BRICS — Desdolarização

Análise completa da iniciativa dos BRICS por alternativas de pagamento: impacto da desdolarização, BRICS Pay e perspectivas para exportadores brasileiros.

Publicado em 2026-06-30 | Atualizado em 2026-06-30 | TRADEXA Blog

O Contexto da Desdolarização no Comércio Global

Nas últimas décadas, o dólar americano tem sido a moeda dominante no comércio internacional, funcionando como principal reserva de valor, meio de pagamento e unidade de conta para transações globais. Estima-se que cerca de 88% das transações cambiais internacionais envolvam o dólar de um lado, e aproximadamente 60% das reservas internacionais dos bancos centrais ainda estão denominadas em dólares americanos. No entanto, esse cenário vem mudando gradualmente, impulsionado por fatores geopolíticos, econômicos e estratégicos que estão redesenhando a arquitetura financeira global.

A iniciativa dos BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, agora expandido com a inclusão de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e Etiópia — de criar mecanismos alternativos ao dólar para o comércio entre seus membros representa um dos movimentos mais significativos nessa direção. Para o Brasil, que mantém relações comerciais intensas com praticamente todos os membros do bloco, a evolução desse processo tem implicações diretas e profundas.

A desdolarização não significa, como alguns analistas apressados sugerem, o fim imediato da hegemonia do dólar. Trata-se de um processo gradual de diversificação de moedas e mecanismos de pagamento que reduz a dependência de uma única moeda nacional para as transações internacionais. Para países como o Brasil, a possibilidade de comercializar em moedas locais — reais, yuans, rúpias, rands — pode representar economia significativa em custos de conversão cambial, redução da exposição a flutuações do dólar e maior previsibilidade nas operações de comércio exterior.

O movimento de desdolarização ganhou força particularmente após as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia à Rússia em 2022, que congelaram reservas internacionais russas e cortaram o acesso ao sistema SWIFT. Esse episódio demonstrou que a dependência do dólar e do sistema financeiro ocidental representa um risco geopolítico real para países que podem, em algum momento, entrar em rota de colisão com os interesses americanos. Como consequência, China, Rússia e outros países aceleraram seus esforços para construir alternativas viáveis.

Neste artigo, analisamos em profundidade a iniciativa dos BRICS por uma nova moeda ou mecanismo de pagamento, o impacto da desdolarização para o Brasil, as alternativas em desenvolvimento e como os profissionais de comércio exterior podem se preparar para esse novo cenário utilizando ferramentas como o Classificador NCM da TRADEXA, o Tarifário Global, o Diretório de Importadores e o Smart Rank para identificar oportunidades nesse ambiente em transformação.

A Iniciativa dos BRICS por uma Nova Moeda

Histórico e Contexto

A discussão sobre uma moeda comum dos BRICS não é nova. Já na cúpula de 2014, em Fortaleza, os líderes do bloco discutiram a criação de mecanismos financeiros alternativos, resultando no estabelecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com sede em Xangai, e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), um fundo de reservas mútuas de US$ 100 bilhões para fornecer liquidez em momentos de crise.

No entanto, foi apenas a partir de 2022 que a ideia de uma moeda comum ou de mecanismos de pagamento alternativos ganhou tração real. Durante a cúpula de 2023, em Joanesburgo, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente a criação de uma moeda comum para o comércio entre os países do BRICS, afirmando que "é preciso criar alternativas ao dólar no comércio internacional".

Em 2024, durante a cúpula de Kazan, na Rússia, o bloco deu passos mais concretos, discutindo a criação de um sistema de pagamentos baseado em blockchain e moedas digitais, além de mecanismos para aumentar o uso de moedas locais no comércio bilateral e multilateral entre os membros.

O Conceito da Moeda Comum

É importante distinguir dois conceitos que frequentemente são confundidos: moeda comum e mecanismo de pagamento alternativo. Uma moeda comum — como o euro para a União Europeia — exigiria uma integração econômica e política muito mais profunda do que os BRICS demonstram atualmente. O bloco reúne países com políticas monetárias, fiscais e cambiais muito diversas, sem uma autoridade central capaz de gerenciar uma moeda única.

O que está efetivamente em discussão é algo mais próximo de uma "unidade de conta comum" para transações comerciais, lastreada em uma cesta de moedas dos países-membros, similar ao Direito Especial de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas operacionalizada pelos próprios BRICS. Essa unidade de conta facilitaria a liquidação de transações comerciais sem a necessidade de conversão para o dólar, reduzindo custos e riscos cambiais.

