Exportação de Chá Mate do Brasil: Oportunidades no Mercado Global

Guia completo sobre a exportação de chá mate do Brasil: produção, tipos, classificação NCM, certificações, principais mercados compradores e tendências.

Publicado em 2026-06-28 | Atualizado em 2026-06-28 | TRADEXA Blog

Exportação de Chá Mate do Brasil: Oportunidades no Mercado Global

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de chá mate (erva-mate), uma bebida que transcende fronteiras e conquista cada vez mais consumidores ao redor do globo. Da tradição do chimarrão gaúcho ao tereré paraguaio, do chá mate gelado vendido em supermercados norte-americanos aos extratos concentrados utilizados pela indústria alimentícia europeia, a versatilidade da erva-mate brasileira abre portas para um mercado global em franca expansão. Este guia completo oferece ao exportador todas as informações necessárias para explorar as oportunidades internacionais do chá mate brasileiro.

A Produção Brasileira de Erva-Mate: Cenário Atual

O Brasil é líder mundial na produção de erva-mate (Ilex paraguariensis), com uma produção anual que ultrapassa 500 mil toneladas, concentrada principalmente nos estados do Sul do país. O Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 60% da produção nacional, seguido por Santa Catarina (25%) e Paraná (12%). A região Sul concentra as condições ideais de clima e solo para o cultivo da espécie, combinando altitudes entre 400 e 1.000 metros, temperaturas amenas e precipitação bem distribuída ao longo do ano.

A produção brasileira de erva-mate está organizada em cerca de 180 mil propriedades rurais, a maioria de agricultura familiar. O cultivo é predominantemente realizado em sistemas agroflorestais, com a erva-mate cultivada à sombra de árvores nativas como a araucária, a bracatinga e o pinheiro-brasileiro. Esse sistema de produção confere à erva-mate brasileira características sensoriais únicas e está alinhado com as demandas globais por sustentabilidade e rastreabilidade.

O processamento industrial da erva-mate envolve etapas como a colheita das folhas (manual ou mecanizada), o sapeco (exposição rápida ao fogo para inativar enzimas e fixar a cor verde), a secagem (em secadores rotativos ou de esteira), a cancheação (trituração grossa), o armazenamento em câmaras de estufa (maturação controlada) e a moagem final para obtenção do produto nos diferentes formatos de comercialização.

Nos últimos anos, a produção brasileira de erva-mate tem passado por uma transformação significativa. A entrada de novas tecnologias de secagem e processamento, o desenvolvimento de variedades clonais mais produtivas e resistentes, e a expansão do cultivo para novas regiões (como o sul de Minas Gerais e o Centro-Oeste) têm elevado a produtividade e a qualidade da erva-mate brasileira.

O consumo interno brasileiro de erva-mate é elevado, especialmente na forma de chimarrão, estimado em mais de 300 mil toneladas anuais. No entanto, a produção nacional supera a demanda interna, gerando um excedente exportável que coloca o Brasil como o maior exportador global de erva-mate e chá mate. Cerca de 15% a 20% da produção brasileira é destinada ao mercado externo, com potencial significativo de crescimento.

Para o exportador brasileiro, compreender a cadeia produtiva, a sazonalidade da safra (a colheita concentra-se entre abril e setembro) e as variações de qualidade entre as regiões produtoras é fundamental para planejar a oferta e atender às exigências dos compradores internacionais. O classificador NCM da TRADEXA permite ao exportador de erva-mate identificar a classificação fiscal correta de cada tipo de produto e planejar sua operação de exportação com segurança.

Tipos de Chá Mate e Classificação NCM

A erva-mate pode ser comercializada em diferentes formatos, cada um com aplicações específicas e classificação NCM própria. O conhecimento dessas classificações é essencial para o correto enquadramento tarifário e o cumprimento das exigências regulatórias de cada país importador.

