ACC e ACE: Adiantamento de Contrato de Câmbio na Exportação Passo ...

Guia completo sobre ACC e ACE na exportação: como funcionam, diferenças, linhas de crédito, custos, fluxo documental e financiamento de operações de comércio exterior.

Publicado em 2026-06-26 | Atualizado em 2026-06-26 | TRADEXA Blog

O que é ACC e ACE?

ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues) são duas das modalidades de financiamento à exportação mais utilizadas no Brasil. Ambas permitem que o exportador receba o valor de suas vendas ao exterior antes do prazo efetivo de pagamento pelo importador, proporcionando capital de giro e mitigando riscos cambiais. Embora frequentemente mencionadas em conjunto, ACC e ACE são instrumentos distintos, com características, momentos de contratação e finalidades específicas.

O ACC é uma operação financeira por meio da qual o exportador contrata a venda de moeda estrangeira (câmbio) antes do embarque da mercadoria. Ou seja, o exportador recebe o equivalente em reais do valor exportado antes mesmo de produzir ou embarcar o produto. Já o ACE é contratado após o embarque da mercadoria, quando o exportador já possui os documentos que comprovam a exportação (conhecimento de embarque, fatura comercial, etc.) e entrega esses documentos ao banco para antecipação do pagamento.

Ambos os instrumentos são regulados pelo Banco Central do Brasil e fazem parte do arcabouço de financiamento à exportação brasileiro, que inclui também o Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e o BNDES Exim (financiamento via BNDES para empresas exportadoras).

Diferenças entre ACC e ACE

A principal diferença entre ACC e ACE está no momento da contratação em relação ao embarque da mercadoria. Essa diferença temporal tem implicações profundas nas taxas, nos riscos e na finalidade de cada operação.

Aspecto ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues)
Momento da Contratação Antes do embarque da mercadoria Após o embarque da mercadoria
Risco Cambial Total — o câmbio é fechado antes da produção Menor — prazo mais curto entre o fechamento e o recebimento
Taxa de Juros Geralmente mais baixa (menor risco para o banco) Pode ser ligeiramente mais alta
Prazo Médio 90 a 360 dias (até o embarque + prazo de pagamento) 30 a 180 dias (apenas prazo de pagamento)
Finalidade Principal Capital de giro para produção Antecipação de recebíveis
Exigências Documentais Contrato de câmbio + comprovante de habilitação Contrato de câmbio + documentos de embarque
Risco de Não Embarque Banhco assume o risco (com garantias do exportador) Não há risco de não embarque (já foi realizado)
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) Alíquota reduzida (0,38% ao ano para operações de até 180 dias) Alíquota reduzida (mesma base do ACC)
Impacto no Fluxo de Caixa Libera recursos antes da produção Libera recursos após o embarque
Disponibilidade em Dólar Sim, ACC cambial Sim, ACE cambial

ACC — Adiantamento sobre Contrato de Câmbio

O ACC é contratado antes do embarque da mercadoria. O exportador celebra um contrato de câmbio com o banco, comprometendo-se a entregar os documentos de exportação em uma data futura, e recebe antecipadamente o valor em reais. Esse recurso é utilizado tipicamente para financiar a produção: compra de matéria-prima, pagamento de fornecedores, custos logísticos, embalagem e todos os insumos necessários para fabricar o produto que será exportado.

O ACC é particularmente vantajoso para exportadores que operam com prazos de produção longos e precisam de capital de giro para executar os pedidos. Além disso, ao fechar o câmbio antes do embarque, o exportador elimina a incerteza cambial — ele sabe exatamente quantos reais receberá pela exportação, independentemente da variação do dólar entre a contratação e o pagamento efetivo.

ACE — Adiantamento sobre Cambiais Entregues

O ACE é contratado após o embarque da mercadoria, quando o exportador já possui os documentos comprobatórios da exportação (BL, fatura, packing list, etc.). O exportador entrega esses documentos ao banco (que os enviará ao banco do importador para cobrança) e recebe o valor em reais antecipadamente, descontados os juros e encargos bancários.

O ACE funciona, na prática, como um desconto de duplicatas no mercado internacional — o exportador transforma um direito de crédito futuro (a receber do importador) em dinheiro disponível imediatamente. É a modalidade ideal para o exportador que já produziu e embarcou, mas precisa de liquidez para continuar operando enquanto aguarda o pagamento do importador.