Além disso, o bloco está avançando em mecanismos de pagamento alternativos, como a conexão entre sistemas de pagamentos nacionais — o Pix brasileiro, o UPI indiano, o WeChat Pay chinês — e a criação de uma plataforma de liquidação baseada em blockchain, que poderia usar moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) para facilitar transações transfronteiriças.

O Papel do Novo Banco de Desenvolvimento

O NBD, também conhecido como Banco dos BRICS, tem um papel central nesse processo. Desde sua criação, o banco já aprovou mais de US$ 35 bilhões em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países-membros. Em 2023, o NBD anunciou que passaria a conceder empréstimos em moedas locais, começando com o rand sul-africano e o real brasileiro, reduzindo gradualmente sua exposição ao dólar.

Para o Brasil, essa é uma notícia particularmente relevante. O NBD pode financiar projetos de infraestrutura — como portos, ferrovias e aeroportos — em reais, eliminando o risco cambial e reduzindo o custo do financiamento. A expectativa é que, nos próximos anos, até 30% dos empréstimos do NBD sejam denominados em moedas locais dos países-membros.

A Conexão com as Moedas Digitais

O avanço das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) oferece um caminho técnico viável para a criação de um sistema de pagamentos alternativo. O Brasil já está desenvolvendo o Drex (antigo Real Digital), enquanto a China tem o yuan digital (e-CNY), a Índia testa a rúpia digital e a Rússia avança com o rublo digital.

A interoperabilidade entre essas CBDCs poderia criar um sistema de liquidação bilateral direta entre os BRICS, eliminando intermediários e reduzindo significativamente o tempo e o custo das transações internacionais. Imagine um exportador brasileiro vendendo carne para a China e recebendo o pagamento diretamente em reais, com a liquidação ocorrendo em segundos através da conexão entre o Drex e o e-CNY, sem passar por bancos correspondentes em Nova York e sem exposição ao câmbio do dólar.

Impactos da Desdolarização para o Brasil

Redução de Custos de Transação

O impacto mais imediato e tangível da desdolarização para o Brasil é a redução dos custos de transação. Atualmente, cada operação de comércio exterior que envolve o dólar tem custos associados de spread cambial, taxas de conversão, tarifas de correspondência bancária e hedging cambial. Estima-se que esses custos representem entre 2% e 5% do valor total das transações.

Para um país que movimentou mais de US$ 600 bilhões em comércio exterior em 2025, a redução de custos proporcionada pela eliminação de uma ou duas conversões cambiais por transação representa economia potencial de bilhões de reais por ano. Empresas brasileiras que importam da China ou exportam para a Índia poderiam liquidar operações diretamente em reais, yuans ou rúpias, sem passar pelo dólar.

Menor Exposição ao Risco Cambial

A volatilidade cambial é um dos principais desafios do comércio exterior brasileiro. O real é uma das moedas mais voláteis do mundo, e as flutuações do dólar impactam diretamente a competitividade das exportações e o custo das importações. Com a possibilidade de comercializar em moedas locais, empresas brasileiras reduzem sua exposição ao risco cambial associado ao dólar.

Por exemplo, um exportador brasileiro de café que vende para a Índia poderia precificar sua mercadoria em reais ou rúpias, em vez de dólares. Isso elimina a incerteza sobre a taxa de câmbio entre o real e o dólar no momento do fechamento do câmbio, permitindo maior previsibilidade financeira e margens mais estáveis.

Fortalecimento do Real como Moeda de Comércio

À medida que mais transações comerciais do Brasil com os BRICS forem liquidadas em reais, a moeda brasileira ganhará relevância internacional. Isso pode ter efeitos positivos sobre a taxa de câmbio, reduzindo a pressão desvalorizante que historicamente afeta o real. Um real mais forte significa menor inflação importada e maior poder de compra para a população.

Além disso, a internacionalização do real abre caminho para que o Brasil emita títulos da dívida pública em moeda local no exterior, reduzindo a necessidade de tomar empréstimos em dólares e, consequentemente, a exposição a choques cambiais.

Novas Oportunidades de Financiamento

Com o NBD financiando projetos em reais e a possível criação de um mercado de capitais denominado em moedas locais dos BRICS, empresas brasileiras ganham acesso a novas fontes de financiamento para projetos de exportação e investimentos produtivos. O financiamento em moeda local elimina o risco cambial e pode oferecer condições mais favoráveis que as disponíveis no mercado doméstico ou em dólares.