NCM 2101.20.10 — Extratos, essências e concentrados de chá mate: esta classificação abrange os extratos concentrados de erva-mate, utilizados como ingredientes pela indústria de bebidas e alimentos. O extrato de chá mate é produzido por processos de extração aquosa ou hidroalcoólica, seguidos de concentração por evaporação para obtenção de um produto com alto teor de sólidos solúveis. É amplamente utilizado na formulação de refrigerantes à base de chá mate (como o tradicional mate gelado), bebidas energéticas, isotônicos, suplementos alimentares e produtos de panificação e confeitaria.

NCM 2101.20.20 — Preparações alimentícias à base de extratos, essências ou concentrados de mate: esta classificação inclui bebidas prontas para consumo à base de chá mate, como o mate gelado engarrafado, as versões em lata e as bebidas prontas em pó para diluição. O produto brasileiro mais conhecido neste segmento é o mate gelado com limão ou pêssego, que tem forte presença no mercado doméstico e crescente aceitação no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

NCM 2101.20.90 — Outras preparações à base de extratos, essências ou concentrados de mate: esta classificação residual abrange produtos como tabletes ou cápsulas de extrato seco de chá mate para suplementação, granulados para preparo de bebidas, e preparações com adição de outros ingredientes como gengibre, hortelã, limão, stevia ou açúcar.

Além destas classificações do Capítulo 21, a erva-mate também pode ser classificada em outras posições NCM dependendo de sua apresentação:

NCM 1211.90.90 — Plantas e partes de plantas para usos farmacêuticos ou alimentícios: esta classificação pode ser aplicada à erva-mate seca e moída destinada à produção de chás medicinais ou suplementos fitoterápicos, dependendo da alegação de uso e da composição.

NCM 0903.00.00 — Mate: o Capítulo 9 da NCM, que abrange chás e especiarias, inclui a classificação específica para a erva-mate (Ilex paraguariensis) em suas diferentes formas de apresentação. Esta NCM é a mais utilizada para a exportação de erva-mate para chimarrão, erva-mate para tereré, erva-mate solúvel (instantânea) e chá mate em sachês. É importante destacar que a NCM 0903.00.00 é específica para o mate, enquanto outros chás (preto, verde, branco, oolong) têm NCM 0902.

A correta classificação NCM da erva-mate e seus derivados depende de fatores como o grau de processamento, a finalidade de uso e a composição do produto final. Um erro na classificação pode resultar em alíquota de imposto de importação incorreta no país de destino, aplicação de barreiras não tarifárias indevidas e retenção da carga na alfândega. O classificador NCM da TRADEXA oferece ao exportador de chá mate a segurança de uma classificação precisa, com acesso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e a jurisprudência da Receita Federal sobre o tema.

Certificações e Requisitos Sanitários para Exportação de Chá Mate

A exportação de chá mate e erva-mate está sujeita a requisitos sanitários e certificações que variam conforme o país de destino e o tipo de produto (in natura, processado, extrato, bebida pronta).

Para a erva-mate destinada ao consumo como chimarrão ou tereré, os principais requisitos sanitários no Brasil são estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio da Instrução Normativa nº 5/2012, que define os padrões de identidade e qualidade da erva-mate. A erva-mate deve atender a parâmetros microbiológicos (ausência de Salmonella, limites para bolores e leveduras, coliformes), físico-químicos (teor de umidade máximo de 10%, teor de cinzas, teor de cafeína mínimo de 0,5%) e sensoriais (cor, aroma e sabor característicos).

O MAPA também fiscaliza a presença de resíduos de agrotóxicos. A erva-mate deve cumprir os limites máximos de resíduos (LMR) estabelecidos pela ANVISA para a cultura. Para exportação, o produto deve atender tanto aos limites brasileiros quanto aos do país importador, que podem ser mais rigorosos.