Quem Pode Utilizar ACC e ACE

Qualquer empresa exportadora regularmente habilitada no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) pode contratar ACC e ACE junto a bancos autorizados pelo Banco Central a operar em câmbio. Não há restrição por porte ou setor — desde microempresas até grandes corporações exportadoras podem se beneficiar desses instrumentos.

Requisitos Básicos

  • Estar habilitada no Siscomex como exportadora
  • Possuir contrato social ou estatuto que autorize a prática de comércio exterior
  • Ter registro no Cadastro de Exportadores e Importadores (CEI) da Receita Federal
  • Manter regularidade fiscal (certidões negativas de débitos federais, estaduais e municipais)
  • Ter capacidade financeira para honrar o compromisso cambial
  • Não estar inadimplente no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central
  • Apresentar garantias (quando exigidas pelo banco)

Empresas que Mais se Beneficiam

Perfil da Empresa Instrumento Mais Adequado Motivo
Pequeno exportador com pouca experiência ACE Menor risco cambial, documentação pós-embarque
Empresa industrial com ciclo produtivo longo ACC Capital de giro para produção
Trading company que opera com vários fornecedores ACC e ACE Flexibilidade para diferentes etapas
Exportador de commodities agrícolas ACC (pré-embarque) Financiamento do plantio e colheita
Exportador de serviços ACE Após a prestação do serviço
Empresa com fluxo contínuo de exportações Contrato de câmbio rotativo Eficiência operacional

Bancos que Oferecem ACC e ACE

Praticamente todos os grandes bancos brasileiros com mesa de câmbio oferecem ACC e ACE. A escolha do banco parceiro é uma decisão estratégica que impacta diretamente as taxas, os prazos e a qualidade do serviço.

Principais Bancos no Mercado

  • Bancos Múltiplos Grandes: Itaú BBA, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal — oferecem linhas robustas, taxas competitivas e ampla capilaridade.
  • Bancos Especializados em Comex: BDMG, BRDE, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia — têm linhas específicas para exportadores regionais.
  • Bancos Estrangeiros no Brasil: HSBC, Société Générale, Citibank — atendem especialmente empresas com operações globais.
  • Bancos Digitais e Fintechs: Algumas fintechs de câmbio estão começando a oferecer ACC e ACE com processos mais ágeis e taxas transparentes.

Critérios para Escolher o Banco

  • Taxas de Câmbio: Compare o spread cambial oferecido entre diferentes bancos. Uma diferença de alguns centavos por dólar pode representar milhares de reais em uma operação grande.
  • Taxas de Juros: A taxa de ACC/ACE varia conforme o prazo, o risco e o relacionamento com o banco. Negocie!
  • Limite de Crédito: Verifique se o banco pode oferecer limite suficiente para suas operações.
  • Prazo de Liberação: Bancos mais ágeis liberam o ACC em 24 a 48 horas após a contratação.
  • Qualidade do Atendimento: Uma mesa de câmbio responsiva faz diferença em momentos de volatilidade.
  • Integração com TRADEXA: Empresas que usam TRADEXA para gestão de comércio exterior podem integrar os dados com o banco para acelerar a análise de crédito e reduzir a burocracia documental.

Fluxo Documental Passo a Passo

Fluxo do ACC (Pré-Embarque)

  1. Negociação Comercial: Exportador e importador fecham o negócio, definindo valor, prazo, Incoterm e condições de pagamento.

  2. Abertura de Contrato de Câmbio: O exportador procura o banco e celebra um contrato de câmbio, comprometendo-se a vender a moeda estrangeira ao banco na data futura acordada. Neste momento, fica definida a taxa de câmbio (PTAX + spread).

  3. Pagamento do ACC: O banco credita o valor em reais na conta do exportador, descontados os encargos financeiros (juros, IOF, spread). O exportador utiliza esse recurso para financiar a produção.

  4. Produção e Embarque: O exportador utiliza o capital de giro para produzir e embarcar a mercadoria dentro do prazo acordado.

  5. Entrega dos Documentos: Após o embarque, o exportador entrega ao banco o jogo completo de documentos da exportação: fatura comercial, conhecimento de embarque, packing list, certificados, etc.