Para o exportador brasileiro, isso significa a possibilidade de financiar a produção destinada à exportação para a China, Índia ou outros BRICS com recursos captados em reais, com taxas de juros potencialmente mais baixas que as praticadas no mercado doméstico.

Mecanismos de Pagamento Alternativos em Desenvolvimento

O Sistema BRICS Pay

O BRICS Pay é um sistema de pagamentos digitais em desenvolvimento pelo bloco, inspirado em soluções bem-sucedidas como o Pix brasileiro e o UPI indiano. O objetivo é criar uma plataforma unificada que permita pagamentos transfronteiriços instantâneos entre os países-membros, usando moedas locais ou uma unidade de conta comum.

O sistema funcionaria como uma carteira digital multimoedas, onde importadores e exportadores poderiam realizar pagamentos diretos sem a intermediação de bancos correspondentes. O BRICS Pay está sendo testado em projetos-piloto e pode se tornar operacional nos próximos anos, começando com transações governamentais e comerciais de maior porte.

Conexão entre Sistemas de Pagamentos Nacionais

Uma das abordagens mais promissoras é a interconexão dos sistemas de pagamentos instantâneos dos países do BRICS. O Brasil já iniciou conversas para conectar o Pix ao UPI indiano, o que permitiria que brasileiros e indianos realizassem pagamentos transfronteiriços diretamente entre suas contas bancárias.

A conexão entre Pix e UPI é um projeto que está sendo liderado pelo Banco Central do Brasil em conjunto com o Reserve Bank of India. Se implementada com sucesso, essa integração poderia servir de modelo para conexões com outros sistemas de pagamentos dos BRICS, criando uma rede de pagamentos instantâneos que rivalizaria com o SWIFT e o sistema de câmaras de compensação atualmente dominado pelo dólar.

Blockchain e Contratos Inteligentes

A tecnologia blockchain oferece um caminho natural para a criação de sistemas de pagamento e liquidação alternativos. O uso de contratos inteligentes (smart contracts) pode automatizar todo o ciclo de uma transação comercial — desde a ordem de compra até o pagamento — eliminando intermediários e reduzindo significativamente o tempo e o custo das operações.

A TRADEXA, com sua plataforma de inteligência de mercado e trade intelligence, já oferece ferramentas como o Classificador NCM que ajudam empresas a estruturar operações de comércio exterior de forma mais eficiente, independentemente da moeda utilizada. À medida que os mecanismos de pagamento dos BRICS evoluírem, ferramentas como o Tarifário Global serão ainda mais importantes para comparar custos totais das operações em diferentes moedas.

O Papel das Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs)

As CBDCs representam a evolução mais avançada dos mecanismos de pagamento alternativos. Cada país do BRICS está desenvolvendo sua própria moeda digital, e a interoperabilidade entre elas poderia criar um sistema de liquidação direta entre bancos centrais, eliminando a necessidade de sistemas de pagamento privados.

O Drex brasileiro, atualmente em fase de testes pelo Banco Central, tem potencial para se tornar a principal plataforma de liquidação de transações comerciais do Brasil com outros países, especialmente se houver acordos de interoperabilidade com as CBDCs dos demais BRICS. Para o exportador brasileiro, isso significará receber pagamentos diretamente em reais digitais, com liquidação instantânea e custo mínimo.

Oportunidades Setoriais para o Brasil com a Desdolarização

Agronegócio

O agronegócio brasileiro é um dos setores que mais se beneficiará da desdolarização. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar e milho, e grande parte dessas exportações tem como destino a China e outros países dos BRICS.

Com a possibilidade de comercializar em moedas locais, os exportadores do agronegócio podem reduzir custos de hedging cambial e oferecer preços mais competitivos. A TRADEXA, com seu Diretório de Importadores, permite que produtores brasileiros identifiquem compradores qualificados nos mercados BRICS e analisem as tarifas aplicáveis através do Tarifário Global, que cobre 31 países.

Energia e Combustíveis

O Brasil é um grande produtor e exportador de petróleo, e a Índia é um dos maiores importadores mundiais do combustível. A possibilidade de comercializar petróleo em moedas locais — reais, rúpias ou yuans — pode fortalecer a posição do Brasil como fornecedor de energia para os BRICS, reduzindo a dependência de intermediários financeiros baseados em dólares.