O certificado fitossanitário é emitido pelo MAPA por meio do Sistema de Certificação Fitossanitária (SISCOF) e é obrigatório para todas as exportações de erva-mate in natura ou minimamente processada. O certificado atesta que o produto está livre de pragas quarentenárias e que atende aos requisitos fitossanitários do país importador.

Para extratos e concentrados de chá mate, a competência regulatória é compartilhada entre MAPA (quando o produto é classificado como alimento ou bebida) e ANVISA (quando o produto é classificado como suplemento alimentar ou fitoterápico). A RDC nº 727/2022 da ANVISA estabelece os requisitos para suplementos alimentares, incluindo aqueles à base de chá mate.

Para o chá mate orgânico, o exportador precisa obter certificação de entidades acreditadas pelo MAPA e reconhecidas pelo mercado de destino. As principais certificações orgânicas aceitas internacionalmente incluem o selo Orgânico Brasil (MAPA), o IBD (Instituto Biodinâmico) e a ECOCERT. O chá mate orgânico certificado alcança prêmios de 20% a 40% sobre o produto convencional.

A certificação de comércio justo (Fair Trade), embora menos comum para chá mate do que para café e cacau, está ganhando relevância, especialmente para o mercado europeu e norte-americano. A certificação Fair Trade atesta que o produto foi produzido sob condições sociais e ambientais adequadas, com pagamento de preço mínimo e prêmio para investimento comunitário.

Além das certificações de origem, o chá mate exportado para determinados mercados pode exigir certificações específicas:

Para os Estados Unidos, a FDA exige que o estabelecimento produtor seja registrado no sistema FURLS (Food Facility Registration) e que o produto atenda aos requisitos da FSMA (Food Safety Modernization Act), incluindo análise de perigos, controles preventivos e plano de segurança alimentar. O chá mate importado para os EUA está sujeito a inspeção e coleta de amostras pela FDA.

Para a União Europeia, o chá mate deve atender ao Regulamento (CE) nº 834/2007 (para orgânicos) e ao Regulamento (UE) nº 1169/2011 (rotulagem de alimentos). O importador europeu é responsável pela notificação do produto no RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed). A União Europeia tem LMRs rigorosos para agrotóxicos em erva-mate, que frequentemente são inferiores aos limites brasileiros.

Para a Ásia, especialmente Japão e Coreia do Sul, os requisitos fitossanitários são rigorosos, com exigência de testes laboratoriais para resíduos de agrotóxicos e metais pesados. O Japão exige que o produto seja submetido a quarentena e análise no porto de entrada.

O exportador brasileiro pode contar com o diretório de certificações da TRADEXA para identificar exatamente quais certificações são exigidas em cada mercado, quais entidades certificadoras são reconhecidas e como obter cada selo de qualidade.

Principais Mercados Compradores de Chá Mate Brasileiro

O chá mate brasileiro é exportado para mais de 40 países, com destaque para os seguintes mercados:

O Uruguai é o maior comprador individual de erva-mate brasileira, importando aproximadamente 40% de todo o chá mate exportado pelo Brasil. O chimarrão é a bebida nacional do Uruguai, com consumo per capita superior a 10 kg/ano. A erva-mate uruguaia é tradicionalmente mais moída e com características sensoriais específicas (sabor mais suave, menor teor de cinzas). O mercado uruguaio é maduro, competitivo e extremamente sensível à qualidade e à consistência do produto.

A Argentina é o segundo maior mercado para a erva-mate brasileira, embora o país seja também um grande produtor. A Argentina importa erva-mate brasileira principalmente para complementar a produção local, especialmente em anos de safra reduzida. O mercado argentino é protegido por barreiras tarifárias e não tarifárias que favorecem a produção local, mas o acordo do Mercosul garante preferência tarifária para o produto brasileiro.

Os Estados Unidos são o maior mercado para chá mate processado e bebidas prontas à base de mate. O consumo de chá mate nos EUA cresce a taxas superiores a 10% ao ano, impulsionado pela busca por alternativas saudáveis ao café e aos refrigerantes. O chá mate gelado brasileiro, especialmente as marcas como Mate Leão e Chimarrão, já tem presença consolidada em supermercados e lojas de conveniência americanas.

