O que é ACC e ACE?
ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues) são duas das modalidades de financiamento à exportação mais utilizadas no Brasil. Ambas permitem que o exportador receba o valor de suas vendas ao exterior antes do prazo efetivo de pagamento pelo importador, proporcionando capital de giro e mitigando riscos cambiais. Embora frequentemente mencionadas em conjunto, ACC e ACE são instrumentos distintos, com características, momentos de contratação e finalidades específicas.
O ACC é uma operação financeira por meio da qual o exportador contrata a venda de moeda estrangeira (câmbio) antes do embarque da mercadoria. Ou seja, o exportador recebe o equivalente em reais do valor exportado antes mesmo de produzir ou embarcar o produto. Já o ACE é contratado após o embarque da mercadoria, quando o exportador já possui os documentos que comprovam a exportação (conhecimento de embarque, fatura comercial, etc.) e entrega esses documentos ao banco para antecipação do pagamento.
Ambos os instrumentos são regulados pelo Banco Central do Brasil e fazem parte do arcabouço de financiamento à exportação brasileiro, que inclui também o Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e o BNDES Exim (financiamento via BNDES para empresas exportadoras).
Diferenças entre ACC e ACE
A principal diferença entre ACC e ACE está no momento da contratação em relação ao embarque da mercadoria. Essa diferença temporal tem implicações profundas nas taxas, nos riscos e na finalidade de cada operação.
| Aspecto | ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) | ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues) |
|---|---|---|
| Momento da Contratação | Antes do embarque da mercadoria | Após o embarque da mercadoria |
| Risco Cambial | Total — o câmbio é fechado antes da produção | Menor — prazo mais curto entre o fechamento e o recebimento |
| Taxa de Juros | Geralmente mais baixa (menor risco para o banco) | Pode ser ligeiramente mais alta |
| Prazo Médio | 90 a 360 dias (até o embarque + prazo de pagamento) | 30 a 180 dias (apenas prazo de pagamento) |
| Finalidade Principal | Capital de giro para produção | Antecipação de recebíveis |
| Exigências Documentais | Contrato de câmbio + comprovante de habilitação | Contrato de câmbio + documentos de embarque |
| Risco de Não Embarque | Banhco assume o risco (com garantias do exportador) | Não há risco de não embarque (já foi realizado) |
| IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) | Alíquota reduzida (0,38% ao ano para operações de até 180 dias) | Alíquota reduzida (mesma base do ACC) |
| Impacto no Fluxo de Caixa | Libera recursos antes da produção | Libera recursos após o embarque |
| Disponibilidade em Dólar | Sim, ACC cambial | Sim, ACE cambial |
ACC — Adiantamento sobre Contrato de Câmbio
O ACC é contratado antes do embarque da mercadoria. O exportador celebra um contrato de câmbio com o banco, comprometendo-se a entregar os documentos de exportação em uma data futura, e recebe antecipadamente o valor em reais. Esse recurso é utilizado tipicamente para financiar a produção: compra de matéria-prima, pagamento de fornecedores, custos logísticos, embalagem e todos os insumos necessários para fabricar o produto que será exportado.
O ACC é particularmente vantajoso para exportadores que operam com prazos de produção longos e precisam de capital de giro para executar os pedidos. Além disso, ao fechar o câmbio antes do embarque, o exportador elimina a incerteza cambial — ele sabe exatamente quantos reais receberá pela exportação, independentemente da variação do dólar entre a contratação e o pagamento efetivo.
ACE — Adiantamento sobre Cambiais Entregues
O ACE é contratado após o embarque da mercadoria, quando o exportador já possui os documentos comprobatórios da exportação (BL, fatura, packing list, etc.). O exportador entrega esses documentos ao banco (que os enviará ao banco do importador para cobrança) e recebe o valor em reais antecipadamente, descontados os juros e encargos bancários.
O ACE funciona, na prática, como um desconto de duplicatas no mercado internacional — o exportador transforma um direito de crédito futuro (a receber do importador) em dinheiro disponível imediatamente. É a modalidade ideal para o exportador que já produziu e embarcou, mas precisa de liquidez para continuar operando enquanto aguarda o pagamento do importador.
