Comércio Brasil-Kiribati — Pesca e Atum

Guia completo de comércio entre Brasil e Kiribati: pesca de atum na ZEE de Kiribati, licenças de pesca, economia de copra e fosfato, logística no Pacífico Central, acordos PNA e oportunidades para exportadores brasileiros.

Publicado em 2026-06-29 | Atualizado em 2026-06-29 | TRADEXA Blog

Introdução

Quando se pensa em comércio exterior brasileiro, os primeiros destinos que vêm à mente são China, Estados Unidos, Argentina ou União Europeia. Mas e se disséssemos que um dos arquipélagos mais remotos do planeta — Kiribati, no coração do Pacífico Central — pode representar uma oportunidade singular para exportadores brasileiros nos próximos anos? Pode parecer improvável, mas Kiribati, com sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de 3,5 milhões de quilômetros quadrados, é um dos maiores players mundiais na pesca de atum e um mercado que merece a atenção de quem busca diversificação geográfica e acesso a cadeias globais de valor no setor pesqueiro.

Kiribati (pronuncia-se "kiribás") é um país composto por 33 atóis e ilhas de coral espalhados por uma área oceânica comparável à da Índia. Sua capital, Tarawa, abriga cerca da metade dos 130 mil habitantes do país. O PIB kiribatiano é modesto — cerca de US$ 250 milhões —, mas sua ZEE é a 12ª maior do mundo, rica em estoques de atum tropical (albacora, patudo e skipjack). As licenças de pesca vendidas a frotas estrangeiras — principalmente de China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Estados Unidos e União Europeia — representam mais de 45% da receita do governo kiribatiano.

Neste artigo, exploramos em profundidade as oportunidades de comércio e investimento entre Brasil e Kiribati, analisando o setor pesqueiro, a economia local, a logística no Pacífico Central, os acordos regionais como o Parties Nauru Agreement (PNA) e as possibilidades para exportadores brasileiros de carne bovina, carne de frango, açúcar, máquinas e equipamentos. Ao final, mostramos como as ferramentas de trade intelligence da TRADEXA — dados tarifários para 31 países, diretório com mais de 3,8 milhões de importadores e dashboards de inteligência comercial — podem apoiar sua estratégia de entrada nesse mercado singular.

Localização Estratégica no Pacífico Central

Kiribati ocupa uma posição geográfica única. O país está situado no centro do Oceano Pacífico, atravessado pela Linha Internacional de Data e pelo equador. Seu território inclui três grupos de ilhas: as Ilhas Gilbert (a oeste, onde fica a capital Tarawa), as Ilhas Fênix (centro) e as Ilhas da Linha (leste, incluindo Kiritimati, também conhecida como Ilha Christmas). Essa dispersão geográfica faz de Kiribati um dos países mais extensos longitudinalmente do mundo, com mais de 3.800 quilômetros de leste a oeste.

Do ponto de vista logístico, Kiribati não é um hub natural de comércio — diferentemente de Fiji, que serve como centro de distribuição regional. No entanto, sua localização no centro do Pacífico a torna estratégica para a pesca de atum. As águas ao redor de Kiribati estão entre as mais produtivas do mundo para o atum tropical, beneficiando-se de correntes oceânicas ricas em nutrientes e temperaturas tropicais estáveis.

O Pacífico Central é uma região de crescente importância geopolítica e econômica. A presença chinesa na região tem se intensificado, com investimentos em infraestrutura, ajuda ao desenvolvimento e acordos de pesca. Ao mesmo tempo, Austrália e Nova Zelândia mantêm forte influência, especialmente por meio de programas de cooperação para o desenvolvimento, assistência técnica e parcerias de segurança marítima. Para Kiribati, equilibrar essas relações é uma questão de soberania e sobrevivência econômica.

ZEE de 3,5 Milhões de km²: A Maior Riqueza Kiribatiana

A Zona Econômica Exclusiva de Kiribati é uma das maiores do mundo, cobrindo aproximadamente 3,5 milhões de quilômetros quadrados. Para efeito de comparação, é uma área oceânica maior que a Índia ou a Argentina. Essa vastidão oceânica abriga um dos estoques mais importantes de atum tropical do planeta, estimado em cerca de 60% do estoque total de atum skipjack do Oceano Pacífico Ocidental e Central.

