiscais, logística e integração produtiva.

O Polo Industrial de Manaus é uma das maiores concentrações industriais da América Latina e um dos principais centros produtores de eletrônicos, motocicletas e termoplásticos do Hemisfério Sul. A logística fluvial pelos rios Amazonas e Negro é um exemplo de adaptação ao ambiente natural, transformando desafios geográficos em vantagens competitivas.

Ao mesmo tempo, a bioeconomia amazonense representa uma fronteira de oportunidades praticamente inexplorada. Produtos da sociobiodiversidade como açaí, castanha-do-brasil, óleos essenciais e fitoterápicos têm mercado garantido nos países desenvolvidos, que cada vez mais valorizam produtos naturais, sustentáveis e com história de conservação ambiental.

Os desafios são reais — custo logístico elevado, dependência de insumos importados, infraestrutura portuária no limite, burocracia e Custo Brasil —, mas as ferramentas certas de inteligência de mercado podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma operação de comércio exterior.

A TRADEXA está comprometida em apoiar o desenvolvimento do comércio exterior amazonense, oferecendo as melhores ferramentas de inteligência de mercado disponíveis no Brasil. Seja você um industrial do PIM buscando insumos mais baratos, um produtor de açaí de Codajás querendo exportar para a Europa, ou um comerciante de Manaus interessado em importar componentes da Ásia, a TRADEXA tem as ferramentas que você precisa para tomar decisões informadas e maximizar seus resultados.

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