Quem Pode Utilizar ACC e ACE
Qualquer empresa exportadora regularmente habilitada no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) pode contratar ACC e ACE junto a bancos autorizados pelo Banco Central a operar em câmbio. Não há restrição por porte ou setor — desde microempresas até grandes corporações exportadoras podem se beneficiar desses instrumentos.
Requisitos Básicos
- Estar habilitada no Siscomex como exportadora
- Possuir contrato social ou estatuto que autorize a prática de comércio exterior
- Ter registro no Cadastro de Exportadores e Importadores (CEI) da Receita Federal
- Manter regularidade fiscal (certidões negativas de débitos federais, estaduais e municipais)
- Ter capacidade financeira para honrar o compromisso cambial
- Não estar inadimplente no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central
- Apresentar garantias (quando exigidas pelo banco)
Empresas que Mais se Beneficiam
| Perfil da Empresa | Instrumento Mais Adequado | Motivo |
|---|---|---|
| Pequeno exportador com pouca experiência | ACE | Menor risco cambial, documentação pós-embarque |
| Empresa industrial com ciclo produtivo longo | ACC | Capital de giro para produção |
| Trading company que opera com vários fornecedores | ACC e ACE | Flexibilidade para diferentes etapas |
| Exportador de commodities agrícolas | ACC (pré-embarque) | Financiamento do plantio e colheita |
| Exportador de serviços | ACE | Após a prestação do serviço |
| Empresa com fluxo contínuo de exportações | Contrato de câmbio rotativo | Eficiência operacional |
Bancos que Oferecem ACC e ACE
Praticamente todos os grandes bancos brasileiros com mesa de câmbio oferecem ACC e ACE. A escolha do banco parceiro é uma decisão estratégica que impacta diretamente as taxas, os prazos e a qualidade do serviço.
Principais Bancos no Mercado
- Bancos Múltiplos Grandes: Itaú BBA, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal — oferecem linhas robustas, taxas competitivas e ampla capilaridade.
- Bancos Especializados em Comex: BDMG, BRDE, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia — têm linhas específicas para exportadores regionais.
- Bancos Estrangeiros no Brasil: HSBC, Société Générale, Citibank — atendem especialmente empresas com operações globais.
- Bancos Digitais e Fintechs: Algumas fintechs de câmbio estão começando a oferecer ACC e ACE com processos mais ágeis e taxas transparentes.
Critérios para Escolher o Banco
- Taxas de Câmbio: Compare o spread cambial oferecido entre diferentes bancos. Uma diferença de alguns centavos por dólar pode representar milhares de reais em uma operação grande.
- Taxas de Juros: A taxa de ACC/ACE varia conforme o prazo, o risco e o relacionamento com o banco. Negocie!
- Limite de Crédito: Verifique se o banco pode oferecer limite suficiente para suas operações.
- Prazo de Liberação: Bancos mais ágeis liberam o ACC em 24 a 48 horas após a contratação.
- Qualidade do Atendimento: Uma mesa de câmbio responsiva faz diferença em momentos de volatilidade.
- Integração com TRADEXA: Empresas que usam TRADEXA para gestão de comércio exterior podem integrar os dados com o banco para acelerar a análise de crédito e reduzir a burocracia documental.
Fluxo Documental Passo a Passo
Fluxo do ACC (Pré-Embarque)
Negociação Comercial: Exportador e importador fecham o negócio, definindo valor, prazo, Incoterm e condições de pagamento.
Abertura de Contrato de Câmbio: O exportador procura o banco e celebra um contrato de câmbio, comprometendo-se a vender a moeda estrangeira ao banco na data futura acordada. Neste momento, fica definida a taxa de câmbio (PTAX + spread).
Pagamento do ACC: O banco credita o valor em reais na conta do exportador, descontados os encargos financeiros (juros, IOF, spread). O exportador utiliza esse recurso para financiar a produção.
Produção e Embarque: O exportador utiliza o capital de giro para produzir e embarcar a mercadoria dentro do prazo acordado.
Entrega dos Documentos: Após o embarque, o exportador entrega ao banco o jogo completo de documentos da exportação: fatura comercial, conhecimento de embarque, packing list, certificados, etc.
Remessa ao Exterior: O banco envia os documentos ao banco do importador para cobrança.
Recebimento do Exterior: Quando o importador paga, o banco recebe a moeda estrangeira e utiliza esses recursos para liquidar o contrato de câmbio (ACC).