A União Europeia — com destaque para Alemanha, Países Baixos, França, Espanha, Itália e Reino Unido — é um mercado estratégico para o chá mate brasileiro. A Europa importa tanto a erva-mate tradicional para preparo de chimarrão (consumido pela comunidade sul-americana residente) quanto extratos e concentrados para a indústria de bebidas. A tendência de consumo de bebidas funcionais e saudáveis na Europa favorece o chá mate, que é rico em antioxidantes, vitaminas do complexo B e minerais.

O Oriente Médio, especialmente a Síria e o Líbano, são mercados tradicionais para a erva-mate brasileira. A comunidade síria e libanesa tem forte tradição de consumo de chimarrão, introduzido pelos imigrantes que retornaram ou mantiveram vínculos culturais com a América do Sul. A erva-mate exportada para o Oriente Médio é geralmente do tipo "chimarrão", com moagem fina e sabor mais intenso.

O Japão é um mercado promissor para o chá mate brasileiro. O país tem uma cultura milenar de consumo de chá verde e está aberto a novas variedades de chá com benefícios funcionais. O chá mate brasileiro, rico em terpenos e polifenóis, tem potencial no mercado japonês de chás especiais e bebidas saudáveis.

A Coreia do Sul, com sua indústria cosmética e de bebidas funcionais, é outro mercado emergente para extratos de chá mate. O extrato de erva-mate é utilizado na formulação de cosméticos (devido às propriedades antioxidantes e estimulantes da cafeína) e de bebidas energéticas e suplementos.

Para cada mercado, o exportador precisa conhecer as alíquotas de importação, os acordos preferenciais, as barreiras não tarifárias e a documentação específica. O tarifário 31 países da TRADEXA consolida todas essas informações em uma única plataforma, permitindo ao exportador simular custos totais de exportação, comparar tarifas entre diferentes destinos e identificar quais mercados oferecem as melhores margens para cada tipo de produto de chá mate.

Processo de Produção e Controle de Qualidade

A qualidade do chá mate brasileiro é determinada por um conjunto de fatores que começam no campo e se estendem até o processamento industrial. O exportador que domina esses aspectos consegue ofertar um produto superior e conquistar prêmios de qualidade no mercado internacional.

A colheita das folhas de erva-mate é realizada entre os meses de abril e setembro, período de menor teor de água nas folhas, o que resulta em maior concentração de compostos bioativos. A colheita manual, tradicional na agricultura familiar, permite a seleção das melhores folhas e ramos. A colheita mecanizada é mais rápida e eficiente, mas exige ajustes para minimizar a quebra das folhas.

O sapeco é a primeira etapa do processamento pós-colheita. As folhas são expostas a temperaturas de 300°C a 400°C por 30 a 60 segundos, o que inativa as enzimas oxidativas (polifenoloxidase e peroxidase) e fixa a cor verde característica da erva-mate. O sapeco inadequado resulta em folhas oxidadas (escurecidas) e perda de qualidade.

A secagem é realizada em secadores rotativos ou de esteira, com temperaturas controladas entre 80°C e 120°C, até que as folhas atinjam teor de umidade entre 4% e 6%. A secagem lenta e em temperaturas mais baixas preserva melhor os compostos voláteis responsáveis pelo aroma e sabor do chá mate.

A cancheação é a trituração grossa das folhas secas, que as transforma em partículas de tamanho variado. Para o chimarrão, a moagem deve ser fina, com partículas entre 0,5 mm e 2,0 mm. Para o chá mate em sachês, a moagem é mais grossa, para permitir a infusão. Para o tereré, a moagem é similar à do chimarrão, porém com adição de ervas aromáticas como hortelã, boldo e carqueja.