O atum é o recurso natural mais valioso de Kiribati. As licenças de pesca concedidas a frotas estrangeiras geram entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões por ano para o governo kiribatiano, dependendo dos preços internacionais do atum e das condições dos acordos. Esse valor representa a esmagadora maioria da receita fiscal e orçamentária do país, tornando Kiribati extremamente dependente da gestão sustentável dos estoques pesqueiros.

A Comissão de Pesca do Pacífico Ocidental e Central (WCPFC) é o órgão regional que regula a pesca de atum na área, estabelecendo cotas, limites de esforço de pesca e medidas de conservação. Kiribati é membro ativo da WCPFC e também do Parties Nauru Agreement (PNA), um acordo sub-regional entre oito países insulares do Pacífico que coordena a gestão do atum skipjack e patudo. O PNA controla cerca de 50% do fornecimento global de atum skipjack, o que confere a seus membros — incluindo Kiribati — poder de mercado significativo nas negociações com as frotas pesqueiras.

Licenças de Pesca de Atum: Principal Fonte de Receita

O modelo de licenciamento de pesca de Kiribati é o principal mecanismo de geração de receita do país. As frotas estrangeiras — especialmente de China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Estados Unidos, Espanha e Filipinas — pagam taxas para ter acesso aos estoques de atum na ZEE kiribatiana. Os acordos são negociados anualmente ou por períodos plurianuais, com valores que flutuam conforme a demanda global por atum, os preços do mercado internacional e as condições de conservação dos estoques.

Em 2021, Kiribati introduziu o esquema de "licenças de dia de pesca" (vessel day scheme — VDS) em parceria com o PNA. Nesse sistema, cada navio compra um número determinado de dias de pesca na ZEE, com preços que variam conforme o tipo de embarcação, o tamanho e a temporada. O VDS trouxe mais transparência e previsibilidade para as receitas de pesca, além de incentivar a conservação ao limitar o esforço total de pesca.

Para o Brasil, o interesse nas licenças de pesca de Kiribati pode parecer distante, mas há conexões relevantes. A indústria brasileira de atum enlatado — concentrada em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Santos e Santa Catarina — importa atum congelado de diversas origens, incluindo Ásia e América Latina. A possibilidade de processamento de atum capturado na ZEE de Kiribati por empresas brasileiras, seja por meio de acordos de licenciamento direto ou parcerias com frotas estrangeiras, é uma avenida de negócios pouco explorada que merece atenção dos players brasileiros do setor.

Além disso, o Brasil possui uma indústria naval competitiva, com estaleiros especializados em embarcações de médio e grande porte. A construção e manutenção de navios de pesca para frotas que operam no Pacífico Central representa uma oportunidade de exportação de serviços e equipamentos para Kiribati e seus vizinhos regionais.

Copra e Fosfato: Os Recursos Tradicionais

Antes da descoberta do potencial pesqueiro do atum, a economia de Kiribati era baseada em dois produtos tradicionais: copra (a polpa seca do coco, da qual se extrai óleo) e fosfato. A copra ainda é produzida, principalmente em pequenas propriedades familiares nas ilhas mais remotas, e exportada para mercados regionais e europeus. No entanto, sua contribuição para o PIB kiribatiano é modesta, em torno de 2% a 3%, devido à baixa produtividade, à dificuldade de logística interilhas e à concorrência de óleos vegetais mais baratos de países como Indonésia e Malásia.

O fosfato foi a base da economia kiribatiana durante o período colonial. A ilha de Banaba (Ocean Island) foi intensamente minerada, principalmente por empresas britânicas e neozelandesas, até o esgotamento das reservas nas décadas de 1970 e 1980. A mineração de fosfato deixou um legado ambiental complexo e questões não resolvidas de compensação financeira para a população local. Hoje, o fosfato já não é exportado de Kiribati, mas a experiência kiribatiana com a exaustão de recursos não renováveis é uma lição valiosa sobre os riscos da dependência de commodities minerais.