Liquidação Final: Se houver diferença entre o valor recebido e o contratado, o ajuste é feito na conta do exportador.
Fluxo do ACE (Pós-Embarque)
Embarque da Mercadoria: O exportador já produziu e embarcou a mercadoria, possuindo os documentos comprobatórios.
Entrega dos Documentos: O exportador entrega ao banco os documentos de embarque e celebra o contrato de câmbio (ACE). Como o embarque já ocorreu, o banco tem a garantia documental da operação.
Pagamento do ACE: O banco credita o valor em reais na conta do exportador, descontados os encargos. Como o risco de não embarque não existe, o processo é mais rápido.
Remessa ao Exterior: O banco envia os documentos ao exterior para cobrança.
Recebimento e Liquidação: O banco recebe o pagamento do importador, liquida o contrato de câmbio e ajusta eventuais diferenças.
Documentos Exigidos
| Documento | ACC | ACE | Observação |
|---|---|---|---|
| Contrato de Câmbio (CC) | Sim | Sim | Documento eletrônico registrado no Banco Central |
| Nota Fiscal de Exportação | Sim (prévia) | Sim (definitiva) | Comprova a saída da mercadoria do estabelecimento |
| Fatura Comercial (Commercial Invoice) | Não ainda | Sim | Documento base da operação |
| Conhecimento de Embarque (BL) | Não ainda | Sim | Comprova o embarque marítimo |
| Conhecimento Aéreo (AWB) | Não ainda | Sim | Para exportações aéreas |
| Packing List | Não ainda | Sim | Detalhamento dos volumes |
| Certificado de Origem | Não ainda | Sim | Quando exigido |
| Comprovante de Habilitação no Siscomex | Sim | Sim | Registro de Exportador |
| Certidões Negativas | Sim | Sim | Regularidade fiscal |
| Garantias Adicionais (avais, hipotecas) | Quando exigido | Raramente exigido | Depende da análise de crédito |
Taxas, Custos e IOF
Estrutura de Custos
| Componente | Descrição | Impacto |
|---|---|---|
| Spread Cambial | Diferença entre a taxa de compra do banco e a PTAX | 0,5% a 3% dependendo do banco e do volume |
| Juros do ACC/ACE | Taxa de juros sobre o valor adiantado (CDI + spread de risco) | 1% a 4% ao ano acima do CDI |
| IOF | Imposto sobre Operações Financeiras — ACC/ACE | 0,38% ao ano sobre o valor (para operações até 180 dias) |
| Taxa de Contrato | Cobrada pelo banco para registrar o contrato de câmbio | R$ 50 a R$ 200 |
| Taxa de Remessa | Cobrada pelo envio dos documentos ao exterior | USD 30 a USD 100 |
| Comissão de Cobrança | Cobrada pelo banco correspondente no exterior | 0,1% a 0,5% do valor |
| Tarifa de Cadastro | Cobrada na abertura do contrato | Uma única vez, R$ 50 a R$ 150 |
IOF — Regras Específicas
O IOF para ACC e ACE é regulado pelo Decreto nº 6.306/2007 e suas alterações. A alíquota atual para ACC e ACE é de 0,38% ao ano (pro rata dia), incidente sobre o valor da operação, limitada ao prazo da operação. Para operações com prazo superior a 180 dias, a alíquota pode ser diferente.
É importante destacar que o IOF é um dos menores custos da operação, mas deve ser considerado no cálculo final. Para uma exportação de USD 500.000,00 com ACC de 90 dias, o IOF seria:
- Valor: USD 500.000,00
- Taxa de câmbio hipotética: R$ 5,50
- Valor em reais: R$ 2.750.000,00
- IOF: R$ 2.750.000,00 × 0,38% × (90/365) = R$ 2.569,86
Esse valor é relativamente baixo comparado ao spread cambial e aos juros, mas não deve ser ignorado no planejamento financeiro.
Exemplo Prático de Cálculo
| Item | Valor |
|---|---|
| Valor da Exportação (USD) | 200.000,00 |
| PTAX do Dia | R$ 5,40 |
| Spread Bancário (2%) | R$ 0,11 |
| Taxa de Câmbio Efetiva | R$ 5,29 |
| Valor Bruto em R$ | R$ 1.058.000,00 |
| Juros (12% a.a. × 120 dias) | R$ 41.784,66 |
| IOF (0,38% a.a. × 120 dias) | R$ 1.322,50 |
| Total de Encargos | R$ 43.107,16 |
| Valor Líquido Creditado ao Exportador | R$ 1.014.892,84 |
Nesse exemplo, o exportador recebeu aproximadamente 96% do valor bruto da operação, considerando todos os encargos. Esse custo deve ser precificado na negociação com o importador.