O armazenamento em câmaras de estufa é uma etapa opcional, mas muito valorizada para a produção de erva-mate de alta qualidade. As folhas cancheadas são armazenadas em câmaras com temperatura controlada (30°C a 40°C) e umidade relativa controlada por 6 a 12 meses. Esse processo de maturação melhora as características sensoriais da erva-mate, suavizando o sabor e desenvolvendo notas aromáticas complexas.

O controle de qualidade na indústria de erva-mate inclui análises de:

Composição centesimal: teor de umidade, cinzas, fibras, proteínas, gorduras e carboidratos.

Teor de cafeína: a erva-mate brasileira tem teor de cafeína entre 0,5% e 2,0%, superior ao do chá verde (2-4%) e inferior ao do café (1-2%).

Compostos bioativos: teores de polifenóis (ácido clorogênico, rutina, quercetina), saponinas, terpenos e xantinas (teobromina, teofilina).

Análise microbiológica: Salmonella (ausente em 25g), bolores e leveduras (máximo 10³ UFC/g), coliformes a 45°C (máximo 10² UFC/g), Bacillus cereus (máximo 10³ UFC/g).

Análise sensorial: equipe de provadores treinados avalia cor, aroma, sabor e textura da infusão.

Análise de resíduos de agrotóxicos: a erva-mate está sujeita a monitoramento de mais de 200 princípios ativos pela ANVISA e pelos órgãos reguladores dos países importadores.

Para o exportador que deseja garantir a qualidade e a conformidade do seu produto, a TRADEXA oferece conexão com laboratórios de análise credenciados e consultores especializados em controle de qualidade e segurança alimentar.

Logística e Embalagem para Exportação de Chá Mate

A logística de exportação do chá mate apresenta particularidades que o exportador precisa conhecer para preservar a qualidade do produto e garantir sua aceitação no mercado de destino.

A erva-mate é um produto higroscópico, ou seja, absorve umidade do ambiente com facilidade. A exposição à umidade elevada pode reidratar as folhas, favorecendo o crescimento de fungos e a perda de qualidade. Por isso, a embalagem primária deve ser hermética, com barreira de vapor d'água.

Os tipos de embalagem mais comuns para exportação de erva-mate e chá mate são:

Sacos de papel kraft multilaminados com barreira de alumínio: utilizados para erva-mate a granel, com capacidade de 25 kg a 50 kg. A camada de alumínio protege contra umidade, luz e oxigênio.

Sacos de polipropileno tecido com laminado PE: mais econômicos, utilizados para produtos de menor valor agregado. Oferecem boa resistência mecânica, mas menor proteção contra umidade.

Embalagens a vácuo: utilizadas para erva-mate premium e chá mate orgânico. A remoção do ar retarda a oxidação e preserva o aroma.

Sachês individuais (triplex ou piramidais): para chá mate em sachês, o material deve ser filtrante e a embalagem externa deve proteger contra umidade e luz.

A embalagem secundária (caixas de papelão ondulado) deve ser dimensionada para otimizar o espaço no contêiner e suportar o empilhamento durante o transporte. Para o transporte marítimo, recomenda-se o uso de paletes PBR (Padrão Brasil) ou europaletes, com altura máxima de 1,80 m.

A rotulagem deve atender aos requisitos do país importador. A erva-mate para chimarrão ou tereré geralmente é comercializada com a marca do importador, que define o design da embalagem. Para o chá mate em sachês, a rotulagem deve incluir informações nutricionais, ingredientes, modo de preparo, data de validade, lote e CNPJ do fabricante brasileiro.

Os modais de transporte mais utilizados para chá mate brasileiro são:

O transporte marítimo é o mais utilizado, tanto para contêineres secos (dry containers) para erva-mate a granel e embalada, quanto para contêineres refrigerados (reefer) quando o produto exige controle de temperatura. Os principais portos de exportação são Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Santos (SP). O Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, é o mais importante para a erva-mate, por sua proximidade com as principais regiões produtoras.