Para exportadores brasileiros, a copra e o coco in natura de Kiribati não representam grandes ameaças nem oportunidades diretas. No entanto, o Brasil é um grande produtor mundial de coco e derivados, com expertise em processamento e agregação de valor que poderia ser transferida por meio de cooperação técnica ou joint ventures com produtores kiribatianos.

Tarawa: O Centro Político e Comercial

A capital Tarawa é o centro nevrálgico de Kiribati. Concentrada em um atol estreito e densamente povoado, Tarawa abriga aproximadamente 65 mil pessoas — metade da população total do país. É ali que se encontram o governo, os principais serviços públicos, o porto internacional de Betio, o aeroporto internacional de Bonriki e a maior parte da infraestrutura comercial do país.

O porto de Betio é o principal ponto de entrada de cargas em Kiribati. Recebe navios de carga de Fiji, Austrália, Nova Zelândia, China e Japão. A infraestrutura portuária é básica, com capacidade limitada para contêineres e carga geral. Navios de grande porte não conseguem atracar diretamente, operando com barcaças e embarcações menores para transbordo de cargas.

A logística em Tarawa apresenta desafios significativos: ruas estreitas, congestionamento frequente, falta de equipamentos modernos de movimentação de cargas e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, como tempestades e marés altas. Para o exportador brasileiro que deseja enviar produtos para Kiribati, a rota mais comum é via Fiji (Suva ou Lautoka), de onde feeder vessels fazem a conexão para Tarawa.

O aeroporto internacional de Bonriki recebe voos regulares de Fiji (Fiji Airways), Nauru (Nauru Airlines) e Ilhas Marshall, além de voos charter militares e humanitários. Para cargas de alto valor ou perecíveis, o transporte aéreo é uma opção, embora os custos sejam proibitivos para produtos de baixo valor agregado.

Mudanças Climáticas e Elevação do Mar: A Ameaça Existencial

Nenhuma análise sobre Kiribati estaria completa sem abordar as mudanças climáticas e a elevação do nível do mar. Kiribati é um dos países mais vulneráveis do mundo aos impactos climáticos. A altitude média do país é de apenas 2 metros acima do nível do mar, e a maioria dos atóis tem menos de 3 metros de elevação. A erosão costeira, a intrusão salina em aquíferos de água doce, o aumento da frequência e intensidade de tempestades e as marés altas extremas (king tides) são ameaças diárias para a população.

O governo kiribatiano, sob a liderança do ex-presidente Anote Tong e depois do presidente Taneti Maamau, tem sido uma voz ativa no cenário internacional sobre as mudanças climáticas. Kiribati lidera coalizões de países insulares e defende metas ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Em 2014, Kiribati comprou terras em Fiji (a propriedade de 2.000 hectares em Vanua Levu) como investimento estratégico para garantir a segurança alimentar e, potencialmente, a relocação de parte da população no futuro.

Essa situação de vulnerabilidade climática cria, paradoxalmente, oportunidades de cooperação e comércio para o Brasil. O Brasil tem expertise em energias renováveis (especialmente solar, eólica e biomassa), dessalinização de água, agricultura resiliente ao clima e construção civil adaptada a condições extremas. Empresas brasileiras desses setores podem encontrar em Kiribati um mercado para produtos e serviços de adaptação climática, financiados por fundos internacionais de mudanças climáticas, organizações multilaterais e programas de ajuda ao desenvolvimento.

Relações com China, Austrália e Nova Zelândia

A geopolítica do Pacífico Central é complexa e tem se intensificado nos últimos anos. Kiribati mantém relações diplomáticas e econômicas com três grandes potências extra-regionais: China, Austrália e Nova Zelândia. Cada uma dessas relações tem implicações diretas para as oportunidades comerciais do Brasil na região.