Prazo de Fechamento
O prazo de fechamento é o período entre a contratação do ACC/ACE e a liquidação final do contrato de câmbio. Ele é composto por duas parcelas:
- Prazo de Embarque (ACC apenas): Prazo entre a contratação do ACC e o embarque da mercadoria. Geralmente de 30 a 180 dias.
- Prazo de Pagamento: Prazo entre o embarque e o recebimento do pagamento pelo importador. Pode ser à vista (0 a 10 dias) ou a prazo (30, 60, 90, 180 dias).
Para o ACC, o prazo total é a soma do prazo de embarque com o prazo de pagamento. Para o ACE, apenas o prazo de pagamento é considerado.
Prazos Típicos por Setor
| Setor | Prazo de Embarque (ACC) | Prazo de Pagamento | Prazo Total (ACC) |
|---|---|---|---|
| Commodities Agrícolas (soja, milho) | 30 a 90 dias | À vista a 30 dias | 60 a 120 dias |
| Indústria Metalúrgica | 60 a 120 dias | 30 a 60 dias | 90 a 180 dias |
| Máquinas e Equipamentos | 90 a 180 dias | 60 a 180 dias | 150 a 360 dias |
| Calçados e Confecções | 30 a 60 dias | 30 a 60 dias | 60 a 120 dias |
| Automotivo (Peças) | 45 a 90 dias | 30 a 90 dias | 75 a 180 dias |
| Químico e Petroquímico | 30 a 60 dias | 30 a 60 dias | 60 a 120 dias |
| Produtos Alimentícios Processados | 30 a 45 dias | À vista a 30 dias | 30 a 75 dias |
A definição do prazo ideal de fechamento é uma decisão estratégica. Prazos mais longos dão mais flexibilidade ao exportador, mas aumentam a exposição cambial e os custos financeiros. Prazos mais curtos reduzem custos, mas podem pressionar o fluxo de caixa.
Momento Ideal de Contratação
O momento ideal para contratar um ACC ou ACE depende de diversos fatores, incluindo a expectativa cambial, a necessidade de capital de giro, o prazo de produção e o perfil de risco do exportador.
Estratégias de Timing
- Proteção Cambial (Hedge Natural): Se o exportador tem custos em reais e receita em dólar, a contratação antecipada do ACC fixa a taxa de câmbio, eliminando a incerteza. Em cenários de volatilidade cambial, essa proteção é valiosa.
- Acompanhamento do Mercado: Exportadores que acompanham o mercado de câmbio diariamente (com auxílio de plataformas como a TRADEXA, que oferece cotações em tempo real e análises de tendência) podem escolher momentos de taxa favorável para fechar o câmbio.
- Contratação Escalonada: Em vez de fechar todo o ACC de uma vez, o exportador pode contratar parcelas em momentos diferentes, pulverizando o risco cambial. Por exemplo, se a previsão é exportar USD 1.000.000 em 6 meses, o exportador pode fechar USD 200.000 por mês, aproveitando taxas médias.
- ACC com Opção de Entrega Flexível: Alguns bancos oferecem ACC com janela de entrega flexível, permitindo que o exportador escolha o melhor momento para embarcar dentro de um período predeterminado.
Quando Contratar ACC
- Taxa de câmbio está em patamar atrativo (acima da média histórica)
- Necessidade de capital de giro imediato para produção
- Expectativa de desvalorização do real (dólar subindo)
- Ciclo produtivo longo (acima de 60 dias)
- Margem reduzida que não suporta variação cambial
Quando Contratar ACE
- Imediatamente após o embarque (melhor prática)
- Necessidade de liquidez rápida
- Taxa de câmbio favorável no momento
- Operação já concluída, sem risco de embarque
- Prazo de pagamento longo (acima de 30 dias)
Estratégias para Evitar Exposição Cambial
A exposição cambial é o principal risco financeiro do exportador. Variações na taxa de câmbio entre a contratação do negócio e o recebimento efetivo podem transformar uma operação lucrativa em prejuízo. Felizmente, existem diversas estratégias para mitigar esse risco.