  6. Remessa ao Exterior: O banco envia os documentos ao banco do importador para cobrança.

  7. Recebimento do Exterior: Quando o importador paga, o banco recebe a moeda estrangeira e utiliza esses recursos para liquidar o contrato de câmbio (ACC).

  8. Liquidação Final: Se houver diferença entre o valor recebido e o contratado, o ajuste é feito na conta do exportador.

Fluxo do ACE (Pós-Embarque)

  1. Embarque da Mercadoria: O exportador já produziu e embarcou a mercadoria, possuindo os documentos comprobatórios.

  2. Entrega dos Documentos: O exportador entrega ao banco os documentos de embarque e celebra o contrato de câmbio (ACE). Como o embarque já ocorreu, o banco tem a garantia documental da operação.

  3. Pagamento do ACE: O banco credita o valor em reais na conta do exportador, descontados os encargos. Como o risco de não embarque não existe, o processo é mais rápido.

  4. Remessa ao Exterior: O banco envia os documentos ao exterior para cobrança.

  5. Recebimento e Liquidação: O banco recebe o pagamento do importador, liquida o contrato de câmbio e ajusta eventuais diferenças.

Documentos Exigidos

Documento ACC ACE Observação
Contrato de Câmbio (CC) Sim Sim Documento eletrônico registrado no Banco Central
Nota Fiscal de Exportação Sim (prévia) Sim (definitiva) Comprova a saída da mercadoria do estabelecimento
Fatura Comercial (Commercial Invoice) Não ainda Sim Documento base da operação
Conhecimento de Embarque (BL) Não ainda Sim Comprova o embarque marítimo
Conhecimento Aéreo (AWB) Não ainda Sim Para exportações aéreas
Packing List Não ainda Sim Detalhamento dos volumes
Certificado de Origem Não ainda Sim Quando exigido
Comprovante de Habilitação no Siscomex Sim Sim Registro de Exportador
Certidões Negativas Sim Sim Regularidade fiscal
Garantias Adicionais (avais, hipotecas) Quando exigido Raramente exigido Depende da análise de crédito

Taxas, Custos e IOF

Estrutura de Custos

Componente Descrição Impacto
Spread Cambial Diferença entre a taxa de compra do banco e a PTAX 0,5% a 3% dependendo do banco e do volume
Juros do ACC/ACE Taxa de juros sobre o valor adiantado (CDI + spread de risco) 1% a 4% ao ano acima do CDI
IOF Imposto sobre Operações Financeiras — ACC/ACE 0,38% ao ano sobre o valor (para operações até 180 dias)
Taxa de Contrato Cobrada pelo banco para registrar o contrato de câmbio R$ 50 a R$ 200
Taxa de Remessa Cobrada pelo envio dos documentos ao exterior USD 30 a USD 100
Comissão de Cobrança Cobrada pelo banco correspondente no exterior 0,1% a 0,5% do valor
Tarifa de Cadastro Cobrada na abertura do contrato Uma única vez, R$ 50 a R$ 150

IOF — Regras Específicas

O IOF para ACC e ACE é regulado pelo Decreto nº 6.306/2007 e suas alterações. A alíquota atual para ACC e ACE é de 0,38% ao ano (pro rata dia), incidente sobre o valor da operação, limitada ao prazo da operação. Para operações com prazo superior a 180 dias, a alíquota pode ser diferente.

É importante destacar que o IOF é um dos menores custos da operação, mas deve ser considerado no cálculo final. Para uma exportação de USD 500.000,00 com ACC de 90 dias, o IOF seria:

  • Valor: USD 500.000,00
  • Taxa de câmbio hipotética: R$ 5,50
  • Valor em reais: R$ 2.750.000,00
  • IOF: R$ 2.750.000,00 × 0,38% × (90/365) = R$ 2.569,86

Esse valor é relativamente baixo comparado ao spread cambial e aos juros, mas não deve ser ignorado no planejamento financeiro.