O transporte rodoviário é utilizado para exportações para Uruguai, Argentina e Paraguai. O modal rodoviário é rápido (2 a 5 dias para entrega) e flexível para volumes menores. A erva-mate para o mercado uruguaio é frequentemente transportada em caminhões graneleiros, a granel, e ensacada no destino.

O transporte aéreo é utilizado apenas para amostras, reposições urgentes e produtos de alto valor agregado, como extratos concentrados e suplementos alimentares, devido ao custo elevado.

Tendências e Oportunidades no Mercado Global de Chá Mate

O mercado global de chá mate está passando por transformações que criam oportunidades inéditas para o exportador brasileiro.

A primeira grande tendência é o crescimento do mercado de bebidas funcionais e saudáveis. Consumidores em todo o mundo estão migrando de refrigerantes e bebidas açucaradas para alternativas mais saudáveis, como chás prontos para consumo, bebidas à base de plantas e bebidas com alegações funcionais. O chá mate, rico em antioxidantes, cafeína natural, vitaminas e minerais, está perfeitamente posicionado para atender a essa demanda. O mercado global de chá pronto para consumo (ready-to-drink) cresce a taxas superiores a 8% ao ano.

A segunda tendência é a valorização de ingredientes naturais e sustentáveis. A erva-mate brasileira, produzida em sistemas agroflorestais e com baixo impacto ambiental, atende aos critérios de sustentabilidade cada vez mais exigidos por consumidores e regulamentações em mercados desenvolvidos. Certificações como orgânico, Fair Trade e carbono neutro são diferenciais competitivos que abrem portas em mercados premium.

A terceira tendência é a inovação em produtos derivados de chá mate. Extratos concentrados para a indústria de bebidas, ingredientes para cosméticos (devido às propriedades antioxidantes e estimulantes da cafeína), suplementos alimentares em cápsulas, pós para smoothies e shakes proteicos, e até mesmo infusões para coquetéis e drinks não alcoólicos (mocktails) são aplicações que expandem o mercado potencial da erva-mate.

A quarta tendência é o crescimento do mercado de chá mate premium e de origem. Assim como ocorreu com o café especial e o chocolate bean-to-bar, o chá mate de alta qualidade, com origem rastreável, perfil sensorial único e história de produção sustentável, está conquistando um nicho de consumidores dispostos a pagar prêmios significativos. A erva-mate produzida em sistemas agroflorestais na região dos Aparados da Serra (RS), no Planalto Norte Catarinense e no Centro-Sul Paranaense tem características sensoriais que a diferenciam da erva-mate commodity.

A quinta tendência é a digitalização do comércio internacional de chá mate. Plataformas de e-commerce B2B como Alibaba.com, Amazon Business e Mercado Livre estão facilitando a conexão direta entre produtores brasileiros e compradores internacionais, reduzindo a dependência de intermediários e aumentando as margens do exportador.

Para navegar todas essas oportunidades, o exportador de chá mate conta com o ecossistema de ferramentas da TRADEXA. O classificador NCM permite classificar corretamente a erva-mate e seus derivados, evitando erros de enquadramento tarifário. O tarifário 31 países oferece simulação de custos e comparação de alíquotas entre mercados em segundos. O diretório de importadores conecta o exportador a compradores qualificados, desde grandes indústrias de bebidas até importadores especializados em produtos naturais. E o Smart Rank utiliza inteligência artificial para ranquear os melhores mercados para cada tipo de produto de chá mate, considerando demanda, concorrência, tarifas, barreiras e logística.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre erva-mate para chimarrão e chá mate para infusão?