1. ACC como Hedge Natural
A contratação do ACC fixa a taxa de câmbio no momento da contratação. Se o exportador contrata o ACC assim que fecha o negócio com o importador, ele elimina completamente o risco cambial para aquela operação. Esta é a estratégia mais simples e eficaz.
2. Hedge Cambial com Derivativos
Exportadores mais sofisticados podem utilizar instrumentos derivativos para se proteger contra variações cambiais sem necessariamente contratar o ACC imediatamente. Os principais instrumentos são:
- NDF (Non-Deliverable Forward): Contrato a termo de moeda sem entrega física. O exportador acorda uma taxa futura com o banco e, no vencimento, ajusta a diferença.
- Opções de Câmbio: O exportador compra uma opção de venda (put) de dólar, garantindo uma taxa mínima, mas mantendo a possibilidade de se beneficiar de uma valorização do real.
- Swap Cambial: Troca de indexadores (CDI × variação cambial) para proteger o fluxo de caixa.
3. Diversificação de Moedas
Exportar para diferentes regiões em diferentes moedas (dólar, euro, libra, etc.) naturalmente dilui o risco cambial, pois as moedas não se movem na mesma direção ao mesmo tempo.
4. Contas em Moeda Estrangeira
O exportador pode manter contas em moeda estrangeira (CCME — Conta de Não Residente ou conta em dólar no Brasil) para receber os pagamentos em dólar e escolher o melhor momento para converter em reais. A Resolução CMN nº 3.265/2005 autoriza pessoas jurídicas a manter depósitos em moeda estrangeira no Brasil.
5. Uso da TRADEXA para Gestão de Risco Cambial
A TRADEXA oferece ferramentas de análise de mercado cambial que auxiliam o exportador na tomada de decisão sobre o momento ideal de contratação do ACC ou ACE. Com gráficos históricos, indicadores técnicos, calendário econômico e análises de especialistas, o exportador pode identificar tendências e tomar decisões mais informadas.
Além disso, a TRADEXA permite o monitoramento em tempo real das taxas de câmbio, com alertas personalizados que avisam o exportador quando a taxa atinge o nível desejado. Isso elimina a necessidade de ficar monitorando o mercado manualmente e garante que nenhuma oportunidade seja perdida.
Integração com Operações de Trade Finance
ACC e ACE não existem isoladamente — eles fazem parte de um ecossistema maior de trade finance que inclui cartas de crédito, seguro de crédito à exportação, factoring internacional, forfaiting e financiamentos estruturados.
ACC + Carta de Crédito
A combinação mais comum é ACC ou ACE com carta de crédito (LC). O exportador recebe a LC do importador, contrata o ACC para financiar a produção, embarca a mercadoria, apresenta os documentos ao banco e liquida o ACC com o pagamento da LC. Essa combinação oferece o melhor dos dois mundos: segurança de pagamento (LC) e capital de giro (ACC).
ACE + Seguro de Crédito
Exportadores que vendem a prazo sem LC (open account) podem combinar o ACE com seguro de crédito à exportação. O seguro cobre o risco de inadimplência do importador, e o ACE antecipa o recebimento. Essa combinação é ideal para operações recorrentes com parceiros de confiança no exterior.
ACC + Proex Equalização
O Proex Equalização é um programa do governo federal que reduz o custo do financiamento à exportação, pagando parte dos juros ao banco. Exportadores que contratam ACC podem solicitar a equalização do Proex, reduzindo significativamente a taxa de juros.
ACC + BNDES Exim
Para operações de maior valor e prazo mais longo, o BNDES Exim oferece financiamento direto ao exportador (BNDES Exim Pré-embarque) ou ao importador (BNDES Exim Pós-embarque). O ACC pode ser utilizado como ponte até a liberação do financiamento do BNDES.