A China é o maior parceiro comercial individual de Kiribati, além de ser um dos maiores compradores de licenças de pesca. Em 2019, Kiribati rompeu relações diplomáticas com Taiwan e estabeleceu laços com a China continental, o que resultou em um fluxo significativo de investimentos chineses em infraestrutura: projetos de construção de estradas, melhorias portuárias, escolas, hospitais e sistemas de abastecimento de água. A China também fornece assistência técnica e treinamento para funcionários públicos kiribatianos. No entanto, há preocupações sobre a sustentabilidade da dívida kiribatiana e a dependência excessiva do financiamento chinês.

A Austrália é o principal parceiro de segurança e desenvolvimento de Kiribati. O programa de ajuda australiano (Australian Aid) financia projetos de infraestrutura, saúde, educação e resiliência climática em Kiribati. A Austrália também oferece treinamento militar e policial, além de assistência humanitária em desastres naturais. O Acordo de Biquini entre Austrália e Kiribati, assinado em 2023, ampliou a cooperação em segurança marítima, vigilância pesqueira e resposta a emergências.

A Nova Zelândia mantém um programa de cooperação focado em desenvolvimento sustentável, energias renováveis e gestão de recursos pesqueiros. A Nova Zelândia também é um importante parceiro educacional, com bolsas de estudo para kiribatianos em universidades neozelandesas.

Para o Brasil, essas relações sinalizam um ambiente de competição por influência que pode ser favorável à entrada de novos atores. O Brasil não compete diretamente com China, Austrália ou Nova Zelândia na oferta de ajuda ao desenvolvimento, mas pode se posicionar como parceiro comercial complementar, oferecendo produtos de qualidade a preços competitivos e tecnologia adaptada às condições tropicais.

Acordos PNA (Parties Nauru Agreement)

O Parties Nauru Agreement (PNA) é um acordo sub-regional que reúne oito países insulares do Pacífico: Kiribati, Nauru, Ilhas Marshall, Palau, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu e Fiji (como membro observador). Criado em 1982, o PNA coordena a gestão da pesca de atum skipjack e patudo na região, controlando o acesso de frotas estrangeiras às ZEEs de seus membros.

O PNA é responsável por cerca de 50% do fornecimento global de atum skipjack — a espécie mais capturada do mundo. Esse poder de mercado permitiu ao PNA implementar o Vessel Day Scheme (VDS), que estabelece um limite total de dias de pesca na região e vende as licenças por meio de um mercado administrado. O VDS trouxe mais transparência e previsibilidade para as receitas dos países membros, além de incentivar a conservação dos estoques.

Para o Brasil, o PNA é relevante porque define as regras de acesso aos estoques de atum na ZEE de Kiribati e em toda a região. Empresas brasileiras interessadas em processamento de atum, comércio de conservas ou parcerias com frotas estrangeiras precisam compreender as regras do PNA e as condições do VDS para avaliar a viabilidade de suas operações.

Além disso, o PNA tem promovido a agregação de valor local, incentivando o processamento de atum nos próprios países insulares, em vez da exportação de matéria-prima congelada. Kiribati, no entanto, ainda tem capacidade limitada de processamento, o que abre espaço para investimentos em infraestrutura de beneficiamento — uma área onde empresas brasileiras do setor alimentício podem ter vantagens comparativas.

Oportunidades para Exportação Brasileira

Apesar da distância geográfica e do pequeno tamanho do mercado kiribatiano, há oportunidades concretas para exportadores brasileiros em Kiribati. A pauta de importações de Kiribati é composta principalmente por alimentos, combustíveis, máquinas, equipamentos de construção, veículos, materiais de construção e bens de consumo manufaturados. Grande parte desses itens é atualmente fornecida por Austrália, Nova Zelândia, Fiji, China e Japão.

Carne Bovina e Carne de Frango

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina e carne de frango. Kiribati importa carne congelada de aves e bovinos principalmente da Austrália e da Nova Zelândia, mas os preços desses fornecedores tradicionais são elevados. A carne brasileira, reconhecida por sua qualidade e competitividade de preços, poderia encontrar espaço nesse mercado, especialmente se houver acordos sanitários e certificações adequadas.