A erva-mate para chimarrão é produzida com folhas e ramos finamente moídos, apresentando coloração verde-escura e partículas de tamanho entre 0,5 mm e 2,0 mm. É preparada com água quente (70°C a 80°C) em cuia de porongo e bomba (bomba de chimarrão). O chá mate para infusão, também conhecido como chá mate tradicional, é produzido com folhas inteiras ou grosseiramente trituradas, sem a presença de galhos ou poeira, e é preparado como um chá comum, em infusão por 3 a 5 minutos em água quente. O chá mate em sachês é a versão industrializada para infusão rápida, similar ao chá preto ou chá verde em sachês.

Quais os principais documentos exigidos para exportar erva-mate para o Uruguai?

Para exportar erva-mate para o Uruguai, os documentos exigidos incluem: Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Declaração Única de Exportação (DU-E) no SISCOMEX, conhecimento de embarque (marítimo ou rodoviário), fatura comercial em espanhol ou inglês, packing list, certificado de origem do Mercosul (Formulário A), certificado fitossanitário emitido pelo MAPA, declaração de análise do produto (com informações de umidade, cinzas, cafeína e granulometria), e rótulo com informações do importador e do fabricante. O Uruguai tem tarifa zero para erva-mate brasileira devido ao acordo do Mercosul.

Como obter a certificação orgânica para chá mate?

A certificação orgânica para chá mate é obtida por meio de entidades certificadoras acreditadas pelo MAPA, como o IBD (Instituto Biodinâmico), a ECOCERT Brasil e a IMO Control. O processo inclui: adequação da propriedade e do processo produtivo às normas da Lei nº 10.831/2003 e do Decreto nº 6.323/2007, que regulamentam a produção orgânica no Brasil; contratação de uma certificadora acreditada; auditoria inicial (incluindo vistoria à propriedade e à indústria); análise de solo, água e produto; e emissão do certificado. Para exportação, o certificado orgânico brasileiro deve ser aceito pelo país importador. Para a União Europeia, o certificado deve atender ao Regulamento (CE) nº 834/2007. Para os Estados Unidos, ao USDA Organic. O selo Orgânico Brasil (SisOrg) é o certificado oficial brasileiro e é reconhecido pela União Europeia desde 2022.

Qual o prazo de validade da erva-mate para exportação?

A erva-mate, quando adequadamente processada (teor de umidade entre 4% e 6%) e embalada em condições herméticas (com barreira de alumínio e vácuo), mantém sua qualidade por 18 a 24 meses. Após aberta a embalagem, a erva-mate deve ser consumida em até 3 meses para preservar o aroma e o sabor. Fatores que aceleram a perda de qualidade incluem: exposição à umidade (que reidrata as folhas e favorece fungos), exposição à luz (que degrada a clorofila e os polifenóis), exposição ao oxigênio (que oxida os compostos aromáticos) e temperaturas acima de 30°C (que aceleram reações de degradação).

Quais os benefícios funcionais do chá mate que podem ser usados no marketing internacional?

O chá mate é rico em compostos bioativos com benefícios cientificamente comprovados que podem ser utilizados no marketing internacional. A cafeína do mate (mateína) estimula o sistema nervoso central, melhora o foco e a concentração, com menor incidência de efeitos colaterais (ansiedade, taquicardia) do que a cafeína do café. Os polifenóis (ácido clorogênico, rutina, quercetina) são antioxidantes potentes que neutralizam radicais livres e previnem o envelhecimento celular. As saponinas têm ação anti-inflamatória e moduladora do sistema imunológico. As vitaminas do complexo B (B1, B2, B3, B5) auxiliam no metabolismo energético. Os minerais (potássio, magnésio, manganês, zinco) contribuem para o equilíbrio eletrolítico e a saúde óssea. O chá mate também contém teobromina e teofilina, xantinas com ação broncodilatadora e estimulante cardíaca. Estudos clínicos publicados no Journal of Agricultural and Food Chemistry e no Journal of Ethnopharmacology comprovam esses benefícios, que podem ser citados em materiais de marketing e rotulagem funcional, conforme a legislação do país importador.