Exemplo Prático de Integração
| Etapa | Instrumento | Valor (USD) | Prazo |
|---|---|---|---|
| 1. Fechamento do negócio | Contrato de compra e venda | 500.000 | - |
| 2. Abertura da LC | Carta de crédito irrevogável | 500.000 | 120 dias |
| 3. Contratação do ACC | Adiantamento de 80% do valor | 400.000 | 90 dias (embarque) |
| 4. Produção | Utilização do ACC | - | 60 dias |
| 5. Embarque | BL/Conhecimento de embarque | 500.000 | Dia 60 |
| 6. Apresentação dos documentos | Ao banco para pagamento da LC | 500.000 | Dia 65 |
| 7. Liquidação do ACC | Com recursos da LC | 400.000 + encargos | Dia 70 |
| 8. Recebimento do saldo | Diferença entre LC e ACC | 100.000 - encargos | Dia 120 |
Nesse fluxo integrado, o exportador utilizou o ACC para financiar a produção (etapas 2 a 4), embarcou a mercadoria (etapa 5), apresentou os documentos da LC (etapa 6), liquidou o ACC com os recursos da LC (etapa 7) e recebeu o saldo remanescente (etapa 8). A TRADEXA pode ser utilizada em todas as etapas para monitorar prazos, gerenciar documentos e acompanhar o status de cada operação.
Como a TRADEXA Pode Ajudar
A TRADEXA é uma plataforma completa de inteligência de mercado e gestão de comércio exterior que oferece suporte ao exportador em todas as etapas da operação com ACC e ACE.
Monitoramento de Câmbio em Tempo Real
Acompanhe as cotações do dólar, euro, libra e outras moedas em tempo real, com gráficos históricos, indicadores técnicos e análises de tendência. Receba alertas personalizados quando a taxa atingir o nível desejado para contratar o ACC.
Análise de Risco de Contraparte
Antes de fechar um negócio, consulte a TRADEXA para obter relatórios de crédito e rating do importador, do banco emissor da LC e de outros parceiros internacionais. Reduza o risco de inadimplência e escolha as contrapartes mais confiáveis.
Gestão Documental Centralizada
Armazene e gerencie todos os documentos de exportação (faturas, BLs, certificados, contratos de câmbio) em um só lugar. A TRADEXA organiza os documentos por operação, facilita a consulta e envia alertas sobre prazos de vencimento e datas críticas.
Dashboard de Operações
Visualize em um único painel todas as suas operações de ACC e ACE, com informações sobre valores, prazos, taxas contratadas, status de cada operação e alertas sobre vencimentos próximos. Tome decisões mais rápidas e informadas.
Relatórios Gerenciais
Gere relatórios detalhados sobre custos financeiros, exposição cambial, taxas médias contratadas e rentabilidade por operação. Utilize esses dados para negociar melhores condições com os bancos e otimizar sua estratégia de financiamento.
Integração com Bancos
A TRADEXA oferece integração com sistemas bancários para acelerar a análise de crédito, reduzir a burocracia documental e agilizar a liberação de ACC e ACE. O exportador ganha tempo e reduz custos operacionais.
Conclusão
O ACC e o ACE são instrumentos indispensáveis para o exportador brasileiro que busca competitividade no mercado internacional. O ACC oferece capital de giro para financiar a produção e proteção cambial, enquanto o ACE permite antecipar recebíveis e melhorar o fluxo de caixa após o embarque. A escolha entre um e outro depende do momento da operação, da necessidade de recursos e da estratégia cambial do exportador.
A combinação inteligente de ACC e ACE com outros instrumentos de trade finance — como carta de crédito, seguro de crédito, Proex e BNDES Exim — potencializa os benefícios e reduz os riscos. O exportador que domina essas ferramentas tem uma vantagem competitiva significativa: consegue oferecer prazos melhores aos compradores, proteger sua margem contra variações cambiais e manter um fluxo de caixa saudável.
Em um cenário de juros ainda elevados e volatilidade cambial, o conhecimento profundo de ACC e ACE não é mais um diferencial — é uma necessidade competitiva. E, com o suporte de plataformas como a TRADEXA, o exportador pode gerenciar suas operações de forma mais eficiente, reduzir custos e tomar decisões baseadas em dados reais, não em achismos.
Seja você um pequeno exportador dando os primeiros passos no comércio exterior ou uma grande corporação com operações globais, ACC e ACE são ferramentas que merecem atenção estratégica. Invista tempo em entender cada detalhe desses instrumentos, negocie com seus bancos as melhores condições e utilize a tecnologia a seu favor. O mercado internacional é competitivo, e o exportador bem preparado é o que colhe os melhores resultados.