Além disso, o Brasil tem potencial para se tornar um grande exportador de biocombustíveis (etanol e biodiesel) para os países do bloco, especialmente Índia e China, que buscam alternativas aos combustíveis fósseis.

Manufatura e Produtos Industriais

A desdolarização pode facilitar o comércio de produtos manufaturados entre os BRICS. Empresas brasileiras que exportam máquinas, equipamentos, peças automotivas e produtos químicos para países do bloco podem se beneficiar de mecanismos de pagamento mais simples e baratos.

O Smart Rank da TRADEXA é uma ferramenta particularmente útil nesse contexto, pois permite que exportadores avaliem objetivamente o potencial de diferentes mercados do BRICS para seus produtos, considerando fatores como tarifas de importação, tamanho do mercado, crescimento da demanda e barreiras não tarifárias.

Serviços e Tecnologia

O comércio de serviços entre os BRICS — incluindo serviços de tecnologia da informação, engenharia, design e consultoria — também pode ser impulsionado por mecanismos de pagamento alternativos. A eliminação de custos de conversão cambial torna os serviços brasileiros mais competitivos no mercado indiano e chinês.

Desafios e Riscos do Processo

Assimetrias Econômicas

Um dos principais desafios para a criação de uma moeda ou mecanismo de pagamento comum dos BRICS é a enorme assimetria entre as economias do bloco. A China tem um PIB superior ao de todos os outros membros combinados, e sua moeda (o yuan) tem uma posição dominante que pode gerar desequilíbrios.

Se o comércio entre os BRICS passar a ser liquidado em yuan, a China acumularia ainda mais poder financeiro dentro do bloco, o que pode não ser aceitável para Brasil, Índia e outros membros. Por isso, a negociação sobre a composição da cesta de moedas e os mecanismos de compensação será complexa e demorada.

Resistência de Mercados Financeiros

Os mercados financeiros globais estão profundamente integrados ao dólar, e a transição para alternativas será gradual. Grandes investidores institucionais, fundos soberanos e bancos centrais ainda confiam no dólar como reserva de valor, e mudanças significativas levarão anos ou décadas.

Além disso, o sistema financeiro americano tem mecanismos poderosos para manter a hegemonia do dólar, incluindo a capacidade de impor sanções financeiras e a influência sobre as principais agências de classificação de risco.

Complexidade Técnica

A criação de um sistema de pagamentos alternativo para os BRICS envolve desafios técnicos significativos. A interoperabilidade entre diferentes sistemas de pagamentos, a conformidade com regulamentações cambiais de cada país, a prevenção à lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo são questões que precisam ser cuidadosamente endereçadas.

Volatilidade das Moedas Locais

As moedas dos BRICS — com exceção do yuan chinês — são geralmente voláteis e têm histórico de desvalorização em relação ao dólar. Se o comércio for liquidado em moedas locais, ambas as partes precisarão gerenciar o risco cambial, o que pode exigir instrumentos de hedging que ainda não estão amplamente disponíveis para esses pares de moedas.

Como a TRADEXA Ajuda Empresas Brasileiras a Navegar a Desdolarização

Classificador NCM Inteligente

Em um cenário de comércio internacional cada vez mais diversificado em termos de moedas e mecanismos de pagamento, a correta classificação fiscal dos produtos é mais importante do que nunca. O Classificador NCM da TRADEXA utiliza inteligência artificial para ajudar exportadores e importadores a classificar corretamente seus produtos, evitando erros que podem resultar em multas e atrasos.

Uma classificação NCM precisa é o primeiro passo para calcular corretamente os tributos incidentes na operação, independentemente da moeda em que a transação será liquidada.

Tarifário Global de 31 Países

O Tarifário Global da TRADEXA permite que empresas brasileiras consultem as tarifas de importação aplicáveis em 31 países, incluindo todos os membros do BRICS. Com essa ferramenta, é possível comparar o custo total de exportar para diferentes mercados, considerando tarifas, barreiras não tarifárias e acordos preferenciais.

À medida que a desdolarização avança, o Tarifário Global se torna ainda mais relevante, pois permite que o exportador avalie o custo-benefício de operar em diferentes moedas e identifique os mercados mais favoráveis para cada produto.