A certificação sanitária é o principal desafio para a entrada de carne brasileira em Kiribati. O país segue os padrões de segurança alimentar da Austrália e Nova Zelândia, que são rigorosos. No entanto, com o devido processo de habilitação e certificação junto às autoridades kiribatianas e ao Ministério da Agricultura brasileiro, a carne brasileira pode ser uma alternativa competitiva.

Açúcar

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar. Kiribati importa açúcar refinado da Austrália, Tailândia e Fiji. O açúcar brasileiro, com preços competitivos e qualidade consistente, pode ser uma opção atraente para importadores kiribatianos. O volume de importação de açúcar de Kiribati é pequeno (alguns milhares de toneladas por ano), mas a regularidade e a fidelidade do fornecimento kiribatiano podem compensar o baixo volume.

Máquinas e Equipamentos

Kiribati está em processo de modernização de sua infraestrutura, com investimentos em estradas, portos, aeroportos, abastecimento de água e energia solar. O Brasil tem indústrias competitivas de máquinas e equipamentos para construção civil, agricultura, processamento de alimentos e geração de energia. Tratores, escavadeiras, geradores, painéis solares, equipamentos de irrigação e máquinas para beneficiamento de coco e pescado são itens com potencial de exportação.

Produtos da Biodiversidade Brasileira

Produtos únicos da biodiversidade brasileira — como açaí, castanha-do-pará, mel orgânico, guaraná, cachaça e cosméticos naturais — podem encontrar nichos em Kiribati, especialmente entre a pequena comunidade expatriada e turistas (embora o turismo em Kiribati seja incipiente). A singularidade e o apelo exótico desses produtos podem gerar demanda mesmo em mercados pequenos.

Logística no Pacífico Central: Como Chegar a Kiribati

A logística de exportação para Kiribati é um dos principais desafios. Não há rotas marítimas diretas do Brasil para Kiribati. A rota mais comum envolve o transporte do Brasil até um porto hub asiático (como Singapura, Hong Kong ou Xangai) ou australiano (Sydney, Melbourne ou Brisbane), e de lá um transbordo para um feeder service que atende o Pacífico Sul.

A alternativa mais prática é enviar a carga até Fiji, especificamente os portos de Suva ou Lautoka, e de lá utilizar serviços de cabotagem regional operados por empresas como a Pacific Direct Line (PDL) ou a Matson. Esses feeders conectam Fiji a Tarawa (Kiribati), Funafuti (Tuvalu), Majuro (Ilhas Marshall) e outros destinos do Pacífico Central e Sul.

Os prazos de trânsito são longos. Uma carga do Brasil para Kiribati pode levar de 40 a 60 dias, dependendo das conexões. Os custos de frete são elevados em comparação com rotas mais movimentadas, devido aos baixos volumes de carga, à baixa frequência de saídas e às limitações de infraestrutura portuária.

Para cargas de alto valor ou urgentes, o transporte aéreo via Fiji é uma opção, com voos de Nadi para Tarawa operados pela Fiji Airways. No entanto, o custo do frete aéreo para o Pacífico Central é extremamente alto, inviabilizando produtos de baixo valor agregado.

TRADEXA: Ferramentas de Trade Intelligence para Explorar Novos Mercados

A TRADEXA oferece um conjunto de ferramentas de inteligência comercial que podem apoiar o exportador brasileiro na prospecção de mercados como Kiribati. O diretório de importadores da TRADEXA, com mais de 3,8 milhões de empresas em 31 países, permite identificar potenciais compradores kiribatianos nos segmentos de alimentos, máquinas, equipamentos e bens de consumo.

Os dashboards de inteligência comercial da TRADEXA permitem analisar dados de comércio bilateral, fluxos de importação de Kiribati por NCM, tendências de demanda, sazonalidade e preços médios. Essas informações são essenciais para dimensionar o mercado, identificar concorrentes e definir estratégias de precificação.

O classificador NCM com IA da plataforma ajuda o exportador a classificar corretamente seus produtos nos códigos NCM/SH aplicáveis em Kiribati, evitando erros de classificação que podem resultar em multas, atrasos ou perda de mercadorias na alfândega kiribatiana.