Exemplo Prático de Cálculo

Item Valor
Valor da Exportação (USD) 200.000,00
PTAX do Dia R$ 5,40
Spread Bancário (2%) R$ 0,11
Taxa de Câmbio Efetiva R$ 5,29
Valor Bruto em R$ R$ 1.058.000,00
Juros (12% a.a. × 120 dias) R$ 41.784,66
IOF (0,38% a.a. × 120 dias) R$ 1.322,50
Total de Encargos R$ 43.107,16
Valor Líquido Creditado ao Exportador R$ 1.014.892,84

Nesse exemplo, o exportador recebeu aproximadamente 96% do valor bruto da operação, considerando todos os encargos. Esse custo deve ser precificado na negociação com o importador.

Prazo de Fechamento

O prazo de fechamento é o período entre a contratação do ACC/ACE e a liquidação final do contrato de câmbio. Ele é composto por duas parcelas:

  • Prazo de Embarque (ACC apenas): Prazo entre a contratação do ACC e o embarque da mercadoria. Geralmente de 30 a 180 dias.
  • Prazo de Pagamento: Prazo entre o embarque e o recebimento do pagamento pelo importador. Pode ser à vista (0 a 10 dias) ou a prazo (30, 60, 90, 180 dias).

Para o ACC, o prazo total é a soma do prazo de embarque com o prazo de pagamento. Para o ACE, apenas o prazo de pagamento é considerado.

Prazos Típicos por Setor

Setor Prazo de Embarque (ACC) Prazo de Pagamento Prazo Total (ACC)
Commodities Agrícolas (soja, milho) 30 a 90 dias À vista a 30 dias 60 a 120 dias
Indústria Metalúrgica 60 a 120 dias 30 a 60 dias 90 a 180 dias
Máquinas e Equipamentos 90 a 180 dias 60 a 180 dias 150 a 360 dias
Calçados e Confecções 30 a 60 dias 30 a 60 dias 60 a 120 dias
Automotivo (Peças) 45 a 90 dias 30 a 90 dias 75 a 180 dias
Químico e Petroquímico 30 a 60 dias 30 a 60 dias 60 a 120 dias
Produtos Alimentícios Processados 30 a 45 dias À vista a 30 dias 30 a 75 dias

A definição do prazo ideal de fechamento é uma decisão estratégica. Prazos mais longos dão mais flexibilidade ao exportador, mas aumentam a exposição cambial e os custos financeiros. Prazos mais curtos reduzem custos, mas podem pressionar o fluxo de caixa.

Momento Ideal de Contratação

O momento ideal para contratar um ACC ou ACE depende de diversos fatores, incluindo a expectativa cambial, a necessidade de capital de giro, o prazo de produção e o perfil de risco do exportador.

Estratégias de Timing

  • Proteção Cambial (Hedge Natural): Se o exportador tem custos em reais e receita em dólar, a contratação antecipada do ACC fixa a taxa de câmbio, eliminando a incerteza. Em cenários de volatilidade cambial, essa proteção é valiosa.
  • Acompanhamento do Mercado: Exportadores que acompanham o mercado de câmbio diariamente (com auxílio de plataformas como a TRADEXA, que oferece cotações em tempo real e análises de tendência) podem escolher momentos de taxa favorável para fechar o câmbio.
  • Contratação Escalonada: Em vez de fechar todo o ACC de uma vez, o exportador pode contratar parcelas em momentos diferentes, pulverizando o risco cambial. Por exemplo, se a previsão é exportar USD 1.000.000 em 6 meses, o exportador pode fechar USD 200.000 por mês, aproveitando taxas médias.
  • ACC com Opção de Entrega Flexível: Alguns bancos oferecem ACC com janela de entrega flexível, permitindo que o exportador escolha o melhor momento para embarcar dentro de um período predeterminado.

Quando Contratar ACC

  • Taxa de câmbio está em patamar atrativo (acima da média histórica)
  • Necessidade de capital de giro imediato para produção
  • Expectativa de desvalorização do real (dólar subindo)
  • Ciclo produtivo longo (acima de 60 dias)
  • Margem reduzida que não suporta variação cambial

Quando Contratar ACE

  • Imediatamente após o embarque (melhor prática)
  • Necessidade de liquidez rápida
  • Taxa de câmbio favorável no momento
  • Operação já concluída, sem risco de embarque
  • Prazo de pagamento longo (acima de 30 dias)

Estratégias para Evitar Exposição Cambial

A exposição cambial é o principal risco financeiro do exportador. Variações na taxa de câmbio entre a contratação do negócio e o recebimento efetivo podem transformar uma operação lucrativa em prejuízo. Felizmente, existem diversas estratégias para mitigar esse risco.