Diretório de Importadores

O Diretório de Importadores da TRADEXA, com mais de 3,8 milhões de empresas cadastradas, é uma ferramenta indispensável para quem quer aproveitar as oportunidades abertas pela desdolarização. Com ele, exportadores brasileiros podem identificar compradores qualificados nos países do BRICS, entender seus padrões de compra e estabelecer contatos comerciais diretos.

Smart Rank

O Smart Rank da TRADEXA é uma ferramenta de score de mercado que ajuda empresas a priorizar os mercados mais promissores para seus produtos. Considerando variáveis como demanda, concorrência, tarifas, logística e barreiras de entrada, o Smart Rank fornece uma classificação objetiva dos melhores mercados-alvo.

No contexto da desdolarização, o Smart Rank pode ser usado para identificar quais mercados dos BRICS oferecem as melhores condições de acesso, considerando não apenas as tarifas tradicionais, mas também a facilidade de pagamento em moedas locais e os acordos bilaterais existentes.

Mapa de Frete Marítimo

O Mapa de Frete Marítimo da TRADEXA oferece visibilidade sobre as rotas marítimas, custos de frete e prazos de trânsito entre os portos brasileiros e os principais portos dos BRICS. Com a evolução dos mecanismos de pagamento, a logística continuará sendo um fator crítico de competitividade, e ter informações precisas sobre fretes é essencial para precificar corretamente as operações.

Perspectivas e Cenários Futuros

Curto Prazo (2026-2028)

Nos próximos dois a três anos, devemos ver avanços concretos na conexão entre sistemas de pagamentos nacionais dos BRICS, começando com projetos-piloto entre pares de países. O Brasil e a Índia devem liderar esse processo com a integração entre Pix e UPI, que pode estar operacional ainda em 2027.

O Drex brasileiro deve entrar em operação comercial, inicialmente para transações interbancárias e posteriormente para o público em geral. A interoperabilidade com outras CBDCs dos BRICS será testada em projetos-piloto.

O comércio bilateral em moedas locais deve crescer, especialmente entre Brasil e China e Brasil e Índia, mas ainda representará uma parcela minoritária do comércio total dos BRICS.

Médio Prazo (2028-2032)

Entre 2028 e 2032, podemos esperar a consolidação do BRICS Pay ou de um sistema similar como plataforma de pagamento para transações comerciais de médio e grande porte entre os membros do bloco. O NBD deve ter uma parcela significativa de seus empréstimos denominada em moedas locais.

A interoperabilidade entre CBDCs dos BRICS pode se tornar operacional, permitindo liquidação instantânea de transações comerciais em moedas digitais. O dólar continuará dominante, mas alternativas viáveis estarão disponíveis.

Longo Prazo (2032+)

No longo prazo, é possível que os BRICS desenvolvam uma unidade de conta comum — talvez chamada de "BRICS Unit" ou "Brics Currency Unit" — lastreada em uma cesta de moedas dos membros, utilizada principalmente para transações comerciais e financeiras dentro do bloco.

A consolidação desse sistema dependerá do sucesso das etapas anteriores e da vontade política dos líderes do bloco. Se bem-sucedido, o BRICS pode se tornar o segundo polo monetário do mundo, oferecendo uma alternativa real ao dólar para o comércio internacional.

Conclusão

A iniciativa dos BRICS por uma nova moeda ou mecanismo de pagamento alternativo é um dos movimentos mais transformadores no cenário do comércio internacional desde o fim do sistema de Bretton Woods. Embora a desdolarização completa ainda esteja distante — se é que ocorrerá —, a diversificação de moedas e sistemas de pagamento é uma tendência irreversível que criará novas oportunidades e desafios para o comércio exterior brasileiro.

Para o Brasil, os benefícios potenciais são significativos: redução de custos de transação, menor exposição ao risco cambial, fortalecimento do real, novas fontes de financiamento e maior competitividade internacional. No entanto, o processo também apresenta riscos e desafios que precisarão ser gerenciados com cautela.

Empresas brasileiras que desejam se preparar para esse novo cenário devem começar desde já a diversificar suas formas de pagamento, estudar os mercados dos BRICS e utilizar ferramentas de inteligência de mercado para identificar oportunidades e mitigar riscos. A TRADEXA, com seu conjunto completo de ferramentas — Classificador NCM, Tarifário Global, Diretório de Importadores, Smart Rank e Mapa de Frete Marítimo — está posicionada para apoiar exportadores e importadores brasileiros nessa jornada, fornecendo a inteligência necessária para navegar o futuro do comércio internacional com confiança e eficiência.