O mapa de frete marítimo 3D da TRADEXA permite visualizar rotas, comparar tempos de trânsito e estimar custos de frete, ajudando o exportador a planejar a logística e avaliar a viabilidade econômica da operação antes de embarcar a mercadoria.

Barreiras e Desafios

Exportar para Kiribati não é tarefa simples. Os principais desafios incluem:

Tamanho do mercado: Com apenas 130 mil habitantes e PIB de US$ 250 milhões, Kiribati é um mercado minúsculo. As oportunidades são reais, mas os volumes de venda são limitados. É necessário ter expectativas realistas e tratar Kiribati como um nicho ou porta de entrada para a região do Pacífico Central, não como um destino de grande escala.

Distância e logística: A localização remota de Kiribati e a falta de rotas diretas elevam os custos logísticos e os prazos de entrega. Para produtos perecíveis, a logística é particularmente desafiadora.

Padrões sanitários e fitossanitários: Kiribati adota padrões baseados nos da Austrália e Nova Zelândia, que estão entre os mais rigorosos do mundo para produtos agropecuários. A certificação sanitária brasileira precisa ser reconhecida pelas autoridades kiribatianas, o que pode exigir negociações bilaterais e acordos de equivalência.

Capacidade de pagamento: O governo kiribatiano tem capacidade fiscal limitada, e o setor privado é pequeno e pouco diversificado. A dependência de receitas de licenças de pesca e de ajuda internacional torna a economia kiribatiana vulnerável a choques externos.

Concorrência regional: Austrália, Nova Zelândia e China têm presença consolidada em Kiribati, com vantagens logísticas, culturais e diplomáticas. O exportador brasileiro precisa competir em qualidade, preço e prazo de entrega.

Considerações Finais

Kiribati pode não ser o primeiro mercado que vem à mente quando se pensa em exportação para o Pacífico, mas as oportunidades existem para quem está disposto a explorar rotas menos óbvias. O setor pesqueiro — com sua ZEE de 3,5 milhões de km² e a posição de destaque no PNA — é o principal atrativo, mas as oportunidades vão além: carnes, açúcar, máquinas, equipamentos e produtos da biodiversidade brasileira podem encontrar espaço nesse mercado insular.

As mudanças climáticas, que representam uma ameaça existencial para Kiribati, também criam demandas por tecnologias de adaptação e resiliência nas quais o Brasil tem expertise consolidada. Energia solar, dessalinização, agricultura resiliente e construção costeira são áreas com potencial de cooperação e negócios.

A chave para o sucesso em Kiribati — como em qualquer mercado novo — é a preparação baseada em dados. As ferramentas de trade intelligence da TRADEXA — diretório de importadores, dashboards analíticos, classificador NCM com IA e mapa de frete — oferecem o suporte necessário para transformar a oportunidade kiribatiana em negócio concreto. Com planejamento, paciência e informação de qualidade, o exportador brasileiro pode transformar um dos países mais remotos do mundo em um destino promissor para sua estratégia de diversificação.

Conclusão

O comércio entre Brasil e Kiribati é um campo quase inexplorado, mas com potencial real em nichos específicos. A pesca de atum, com suas licenças e cadeia de processamento, é a âncora da economia kiribatiana e oferece oportunidades de integração para a indústria brasileira de conservas. As exportações de carne bovina, carne de frango, açúcar, máquinas e equipamentos podem atender à demanda kiribatiana atual, atualmente suprida por fornecedores regionais.

O Brasil, como potência agroindustrial e player global em comércio exterior, tem todas as condições de se beneficiar desse mercado. Kiribati, por sua vez, pode encontrar no Brasil um parceiro comercial confiável e competitivo, diversificando suas fontes de abastecimento e reduzindo sua dependência de poucos fornecedores.

Para o exportador brasileiro, Kiribati representa mais que um mercado: é uma janela para o Pacífico Central, uma região de crescente importância geopolítica e econômica. Quem chegar primeiro, com informação de qualidade e estratégia bem definida, colherá os frutos de uma posição pioneira em uma das fronteiras mais fascinantes do comércio global.