1. ACC como Hedge Natural

A contratação do ACC fixa a taxa de câmbio no momento da contratação. Se o exportador contrata o ACC assim que fecha o negócio com o importador, ele elimina completamente o risco cambial para aquela operação. Esta é a estratégia mais simples e eficaz.

2. Hedge Cambial com Derivativos

Exportadores mais sofisticados podem utilizar instrumentos derivativos para se proteger contra variações cambiais sem necessariamente contratar o ACC imediatamente. Os principais instrumentos são:

  • NDF (Non-Deliverable Forward): Contrato a termo de moeda sem entrega física. O exportador acorda uma taxa futura com o banco e, no vencimento, ajusta a diferença.
  • Opções de Câmbio: O exportador compra uma opção de venda (put) de dólar, garantindo uma taxa mínima, mas mantendo a possibilidade de se beneficiar de uma valorização do real.
  • Swap Cambial: Troca de indexadores (CDI × variação cambial) para proteger o fluxo de caixa.

3. Diversificação de Moedas

Exportar para diferentes regiões em diferentes moedas (dólar, euro, libra, etc.) naturalmente dilui o risco cambial, pois as moedas não se movem na mesma direção ao mesmo tempo.

4. Contas em Moeda Estrangeira

O exportador pode manter contas em moeda estrangeira (CCME — Conta de Não Residente ou conta em dólar no Brasil) para receber os pagamentos em dólar e escolher o melhor momento para converter em reais. A Resolução CMN nº 3.265/2005 autoriza pessoas jurídicas a manter depósitos em moeda estrangeira no Brasil.

5. Uso da TRADEXA para Gestão de Risco Cambial

A TRADEXA oferece ferramentas de análise de mercado cambial que auxiliam o exportador na tomada de decisão sobre o momento ideal de contratação do ACC ou ACE. Com gráficos históricos, indicadores técnicos, calendário econômico e análises de especialistas, o exportador pode identificar tendências e tomar decisões mais informadas.

Além disso, a TRADEXA permite o monitoramento em tempo real das taxas de câmbio, com alertas personalizados que avisam o exportador quando a taxa atinge o nível desejado. Isso elimina a necessidade de ficar monitorando o mercado manualmente e garante que nenhuma oportunidade seja perdida.

Integração com Operações de Trade Finance

ACC e ACE não existem isoladamente — eles fazem parte de um ecossistema maior de trade finance que inclui cartas de crédito, seguro de crédito à exportação, factoring internacional, forfaiting e financiamentos estruturados.

ACC + Carta de Crédito

A combinação mais comum é ACC ou ACE com carta de crédito (LC). O exportador recebe a LC do importador, contrata o ACC para financiar a produção, embarca a mercadoria, apresenta os documentos ao banco e liquida o ACC com o pagamento da LC. Essa combinação oferece o melhor dos dois mundos: segurança de pagamento (LC) e capital de giro (ACC).

ACE + Seguro de Crédito

Exportadores que vendem a prazo sem LC (open account) podem combinar o ACE com seguro de crédito à exportação. O seguro cobre o risco de inadimplência do importador, e o ACE antecipa o recebimento. Essa combinação é ideal para operações recorrentes com parceiros de confiança no exterior.

ACC + Proex Equalização

O Proex Equalização é um programa do governo federal que reduz o custo do financiamento à exportação, pagando parte dos juros ao banco. Exportadores que contratam ACC podem solicitar a equalização do Proex, reduzindo significativamente a taxa de juros.

ACC + BNDES Exim

Para operações de maior valor e prazo mais longo, o BNDES Exim oferece financiamento direto ao exportador (BNDES Exim Pré-embarque) ou ao importador (BNDES Exim Pós-embarque). O ACC pode ser utilizado como ponte até a liberação do financiamento do BNDES.

Exemplo Prático de Integração

Etapa Instrumento Valor (USD) Prazo
1. Fechamento do negócio Contrato de compra e venda 500.000 -
2. Abertura da LC Carta de crédito irrevogável 500.000 120 dias
3. Contratação do ACC Adiantamento de 80% do valor 400.000 90 dias (embarque)
4. Produção Utilização do ACC - 60 dias
5. Embarque BL/Conhecimento de embarque 500.000 Dia 60
6. Apresentação dos documentos Ao banco para pagamento da LC 500.000 Dia 65
7. Liquidação do ACC Com recursos da LC 400.000 + encargos Dia 70
8. Recebimento do saldo Diferença entre LC e ACC 100.000 - encargos Dia 120

Nesse fluxo integrado, o exportador utilizou o ACC para financiar a produção (etapas 2 a 4), embarcou a mercadoria (etapa 5), apresentou os documentos da LC (etapa 6), liquidou o ACC com os recursos da LC (etapa 7) e recebeu o saldo remanescente (etapa 8). A TRADEXA pode ser utilizada em todas as etapas para monitorar prazos, gerenciar documentos e acompanhar o status de cada operação.

Como a TRADEXA Pode Ajudar

A TRADEXA é uma plataforma completa de inteligência de mercado e gestão de comércio exterior que oferece suporte ao exportador em todas as etapas da operação com ACC e ACE.

Monitoramento de Câmbio em Tempo Real

Acompanhe as cotações do dólar, euro, libra e outras moedas em tempo real, com gráficos históricos, indicadores técnicos e análises de tendência. Receba alertas personalizados quando a taxa atingir o nível desejado para contratar o ACC.

Análise de Risco de Contraparte

Antes de fechar um negócio, consulte a TRADEXA para obter relatórios de crédito e rating do importador, do banco emissor da LC e de outros parceiros internacionais. Reduza o risco de inadimplência e escolha as contrapartes mais confiáveis.

Gestão Documental Centralizada

Armazene e gerencie todos os documentos de exportação (faturas, BLs, certificados, contratos de câmbio) em um só lugar. A TRADEXA organiza os documentos por operação, facilita a consulta e envia alertas sobre prazos de vencimento e datas críticas.

Dashboard de Operações

Visualize em um único painel todas as suas operações de ACC e ACE, com informações sobre valores, prazos, taxas contratadas, status de cada operação e alertas sobre vencimentos próximos. Tome decisões mais rápidas e informadas.

Relatórios Gerenciais

Gere relatórios detalhados sobre custos financeiros, exposição cambial, taxas médias contratadas e rentabilidade por operação. Utilize esses dados para negociar melhores condições com os bancos e otimizar sua estratégia de financiamento.

Integração com Bancos

A TRADEXA oferece integração com sistemas bancários para acelerar a análise de crédito, reduzir a burocracia documental e agilizar a liberação de ACC e ACE. O exportador ganha tempo e reduz custos operacionais.

Conclusão

O ACC e o ACE são instrumentos indispensáveis para o exportador brasileiro que busca competitividade no mercado internacional. O ACC oferece capital de giro para financiar a produção e proteção cambial, enquanto o ACE permite antecipar recebíveis e melhorar o fluxo de caixa após o embarque. A escolha entre um e outro depende do momento da operação, da necessidade de recursos e da estratégia cambial do exportador.

A combinação inteligente de ACC e ACE com outros instrumentos de trade finance — como carta de crédito, seguro de crédito, Proex e BNDES Exim — potencializa os benefícios e reduz os riscos. O exportador que domina essas ferramentas tem uma vantagem competitiva significativa: consegue oferecer prazos melhores aos compradores, proteger sua margem contra variações cambiais e manter um fluxo de caixa saudável.

Em um cenário de juros ainda elevados e volatilidade cambial, o conhecimento profundo de ACC e ACE não é mais um diferencial — é uma necessidade competitiva. E, com o suporte de plataformas como a TRADEXA, o exportador pode gerenciar suas operações de forma mais eficiente, reduzir custos e tomar decisões baseadas em dados reais, não em achismos.

Seja você um pequeno exportador dando os primeiros passos no comércio exterior ou uma grande corporação com operações globais, ACC e ACE são ferramentas que merecem atenção estratégica. Invista tempo em entender cada detalhe desses instrumentos, negocie com seus bancos as melhores condições e utilize a tecnologia a seu favor. O mercado internacional é competitivo, e o exportador bem preparado é o que colhe os melhores resultados.